quinta-feira, 21 de julho de 2016

RESPONDA HONESTAMENTE

Quando o assunto é o número de armas de fogo por habitante, os EUA são campeões. Em segundo lugar vem o Iêmen, um país mergulhado em tripas e sangue. Se liberarem as armas aqui no Brasil, você acha que ficaremos mais parecidos com os EUA o com o Iêmen?



Jones F. Mendonça

BETÂNIA, PARA ALÉM DO JORDÃO


Cristãos bizantinos acreditam que este é o local onde Jesus foi batizado por João Batista: “Betânia, do outro lado do Jordão, onde João batizava” (Jo 1,28).  Escavações feitas a partir de 1996 descobriram mais de 20 igrejas, cavernas e piscinas batismais que datam do período romano. A área, conhecida como Wadi Kharrar, fica na Jordânia.

Veja mais fotos aqui


Jones F. Mendonça

A HISTÓRIA DEUTERONOMISTA E OS REIS DE ISRAEL

Novo artigo no The Bible and Interpretation: “The Deuteronomistic History and Israel'sKings”, escrito por Alison L. Joseph, do Swarthmore College, Filadélfia: 
A perspectiva do Dtr [historiador deuteronomista: Js-Rs] é clara: o culto israelita deve ser centralizado. Desse modo, ele usa Jeroboão como uma ferramenta literária para construir uma imagem modelo para julgar os reis do norte. Como rivais ao trono de Davi, os reis do norte quase sempre são julgados negativamente: os reis maus são como Jeroboão. O padrão pelo qual eles são medidos tem pouco a ver com o seu comportamento mais abrangente como reis. O Dtr está preocupado com as suas ações a favor e contra o culto centralizado e a fidelidade ao pacto deuteronomista [culto a Javé e fidelidade à Lei]. Apesar do delito de outros reis – o esvaziamento do tesouro do templo (Jeoás, 2 Rs 12,18), a guerra contra o outro reino (Asa, 1 Rs 15,16), e até mesmo a idolatria (Omri, 1 Rs 16, 25-26) - para o Dtr Jeroboão permanece como figura do mal por excelência.

Jones F. Mendonça

IDEOLOGIA

O mesmo sujeito que pede o fim da ideologia na escola, defende o retorno da disciplina "Educação moral e cívica". Ora, o que é um livro de EMC senão ideologia da capa à contracapa?

A coerência tem caminhado aos tropeços.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O SERMÃO DO MONTE LUCANO

Bem aventurados são os miseráveis, os famintos, os que choram, os rejeitados, diz o sermão do Monte em Lc 6,20-22. Por outro lado, malditos são os ricos, os saciados, os que se deleitam no riso festivo, os que recebem as mais pomposas honrarias. Como entender o sermão do monte lucano?

Repare que após as bendições surge uma promessa: “no céu será grande a vossa recompensa; pois do mesmo modo seus pais tratavam os profetas” (v. 23). Em suma: são benditos porque sofrem com a injustiça, assim como os antigos profetas. Lucas identifica os oprimidos com os profetas.

Após as maldições uma advertência: “Ai de vós, quando todos vos bendisserem, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas” (v. 26). Em suma: são malditos porque são honrados como os falsos profetas. Lucas identifica os opressores com os falsos profetas.

Lucas até insere no capítulo 16 uma parábola que serve muito bem como ilustração para o sermão do Monte. Trata-se da parábola do rico e Lázaro. O mendigo é um despossuído (pobre), alguém que deseja comer das migalhas que caem da mesa (está faminto), que sofre em suas úlceras (tem boas razões para chorar) e que é desprezado pelos homens (é um rejeitado).

O rico, por outro lado, veste-se de púrpura e linho fino (é rico), tem diante de si uma mesa repleta de delícias (está saciado), regozija-se em uma vida cheia de requinte (sim, tem boas razões para rir) e goza de respeito entre os homens (é honrado).

