sábado, 31 de dezembro de 2011

OS ESTRAGOS DA TEXACO-CHEVRON NO EQUADOR

A matéria, publicada no Albared (26/12/11), pode ser lida aqui


NUMINOSUM EM NÚMEROS - 2011

Como tenho poucos amigos com quem conversar sobre  temas do meu interesse, tais como teologia, filosofia, arte e política, o Numinosum supre essa lacuna, permitindo que eu encontre  pessoas com gostos comuns, mas que também discordam, criticam e acrescentam. Abaixo alguns dados sobre o número de visitas recebidas pelo Numinosum em 2011 (informações do Google Analytics).  Feliz 2012 a todos!

O BOM SAMARITANO NA BAR JAN/FEV/2012


Amy-Jill Levine, professora de Novo Testamento na Vanderbilt University Divinity School, escreveu sobre a parábola do bom samaritano (Lc 10,29-37) na BAR de Jan/Fev 2012. Lenive desenvolve o texto apresentando quatro interpretações que ela considera “absurdas” em relação a esta popular parábola. A seguir, três delas:
1ª interpretação absurda– os ladrões seriam “bandidos sociais”, “combatentes da liberdade”, reagindo contra a pesada tributação do Templo e de Roma. O homem ferido seria, portanto, dupla vítima dos sacerdotes e levitas: pesada tributação/abandono à morte.

2ª interpretação absurda – o homem agredido pelos ladrões seria um comerciante ritualmente impuro, mal visto pelos sacerdotes e levitas, daí a indiferença com a qual foi tratado pelos dois.

3ª interpretação absurda – o sacerdote e o levita teriam evitado a vítima porque ela poderia estar morta. Tocá-la, neste caso, tornaria os religiosos ritualmente impuros. 
Quanto a este terceiro ponto tenho algo a comentar. A autora argumenta que tal interpretação não faz sentido, uma vez que a proibição de tocar cadáveres inclui apenas os sacerdotes (cf. Lv 21,1-3), não se aplicando, portanto, aos levitas.   Levine também explica que a Mishná (Nazir 7,1) “insiste que mesmo um sumo sacerdote deve assistir um cadáver negligenciado”. Faço duas considerações:

Primeira: a Torah inclui como ritualmente impuro qualquer israelita que tocar um cadáver (cf. Nm 9,6; 19,11.13.16). No caso dos sacerdotes, a única exceção refere-se aos seus parentes consanguíneos (she’er - Lv 21,2-3), o que não é o caso.

Segunda: a Mishná (conjunto de ensinamentos transmitidos oralmente pelos judeus) só ganhou a forma escrita no século II d.C. Utilizá-la, neste caso, é um anacronismo.

Mesmo discordando da autora nestes dois pontos, concordo que a mensagem central da parábola não é o anticlericalismo. Para ler a hipótese de Amy-Jill Levine, apresentada no final do seu texto, clique aqui.

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

LUTERO E OS CAMPONESES II

Vez por outra encontro alguém se esforçando em defender Lutero contra a acusação de que escreveu palavras duras demais contra os camponeses revoltosos. Relendo, "A Refoma", de Will Durant, me deparei com esta citação:
Um rebelde não é digno de receber resposta com argumentos, pois não os aceita. A resposta para uma boca assim é um soco no nariz para sangrar. Os camponeses não querem ouvir... seus ouvidos tem de ser abertos à bala, até que as cabeças lhe saltem dos ombros. Discípulos assim, precisam de varinhas assim. Aquele que não quer ouvir a Palavra de Deus quando é dita com bondade tem de ouvir o carrasco quando chegar com o machado... Não quero ouvir nem saber nada de misericórdia e sim dar atenção à vontade de Deus em Sua Palavra... Saul não pecou ao demonstrar misericórdia para com Amalec quando deixou de executar a ira de Deus que lhe fora ordenada?  (DURANT, Will. A Reforma, p. 330). 
É verdade que Lutero era um sujeito impulsivo, "sangue quente"; que os camponeses estavam passando dos limites, mas cá entre nós, não dá para defender o reformador alemão! 

UM ZODÍACO EM NÚMEROS 2,2-3?

Em 2005 fraturei meu polegar numa partida de futebol. Resultado: uma cirurgia e dois pinos de metal cravados no metacarpo direito. Lançado numa cama de hospital por três dias comecei a reler o Antigo Testamento. A partir de Ex 25, diante das tão detalhadas descrições do tabernáculo e das vestes sacerdotais, peguei um lápis e me pus a representá-los num pedaço de papel (sou destro, foi uma tarefa difícil!). E assim foi. Quando cheguei ao livro de Números fui despertado por uma descrição um tanto curiosa: Doze tribos (cada qual com sua bandeira) reunidas ao redor do tabernáculo, que por sua vez era rodeado por quatro grupos: Meraritas (norte), Coatitas (sul), Arão/Moisés/levitas (leste) e Gersonitas (oeste).  O rascunho, agora melhorado num editor de imagens, me fez pensar num... veja você mesmo: 

É, um zodíaco. Quem escreveu Números parece ter se inspirado em elementos da cultura mesopotâmica ou egípcia. Abaixo um antigo zodíaco egípcio reproduzido na tampa do sarcófago da deusa Nut (início do II séc.). A deusa no centro, os signos ao redor. Coincidência?

