quinta-feira, 28 de agosto de 2014

ATLAS HISTÓRICO DA BÍBLIA [E-BOOK]

Coisa rara é encontrar um bom livro de geografia bíblica que apresente a narrativa dos dois Testamentos sem a ingenuidade típica de grande parte que tem sido publicado. Fuçando aqui e ali me deparei com a obra “Atlas histórico de la Biblia” de José Ochoa. O autor, que é doutor em filosofia clássica e documentarista, produziu um volume para o Antigo e outro para o Novo Testamento. Neles você vai encontrar trechos de documentos produzidos pelos povos vizinhos, descobertas arqueológicas, gráficos e – óbvio - muitos mapas. A forma como Ochoa expõe sua obra é bem expressa na introdução:
Los libros de la Biblia sólo en parte pueden ser considerados fuente histórica, ya que el principal objetivo de sus textos es rememorar las intervenciones de Yahvé, el dios de Israel, durante aproximadamente un milenio. En este atlas histórico no nos vamos a ocupar del carácter de libro revelado de la Biblia, sino de los hechos históricos que en ella se pueden rastrear y de las evidencias que obtenemos de las culturas que compartieron los pueblos del Próximo Oriente Antiguo.
Gostou? Então baixe os dois volumes na página do autor (em PDF, espanhol).



Jones F. Mendonça

PIETER BRUEGEL E A VIDA CAMPONESA

O padrão era retratar a nobreza, o clero e as cenas religiosas, e então surge Pieter Bruegel (1525-1569) revelando a vida camponesa com suas alegrias, tristezas, paixões, dramas e o eterno conflito entre o prazer e a castidade num mundo governado sob cetro de ferro do cristianismo. A tela abaixo mostra crianças brincando (sim, houve um tempo em que elas brincavam...).

Mais de Bruegel aqui (clique em "search" e digite “Bruegel” no espaço “author”:


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

NOVA EDIÇÃO CRÍTICA DA BÍBLIA HEBRAICA [GRÁTIS E ONLINE]

Um novo projeto patrocinado pela SBL tem empolgado estudantes da Bíblia hebraica. Trata-se de um trabalho “contendo textos críticos de cada livro da Bíblia hebraica, acompanhados por extenso comentário da crítica textual e introduções para cada volume”. A HBCE (Hebrew Bible Critical Edition) não reproduzirá um único manuscrito (como é o caso das outras edições críticas, como a BHQ), mas pretende apresentar como resultado o mais antigo texto recuperável de um determinado livro (chamado de “arquétipo”). 

Considerando que as diferenças entre os manuscritos existentes foram produzidas pela mão do copista, será necessário corrigir erros e revisões deliberadas feitas no “texto original”, motivadas pelo desejo de explicar, atualizar, harmonizar e até mesmo expurgar do texto elementos indesejáveis. O primeiro volume concluído do projeto será lançado em outubro deste ano (o livro de Provérbios) e estará disponível numa versão eletrônica com acesso livre.

Mais aqui.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O NEOMEDIEVO E AS GUERRAS CÍNICAS

Como se não bastassem os delírios do Estado Islâmico em sua ambição pelo estabelecimento de um califado entre a Síria e o Iraque, o Boko Haram também proclamou um califado islâmico na Nigéria. Cabeças cortadas, corpos crucificados, mulheres escravizadas. Corsários empunhando bandeiras negras numa cruzada insana. Bem vindos ao "neomedievo". Enquanto isso, na banda "mais civilizada"...

Os EUA lançando seus poderosos aviõezinhos não tripulados, torturando suspeitos e espionando até mesmo a latrina dos seus aliados. Israel construindo muros e lançando mísseis num povo moribundo. A Europa agonizando em dívidas, desemprego e desaceleração da economia. A América Latina tentando romper antigos grilhões. O Dragão e o Urso exibindo garras e dentes afiados. Bem vindos à terceira guerra mundial “estilo light pulverizado”.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

DIVERSA PONDERA

Notícia 1: “O exército de Israel demoliu as casas dos palestinos suspeitos do assassinado dos três meninos israelenses”. 