O tema do “reverso da moeda”, da “recompensa futura como resultado do sofrimento presente” ou do “salário igual para trabalhos desiguais” aparece nos evangelhos com muita força em diversas parábolas. Quer mostrar que o Reino de Deus não é regido por critérios humanos. Não é Reino onde a honra é alcançada por méritos. É Reino onde o peão, pode virar patrão. A mensagem é tão desconcertante que a maioria dos sermões usa como base o texto de Mateus, que contém um sermão do Monte bem mais ameno. 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O IRMÃO DO FILHO PRÓDIGO

Jacob Steinhardt, 1962
O capítulo 15 de Lucas conta a famosa parábola do filho pródigo. Talvez seja preciso lembrá-lo de que ela é contada para uma dupla plateia: fariseus e pecadores (15,1). O foco da parábola não é a natureza esbanjadora e irresponsável do filho mais novo (um típico pecador).  Tampouco a virtude do mais velho: justo, trabalhador, responsável e obediente (a imagem de um fariseu). Trata, todavia, do ressentimento do mais velho, orgulhoso de suas virtudes, sempre à espera de uma retribuição à altura de suas boas ações: “jamais transgredi teus mandamentos, onde está minha recompensa?” (Lc 15,29). Embora já tivesse tudo (v.31), via-se como um despossuído, como um injustiçado.

A reação do filho mais velho lembra o lamento de Jonas, indignado com o perdão divino concedido aos ninivitas: “Por isso fugi apressadamente para Társis; pois eu sabia que tu és um Deus de piedade e de ternura, lento para a ira, e rico em amor e que se arrepende do mal” (Jn 4,2). Vivem repetindo por aí que Jonas fugiu por medo dos “terríveis ninivitas”. Não era por medo, era por orgulho, por indiferença, por falta de compaixão por aqueles que ele via como inferiores, como “gentalha”. Jonas queria mesmo é que o fogo descesse do céu e consumisse aqueles “pecadores dos infernos” (como Tiago e João em Lc 9,54).

Tanto o livro de Jonas como a parábola do filho pródigo sofreram uma adulteração perversa. Originalmente criticavam a arrogância dos religiosos (judeus exclusivistas do período pós-exílico/fariseus). Mas ambos tiveram suas mensagens convertidas em sermões moralistas. Jonas tornou-se o pregador virtuoso que anuncia a mensagem divina apesar da dureza de seu coração. O filho pródigo geralmente é evocado para destacar o sofrimento experimentado por aqueles que ousam desafiar as regras morais impostas pela religião.

Puseram tudo ao avesso.


Jones F. Mendonça

domingo, 17 de julho de 2016

PLATÃO E A CRIAÇÃO DA BÍBLIA HEBRAICA

Na sequência do seu trabalho de 2006, “Berossus e Genesis” e “Manetho e Êxodo”, Russell E. Gmirkin retoma a sua teoria de que o Pentateuco foi escrito por volta de 270 a.C. usando fontes gregas encontrados na Grande Biblioteca de Alexandria. 

Neste novo trabalho Plato and the Creation of the Hebrew Bible (Routledge, 320 páginas), um número impressionante de paralelos legais são apresentados entre as leis do Pentateuco e as leis atenienses, especificamente com aquelas presentes na obra platônica “Leis” (aprox. 350 a.C.). 



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 14 de julho de 2016

DOS BEIJOS ARDENTES E DA ALEGORIA MEDIEVAL

Ricardo de Saint Victor (†1173) tomou nas mãos o livro bíblico de Cantares, coçou a cabeça e disse assim: 
Neste livro fala-se de beijos, de seios, de faces, de pernas... 
Pensou com seus botões: 
não devemos pensar baixamente das Escrituras. [...] de fato, a letra cobre o espírito assim como a palha cobre o trigo. Cabe ao jumento alimentar-se da palha e ao homem alimentar-se do trigo (Richard of Santi-Victor, Sacred Writtings on Contemplation, p. 27).
Trocando em miúdos: quem lê “beijo ardente” (literalmente) come palha, quem lê “paixão piedosa” (alegoricamente) come trigo.

Sei...


