quarta-feira, 26 de junho de 2013

A DIALÉTICA EM HERÁCLITO, PLATÃO, ARISTÓTELES, HEGEL, MARX E BARTH

Compreender termos teológicos ou filosóficos a partir de obras especializadas geralmente é uma tarefa espinhosa para quem está iniciando os estudos nessas áreas. Sempre correndo o risco de simplificar demais o trabalho filosófico dos grandes pensadores, resolvi escrever um pequeno ensaio sobre a dialética, buscando explicar o termo da maneira mais simples e didática possível no âmbito das diversas escolas filosóficas. Apesar de ter consultado muitas obra optei por não citá-las a fim de tornar o texto mais fluido. Espero que ajude.

Um bom ponto de partida para compreender o que vem a ser dialética (dia=um para o outro + legein=dizer, explicar) é conhecer as ideias de Heráclito.

Heráclito (540-476 a.C.): Atribui-se a Heráclito de Éfeso a criação de uma nova forma de ver o mundo, a dialética (ainda que o termo só tenha sido empregado mais tarde, por Platão). Discordando dos eleatas, filósofos da cidade de Eleia que defendiam um universo de estado imutável, Heráclito dizia que a natureza está sujeita a uma única lei: a lei da mudança. “Ninguém pode se banhar duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é mais o mesmo”, dizia o filósofo. Para Heráclito tudo está em constante transformação, “tudo flui” (gr. panta rei), e não há nada que seja perpétuo, exceto o constante devir (ou vir-a-ser). “O que se opõe coopera, e da luta dos contrários procede a mais bela harmonia”, insistia o filósofo de Éfeso.

Platão (424-347 a.C.): Platão é bem conhecido por ter sido discípulo de Sócrates e de ter fundado a Academia, uma escola dedicada à ciência e à filosofia que se reunia no jardim de Academo. Para Platão é por meio do diálogo e da conseqüente confrontação de ideias que os equívocos são eliminados e a verdade aparece. Em Platão a dialética é um instrumento de busca da verdade. É importante compreender que para Platão “aprender não é outra coisa senão recordar”. Para ele o conhecimento racional jaz dormente na alma e precisa ser despertado. E como se acorda esse “conhecimento latente”? Por meio da dialética, responderia o filósofo. Assim, a dialética de Platão pressupõe a pré-existência da alma e o inatismo das ideias. A dialética platônica se expressa nos diálogos escritos pelo filósofo, particularmente nos chamados “diálogos da maturidade”, tais como o Menon, o Fédon e a República.  

Aristóteles (384-322 a.C.): Aluno de Platão e filho de um médico, Aristóteles se tornou mestre de Alexandre, o Grande. Em Aristóteles a dialética constitui a parte da lógica que estuda os raciocínios prováveis. Não trazem certeza nem descobrem a verdade como em Platão, mas opinião ou probabilidade. No pensamento do filósofo a dialética declina em favor do método analítico (silogismo demonstrativo ou científico), ganhando um sentido negativo ou até mesmo pejorativo. A relação entre dialética e analítica é tratada no Organon. A diferença entre esses termos diz respeito, acima de tudo, às premissas: a analítica decompõe silogismos e demonstrações científicas (fundamentos seguros); a dialética tem a ver com o ato retórico de persuasão (premissas não isentas de dúvidas).

Hegel (1770-1831): Há quem considere a filosofia hegeliana como um imenso e elaborado platonismo, mas é importante destacar que Hegel repudia qualquer visão de dois mundos. Para ele as ideias estão nas coisas, como Aristóteles. Como já foi apresentado, a dialética repousa nas contradições internas, ou nos opostos presentes em todas as áreas da vida humana. Para Hegel a dialética é o movimento racional que nos permite superar essas contradições. A dialética de Hegel é concebida em três etapas: tese (afirmação), antítese (negação) e síntese (negação da negação). Tese e antítese são sempre falsas, mas impelem para uma síntese que concilia os opostos que eram excludentes. O conhecimento é considerado como um processo contínuo, histórico e progressivo. A filosofia hegeliana é considerada idealista porque busca explicar a evolução do mundo pela evolução da ideias. Hegel achava que o homem poderia transformar a realidade de acordo com critérios racionais: mudam-se as ideias, mudam-se as coisas. Colocando em outros termos: “A verdade é o movimento da ideia”.