Ouço uma voz: “Bem feito, é isso o que as famílias desses árabes terroristas merecem”. 

Notícia 2: “As casas dos israelenses suspeitos pela morte do menino palestino não serão derrubadas” (É que a lei só se aplica aos palestinos). 

Ouço uma voz?


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A RELIGIÃO DOS YAZIDIS

Templo yazidi, em Lalish
O povo Yazidi - principal vítima dos jihadistas do norte do Iraque - possui uma religião muita antiga e curiosa. Ao que parece mescla elementos do zoroastrismo (religião dualista persa), sufismo (misticismo islâmico), gnosticismo (vertente esotérica do cristianismo muito difundida no segundo século) e outras tradições religiosas, talvez até mesmo pré-zoroástricas.

Um relato yazidi conta que Deus criou sete seres angelicais. Um deles, Tawûsê Melek , foi orientado por Deus a não se curvar a outro seres. Quando Adão foi formado, todos os demais seres angelicais se curvaram a ele, exceto Tawûsê Melek. Tal postura foi elogiada pelo Criador, que lhe ofereceu o posto de representante de Deus na terra (na tradição islâmica Iblis, um ser angelical, foi condenado - e não elogiado - por uma postura semelhante).

O fato de cultuarem um anjo que desceu do céu (Tawûsê Melek ) contribuiu para que cristãos e muçulmanos os tomassem como adoradores de satã. Essa é uma das razões do ódio (obviamente injustificável) que os extremistas islâmicos cultivam pelo povo yadizi. No passado os yazidis também foram perseguidos pelos otomanos e por líderes curdos.  

Belas fotos, aqui, aqui e aqui.

Um site com muitas informações e fotos aquiaqui.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

HOMO SAPIENS, HOMO DEMENS

Arte: James Jean
O Estado Islâmico, grupo terrorista surgido durante a ocupação americana na Iraque, talvez seja uma das mais radicais formas de fundamentalismo religioso já surgida. As imagens e relatos que chegam até nós são assustadoras. Eles decapitam soldados sírios, crucificam cristãos, escravizam mulheres, enterram vivo o povo yazidi do norte do Iraque e fuzilam sem piedade xiitas, ramificação do islã que mais odeiam. Trata-se de um verdadeiro exército terrorista. Seu plano: fundar um califado (governo teocrático islâmico) numa região que abarca os territórios do Iraque e da Síria.

Mas é um erro pensar que o fundamentalismo é coisa exclusiva do islamismo ou até mesmo da religião. Na Idade Média religiosos torturavam hereges, “bruxas” e outros inimigos da Igreja sob a bandeira do cristianismo. A Alemanha de Hitler perseguia judeus, negros, idosos e doentes mentais com um apelo nacionalista, incutindo na mente do povo a idéia de uma suposta superioridade racial do povo alemão. Aqueles que supõem que o homem moderno alcançou elevado nível de civilidade parecem estar enganados. Estará o homem - filho da “diáspora pré-histórica” - condenado a oscilar ad eternum entre a sapiência e a demência?



Jones F. Mendonça

sábado, 9 de agosto de 2014

AVICII - HEY BROTHER

AVICII - WAKE ME UP

OS PORTÕES DE NÍNIVE


A antiga cidade de Nínive era cercada por uma muralha de pedra e tijolos equipada com 15 portões monumentais. Este da foto é o portão de Nergal (deus da doença, da guerra e da morte), adornado com esfinges de pedra (os Lamassu). Trata-se de uma reconstrução conjectural feita no século XX.  A Nínive antiga (famosa pelo relato do profeta Jonas), construída às margens do rio Tigre, é a moderna Mosul, atualmente ameaçada pelo Estado Islâmico, grupo ultra-radical também conhecido como ISIS ou ISIL ("filhote" da Al Qaeda, nascido durante a ocupação americana no Iraque).

