quarta-feira, 20 de abril de 2011

AS TRÊS GRANDES FESTAS ANUAIS DO ANTIGO ISRAEL

Páscoa (ou festa dos pães ázimos), Pentecostes  (ou festa das semanas) e Tabernáculos (ou festa das tendas) eram as três grandes festas de peregrinação do Antigo Israel.

1. Páscoa  – Na Bíblia a celebração da páscoa se confunde com a festa dos ázimos. Ao que parece, teve origem numa festa pré-israelita celebrada na primavera, mais tarde convertida numa celebração nacional. Muito se discute a respeito da palavra hebraica pessah (pronuncia-se pessar). Sua etimologia normalmente é buscada na palavra passah (saltar, pular):

Texto hebraico transliterado: BibleWorks
O destaque é por minha conta

Há quem sugira ligação com o acádio pašâhu (acalmar, apaziguar). Outros defendem que seja a transcrição de uma palavra egípcia que significa “golpe”, uma referência a décima praga (em Ex 1,1 é dito que Yahweh desferirá “ainda mais um golpe sobre Faraó”).

Apesar de sua origem pré-israelita, entre os hebreus a páscoa adquiriu um novo significado: era a ocasião de celebrar os poderosos atos de Javé para com Israel. De acordo com Milagro Nadal:
É preciso buscar as origens da Páscoa numa festa de pastores transumantes que na lua cheia de primavera abandonavam o acampamento de inverno e ofereciam a seus deuses o sacrifício de uma rês buscando sua proteção. Com seu sangue untavam os postes da tenda para afastar um “gênio maléfico” que receberia mais tarde o nome de “Exterminador”[1]. 
O sangue do cordeiro nos umbrais tinha valor apotropéico: proteger as pessoas e os animais do demônio do deserto[2]. A festa dos pães ázimos, mais tarde anexada à tradição do Êxodo, tinha evidente origem agrícola. A união entre Páscoa e a festa dos pães Ázimos (sem fermento) teria sido feita pela tradição sacerdotal. A Páscoa seria o resultado da união entre uma festa celebrada por pastores e agricultores, como defende Schmidt:
A festa da Páscoa e dos pães ázimos tem sua origem na junção de um rito nômade e uma festa agrícola; assim, na origem, nenhuma das duas festas é israelita ou está relacionada com javé. Ambas estão relacionadas com o ritmo da natureza, o retorno das estações do ano[3].
2. Pentecostes – Celebrada cinqüenta dias após a páscoa (daí a expressão grega pentecostes), essa festa aparece como denominação grega da festa das semanas (Ex 34,22) em 2 Mac 12,332 e Tb 2,1. Na festa eram oferecidos pães de farinha nova assados com levedura. É uma festa de caráter agrícola.

3. Tabernáculos – Também chamada de “tentas” ou “cabanas” (hb. Sukkôt), era uma das mais importantes festas celebradas pelos israelitas. Josefo a considerou “a festa mais santa e mais importante dos hebreus” (Ant  8,4,1). A celebração dura sete dias, conforme Lv 23,42 e tem como objetivo lembrar o período em que o povo hebreu viveu como peregrino no deserto.

Outras festas importantes são: O dia das expiações (yom Kippur, Lv 16), a festa da dedicação (hanukkah, 1 Mac 4,36-59) e o purim (do hb. pur, sorte, cf. Et. 9,24). 

Notas:
[1] NADAL, Milagro. Curso de iniciação ao Antigo e ao Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 1998,p. 30.
[2]WILLI-PLEIN, Ina. Sacrifício e culto no Israel do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2001, p. 142.
[3] SCHMIDT, Werner H. A fé do Antigo Testamento. São Leopoldo, RS: Sinodal, 2004, p. 204.

Jones Mendonça