terça-feira, 17 de maio de 2016

E A SERPENTE SE FEZ SATANÁS

O termo satan (=adversário) aparece na Bíblia hebraica de três modos: 

a) precedido de artigo – “HAssatan” = “o adversário” (cf. Zc e Jó), referindo-se a um membro do conselho celestial que atua como “o adversário” de um humano (ver ainda, 1Rs 22,21, 2Cr 18,20, neste caso, “o espírito”); 

b) não precedido de artigo – “satan” = “um adversário”, como Hadad, apresentado como “um adversário” de Salomão (cf. 1Rs 11,14), ou “Adversário”, neste caso, referindo-se a uma figura específica, entendida como “o opositor de Javé”, Deus de Israel (1Cr 21,1), surgida no período pós-exílico, 

c) precedido de preposição – “LEsatan” = “por adversário” (cf. Nm 22,22.32) designando alguém que se coloca “por adversário” de outrem (como o anjo de Javé que se coloca “por adversário” de Balaão).

Mas quando o assunto diz respeito à identificação do “Satanás” do NT (plenamente personificado) com a serpente do Éden, leia este artigo ("How the serpent became Satan"), publicado na Bible History Daily (08/04/16), escrito por Shawna Dolansky, professora e instrutora no programa de Religião da Faculdade de Letras da Universidade de Carleton, em Ottawa, Ontário. Na opinião de Shawa, a ligação entre a serpente do Éden e Satanás sequer ocorre no NT, mas somente nos textos produzidos no período pós-apostólico (Justino Mártir, Cipriano e Tertuliano). Não há nada de novo no artigo, mas trata-se de uma boa síntese e certamente será útil aos interessados no assunto.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 9 de maio de 2016

INTRODUÇÃO À BÍBLIA HEBRAICA (E-BOOK GRÁTIS)

A Society of Biblical Literature disponibiliza gratuitamente para países de baixa renda per capita (como o Brasil) diversos livros na área de teologia no formato PDF (perspectiva acadêmica). Aos interessados, deixo esta sugestão:

COLLINS, John J. Introduction to the Hebrew Bible. Minneapolis: Fortress Press, 2004 (628 pages, 8.9 MB).

No site da Amazon o livro custa em torno de 30 dólares.


Baixe aqui


Jones F. Mendonça

domingo, 8 de maio de 2016

DA MORAL, DOS BONS COSTUMES E DA SANTA PIEDADE

“Nós gostamos da pequena escola onde costumávamos ir. Onde o professor lia a Bíblia e nos ensinava a regra de ouro. Nós vamos colocar uma Bíblia em cada escola de nosso país. [...] Nós pertencemos à Ku Klux Klan”.

Popular canção entoada por membros da Ku Klux Klan. Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

A FORÇA QUE VEM DO ABISMO

José ressurge do poço, Jonas do peixe e Jesus do Hades, numa gravura que ilustra a BíbliaPauperum, século XV. Em "O Senhor dos anéis", o mago Gandalf ressurge do abismo após intensa batalha contra o demônio Balrog sob a ponte Khazad dûn. Um tema antigo, porém ainda poderoso.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O PAPIRO DE IPUWER: CRISE E CAOS NO ANTIGO EGITO

O papiro de Ipuwer (segundo milênio a.C.) registra um Egito abalado por uma grave crise social e por catástrofes naturais. Ipuwer lamenta com um rei anônimo a falta de respeito às leis e às autoridades constituídas. Eis alguns dos temas que considerei mais interessantes:

1) Revoltas populares:

“Os nobres estão em perigo, enquanto o pobre está cheio de alegria. Cada cidade diz: ‘Vamos suprimir o poderoso entre nós’" (folha II).

2) Crise religiosa:

“o homem de temperamento quente diz: ‘Se eu soubesse onde Deus está então o serviria” (folha V).  

3) Decadência do clero (lembra as críticas de Oseias, Amós e Isaías):

“Eis que os sacerdotes transgridem com gansos, que são dados [aos] os deuses em lugar de bois” (folha VIII). 