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS - CARL JUNG

Carl Jung é, sem dúvida, um dos pensadores mais mal compreendidos no âmbito da psicologia. No fim de sua vida, após muita insistência do editor britânico John Freeman, Jung resolveu aceitar a tarefa de escrever um livro para leigos. O resultado foi "O homem e seus símbolos", uma obra ricamente ilustrada que cumpre o que promete: apresentar ao leitor o pensamento de Jung sem complicação (até onde isso é possível, claro). Na verdade apenas o primeiro capítulo foi escrito pelo psicólogo e filósofo suíço (cerca de 1/3), os demais foram produzidos por colaboradores de sua confiança. Em 2005 minha esposa me presenteou com o livro. Jamais parei de ler. Abaixo o sumário da obra:

1. Chegando ao inconsciente (Carl Jung),
2. Os mitos antigos e o homem moderno (Joseph L. Henderson),
3. O processo de individualização (M.-L. von Franz),
4. O simbolismo nas artes plásticas (Aniela Jaffé),
5. Simbolismos numa análise individual (Jolande Jacobi),

Caso você queira dar uma expiada na obra antes de comprar, uma dica: é fácil baixar "O homem e seus símbolos" em sites como 4shared, esnips, etc. 


Jones F. Mendonça

SEXISMO EM ISRAEL

Naamã, uma estudante de 08 anos, foi cuspida e chamada de "prostituta" por judeus ultra-ortodoxos em Beit Shemesh, a 30 Km de Jerusalém.  O motivo da agressão foi o modo como a menina se vestia (pouca roupa para os padrões dos ultra-ortodoxos). Traumatizada, a menina desabafou (cf. Al Jazeera, 27/12/11):
Enquanto eu caminhava para a escola na parte da manhã eu costumava ter dor de barriga, com medo [...] deles começarem a gritar e a cuspir."
Apesar de representarem uma minoria, os ultra-ortodoxos possuem grande influência em Israel. O episódio gerou protestos de cidadãos israelenses indignados com a violência. Assista ao vídeo (Al Jazeera):

domingo, 25 de dezembro de 2011

FRANCO ATIRADOR ISRAELENSE DERRUBA MAIS UM EM NABI SALEH

Duas semanas após a morte de Mustafá Tamini durante uma manifestação na aldeia de Nabi Saleh, um jornalista foi ferido na coxa por um projétil de gás lacrimongênio (cf. Uruknet Info, 23/12/11). Se a violência dos soldados israelenses contra os moradores da aldeia palestina continuar assim, em poucos anos não restará qualquer pessoa para protestar. 

Antes que alguém me pergunte por que não publico notícias da violência dos terroristas palestinos contra israelenses eu respondo: porque elas saem aos montes em jornais de grande circulação.  Optei por publicar o que poucos publicam. Optei por publicar o sofrimento do lado mais fraco e injustiçado. Assista ao vídeo:

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

RETROSPECTIVA 2011 EM IMAGENS

O The Big Picture selecionou uma variedade de imagens que marcaram o ano de 2011. Dividida em duas partes, a coleção pode ser vista aqui e aqui. Abaixo a imagem de um assustador manifestante grego num confronto com a  polícia durante uma greve geral (28/07/11). 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

NO MÍNIMO DESELEGANTE

Alguém duvidou da sinceridade do luto dos norte-coreanos diante da morte do líder do país, Kim Jong-Il. Todos os canais de TV repetiram isso insistentemente. Mania de julgar a cultura alheia de acordo com nossos padrões. Arnaldo Carrilho, embaixador brasileiro que vive na capital do país há mais de um anos afirma: "a Coreia do Norte está encoberta em luto profundo". O lamento é sincero. 

Feio para os nossos jornalistas...


Jones F. Mendonça


CARTOON CONTRA O TERRORISMO

Que tal baixar um livro em PDF com uma infinidade de cartoons com o tema "terrorismo". Confira o trabalho de Hamid Bahrami (Irã), Pawel Kuczynski (Polônia), Mohammadreza Doustmohammadi (Irã), Agim Sulaj (Itália) e Mohammad Amin Aghaei (Irã) aqui.  O material está escrito em árabe e é cortesia do Iran Cartoon

AINDA O MINIMALISMO BÍBLICO...

Anunciei aqui um artigo publicado na Biblical Archaelogy Review (BAR) tratando sobre a suposta morte do minimalismo bíblico (se você não sabe o que é o minimalismo bíblico, clique aqui).   O artigo foi escrito por Yosef Ganfinkel,  professor de arqueologia pré-histórica e arqueologia da época bíblica na Universidade Hebraica de Jerusalém.

O site The Bible and Interpretation deste mês publicou um novo artigo sobre o assunto. Ele é assinado por Philip Davies, da Universidade de Sheffield, Inglaterra. Para Davies o professor Ganfinkel está redondamente enganado.  Caso queira ler seus argumentos (já raduzidos pelo Google), clique aqui

Jones F. Mendonça

EXTREMISMOS

Na França:
Membros do partido do presidente francês Nicolas Sarkosy apresentaram na semana passada um projeto de lei que torna crime negar que o assassinato em massa de armênios em 1915 foi um genocídio (cf. Portal Terra, 22/12/11). Engraçado. Adoramos criticar regimes totalitários como Cuba e Coreia do Norte e a França me sai com mais essa (depois de proibir o véu muçulmano e as orações em público). Em minha opinião os cidadãos devem ser livres para negar o que quer que seja: a existência de Deus, dos dinossauros, a ida do homem à lua, a tortura pelos militares na época da ditadura, o holocausto nazista, a inquisição, etc. 