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 11 de julho de 2016

MULHER: DE “PORTÃO DO DIABO” A “SACO DE ESTRUME”

Para Tertuliano, a mulher é o “portão do diabo” e “primeira desertora do direito divino” (Do vestuário feminino, Livro II, IV). Odão de Cluny, no século X, encontrou um adjetivo ainda pior: 
Se os homens vissem o que está debaixo da pele, a imagem das mulheres lhes daria náuseas [...]. Quando nem mesmo suportamos tocar um escarro ou um excremento com a ponta dos dedos, como poderíamos abraçar esse saco de bosta?
Voltemos 1200 anos.  O autor do livro da Sirácida, obra judaica do segundo século a.C., tinha opinião semelhante. Mas Ben Sirac situa o defeito feminino na alma, não nos corpo: “Porque das vestes sai a traça e da mulher, a malícia feminina” (42,13). Sobre os perigos da beleza física feminina ele faz um alerta: “Não te deixes prender pela beleza de uma mulher” (25,21).

Calvino, no século XVI, parece ter se inspirado na Sirácida: “Eis apenas um tipo de beleza [feminina] que me seduz – que ela seja casta, prestimosa, econômica, paciente e que zele pela minha saúde”.

Mas há quem veja o feminismo como um movimento impulsionado por uma causa imaginária.



Jones F. Mendonça

CEMITÉRIO FILISTEU DESCOBERTO EM ASHKELON

Matéria publicada no Haaretz (10/07/16), por  Philippe Bohstrom:

“Um enorme cemitério filisteu de cerca de 3000 anos de idade foi encontrado no porto mediterrâneo de Ashkelon. O modo como os corpos foram enterrados prova, pela primeira vez, que os filisteus vieram da região do Mar Egeu, e que tinham laços muito estreitos com o mundo fenício”.

Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 5 de julho de 2016

TERTULIANO E A BELEZA FEMININA

Num sermão do segundo século, Tertuliano tenta convencer as mulheres (chamadas de “portão do diabo”) a não se preocuparem tanto com a beleza física. Ele explica: “seus maridos [cristãos] não são atraídos pelas mesmas graças que os gentios” (Do vestuário feminino, Livro II, IV).

Bobinho...



Jones F. Mendonça

DA POLIGAMIA FEMININA EM AGOSTINHO DE HIPONA

Agostinho de Hipona, no século IV/V, achava – como muitos outros de seu tempo – que o único propósito do casamento é a procriação. Com isso em mente ele explica a tolerância divina para com a poligamia masculina e a rejeição da poligamia feminina no AT (dito com minhas palavras):

O homem que se une a várias mulheres (=vários úteros) pode gerar muitos filhos; a mulher (um único útero) que se une a diversos homens não aumenta sua capacidade de gerar filhos. No primeiro caso: procriação. No segundo caso: apenas prazer sexual, concupiscência (Do casamento e da concupiscência, Livro I, X).

Criativo (e astuto) esse Agostinho...



Jones F. Mendonça

sábado, 2 de julho de 2016

DIABO GENTIL

Você dirá que a imagem tem certo tom cômico e que foi feita por algum artista moderno. Mas ela ilustra a página 48R de um missal francês do século XV: "Tornou o diabo a levá-lo, agora para um monte muito alto” (Mt 4,8).



Veja a imagem em seu contexto aqui.


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 29 de junho de 2016

JUDEUS NA FORTALEZA DE HERODES

Após a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., um grupo de judeus (sicários com suas famílias), aquartelou-se nesta fortaleza (Massada), na margem ocidental do Mar Morto (ao fundo). Após construírem uma enorme rampa (em destaque), os romanos tomaram a fortaleza e puseram fim à resistência judaica. No sopé da fortaleza ainda há vestígios do acampamento romano.

Clique para ampliar



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 23 de junho de 2016

BÊNÇÃO SACERDOTAL EM AMULETO DE PRATA

Em algum momento entre os séculos VI ou VII a.C. (no tempo do rei Josias) alguém apagou a imagem de uma divindade protetora num amuleto de prata e a substituiu por uma invocação contra o mal usando a seguinte fórmula litúrgica: “‘Yahweh te abençoe e te guarde! Yahweh faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno!”.

O amuleto foi encontrado em 1979 pelo arqueólogo Gabriel Barklay nas câmaras mortuárias de Ketef Hinnon, a sudeste de Jerusalém. Embora a descoberta não seja capaz de provar que o Pentateuco já estava escrito, demonstra que algumas fórmulas presentes na Bíblia hebraica já circulavam de forma escrita. Antes da descoberta deste amuleto, o mais antigo documento contendo um texto presente na Bíblia era o Papiro de Nash (século I ou II a.C.).