Veja cinco dos quinze portões de Nínive (Mashki, Nergal, Adad, Shamash e Halzi) no Google Maps aqui

Jones F. Mendonça

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

LIMPEZA ÉTNICO-RELIGIOSA NO IRAQUE

O “Estado Islâmico” (antigo ISIS) - grupo fundamentalista islâmico de origem sunita - vem promovendo uma limpeza étnica no Iraque. As vítimas: xiitas, alauitas, cristãos e principalmente o povo yazidi (membros de uma religião que mescla elementos do zoroastrismo e do sufismo), do norte do país. Em Gaza já morreram aproximadamente duas mil pessoas em algumas semanas. No Iraque morre a mesma quantidade em apenas um dia. Assustador.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 5 de agosto de 2014

HEREM, CRUZADAS E GIHAD: CADA QUAL COM SUA GUERRA SANTA

Karl Barth na Time
Os judeus jamais foram vistos com bons olhos pelos cristãos. Foi assim nos primeiros séculos, foi assim durante a Reforma (sobretudo com Lutero), foi assim até a Segunda guerra Mundial. Karl Barth, em seu texto “A questão dos judeus e sua resposta cristã” (1949) talvez tenha sido o primeiro a romper com essa “teologia antijudaica” Mas a reflexão de Barth também marcou uma virada de mesa.

Criou-se, a partir da fundação do Estado judeu (1948) e da consequente reação hostil de países como Jordânia, Egito, Síria e Iraque, o mito de que árabes (muçulmanos) e judeus são inimigos eternos. Ora, do século VII até o século XX (com algumas interrupções), a Palestina foi submetida ao domínio muçulmano: Inicialmente árabe (a partir do século VII); depois turco (a partir do século XVI). Judeus sofreram perseguições tanto na Europa cristã como na Palestina muçulmana. A mais cruel e sangrenta veio de um país protestante: a Alemanha de Lutero dominada por Hitler.

Estamos no século XXI e ainda há quem busque em suas letras sagradas (seja muçulmano, seja judeu, seja cristão) as razões para conflitos que tem origem política e econômica. No caso particular dos cristãos há algo curioso. Até o final da Segunda Guerra Mundial: “judeus estão pagando pela crucificação de Cristo”. Depois disso: “o exército de Israel é o exército de Deus”. Pobre mente bipolar.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 31 de julho de 2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

É TUDO IGUAL... MAS SÓ PARA OS OUTROS

Zeca é cristão católico apostólico romano e odeia ser confundido com evangélicos pós-denominacionais. Maneco é cristão protestante batista tradicional e não suporta ser confundido com membros do deuteropentecostalismo. Silva é espírita kardecista e fica indignado quando é confundido com um umbandista ou seguidor do candomblé. Samuel é judeu liberal e fica uma fera quando o confundem com um sefardita haredi.

Mas Zeca, Maneco, Silva e Samuel acham que árabes são todos iguais. Que militantes armados como o Hezbollah, Hamas, Gihad islâmica, ISIS e Al Qaeda lutam pela mesma causa. Que xiitas, sunitas, alauitas, drusos e sufistas são todos fanáticos religiosos. Que iraquianos, sauditas, sírios, palestinos, jordanianos, libaneses e iranianos são um só povo.  

Que falta faz Aristóteles...



Jones F. Mendonça

A TEOLOGIA DEUTERONOMISTA ONTEM E HOJE II

A comunidade ortodoxa haredi atribuiu a morte dos três meninos israelenses no mês passado aos pecados dos seus pais: “Eles causaram a morte de seus filhos, e eles devem fazer teshuvá [se arrepender] por suas ações”.


A “boa” e velha teologia deuteronomista. Há algo novo debaixo do sol?


Leia no The Jewish DailyForward.