Em Israel:
O partido israelense de direita religiosa Eretz Yisrael Shelanu (Nossa Terra de Israel) lançará uma campanha prevista para 31 de dezembro utilizando citações do rabino Ovadia Yosef  que afirmam que o ex-primeiro ministro Ariel Sharon foi punido por Deus com uma doença por ter devolvido a Faixa de Gaza aos Palestinos em 2006 (cf. Haaretz, 22/12/2011). Eis uma das citações: "como é cruel esse homem do mal para fazer coisas assim [...] Deus vai feri-lo de novo de modo que ele nunca mais vai se levantar". Como se vê, o fundamentalismo judaico é tão nocivo quanto o islâmico, o cristão, o ateu, o hindu...

Jones F. Mendonça

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MAGRITTE E PESSOA: QUANDO O PINCEL DÁ AS MÃOS À PENA

"Descendo hoje a Rua Nova do Almada, reparei de repente nas costas do homem que descia diante de mim. Eram as costas vulgares de um homem qualquer, o casaco de um fato modesto num dorso de transeunte ocasional. (...) Volvi os olhos para as costas do homem, janela por onde vi estes pensamentos" (Fernando Pessoa).

Decalcomania, René Magritte, 1966.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O HEBRAICO E O ASSÍRIO

Navegando pela internet há alguns anos acabei na página do projeto Gutemberg. Fiz muitas pesquisas no catálogo e achei a magnífica obra ilustrada: The seven great monarchies ofthe ancient eastern world; or, the history, geography, and antiquities of Chaldaea, Assyria, Babylon, Media, Persia, Parthia, and Sassanian, or newpersian empire, escrita por ninguém menos que George Hawlinson. 

No final do capítulo V (linguagem e escrita), o autor, apesar de admitir que é historiador e arqueólogo e não filólogo, destaca semelhanças entre o assírio e o hebraico. Abaixo você vê uma relação de palavras selecionadas pelo autor (veja mais aqui):





DISCURSO RACISTA EM TEL AVIV

Quem discursa no vídeo é Michael Ben-Ari, membro do Knesset (parlamento israelense). O motivo da ira é a o crescente número de sudaneses no país. Ao fundo é possível ouvir: "nós viemos para extirpar as trevas!". A notícia chegou a ser publicada no Haaretz, mas foi inexplicavelmente removida (mas um espertinho deu um "print screen" na tela do Haaretz antes que a matéria fosse removida, veja aqui). O racismo em Israel não é diferente dos demais países. Meu objetivo ao postar este vídeo é simplesmente mostrar que em Israel há lobos e cordeiros, como em qualquer parte deste planeta. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O PÉ, A PERNA E A GENITÁLIA: OS MÚLTIPLOS SIGNIFICADOS DE RÉGUEL


A palavra réguel em hebraico
A palavra hebraica réguel (geralmente traduzida por “pé”) é uma das muitas que confundem tradutores da Bíblia. Dentre algumas de suas traduções possíveis estão: pé, planta do pé, perna, órgãos genitais, passos, etc.

Devido ao seu excessivo apego à literalidade, a Bíblia Almeida Corrigida e Fiel (ACF) traduz réguel por pé em Is 7,20. O resultado (catastrófico) é este que você vê abaixo:
Naquele dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, [...] a cabeça e os cabelos dos pés (reguelim; pl. de reguel); e até a barba arrancará.
Uma vez que réguel também pode significar “perna”, a Nova Versão Internacional (NVI) apresenta uma tradução melhor:
Naquele dia o Senhor utilizará uma navalha alugada [...] a sua cabeça e os pêlos de suas pernas e da sua barba.
Com uma rara ousadia, a Almeida Revista a Atualizada (ARA) esquiva-se de uma tradução mais literal. Como em alguns casos réguel é um eufemismo para os órgãos genitais, a tradução ficou assim:
Naquele dia, rapar-te-á o Senhor com uma navalha [...], a cabeça e os cabelos das vergonhas e tirará também a barba.
Um famoso caso onde réguel é um claro eufemismo para genitália (contrariando a opinião conservadora de Norman L. Geisler) ocorre em Rt 3,4:
Quando ele repousar [referindo-se a Boaz], notarás o lugar em que se deita; então, chegarás, e lhe descobrirás os pés, e te deitarás; ele te dirá o que deves fazer (ARA).
Para Norman Geisler, “descobrir os pés” é apenas “uma descrição literal de uma prática comum naquela época para demonstrar submissão e sujeição” (GEISLER, Norman, Manual popular: dúvidas, enigmas e contradições da Bíblia, p. 161). Este autor ainda argumenta que quando o texto diz que Rute se deitou ao lado de Boaz, o leitor deve entender que ela apenas se reclinou numa atitude de respeito (não, para ele não houve relação sexual!). A capa que Boaz estendeu sobre ela apenas indicaria a responsabilidade que ele tinha de acordo com a lei do levirato (!). 