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 16 de junho de 2016

TOBIT: JÓ REDIVIVO

Tobit, homem piedoso e justo, após perder seus bens (1,20), sua saúde (2,10) e ouvir de sua esposa: “de que adiantou tua fidelidade” (2,14), lamenta: “melhor é morrer do que viver” (3,6). Isso não lembra Jó? Tem mais: a fé de Jó é provada por Hassatan (1,6-12; 2,1-7); a fé de Tobit é provada pelo anjo Rafael (12,13).

No final do livro, o Tobit já curado de sua enfermidade exclama: 
Bendito seja Deus! Porque ele me havia punido, e de novo se compadeceu de mim, e agora vejo meu filho Tobias! (11,14b-15).
Este final dispensa comentários. Tobit é quase um Jó redivivo.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ARQUEOLOGIA NA LUTHERAN SCHOOL OF THEOLOGY AT CHICAGO

Artefatos arqueológicos do Egito, Síria-Palestina e Mesopotâmia expostos de forma cronológica no site da Lutheran School of Theology at Chicago. Veja aqui.

Na imagem: representação do faraó Sheshonq (século X) ferindo prisioneiros. O faraó é chamado de Sesac no livro de Reis: "No quinto ano do rei Roboão, o rei do Egito, Sesac, atacou Jerusalém (1Rs 14,25).




Jones F. Mendonça

sábado, 11 de junho de 2016

DAS TRADUÇÕES SEM SENTIDO

Sl 74,14 na Almeida Revista e Atualizada: "Tu espedaçaste as cabeças do crocodilo (ro'shey liveiyatan = cabeças do leviatan) e o deste por alimento às alimárias do deserto".

Como assim "cabeças do crocodilo"? Seria um crocodilo cheio de cabeças? É que leviatan não é crocodilo, é isso aí:




Jones F. Mendonça

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O COLAPSO NO MEDITERRÂNEO E OS FILISTEUS

Desenho de Emmanuel Rouge feito a partir de um mural no templo
mortuário de Ramsés III

A combinação de uma série de fatores, tais como pragas, terremotos e mudanças climáticas resultou no colapso das civilizações do século XII a.C. que se desenvolveram ao norte e ao leste do Mediterrâneo. Um outro fator foi a invasão dos chamados “povos do mar”, dentre os quais os filisteus, frequentemente citados na Bíblia. No túmulo do faraó Ramsés III foi gravado um dramático registro da chegada dos invasores:  
Os setentrionais em suas ilhas estavam em dificuldade e se moveram em massa, todos ao mesmo tempo. Ninguém resistiu perante eles [...]. A força deles era constituída de filisteus, de Zeker, de Shekelesh, de Danuna e de Weshesh, países que se uniram para pôr a mão no Egito, até o último confim. Os ânimos deles eram de confiança, cheios de projetos (BREASTED, J. H. Ancients records of Egypt, IV 64 = ANET, p. 262).
Mas de onde vieram os filisteus? A teoria mais difundida ligava esse povo às ilhas do mar Egeu. Mas recentes descobertas apontam em outra direção: o sul da Anatólia (atual Turquia). Leia no Haaretz.



Jones F. Mendonça

O COLAPSO NO MEDITERRÂNEO E AS ORIGENS DE ISRAEL

Perto do fim do século XIII a.C. grandes civilizações localizadas entre o mar Egeu e o Oriente Próximo entraram em colapso. A arqueologia confirma a destruição de cidades na Grécia, Turquia, Síria, Líbano e Egito (veja no mapa). Coincidência ou não, a origem de Israel está situada neste período, como parece confirmar registro feito na Estela de Merneptah (1208 a.C.), primeira referência a um povo chamado Israel.

Você pode ler sobre o assunto adquirindo o livro “Para além da Bíblia”, do assiriólogo Mário Liverani, ou de forma gratuita, acessando este artigo publicado no Bible History Daily.