4) Pessimismo e fuga da realidade (lembra os lamentos de Jó):

“Na verdade, é bom quando os homens estão embriagados; eles bebem [...] e seus corações estão felizes” (folha XIII).



Leia mais aqui: 


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 5 de maio de 2016

BÍBLIA ELETRÔNICA GRATUITA NOS IDIOMAS ORIGINAIS [E-SWORD]

Interessados em uma Bíblia eletrônica GRATUITA (PC/Windows), em português, incluindo o texto hebraico (AT), grego (NT), dicionário de grego e hebraico, mapas, ferramenta de busca de palavras e diversas outras funções, certamente vão gostar de conhecer a e-Sword:

1. Você pode baixá-la aqui:
2. Instale o programa no seu micro (verifique se funciona e feche-o em seguida);
3. Baixe as ferramentas clicando aqui:
4. Cole todos os arquivos baixados na seguinte pasta do seu micro: C:/arquivo de programas/e-Sword.
5. Reabra a e-Sword e coloque sua barra de ferramentas em português (ou outro idioma de sua escolha) clicando em “options” > “language” > “portuguese”. Deu tudo certo? Então sua e-Sword está pronta para uso.

6. Últimas explicações: as Bíblias devem ser selecionadas nas abas superiores (NVI, BHS - hebraica, GNT-grego, NTLH, etc.). Nas abas inferiores estão os dicionários (Strong, VINE, Ravasi, etc.). À esquerda estão os livros bíblicos (inclui os deuterocanônicos). Todas as Bíblias das abas superiores com o símbolo do “+” (como “BJFA+”), incluem “número de strong” nas palavras do texto. Ao clicar nele o significado da palavra (grego ou hebraico ou latim) aparece no dicionário que fica na barra de abas inferiores. A imagem mostra o texto de Ecl 1,2 (português e hebraico) em paralelo. O código da palavra hebraica (H1892) foi clicado, por isso seu significado aparece no “Strong-PT” numa das abas inferiores.

De todas as Bíblias eletrônicas gratuitas, esta é sem dúvida a melhor.  




Jones F. Mendonça

quarta-feira, 4 de maio de 2016

FÍLON, A MULHER E A SERPENTE DO ÉDEN

Fílon, judeu alexandrino do século I, dando razões para a escolha da mulher como alvo da serpente do Éden: 
a mente da mulher é mais afeminada, de modo que através de sua suavidade facilmente é enganada e capturada por convicções falsas que imitam a verdade (Perguntas e respostas sobre Gênesis I, 34).



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 2 de maio de 2016

FÍLON DE ALEXANDRIA E OS SETE DIAS DA CRIAÇÃO

Fílon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C.), judeu helenista, ao explicar que os dias da Criação são simbólicos, usa e abusa de concepções platônicas e pitagóricas. Analogias com o número sete são um tanto curiosas:
Mas a natureza se delicia com o número sete. [...] sete são as secreções [do corpo]: lágrimas, muco do nariz, saliva, líquido seminal, os dois tipos de avacuação [urina e fezes], e o suor que sai de todas as partes do corpo (Interpretação Alegórica I, IV, 8).
O sete, afinal, não é tão delicioso como supõe Fílon.


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 29 de abril de 2016

DEUS E O TEMPO EM AGOSTINHO E FÍLON

Geralmente se atribui a Agostinho (354-430 d.C.) a ideia de que o tempo só passou a existir a partir da Criação. Assim, não faria sentido perguntar pelo que Deus fazia ANTES de criar o mundo. Mas o judeu Fílon de Alexandria (Interpretação alegórica I, I, 2) já dizia isso no início do primeiro século. Veja: 
É preciso confessar que o tempo é uma coisa posterior ao mundo. Por isso, seria dito corretamente que o mundo não foi criado no tempo, mas esse tempo teve a sua existência em consequência do mundo.
Leia "Interpretação alegórica I", de Fílon, aqui:



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ECBÁTANA NOS MONTES ZAGROS


Incrustada nos montes Zagros (Irã, antiga Pérsia) está Hamadan (antiga Ecbátana), citada no livro bíblico de Esd 6,2:
O rei Dario mandou então fazer uma pesquisa nos arquivos da Babilônia, onde se guardavam os tesouros. Encontrou-se um rolo na cidadela de Ecbatana, na província da Média.
Veja no Google Maps.