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A TEOLOGIA DEUTERONOMISTA ONTEM E HOJE

Uma das características da teologia deuteronomista - lente por meio da qual foi interpretada a história de Israel da posse da terra ao exílio (Js – Rs) - é a teologia da retribuição, inspirada em textos do Deuteronômio (como Dt 28,15). A mão do deuteronomista é rara no tetrateuco, mas em Nm 11,1-3 ela aparece com toda a sua força: 
1 Depois o povo tornou-se queixoso, falando o que era mau aos ouvidos do Senhor; e quando o Senhor o ouviu, acendeu-se a sua ira; o fogo do Senhor irrompeu entre eles, e devorou as extremidades do arraial. 2 Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou. 3 Pelo que se chamou aquele lugar Tabera, porquanto o fogo do Senhor se acendera entre eles.
A sequência: falta/sanção/intercessão/cura, é clara: 1) O povo fala mal de Moisés, 2) Javé pune o povo com fogo, 3) Moisés intercede pelos faltosos, 4) a ira de Javé é aplacada e o fogo se apaga. A teologia deuteronomista ainda faz sucesso, principalmente nas igrejas neopentecostais. A diferença é que no antigo Israel a ira de Javé era aplacada com jejuns, orações, sinais de humilhação e arrependimento. Hoje isso é feito com dinheiro. Não sei se ficou mais caro ou mais barato.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 24 de julho de 2014

PARA ULTRA-ORTODOXOS JAVÉ AINDA É O SENHOR DA GUERRA (MAS NÃO DO DINHEIRO)

Shalon Cohem, líder do Shas, um partido religioso de Israel, disse que o país não precisa de um exército para protegê-los, afinal “É Deus todo-poderoso que luta por Israel”. Uri Regev, o diretor-geral da Hiddush - organização que defende a liberdade religiosa e a igualdade -, não perdeu tempo: 
Se o país não precisa de um exército, então não há dúvida de que as yeshivas (escolas religiosas) e estudantes da Torá não precisam de auxílio financeiro [...]. A partir de agora eles podem colocar a sua fé no Senhor quando se trata de pedir dinheiro para financiar os seus sistemas de ensino. Vamos ajudar os ultra-ortodoxos a fazer fervorosas orações para que o dinheiro comece a crescer em árvores.

Falou o que não devia, ouviu o que não desejava.

Leia no The Jerusalem Post (link já traduzido pelo Google):  



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A PALESTINA NUNCA EXISTIU?

Não dá para compreender os conflitos que atualmente assolam o Oriente Médio  sem conhecer a história da ascensão e queda do Império Otomano e a divisão de parte de seu território entre a Grã-Bretanha, a Itália e a França. Ao contrário dos judeus vindos da Europa, acostumados com a noção de Estado-Nação, os habitantes árabes da Palestina (até o final da Primeira Guerra Mundial) viviam em vilas ou cidades multi-religiosas e sem fronteiras pertencentes ao Império Otomano. Mas o fato de não possuírem (como os judeus que migraram para a Palestina) a noção que o mundo moderno tem de "Estado nacional" implica na negação da existência do povo palestino? 

Uma excelente explanação a respeito do tema pode ser lida no Blog de Guga Chacra


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 18 de julho de 2014

AS CARTAS DE AMARNA, OS REIS CANANEUS E A FORMAÇÃO DE ISRAEL

Em 1887, cerca de 350 tabuletas de argila foram encontrados em el Amarna, capital do faraó Akhenaton. Elas foram escritas em caracteres cuneiformes na linguagem diplomática, o acadiano. A maior parte dessas correspondências foi datada para os reinados de Amenhotep III (1402-1364) e Akhenaton (Amenhotep IV, 1350-1334). Atualmente encontram-se expostas em museus europeus (200 em Berlim, 80 no Museu Britânico e vinte em Oxford). 

Esses documentos refletem a ativa correspondência entre a administração egípcia e seus representantes em Canaã e Amurru. Também revelam o estado das relações internacionais entre o Egito e as grandes potências do Oriente Médio (Babilônia, Mitani e Assíria) e os países menores, como Arzawa no oeste da Anatólia. 

Um dos problemas enfrentados pelos reis cananeus no final do século XIV a.C. era a ameaça que vinha dos ‘apiru (pessoas de origem variada, fora da ordem social - os hebreus?), como atesta este carta escrita pelo rei Abdu-Heba, de Jerusalém: 
Os ‘apiru saqueiam os territórios do rei. Se houver arqueiros [aqui] este ano, todos os territórios do rei permanecerão [intactos]; mas se não houver arqueiros, os territórios do rei, meu Senhor, estarão perdidos! 