Mapa: Bible History Daily



Jones F. Mendonça

JOSEFO, MANETHO, OS HICSOS E A ORIGEM DE ISRAEL

Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, liga a origem dos judeus à expulsão dos hicsos (“reis pastores”), povo asiático que dominou o Egito por volta de 1700 a.C. por um período de aproximadamente 100 anos. A informação, tomada de Manetho (historiador egípcio do III séc. a.C.), foi registrada em sua obra “Contra Apion”. Veja:
não menos que duzentos e quarenta mil pessoas atravessaram o deserto em direção à Síria. Temendo os assírios, que dominaram a Ásia naquele tempo, eles construíram uma cidade no país que agora chamamos Judeia. Era grande o suficiente para conter este grande número de homens e foi chamado de Jerusalém.
Embora a associação entre hicsos e israelitas seja problemática, o registro de Josefo merece ser investigado, afinal, quem eram os hicsos? Há alguma ligação entre a expulsão desses asiáticos e a origem de Israel?

Leia mais sobre a expulsão dos hicsos no Bible History Daily: “The Expulsion of theHyksos: Tel Habuwa excavations reveal the conquest of Tjaru by Ahmose I”, por Noah Wiener.




Jones F. Mendonça

segunda-feira, 6 de junho de 2016

TIAMAT E OS MONSTROS DO CAOS

A imagem, reprodução de uma placa datada para o terceiro milênio a.C. mostra a serpente Musmahhu sendo derrotada por Ninurta (que parece ter inspirado a figura bíblica de Nimrod). Na mitologia babilônica o monstro reaparece. Tiamat, divindade associada ao oceano, dá a luz a onze criaturas, dentre elas o monstro serpente de sete cabeças.  

A luta entre divindades e monstros deixou reflexos no livro do profeta Isaías: “Desperta como nos dias antigos [...]. Por acaso não és tu aquele que despedaçou Raab, que trespassou o Tannaiyn?” (Is 51,9). Ou ainda: “Naquele dia, punirá Iahweh [...] a Leviatã, serpente escorregadia, a Leviatã, serpente tortuosa, e matará o monstro [tanniym] que habita o mar.

A imagem e maiores informações sobre o monstro Masmahhu aparecem na obra:
BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony. An illustrated dictionary: Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia. London, British Museum Press, 2004, p. 196.





Jones F. Mendonça

FILON DE ALEXANDRIA E A SEXUALIDADE MASCULINA

Fílon de Alexandria, judeu helenista do século primeiro, tratando sobre o mandamento “não adulterarás”, comenta sobre um curioso costume observado em seu tempo:   
Tratados como mulheres, estragam tanto sua alma como seu corpo, não trazendo neles uma única centelha de caráter másculo [...] mas têm os cabelos da cabeça ostentosamente encaracolados e adornados, assim como o rosto lambuzado de rouge, e pintado, e [...] passam lápis sob os olhos e têm a pele ungida com perfumes [devotando-se] à tarefa de transformar seu caráter masculino num caráter efeminado [...]. E algumas dessas pessoas levaram tão longe a admiração desses prazeres delicados da juventude que desejaram trocar por inteiro sua condição pela de mulheres, tendo se castrado e passado a usar vestidos vermelhos (Leis Especiais, III. 7.37-42). 
Num outro comentário critica a “sodomia”: 
O país dos sodomitas era um distrito da terra de Canaã, que os sírios mais tarde chamavam de Palestina, um país cheio de inúmeras iniquidades [...]. E os homens [...] não somente enlouqueceram em busca de mulheres [...] como também houve os que tinham luxúria por outros homens, fazendo coisas impróprias sem considerar nem respeitar sua natureza comum [...], assim, pouco a pouco, os homens se acostumaram a ser tratados como mulheres [e] por causa da efeminação e da delicadeza, se tornaram como as mulheres em suas pessoas, [...] corrompendo desse modo toda a raça do homem (Sobre Abraão 26. 133-36).



Jones F. mendonça

domingo, 5 de junho de 2016

O QUE AS MULHERES QUEREM?

Um estudioso judeu medieval comentando a Qiddushin - tratado judaico do segundo século que lida com questões ligadas ao casamento – reflete a respeito da seguinte pergunta: “o que as mulheres querem?”. Num fragmento o judeu anônimo dispara: “não há nada que a satisfaça mais do que ouvi-la” (Fragmento TS Ar.18). Não foi certeiro?