Jones F. Mendonça

A BÍBLIA E OS ÓSTRACOS DE ARAD

Questão discutida entre acadêmicos: os livros mais antigos do Antigo Testamento foram redigidos antes ou depois da destruição de Judá e sua capital Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C.?

Aos interessados no assunto, sugiro esta matéria publicada no Haaretz (segue trecho):
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv diz ter provas de que antiga Judá teve uma alta taxa de alfabetização e um sistema educacional sofisticado, tornando possível a redação do mais antigo núcleo da Bíblia no período do Primeiro Templo.
Leia mais aqui.

Uma opinião mais cautelosa (do prof. Rollston), aqui.

Jones F. Mendonça

O "PORTÃO DOS INFERNOS" AINDA ESTÁ DE PÉ (AINDA BEM)

Vários jornais estão anunciando a destruição de um dos 15 portões da antiga Nínive (moderna Mossul) pelo estado Islâmico: o portão de Mashqi. Mas as fotos mostram, de forma equivocada, o magnífico portão de Nergal, deus dos infernos, guardado por um imponente Lamassu. É o "copia e cola" do jornalismo...

Veja os 15 portões de Nínive aqui:



Jones F. Mendonça

MOISÉS COM CHIFRES NO TEXTO E NA ARTE

“A morte de Moisés”, por Alexandre Cabane (1850), como retratando em Ex 34,29. Repare que Moisés aparece com cornos, com chifres de luz.

Ex 34,29, traduzido de forma literal, diz: “E Moisés não sabia que ‘tinha chifres’ [hebraico = qaran] a pele de seu rosto” (umoshé lo-yada ki karan or panav). Jerônimo traduziu o texto para o latim assim: “cornuta esset facies sua”. Isso explica o Moisés chifrudo retratado pelos artistas renascentistas.

Mas será que Moisés foi realmente retratado com chifres no texto bíblico? No hebraico qeren – substantivo da mesma raiz verbal qaran (QRN) - é empregado com sentido “poder”, “força”, como em 1Sm 2,1: “o meu chifre [=qeren] se exalta em meu Deus”, ou seja, “meu poder se exalta em meu Deus”. Ou ainda no Sl 132,17: “em Ali farei brotar um chifre [=qeren; força, descendência] para Davi.

Infelizmente a forma verbal “qaran” só aparece em Ex 34, dificultando a tradução. Há quem pense que a imagem dos chifres evoque raios de luz. Talvez indique de seu rosto saia poder. Uma última hipótese, mais polêmica, sugere que Moisés realmente é retratado no texto com chifres, tal como Baal, por exemplo. Será?

Curioso é que em 34,33 Moisés cobre o rosto com um “masveh”, termo traduzido por “véu”, sugerindo que a ideia era impedir que o brilho de seu rosto ofuscasse os “filhos de Israel”. Ocorre que a palavra também só aparece neste capítulo. O objeto seria mesmo um véu? Por que Moisés precisava esconder o rosto? O que ele escondia? Chifres? Raios de luz?

Você tem um palpite?



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 7 de abril de 2016

NUMINOSUM NO FACEBOOK

As publicações postadas no Numinosum também estão disponíveis no Facebook. Para acessar, logue-se e clique aqui


Jones F. Mendonça

PROCURA-SE SACERDOTE RITUALMENTE PURO

O Instituto do Templo, instituição empenhada em reconstruir o templo de Jerusalém destruído em 70 d.C. pelos romanos, está em busca de homens (judeus) ritualmente puros para exercer o ofício de sacerdote. Ficou animadinho? Bem, se você nasceu num hospital ou visitou um cemitério em algum momento de sua vida, esqueça!

Leia mais aqui.


Jones F. Mendonça

JESUS COM ENXADA EM CÉU DOURADO

Esta tela, de Jacopo di Cione (1365-1398 / 1400), mostra Jesus ressurreto em sua primeira aparição (à Maria Madalena, cf. Jo 20,17). O céu dourado é influência da arte bizantina. Mas por que Jesus é retratado segurando uma enxada?




Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

MATEMÁTICA E ARTE

ARS QUBICA from Cristóbal Vila on Vimeo.

O FUTURO NO FÍGADO ESQUADRINHADO

Modelo de fígado babilônico em argila utilizado para instruir alunos na arte divinatória (1900-1600 a.C.). A prática de consulta do fígado de animais pelos babilônios com o propósito de prever o futuro é mencionada em Ez 21,21:

"Com efeito, o rei da Babilônia se deteve na encruzilhada, no começo dos dois caminhos, a fim de recorrer à sorte. Agitou as flechas, consultou os terafins e observou o fígado".

A imagem em altíssima resolução aqui.  

Mais imagens e informações sobre o artefato no British Museum aqui.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 4 de abril de 2016

EXORCISMO, ORIFÍCIOS E TREPANAÇÃO

Em seus Diálogos, o papa Gregório Magno (século VI) conta a história de uma freira que ficou possuída após comer uma alface em cujas folhas se escondia um demônio (Dial. 1.4.8).

Na Antiguidade (e atualmente entre os melanésios) alguns curandeiros praticavam a trepanação, abrindo orifícios na cabeça do paciente para que os demônios pudessem sair.

Nesta figura, do século XV, você vê São João Boaventura exorcizando uma mulher que expele um demônio pela boca (repare nos olhos “virados” da mulher).



Veja a imagem em seu contexto original na BibliotecaNacional da França (selecione a folha 84r no canto inferior direito).


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 1 de abril de 2016

NOLI ME TANGERE

Você saberia dizer (sem colar!) que cena bíblica é retratada nas obras abaixo? Todas têm o mesmo título latino: "Noli me tangere".



Os autores das obras com suas respectivas datas:

-Caracciolo, 1620
-Bronzino, 1561
-Tiziano 1511-12



Jones F. Mendonça

terça-feira, 29 de março de 2016

A FALHA SIRO-AFRICANA [GEOGRAFIA BÍBLICA]

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A imagem mostra o norte da África (destaque para o Egito) e a costa oriental do Mediterrâneo (Israel/Cisjordânia, Líbano, Síria, Turquia). Repare na grande fenda (a falha siro-africana, a região mais baixa do planeta) que vai do sopé do Hermon ao Mar Vermelho, causada pelo encontro entre duas placas tectônicas, a arábica e a africana.

Do norte para o sul: Monte Hermon, Mar da Galileia, Rio Jordão, Mar Morto e os Golfo de Áqaba (à direita) e de Suez (à esquerda). Entre os dois golfos do Mar Vermelho está o deserto do Sinai (o monte Sinai fica mais ao sul, por isso não aparece na imagem).



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 25 de março de 2016

COELHINHOS NUMA MISSA MEDIEVAL

Coelhinhos [da páscoa?] celebrando uma missa na margem (marginália) de um  manuscrito do século XIV. Dê uma boa expiada no manuscrito visitando esta página da British Library. 



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 24 de março de 2016

JERUSALÉM, POR EDWARD LEAR

Jerusalém otomana observada a partir do Monte das Oliveiras numa das telas de Edward Lear (século XIX). Entre o monte e a cidade, o vale de Cedron: 

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Jones F. Mendonça

ISAÍAS SERRADO AO MEIO

O martírio de Isaías num manuscrito medieval (Espéculo Humanae Salvationis, fl 24r) tal como sugere o livro apócrifo da “Ascensão de Isaías” (5,1):


A tradição da morte do profeta sob o reinado de Manassés parece ter deixado reflexos no livro de Hebreus: “Foram lapidados, foram serrados e morreram assassinados com golpes de espada” (11,37).



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 23 de março de 2016

PURIM, MÁSCARAS E VINHO


Na celebração judaica do Purim (dia 12 do mês de adar) é comemorada a salvação dos judeus persas das mãos de Hamã, tal como relatada no livro bíblico de Ester. Além dos trajes curiosos (como na foto acima), há outros detalhes na festa que chamam a atenção, como esta orientação do Talmude: 
No Purim a pessoa é obrigada a beber (vinho) a ponto de não mais ser capaz de distinguir entre “Maldito seja Hamã” e “abençoado seja Mordecai” (Talmud, Meguilá 7b). 