Uma excelente obra que relaciona as cartas de Amarna ao contexto político, social e econômico de Canaã no Bronze Recente, pode ser encontrada em “Para além da Bíblia”, de Mario Liverani (aqui, aqui e aqui). As cartas de Amarna estão disponíveis (em inglês), neste site.


Jones F. Mendonça

APRENDA A LER HIERÓGLIFOS

Lições introdutórias, fontes, exercícios, documentos como a Estela de Metnephah e a história de Sinuhe, aqui


Jones F. Mendonça

A GUERRA EM GAZA FOI UMA ESCOLHA DE ISRAEL E DO OCIDENTE

Resumo da análise de Nathan Thrall, do Instituto Crisis Group, publicada no New York Times (17/07/2014):

Diante do enfraquecimento da aliança do Hamas com a Síria e o Irã; do fim do apoio da irmandade muçulmana que governava o Egito (caiu após um golpe em julho de 2013) e o consequente fechamento dos túneis que abasteciam Gaza com suprimentos e armas, o Hamas se viu cada vez mais isolado, passando a ser alvo de protestos populares em Gaza. A alternativa encontrada pela liderança do grupo foi abrir mão do controle oficial do território, daí a aliança entre o grupo islâmico e a OLP. No intuito de minar o acordo, Israel suspendeu o salário de 43 mil funcionários públicos que trabalhavam para o governo do Hamas em Gaza. O Hamas, encurralado e sem nada a perder, buscou através da violência o que não foi possível pela via política. Ele conclui: 
The current escalation in Gaza is a direct result of the choice by Israel and the West to obstruct the implementation of the April 2014 Palestinian reconciliation agreement.



Jones F. Mendonça

sábado, 12 de julho de 2014

CRUZADAS INACABADAS

Desde que os EUA invadiram o Iraque, em 2003, o número de cristãos no país tem diminuído. Antes da intervenção militar: um milhão e meio de cristãos. Depois da intervenção: menos de quatrocentos mil. Lembro-me bem, em 2003 muitos cristãos aplaudiram a ação militar argumentando que com a queda de Saddan Russein as barreiras de impedimento para o trabalho missionário dos cristãos cairiam.  George Bush convenceu a todos de que se tratava de uma guerra entre o “bem” e o “mal”. Ingênuos...

Leia a respeito da situação dos cristãos no Iraque News:


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MAGIA E ADIVINHAÇÃO NA ANTIGA PALESTINA E SÍRIA

Quem lê com atenção a Bíblia hebraica percebe que as antigas tradições de Israel, após ganharem a forma escrita, passaram por um processo redacional contínuo ao longo dos séculos.  Os textos, retocados e moldados de acordo com a teologia da época, deixaram “impressões digitais” que podem ser percebidas por quem conhece o hebraico e os antigos costumes dos povos que viviam no território ocupado pelos israelitas e em seu entorno.

No caso específico da profecia é possível notar resquícios de antigas práticas mágicas e divinatórias do Oriente Próximo. São diversos os exemplos, tais como a taça de adivinhação de José (Gn 44,5); o carvalho dos adivinhadores (Jz 9,37); a adivinhação com flechas (2Rs 14,13-20 e Ez 21,21); o uso dos terafins e do éfode para consultar Javé (Jz 17,5; Os 3,4; 1Sm 23,9); a consulta aos mortos (Is 29,4; 1Sm 6,2) e o êxtase delirante (Nm 11,25; 1Sm 10,5-6; 1Sm 19,24; 1Sm 18,10; 1Rs 18, 26.28-29; 2Rs 3,15).