Karl Marx (1818-1883): o filósofo alemão converteu a dialética em um método com a ajuda de Friedrich Engels, seu parceiro na elaboração do Manifesto Comunista. Ele inverteu a dialética hegeliana sugerindo que o mundo material é o fundamento das ideias e não o contrário como anunciava a filosofia idealista de Hegel.  Em suma: “as coisas vão de transformando e as ideias vão atrás”. Em primeiro lugar vem a natureza, que é transformada pela ação humana em meios de produção (relações materiais=infraestrutura). São essas relações materiais, segundo Marx, que sustentam todos as crenças, ideias, teorias e pensamentos da sociedade (ideologia=superestrutura). Em termos mais vulgares: “segundo vive o homem, assim ele pensa”. Ainda que tenha insistido que a superestrutura é reflexo da infraestrutura, Marx acentuou que ambas acabam por se influenciar reciprocamente (repudiando o materialismo mecanicista).

Karl Barth (1886-1968): A teologia de Barth é denominada dialética porque para ele o falar de Deus sempre expressa simultaneamente um sim e um não: está distante, mas também está próximo; sua Revelação, a Bíblia, é simultaneamente palavra de Deus e palavra de homens. Em seu comentário sobre Epístola aos Romanos, de 1919, Barth elaborou a dialética entre tempo e eternidade e entre Deus e o homem. Ora, se o homem e Deus estão numa relação antitética (de oposição), em que medida é possível encontrar uma síntese? Como superar a presença simultânea do “sim” e o “não” que atravessam o homem? Atormentado pelo fantasma de Hegel, Barth saiu em busca de uma resposta. Rejeitando as soluções dadas pela teologia natural (superação da dualidade pela razão humana) e pela teologia mística (superação da dualidade pela contemplação), o teólogo chegou a conclusão de que o homem não pode se livrar de sua “dualidade demoníaca” senão pela redenção, uma revelação exclusivamente vertical (de cima para baixo, como na tradição calvinista). Só ela permite ao homem saber que está numa condição de alienação e de morte. Enfim, o laço da contradição que atormenta o homem só pode ser desfeito por iniciativa divina. No ato da encarnação (visto como um ato de amor) Deus se faz culpado da contradição contra si mesmo. Dado o seu caráter dialético, a teologia Barth também ficou conhecida como “teologia da crise”. Entre os discípulos de Barth que mais se destacaram figuram Emil Brunner e Friedrich Gogarten.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 25 de junho de 2013

CONSPIRAÇÕES FACEBOOKIANAS

A turbulência política pela qual tem passado o país tem impulsionado o surgimento das mais bizarras teorias dispostas a explicar as manifestações populares e seus desdobramentos futuros: golpe militar, conspiração da CIA e do Mossad, plano malévolo da direita para derrubar o governo Dilma, engodo do PT para manipular o povo e se perpetuar no poder, macumba, vodu, invasão alienígena, Godzilla integralista, Pokemon conservador, Gays do Arco-íris-purpurado, Burgueses de Além-mar, Satanás materialista-histórico-dialético, etc., etc.

Mães Dinás, Nostradamus virtuais, engenhosos prognosticadores facebookianos...


Meus Deus! 

Jones F. Mendonça

segunda-feira, 24 de junho de 2013

VÃO AS LEIS COMO QUEREM OS REIS

Século XVI, década de 30. Lutero, escandalizado com as teorias heliocêntricas de Copérnico publicadas em seu Commentariolus, em 1513-14, saiu-se com essa: 

“O povo dá ouvidos a um astrólogo pretensioso que se empenha em mostrar que a terra gira, e não os céus e o firmamento, o sol e a lua... Esse louco quer reverter o esquema inteiro da astronomia; as Santas Escrituras, porém, falam-nos que Josué ordenou ao sol quedar fixo, e não a terra”[1].