Recurso comum entre apologistas moralistas: O sentido do texto deve ser sempre o literal, exceto para retirar do texto suas "impurezas". 


Errata: acompanhe a discussão sobre o texto de Rt 3,4 aqui

Jones F. Mendonça

DAVI CONTRA GOLIAS

Esquerda: palestino atirando pedras. Ao fundo o assentamento israelense.
Direita: militares israelenses
Desde 2009 os habitantes de Nabi Saleh protestam contra o roubo de suas terras por colonos israelenses. Cerca de 13% da população local já foi detida por participar dos protestos pacíficos, considerados ilegais por Israel (incluindo 29 crianças e quatro mulheres). Na última sexta-feira (09/12/11), um grupo de moradores e ativistas internacionais e israelenses organizou um novo protesto e marchou em direção a terra usurpada pelo assentamento israelense de Halamish. Um dos manifestantes, Mustafá Tamini, 28, perseguiu uma viatura militar blindada para atirar pedras. Um soldado israelense que estava na viatura abriu a porta e atirou uma granada de gás lacrimogênio diretamente no seu rosto. Mustafá não resistiu aos ferimentos e morreu. Abaixo algumas fotos via Aljazeera (veja também no Haaretz): 



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A SALVAÇÃO QUE VEM DAS TREVAS

Folheto que apareceu ontem na minha caixa de correio:
Ao invés de Is 9,2, eu sugeriria um versículo mais adequado ao título: "O Senhor disse que habitaria nas trevas (hb. 'arafel)" (1 Rs 8,12). 

Fora de contexto, porém, muito mais adequado para quem quer seduzir pessoas atraídas pelo "lado negro da força". Na Idade Média quando o Deus cristão não resolvia um problema, recorria-se ao Diabo. No século XXI algumas igrejas simplificaram as coisas. Yahweh é, ao mesmo tempo, o "Pai das Luzes" e o "Senhor das Trevas". É, mas num passado distante a fé de Israel também já foi assim...

NATAL EM BELÉM 2011 [CHARGE]

Fonte: Desertpeace
Fotos e mapas da Belém murada aqui. Minha opinião: Murar uma cidade para impedir o terrorismo em Israel é como murar as favelas cariocas para impedir a ação dos traficantes no asfalto. Os inocentem que se danem, pensam os idealizadores de tais projetos. Ser palestino (ou muçulmano ou árabe) virou sinônimo de terrorista. Morar numa favela virou sinônimo de traficante. Uma generalização burra, preconceituosa!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

NOTAS SOBRE GAZA [QUADRINHOS]

Se o holocausto dos judeus fosse visto como um crime contra a humanidade e não contra um grupo específico, as atrocidades que foram cometidas pelos nazistas não se repetiriam tão facilmente. A imagem do judeu como vítima ficou tão marcada na consciência dos povos que a mídia internacional hesita em publicar crimes de guerra cometidos pelo Estado judeu. 

O cartunista maltês naturalizado americano Joe Sacco, pioneiro em jornalismo em quadrinhos, resolveu mudar esse quadro investigando a fundo o massacre de civis por tropas israelenses, num episódio ficou conhecido (ou desconhecido) como o "massacre de Khan Yunus". Suas impressões sobre o conflito podem ser lidas em português no seu trabalho "Notas sobre Gaza" (Quadrinhos na Cia., 420 págs., R$55,00). 

Quando é acusado de apresentar apenas um dos lados do conflito Sacco se defende: "a visão do governo israelense já está bem representada pela grande mídia norte-americana, e é calorosamente defendida por quase todo político eleito para altos cargos nos Estados Unidos". 

Enfim, todo mundo sabe que cerca de seis milhões de judeus foram mortos nas mãos dos nazistas, mas poucos sabem como são tratados os palestinos da faixa de Gaza e da Cisjordânia. "Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado" já dizia George Orwell, em 1984...


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

GUERRA CONTRA O PROGRAMA NUCLEAR IRANIANO JÁ COMEÇOU

Imagem: Haaretz
O programa nuclear do Irã tem ganhado as manchetes dos principais jornais do mundo. O que muita gente não sabe é que os serviços secretos dos EUA (CIA), Israel (Mossad) e Gra-Bretanha (MI6)  vem desenvolvendo operações de sabotagem há anos visando impedir que este país consiga produzir uma arma atômica. As ofensivas incluem infeções de computador por vírus (Stuxnet), explosões e assassinatos. 

Duas excelentes matérias sobre o assunto podem ser lidas no Haaretz e no Al Jazeera

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TRANSE E POSSESSÃO

 "O exorcista", 1973.
Um tema que desperta anos meu interesse há alguns anos é o fenômeno da possessão. Entenda-se por possessão um estado em que a individualidade de uma pessoa é temporariamente substituída por outra. Se essa nova individualidade é assumida por um demônio, anjo, espírito desencarnado, zars, pepos ou o que quer que seja, pouco importa. O fato é que não podemos classificar todos os casos de possessão como fingimento. Certa vez tive o desprazer de me deparar com um rapaz em "estado de possessão" enquanto participava de uma ação social numa rodoviária. O rapaz, com os olhos fixos nos meus, bebia sucessivamente os inúmeros copos de refrigerante que eu lhe servia. Ao final de cada golada ele dizia: mais! O refrigerante acabou e ele começou a dizer coisas sem sentido. Em meio a essas frases aparentemente desconexas iam saindo revelações sobre a minha vida pessoal. Um experiência perturbadora. 