Em busca de paralelos entre a religião de Israel e a de outros povos que viveram na região encontrei essa magnífica obra: 
JEFERS,Ann. Magic & divination in ancient Palestine & Siria. Leiden: New York:Köln: E. J. Brill, 1996.
Eis uma pequena descrição (como aparece na introdução do livro): 
Magia e adivinhação, como parte de um sistema de ideias, certamente existiu numa fase inicial da história israelita. Não podemos, porém, ignorar o fato de que há muitos vestígios de magia e adivinhação deixados nos textos atuais que não podem ser facilmente explicados pelo uso de obras literárias críticas. [...] De imediato, várias questões se apresentam: O que são magia e adivinhação? Como é que o mundo acadêmico as entendeu? Que método hermenêutico podemos aplicar para lidar com tantas camadas e textos ideológicos?
Boa leitura!



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 10 de julho de 2014

ROBÔ ESCRIBA

O Haaretz (10/07/14) noticiou que um robô escriba criado recentemente na Alemanha é capaz de escrever em um rolo de 80 metros em apenas três meses. Um rabino ou um sofer - um escriba judeu - leva quase um ano para fazer o mesmo trabalho. Mas o texto escrito pelo robô não pode ser usado em uma sinagoga. Quem explica o motivo da rejeição ao robô é o Rabino Reuven Yaacobov: 
Para que a Torá seja santa tem que ser escrita com uma pena de ganso em pergaminho. O processo tem que ser cheio de significado; o escriba precisa fazer orações enquanto está escrevendo.

Entrará no rol das máquinas inúteis...



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 7 de julho de 2014

BOBINHO AO CUBO

Zé Bobinho quer demonstrar que o cristianismo dos primeiros séculos não era sexista. Começa seu texto dizendo que o termo “sexismo” foi cunhado em meados do século XX, logo não poderia haver sexismo nos primeiros séculos. Cita quatro autores defendendo essa tese (três deles são americanos).

Constrói seu texto citando e citando e citando autores diversos. Não transcreve nem analisa textos escritos no período patrístico, mas apenas as opiniões dos “especialistas”: “os Pais da Igreja davam grande valor à mulher”, diz o primeiro.  “As mulheres sempre desempenharam um papel importante na educação cristã”, diz o segundo. Acha que seu trabalho ficou muito bem fundamentado.

É ou não um bobinho ao cubo?



Jones F. Mendonça

PROFETAS E PROFECIAS NO ANTIGO ORIENTE PRÓXIMO

Continuo minha leitura a respeito do profetismo israelita. Os livros que tenho consultado mencionam a existência de "profetas" (apilum ou muhhûm e muhhûtum) nos povos vizinhos de Israel. Leio aqui e ali alguma citação de textos que registram a existência de atividade profética em cidades do Oriente próximo. Fiquei curioso e fiz uma busca no Google. Encontrei este livro: 

NISSINEN, Martti. Prophets and prophecy in the ancient Near East. Atlanta: Society of Bibical Literature, 2003. 

Nas páginas 47 e 48 aparece o relato que descreve um profeta em transe no templo. O conselho divino (Annunitum = Ishtar em seu aspecto guerreiro) deve ser entregue a Zimri-Lim, rei de Mari (fiz uma tradução livre): 

5 In the temple of Annunitum,
three days ago, Šelebum went into
trance and said:
7 “Thus says Annunitum: Zimri-
Lim, you will be tested in a revolt!
Protect yourself! Let your most
favored servants whom you love
surround you, and make them stay
there to protect you! Do not go
around on your own! As regards
the people who would tes[t you]:
those pe[ople] I deli[ver up] into
your hands.”

5 No templo de Annunitum,
há três dias, Šelebum entrou em
transe e disse:
7 "Assim diz Annunitum: Zinri-
Lim, você será testado em uma revolta!
Proteja-se! Mantenha seu servos
mais favorecidos, aqueles que você ama,
ao seu redor, e faça com que fiquem
para protegê-lo! Não saia
por conta própria! Quanto
às pessoas que estão te testando:
eu as entregarei nas tuas mãos".

De modo geral os textos consistem em instruções relativas à cidade, à guerra, à provisão de animais para o sacrifício e observância de ocasiões sacrificiais. O livro (em PDF, em inglês) pode ser encontrado aqui