Jones F. Mendonça

sábado, 19 de março de 2016

OS MANUSCRITOS BÍBLICOS E AS GUERRAS NO ORIENTE MÉDIO

Aquisição volumosa e repentina de manuscritos bíblicos desconhecidos dos estudiosos e do público em geral levanta suspeita de que Museu da Bíblia privado dos EUA, a ser inaugurado em 2017, tenha em seu acervo documentos e artefatos contrabandeados do Oriente Médio. A denúncia vem de Joel Baden, professor de Bíblia hebraica na Yale Divinity School. No texto, ele destaca que: 
A maioria dos colecionadores particulares mantém os detalhes de suas compras em sigilo. A prática existe em parte para proteger os vendedores que podem ter razões pessoais para esconder suas identidades, como a dificuldade financeira. Mas isso também protege o vendedor inescrupuloso.
Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 18 de março de 2016

JERUSALÉM, AL QUDS

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Consegui este ângulo da cúpula da Rocha em alta resolução num jornal árabe (alquds = nome persa para a cidade de Jerusalém).

Em destaque a Cúpula da Rocha, templo muçulmano construído no final do século VII nas ruínas do famoso templo de Herodes.

Ao fundo, no Monte das Oliveiras, uma belíssima igreja ortodoxa russa com cúpulas igualmente douradas. À sua direita (vista do observador) um cemitério judaico.



Jones F. Mendonça

domingo, 13 de março de 2016

SOBRE COISAS INÚTEIS, VÃS E SEM SENTIDO

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, diz Qohelet (ou “o pregador”, em Ecl 1,2). Vaidade aí é hevel = sopro, fumaça, névoa, como em Jó 7,16: “minha vida é um sopro (hevel), ou como em Zc 10,2 “os adivinhos oferecem consolações vãs (hevel)”.

Uma vez que a palavra “vaidade” (=natureza daquilo que é vão, inútil) tem, nos dias de hoje, sentido bastante restrito, geralmente designando alguém que se preocupa demais com sua própria aparência, a tradução clássica “vaidade das vaidades, tudo é vaidade” acaba não reproduzindo bem o sentido do texto hebraico.  

Quem lê o livro com atenção percebe a tônica do seu discurso: “não há nada de novo debaixo do sol” (Ecl 1,9), logo, “tudo, inclusive o que parece novo, inédito, é hevel, névoa”. “Muita sabedoria, muito desgosto” (1,18), por isso “tudo, inclusive a sabedoria, é hevel, neblina”. “Quem ama o dinheiro nunca está farto” (5,10), daí a declaração “tudo, inclusive a riqueza, é apenas fumaça”.

O livro teria tom pessimista e negativo se aconselhasse a abolição da vida, a supressão do prazer ou o desprezo pelo mundo sensível, mas na verdade consiste numa “exaltação da alegria” (8,15; ver ainda 52,24 e 5,18). Embora a vida pareça suspensa sobre o vazio – diria Qohelet - viva-a com todas as tuas forças.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 9 de março de 2016

O REI DAVI COMO EM GAME OF THRONES

Novo seriado produzido pela ABC (“Reis e profetas”) promete contar a história da ascensão do rei Davi ao trono no estilo “Game of Thrones”. O especialista convidado para dar suporte histórico é ninguém menos que Reza Aslan, autor do Best-seller “Zelota, a vida e a época de Jesus de Nazaré”.




Jones F. Mendonça

terça-feira, 8 de março de 2016

OS CABELOS DE MADALENA


Curiosa representação medieval e renascentista de Maria Madalena vestida com seus próprios cabelos. A imagem à esquerda, do final do século XV, ilustra um manuscrito destinado à Rainha Bona da Casa de Sforza, segunda esposa de Sigismundo, o Velho. A imagem à direita é obra de Antonio del Pollaiolo, também do século XV.




Jones F. Mendonça