A busca por uma explicação para os fenômenos de possessão foi empreendida por estudiosos proeminentes tais como Freud, Carl Jung (psicanalistas), Pierre Verger (antropólogo), William James (filósofo) e Aldous Huxley (escritor).   Um livro particularmente interessante sobre o assunto foi escrito pelo psiquiatra inglês William Sargant. Ele viajou pelo mundo ao lado de sua esposa registrando experiências de possessão com sua câmera e seu gravador. O livro contém algumas fotos e muitos relatos impressionantes. O foco do seu trabalho é o ambiente altamente sugestionável produzidos por alguns cultos religiosos (vodu, avivalistas cristãos, umbanda, etc.). 

Em diversas ocasiões Sargant confessa o quão envolvente pode ser um culto religioso:
"Pessoalmente sempre me mantive vigilante contra isso [ser subitamente dominado pelo estado de possessão], mantendo a mente ocupada ao filmar, fotografar e gravar o que se sucedia ao meu redor. Manter a mente vazia, aumentando a emotividade pessoal, ficando com raiva ou com medo, é tornar-se altamente vulnerável a essa experiência..." (SARGANT, William. A possessão da mente, p. 220). 

"Minha esposa observou-me que eu parecia estar tão hipnotizado e em transe quanto os manuseadores de cobras que eu fotografava [em revivals nos Estados Unidos] (Id. ibid, p. 228)" .

"Temi ser envolvido repentinamente pelo ritmo e entusiasmo, terminando por entrar em estado de transe e êxtase" (Id. ibid. p. 229). 
Um outro livro de Sargant sobre o assunto (Battle for the mind, 1957) provocou tanto impacto na época em que foi publicado que o famoso pastor da capela de Westminster, D. Lloyd-Jones (forte opositor da teologia liberal), se viu obrigado a proferir uma palestra (conversões: psicológicas e espirituais) para ministros cristãos no final da década de 50 com o intuito combater seu ceticismo. A palestra do pastor Lloyd-Jones, ao lado de inúmeras outras, foi publicada no Brasil pela editora PES (Discernindo os tempos: palestras proferidas entre 1942 e 1977). 


Jones F. Mendonça

ESTUDOS LITERÁRIOS E LINGUÍSTICOS NO CÂNTICO DOS CÂNTICOS [LIVRO GRÁTIS]

A Society of Biblical of Literature  está disponibilizando gratuitamente (para países com baixa renda per capita) o livro: "Solomon’s vineyard: literary and linguistic studies in the song of songs", de Scott B. Noegel e Gary A. Rendsburg. Na Amazon o livro custa cerca de $ 30,00.

Segue trecho da descrição do livro:

Os autores concluem que o poema foi escrito durante o período das duas monarquias, provavelmente por volta de 900 a.C., em algum lugar no norte de Israel, com o objetivo de censurar o rei Salomão e seus descendentes no trono em Jerusalém. 

Você pode baixar o livro aqui.

TEOLOGIA DA REFORMA [CAPA DE APOSTILA]

Espero concluir até o final do ano a apostila sobre a teologia da Reforma que estou preparando para meus alunos do STBC. O material contará com o seguinte sumário:

1. Os pré-reformadores: John Wycliff e Jan Hus
2. Erasmo de Hoterdã
3. Martinho Lutero
4. Ulrico Zwínglio
5. João Calvino
6. A Reforma radical
7. A Reforma inglesa
8. A Contra-Reforma
9. A ortodoxia luterana e reformada
10. Anexos (documentos produzidos pelos reformadores) 

O conteúdo da apostila não terá caráter apologético. A capa, em fase de conclusão, está abaixo:

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

RABINOS IMPORTAM CARNE DE GANSO COM SABOR DE PORCO

Pode parecer piada, mas é sério. Alguns rabinos em Israel querem importar gansos da Espanha com sabor de carne suína. O importador, o rabino Yona Metzger, certificou-se com chefs não judeus que a carne tem mesmo o sabor anunciado pelos vendedores espanhóis. O escritório de Metzger diz que não há nada na lei judaica que impeça um judeu de comer ganso, não importa o gosto, desde que seja abatido de acordo com o ritual judaico. 

Acabo de ler a notícia no Haaretz. Leia aqui.

Caso a importação ocorra, os gansos também deverão fazer sucesso na Cisjordânia e em Gaza, pois os muçulmanos também não comem carne suína.  

EDITH PIAF: NON, JE NE REGRETTE RIEN


Cena arrebatadora do filme francês, "Piaf, um hino ao amor". A canção está entre as dez mais belas na opinião do físico teórico Stephen Hawking (e na minha também). A singular voz de Edith Piaf, com a mesma canção, também encerra outro filme francês de tirar o fôlego: "Os sonhadores", de Bernardo Bertolucci. A letra reflete o estado de espírito da cantora: 

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo me é igual!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus "tremolos" (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!
Começa com você.