Calvino, numa exegese um tanto duvidosa, arrematou com o Salmo 93,1: “Firmou o mundo que não vacila”. E acrescentou: “Quem se aventuraria a colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?”[2].

Quinhentos anos se passaram. A Bíblia ainda é um vaso na mão do leitor-oleiro. A interpretação é literal apenas quando e enquanto convém. Vale o ditado latino: “Quae vult rex fieri, sanctae sunt congrua legi” (vão as leis como querem os reis).  

Notas:
[1] Lutero, Table Talk , 69, in Fosdick, Great Voices of the Reformation, XVIII apud DURANT, Will. A Reforma, 2001, p. 724.
[2] In Russel. B, Hy of Western Philosophy, 528 apud id ibid.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 18 de junho de 2013

MONGE REBELDE: ALEMANHA EM CHAMAS

Em outubro de 1517 Lutero divulga suas famosas 95 teses contra as indulgências. Em janeiro de 1521 o reformador é excomungado com a Bula Decet Romanum Pontificem. A Alemanha entra em convulsão. 

Fico imaginando se a revista Veja já existisse naquela ocasião: “LUTERO, O MONGE REBELDE: A ALEMANHA EM CHAMAS!”. Na mesma linha seguiriam Reinaldo Azevedo (o blogueiro mais azedo da Veja) e Olavo de Carvalho (o filósofo super pop das massas). Diriam que a revolta é absurda e que é preciso deter o “padreco rolabosta”.

Talvez você seja católico e diga que a revista e os dois homens têm razão. Tenho outra carta na manga. Em 1525 explode a revolta dos camponeses na Alemanha. Lutero condena os revoltosos e justifica a servidão com um texto da Bíblia. Diz que Abraão tinha servos e que o mundo não sobreviveria sem a existência deles. Em seguida escreve um texto duro contra os camponeses (Contra os ímpios e celerados bandos de camponeses). “Sufoquem no sangue a rebelião!”, grita o reformador. Capa da revista Veja: “LUTERO, BASTIÃO DA JUSTIÇA E DA ORDEM”. Reinaldo e Olavo exaltariam o reformador pela coragem em condenar a rebeldia daqueles “camponeses vagabundos”, gente ignorante e mal educada.

No mundo há pessoas ingênuas o suficiente para pensar que o mundo conhecerá mudanças apenas com o voto, com preces e orações. 



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SOBRE PROTESTOS POPULARES

Amarre seu cão em uma coluna. Alimente-o mal durante todo o ano. Durante este período castigue-o com um chicote todos os dias pela manhã. Deixe que as pulgas se multipliquem em seu corpo. Ponha um apetitoso e suculento bife há apenas alguns centímetros fora do seu alcance. Por fim arranque-lhe um dos olhos e uma das patas. Terminado o prazo solte-o numa praça movimentada. Não espere dele um comportamento afável.

Assim foram as revoltas camponesas que sacudiram a Alemanha nos séculos XV e XVI. O sistema feudal não permitia ascensão social. Quem nascia servo morria servo. Quem nascia nobre morria nobre. Lutero, que era subversivo até certo ponto, pregou sermões condenando a tirania da Igreja e parecia apoiar a revolta dos camponeses contra a servidão. Mas o teólogo alemão logo tratou de explicar que falava de uma “liberdade espiritual” apenas. Escreveu “Aos príncipes da Saxônia contra o espírito rebelde” criticando os camponeses revoltosos, chamados por ele de “cães raivosos”. A maior das revoltas, em 1525, organizada por pequenos burgueses, clérigos e alguns lansquenetes (combatentes mercenários), foi duramente reprimida contabilizando mais de cem mil mortos. Os servos continuaram vivendo sob o jugo de seus senhores.