ISRAEL MANDA DEMOLIR POVOADO PALESTINO NA CISJORDÂNIA

Muitos conhecem a famosa frase do líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarando que deseja "varrer Israel do mapa". Mas o que o Irã apenas declara, Israel de fato faz em relação aos palestinos. A ação, que é lenta, progressiva e contínua, constantemente é denunciada pelo jornal israelense Haaretz. Abaixo trechos da matéria da EFE, via Portal Vermelho (23/11/11):
Todas as casas do povoado beduíno de Deqeiqa, no sul de Hebron, receberam ordem militar de demolição, em um mais um exemplo da política de expulsão israelense na Cisjordânia ocupada, segundo denunciam organizações de direitos humanos.

[...]
Yousef Nayada, líder local, denunciou que "os israelenses constroem casas de luxo nos assentamentos enquanto retiram as dos palestinos". Sobre a transição para Hameda, o representante se opõe: "Lá (Hameda) não resta um só metro quadrado livre. Temos três mil ovelhas e cabras e 150 camelos, precisamos de espaço".
Leia mais aqui

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO CONTEST 2011

No final deste mês encerram-se as inscrições para o concurso National Geographic 2011. O The Big Picture publicou uma seleção de 54 fotos já cadastradas. Delicie-se aqui

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NOS SUBTERRÂNEOS DO INCONSCIENTE


Uma tartaruginha marinha sai do seu ovo numa praia qualquer da América do Sul. Surpreendentemente ela não hesita e parte imediatamente para o lugar mais improvável: as agitadas ondas do mar. Ninguém ensinou aquela coisinha miúda a andar, nadar, tampouco que o mar é um bom lugar para se viver. Mas é para lá que ela vai com todas as suas forças.

Uma ninhada de pintainhos acaba de nascer numa fazenda no sul da França. Mal saem dos ovos os desajeitados pintainhos partem para uma área descoberta e se deparam com um falcão. A reação é imediata. Os pintainhos fogem apavorados. O comportamento se repete até mesmo quando avistam um falcão de madeira. Curiosamente eles não temem aves como pombos ou pelicanos. Tal comportamento não foi ensinado pelos pais ou por outros membros da espécie, mas recebidos por herança. A origem desse fenômeno está no sistema nervoso central e é acionado pelos  “mecanismos liberadores inatos”.

Outro fenômeno curioso observado em animais é a estampagem (imprinting). O etólogo Konrad Lorenz notou que nas primeiras horas de vida um patinho tem grande probabilidade de se apegar à primeira coisa que vê. Ele adorava entrar na sala de aula acompanhado de patinhos “apaixonados”. Diferentemente do comportamento das tartarugas e dos pintainhos, a ligação entre os patinhos e o “objeto amado” é adquirido em vida. Estudos sobre a ocorrência da estampagem em seres humanos não são conclusivos.

Há paralelos entre as observações feitas pelos etólogos e a psicanálise. Carl Jung, por exemplo, percebeu que a psiquê humana possui um substrato psíquico comum de caráter inato (que ele chamou de inconsciente coletivo). Tal substrato psíquico pode se manifestar em sonhos ou mitos, apresentados na figura dos arquétipos. O inconsciente coletivo se distingue do inconsciente pessoal. Este último não possui caráter universal ou hereditário, mas contém lembranças perdidas ou reprimidas (não apenas de cunho sexual, como sustentava Freud).

As implicações das teorias de Jung são óbvias: no subterrâneo da nossa psique agem forças que escapam ao nosso controle. O homem não está preso somente ao passado de sua infância, mas também ao passado de sua espécie. Coube a Jung colocar a psiquê dentro do processo evolutivo.  

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SAIU A E-SWORD VERSÃO 10

Quem não tem condições de adquirir o excelente (e caro) programa Bible Works, pode contar com programas gratuitos de ótima qualidade como a e-Sword. O programa proporciona Bíblias em diversos idiomas ( incluíndo, é claro, o grego e o hebraico), dicionários bíblicos, busca de palavras, mapas e muito mais. 

A versão 10.0.5 já está disponível para download no site oficial da e-Sword. A nova versão é compatível com todas as ferramentas da versão 9.x. 

Você consegue muitas ferramentas em espanhol neste site. Aproveite!

HISTÓRIA DA TEOLOGIA: PATRÍSTICA, PRÉ-ESCOLÁSTICA E ESCOLÁSTICA [RESUMO]

Ao ser convidado para lecionar a disciplina "teologia da reforma" neste ano no STBC, entendi ser oportuno apresentar na primeira aula um resumo da história da teologia desde os pais apostólicos até o declínio da teologia escolástica. Consultei alguns livros e o resultado é este que você vê abaixo. Espero que lhe seja útil. 
História da teologia: patrística, pré-escolástica e escolástica [resumo]

FAVELA CARIOCA [CHARGE]

Fonte: Charge Online

terça-feira, 15 de novembro de 2011

APOSTILA DE HEBRAICO II


Venho trabalhando há algum tempo numa apostila de hebraico que possa ser útil aos meus alunos do STBC. Publiquei aqui a primeira parte (consoantes e vogais). Hoje estou publicando algo sobre acentos e outros sinais importantes no hebraico.

Apostila de Hebraico II (Acentos e Sinais Importantes)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

LUIZ FELIPE PONDÉ NO RODA VIVA

O filósofo e psicanalista Luiz Felipe Pondé, doutorado em Filosofia pela USP/Universidade de Paris e pós-doutorado em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, foi entrevistado por Marília Gabriela no programa Roda Viva. 

Para conferir a entrevista, em quatro blocos, clique aqui

Atualmente Pondé é professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião e do Departamento de Teologia da PUC-SP, da Faculdade de Comunicação da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) e professor convidado da pós-graduação de ensino em ciências da saúde da Universidade Federal de São Paulo e da Casa do Saber.


ATAQUE AO IRÃ PODE OCORRER ANTES DO NATAL

Usina nuclear iraniana. Foto: AP
A informação é do jornal britânico Daily, via Haaretz (10-11-11): 

Funcionários do alto escalão do governo britânico acreditam que Israel vai lançar um ataque militar às instalações nucleares iranianas dentro de dois meses. Fontes do governo britânico dizem que há um entendimento consensual que Israel vai tentar danificar ou destruir instalações nucleares do Irã com o apoio logístico norte-americano. 

Continue lendo aqui

A Rússia diz que ataque será um erro grave. Leia a matéria publicada no Al Jazeera


terça-feira, 8 de novembro de 2011

OBAMA E SARKOZY FALANDO MAL DE NETANYAHU: IMPERDÍVEL

Acabo de chegar da aula de hebraico. Sento-me diante da TV e ouço a notícia: Obama e Sarkozy foram flagrados falando mal do primeiro ministro de Israel, Benjamim Netanyahu. Eu, claro, dei boas gargalhadas. Segue trecho publicado no Haaretz (08-11-11):
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse ao presidente dos EUA, Barack Obama, na semana passada, que ele estava farto de lidar com primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e considerou-o um mentiroso.
Sarkozy fez o comentário durante uma conversa particular com Obama durante uma reunião de cúpula do G20 na cidade de Cannes na semana passada. Os comentários foram ouvidos por um pequeno número de jornalistas e mantidos em segredo até então.
Agora a melhor parte:
Eu não posso suportar Netanyahu [diz Sarkozy], ele é um mentiroso. 
Eu assino embaixo!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

GUERRA À VISTA

Imagem: Casso/Iran Cartoon
O que já vinha sendo noticiado há algum tempo em jornais israelenses, parece ter ganhado atenção internacional: o ataque ao Irã. Veja no J Post, Haaretz, Al JazeeraYnet e Maariv. Publiquei aqui a opinião de Meir Dagam, ex chefe do Mossad (serviço de inteligência israalense), sobre um possível ataque israelense à instalações nucleares iranianas. 

Jones F. Mendonça

GRAMÁTICAS E LÉXICOS DE HEBRAICO PARA DOWNLOADS


Há quem ainda não saiba que o Google disponibiliza muitos livros para download que já caíram em domínio público. No ano passado, quando convidado para lecionar hebraico no STBC, baixei tudo o que encontrei pela frente. Uma das preciosidades que se pode encontrar, por exemplo, é a clássica gramática de hebraico bíblico escrita pelo hebraísta alemão Willian Gesenius' (em inglês).

Devido a minha falta de habilidade com o inglês fui obrigado a me concentrar primeiro nas obras escritas em espanhol, idioma que domino com certa facilidade, e, lógico na única obra que encontrei em português (do século XIX, diga-se de passagem). Nas férias deste ano pretendo me concentrar no léxico e na gramática de Gesenius'. É o que há de mais completo sobre o assunto. Abaixo uma relação do que encontrei:

Em português:

DA PAZ, Francisco. Compêndio dos princípios da grammatica hebraica. Coimbra: Real Imprensa da Universidade, 1826.

Em espanhol:

BRAUN, J.J. Gramática hebrea. Madrid: Libreria de A. Duran, 1867.
CHAVEZ, Moises. Diccionario de hebreobiblico. Editorial Mundo Hispano: El Paso, Tx, 1997.
GARRIGA, Ramón Manuel. Elementos de Gramática hebrea. Barcelona: Estabelicimiento Tipográfico de Narciso Ramirez y Compañia, 1866.

Em inglês e francês:

BENNER, Jeff A. The ancient hebrew lexicon of the Bible. College Station, Tx, 2005.
CHOMSKY, Willian. The eternal linguage. Skokie, Illinois: Varna Books, 2001.
COWLEY, A. E. (edit). Gesenius' hebrew grammar. Oxford University Press, 1909.
GLINERT, Lewis. Modern hebrew. Routledge, 2005.
HOOGHT, Everardo Van Der (edit.) New York. The Hebrew Bible.Whiting and Watson, 1815.
JOÜON, P. Paul. Grammaire de l'hébreu biblique. Rome: Institut Biblique Pontifical, 1947.
MITCHEL, Larry A. A Student's vocabulary for Biblical hebrew and aramaic, 1984.
SEIXAS, J. A Manual hebrew grammar for the use of beginners. Michigan: Gould and Newman, 1834.
STUART, Moses. A Hebrew Grammar with a Praxis on Select Portions of genesis and the Psalms. Publisher. Andover, Flagg and Gould, Printed at the Codman Press, 1823.