O contexto da Revolução francesa não foi diferente (mas teve um desfecho diferente). O movimento foi deflagrado por burgueses (comerciantes e profissionais liberais), camponeses sem terra e pequenos artesãos (o chamado “terceiro estado”, formado por 96% da população). O alto clero e a nobreza (primeiro e o segundo estado) sucumbiram à violenta revolta popular, disposta a pôr fim ao injusto sistema feudal.  Monarca, nobreza e clero viviam no luxo. O povo na miséria. Luiz XVI, Maria Antonieta, aristocratas ricos e membros do clero conheceram a afiada navalha da guilhotina.  Foi uma matança sem fim. Apesar dos excessos a revolta deu bons frutos, dentre eles o fim da isenção de impostos para a nobreza e o clero: “os impostos incidirão sobre todo o cidadão e toda a propriedade, da mesma maneira e sob a mesma forma”, dizia o artigo nono da nova Constituição. Os ideais de Liberte, Egalité, Fraternité, inspirados no pensamento iluminista, espalharam-se pelo mundo

A desigualdade social, os privilégios, a falta de canais que permitam ao povo expressar suas angústias e aspirações, a ausência do Estado em regiões mais pobres, o imposto elevado, a impunidade, enfim, a violência do Estado contra o povo gera violência do povo contra o Estado. É verdade que não vivemos no final da Idade Média e nem em países como a Tunísia, a Líbia, o Egito, a Jordânia, a Síria e o Irã, governados por ditaduras religiosas. O Brasil é um Estado democrático e em tese possui mecanismos que permitem ao cidadão exercer sua cidadania. Mas as manifestações populares pelas ruas do país refletem a falência desses mecanismos.

O que nos resta então? Repudiar os movimentos populares que tem tomado as ruas das grandes cidades porque as manifestações não se desenvolvem de forma ordenada e pacífica? Criticar o governo pela má gestão e pela reação violenta das forças policiais?  Denunciar as empresas privadas pela manipulação de setores do governo em favor de seus interesses econômicos?

Bem, talvez você se identifique com o dono do cão apresentado no início deste texto e esteja numa situação bastante confortável. Quem sabe se veja como com um vizinho que ouve em silêncio os gemidos do animal. Talvez você seja a pulga que suga o sangue do cachorro moribundo. Há muitos papeis nessa peça.  Mas é possível você se sinta como o desgraçado cão amarrado numa coluna. Neste caso, meu caro, o que lhe resta é ou sofrer ou morder. Porque o latido lhe trará apenas a rouquidão.


Jones F. Mendonça


terça-feira, 11 de junho de 2013

VERDADES NÔMADES, SENTIDOS ERRANTES

Alguns rabinos estão a discutir a respeito da consoante que inaugura o livro de Bereshit (Gênesis). Querem saber por que o primeiro livro da Torá começa com a segunda letra do alfabeto hebraico (beyt) e não com a primeira (álef). É um belo final de tarde e um raio de luz atravessa a janela da sinagoga. Os talmidim (discípulos) estão ansiosos pelas respostas que serão apresentadas por seus mestres.

Um dos rabinos se levanta e diz: “A letra beyt é a segunda letra do alfabeto e também simboliza o número dois. O que nos ensina que para criar o texto bíblico foram necessárias pelo menos duas pessoas: Deus e o seu parceiro, o ser humano”. Outro rabino se põe de pé e apresenta uma explicação diferente: “O beyt é a letra de bênção (berakhá) e o álef a da maldição (arirá)”. Um terceiro rabino se levanta e apresenta uma explicação baseada no formato da letra beyt. O ferreiro martela a bigorna. Saem faíscas mil. Texto, depósito de infinitos sentidos.

Com um método de leitura desses não há qualquer diferença entre ler o Corão, os Vedas, o Avesta, uma receita de bolo ou uma lista telefônica. O que dirige a leitura é o devaneio criativo do leitor. Texto, caleidoscópio de sentidos. Gaveta de segredos da alma.

Talvez revele algo sobre o leitor. Já em relação ao redator...


Jones F. Mendonça


BRANDON FIELDS - MISTY


sábado, 8 de junho de 2013

MANUSCRITOS DO MAR MORTO EM ALTA RESOLUÇÃO


Que tal dar uma boa olhada em fragmentos dos manuscritos do Mar Morto com possibilidade observá-lo bem de perto? 