Jones F. Mendonça

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O CÂNTICO DOS CÂNTICOS GANHA CONGRESSO EM VENEZA

O site do IHU (01-11-11) noticiou que Veneza receberá, entre os dias 3 a 6 de novembro, um congresso sobre o livro de Cantares patrocinado pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Participarão do debate Moshe Idel (estudioso da cabala), Eliette Abécassis (escritora francesa), Ami Bouganim Monique Canto-Sperber (filósofos), Yair Zakovitch (biblista), Marco Ceresa (professor de literatura chinesa e de estudos culturais), Guy Stroumsa (professor de religião comparada), Menachem Ben Sasson Haim Baharier (especialistas em hermenêutica bíblica) e Clemence Boulouque (escritora especializada em Cabala e misticismo).

O IHU também publicou uma entrevista com dois dos especialistas citados acima: Moshe IdelHaim Baharier. O padre Enzo Bianchi fundador e prior da comunidade monástica de Bose, também  é ouvido. 


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PROFETA JEREMIAS: UM BREVE CONTEXTO HISTÓRICO

A cidade de Judá entre as três grandes potências da época: Assíria,
Egito e Babilônia (por Jones F. Mendonça).
Resolução: 1067x798
O profeta Jeremias viveu numa época que tinha como pano de fundo a disputa por um vasto território conhecido como Fértil crescente, que vai do Egito à Mesopotâmia. Enfrentavam-se pelo controle dessa região três grandes potências da época: Egito, Assíria e Babilônia. Em 671, cerca de duas décadas antes do nascimento do profeta, a Assíria conquistara o Egito.  Enquanto isso, a Babilônia, a mais nova potência emergente, reunia forças para impor sua hegemonia sobre a região. Em 612 Nínive, capital da Assíria caiu nas mãos dos babilônios.

No meio dessa disputa estava Judá, que se encontrava dividida em relação a quem deveria apoiar. Um partido apoiava o Egito, outro a Assíria e outro a Babilônia. Jeremias, um levita do interior, natural de Anatot, pequena vila a poucos quilômetros de Jerusalém, insistia que Judá deveria se render aos babilônios. Colocando-se como porta voz de Yahweh declarou: “Eu fiz a terra, os seres humanos e os animais que nela estão [...]. Agora, sou eu mesmo que entrego todas essas nações nas mãos do meu servo Nabucodonosor, rei da Babilônia” (Jr 27,5-6). Sua mensagem foi um escândalo para os judaítas. Por causa do desprezo que vinha de todos os lados lamentou: “maldito seja o dia em que eu nasci” (Jr 20,14), ou ainda “Sou ridicularizado o dia inteiro; todos zombam de mim” (Jr 20,7).

Jeremias nasceu durante a ditadura do rei Manassés, que foi sucedido por Amom, um sanguinário ditador. Uma revolta popular matou Amom e o pequeno Josias, com apenas 8 anos assumiu o trono, obviamente auxiliado por tutores. Josias acabou morto pelo faraó Neco, que seguia em direção à Assíria para lhe prestar ajuda contra a Babilônia. Com a morte de Josias subiu ao trono seu filho Joaquim, um rei explorador e oportunista. Foi nesse período que Jeremias exerceu intensa atividade profética, denunciando as falsas seguranças e a injustiça.

Em 598 a.C. os trágicos anúncios do profeta se cumpriram. Nabucodonosor, rei da Babilônia, cercou Jerusalém e o rei de Judá, impotente, se rendeu. O templo foi profanado e seus tesouros levados para a Babilônia. Parte da elite do povo também foi levada para o cativeiro, com o intuito de impedir qualquer possibilidade de revolta. Dez anos depois o rei Sedecias, que havia sido colocado no trono pelos babilônios, deixou de pagar impostos. A reação da Babilônia foi imediata e violenta. Em 587 Jerusalém foi totalmente destruída.
Foi assim que Jerusalém foi tomada: No nono ano do reinado de Zedequias [...] Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra Jerusalém com todo seu exército e a sitiou. Em Ribla, o rei da Babilônia mandou executar os filhos de Zedequias diante dos seus olhos, e também matou todos os nobres de Judá. Mandou furar os olhos de Zedequias e prendê-lo com correntes de bronze para levá-lo para a Babilônia. Os babilônios incendiaram o palácio real e as casas do povo, e derrubaram os muros de Jerusalém (Jr 39,1-8).
Em Judá ficou somente o povo da terra (2 Rs 25, 8-12). O livro de Lamentações, expressa a dor pela destruição da cidade: “Todo o esplendor fugiu da cidade de Sião. Seus líderes são como corças que não encontram pastagem; sem forças fugiram diante do perseguidor” (Lm 1,6). O Salmo 137,1 também nos dá uma nítida mostra da aflição que se abatia sobre o povo: “Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião”.

Jeremias morreu por volta de 580, exilado no Egito. Uma tradição judaica diz que ele foi apedrejado até a morte por compatriotas que junto com ele fugiram para lá. A alcunha de profeta chorão não lhe cabe bem. Um profeta que anunciou desgraças ao seu próprio povo mesmo quando preso a um tronco ou numa cisterna cheia de lama merece um título mais justo.  


Jones F. Mendonça