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 5 de junho de 2013

UM ENCONTRO COM DEUS

A menina morre e tem um encontro com Deus. Mas para sua surpresa...

Sobra até para o Malafaia. 


SOBRE AS MULHERES E A DOMINAÇÃO MASCULINA

No quesito força física o homem sempre esteve em vantagem em relação à mulher, por isso a dominava. Então veio a Revolução Industrial. As máquinas substituíram a força do braço pela força do carvão, da energia elétrica, etc. Houve um nivelamento. A fêmea, tão hábil e inteligente quanto o macho, passou gradativamente a ocupar o espaço até então dominado pelo sexo oposto. 

E esta é a pequena história de como o homem entrou em crise...


Jones F. Mendonça

terça-feira, 4 de junho de 2013

TEOLOGIA EM BORRA DE CAFÉ

Aula de hebraico. Assim que conhece o alfabeto, o aluno pergunta pelo significado das letras. Quer saber, por exemplo, o significado do álef, primeira das 22 consoantes que compõem o alfabeto hebraico. Digo que essa letra deriva de um antigo pictograma que representa a cabeça de um boi. Explico que a letra, em sua forma primitiva, apareceu pela primeira vez na península do Sinai por volta de 1500 a.C. (há quem pense que foi inventada por garimpeiros a partir de alguns hieróglifos egípcios). Os fenícios, exímios navegadores e comerciantes, difundiram o alfabeto inventado no Sinai. O antigo pictograma foi sendo modificado pelos gregos e romanos até que se converteu no nosso “A” (no hebraico e no fenício o álef é consoante e não vogal).

O aluno diz ter lido num livro que o álef representa “o potencial não realizado” e “o som que existe antes do som”. Ouviu dizer que a mudez da letra (o álef é uma consoante sem som) faz alusão ao silêncio do ser humano diante da imensidão do universo. Por fim afirma ter ouvido de um rabino que os pequenos sinais que aparecem no canto superior direito e inferior esquerdo entre o traço diagonal que forma o álef representam, respectivamente, as águas superiores (alegria por estar perto de Deus) e inferiores (tristeza por estar longe de Deus). Enfim, pensou que a consoante tivesse algum significado especial, profundo. Um código secreto, talvez. Fica decepcionado.

Aconselho-lhe o tarô, a gematria, a kabalah, a adivinhação em borra de café, tripas de ave, runas, bola de cristal, etc. São caminhos diferentes que trabalham com o mesmo elemento: a imaginação criativa do sujeito.



Jones F. Mendonça

sábado, 1 de junho de 2013

O CONFLITO NA SÍRIA

Hoje, ocorre dentro do território sírio um confronto entre dois eixos de poder. Não se trata de um conflito entre o “eixo do bem” e o “eixo do mal”. Há apenas interesses.

De um lado está o regime Bashar al-Assad, o Irã e o grupo xiita libanês Hezbollah. A Rússia, também apoiando o regime de Assad, acaba de fornecer ao governo sírio alguns mísseis S-300 na tentativa de evitar a intervenção estrangeira. Israel, que já realizou alguns ataques aéreos na Síria, teme fazer novas intervenções, pois os mísseis russos são capazes de atingir seu território.

Do outro, o Exército Livre Sírio, apoiado pelas monarquias árabes comandadas por Arábia Saudita e Catar, a Turquia, a frente al-Nusra (braço da al Qaeda) e, em menor escala, por enquanto, as potências ocidentais, nomeadamente Estados Unidos, Israel, França e Reino Unido.

Atualmente a Síria se encontra numa situação tão caótica que não há qualquer perspectiva de solução. Para os EUA interessa um novo governo, comandado por um líder secular. Tal é a quantidade de forças envolvidas no conflito que é difícil é saber como fazer isso. A complexidade do conflito explica a atitude hesitante de Obama.

Para a Rússia interessa a permanência de Bashar al-Assad. A Síria é uma antiga aliada da Rússia e o país está localizado numa posição estratégica. Os cristãos que vivem no país também preferem a permanência do ditador, que apesar da fama de sanguinário não os persegue. 


Jones F. Mendonça