Mas o autor, “feminista” convicto, vai além. Ele questiona o mesmo tratado por causa da referência ao casamento como uma “aquisição” por parte do marido. Daí ele pergunta: “não seria melhor trocar a palavra 'aquisição' pela palavra 'compromisso'?”, afinal “o papel do noivo na cerimônia é satisfazer a vontade da noiva e agir em conformidade com ela”.

Um verdadeiro gentleman.



Jones F. Mendonça

JOSUÉ E JOSIAS

Assim como alguns teólogos da libertação projetam em Moisés e nos profetas do século VIII (Oséias, Amós e Isaías) elementos da personalidade de um Che Guevara, Josias projetou em Josué suas mais profundas aspirações político-religiosas: a conquista de toda a terra (Norte e Sul) sob a inspiração da “Lei de Moisés”. A cidades conquistadas por Josué “coincidentemente” eram as mesmas desejadas por Josias no século VII, após o vácuo de poder que se formou com enfraquecimento da Assíria.


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 1 de junho de 2016

NOS SUBTERRÂNEOS DE JERUSALÉM

Os subterrâneos de Jerusalém numa matéria do Haaretz recheada de fotos em alta resolução, vídeos e informações. Destaque para o túnel de Ezequias (ou de Siloé) e para a caverna de Zedequias. Imperdível para quem se interessa pela história de Jerusalém.

Leia aqui.



Jones F. Mendonça

domingo, 29 de maio de 2016

NOVAS BUSCAS EM QUMRAN

Os manuscritos mais antigos da Bíblia hebraica foram encontrados no final da década de 40 na região de Qumran, nas proximidades do Mar Morto, Israel. Novas escavações no local podem trazer novidades. Leia no Haaretz (só para assinantes):

Não é assinante do Haaretz? Então leia aqui



Jones F. Mendonça

terça-feira, 17 de maio de 2016

E A SERPENTE SE FEZ SATANÁS

O termo satan (=adversário) aparece na Bíblia hebraica de três modos: 

a) precedido de artigo – “HAssatan” = “o adversário” (cf. Zc e Jó), referindo-se a um membro do conselho celestial que atua como “o adversário” de um humano (ver ainda, 1Rs 22,21, 2Cr 18,20, neste caso, “o espírito”); 

b) não precedido de artigo – “satan” = “um adversário”, como Hadad, apresentado como “um adversário” de Salomão (cf. 1Rs 11,14), ou “Adversário”, neste caso, referindo-se a uma figura específica, entendida como “o opositor de Javé”, Deus de Israel (1Cr 21,1), surgida no período pós-exílico, 

c) precedido de preposição – “LEsatan” = “por adversário” (cf. Nm 22,22.32) designando alguém que se coloca “por adversário” de outrem (como o anjo de Javé que se coloca “por adversário” de Balaão).

Mas quando o assunto diz respeito à identificação do “Satanás” do NT (plenamente personificado) com a serpente do Éden, leia este artigo ("How the serpent became Satan"), publicado na Bible History Daily (08/04/16), escrito por Shawna Dolansky, professora e instrutora no programa de Religião da Faculdade de Letras da Universidade de Carleton, em Ottawa, Ontário. Na opinião de Shawa, a ligação entre a serpente do Éden e Satanás sequer ocorre no NT, mas somente nos textos produzidos no período pós-apostólico (Justino Mártir, Cipriano e Tertuliano). Não há nada de novo no artigo, mas trata-se de uma boa síntese e certamente será útil aos interessados no assunto.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 9 de maio de 2016

INTRODUÇÃO À BÍBLIA HEBRAICA (E-BOOK GRÁTIS)

A Society of Biblical Literature disponibiliza gratuitamente para países de baixa renda per capita (como o Brasil) diversos livros na área de teologia no formato PDF (perspectiva acadêmica). Aos interessados, deixo esta sugestão:

COLLINS, John J. Introduction to the Hebrew Bible. Minneapolis: Fortress Press, 2004 (628 pages, 8.9 MB).

No site da Amazon o livro custa em torno de 30 dólares.


Baixe aqui


Jones F. Mendonça

domingo, 8 de maio de 2016

DA MORAL, DOS BONS COSTUMES E DA SANTA PIEDADE

“Nós gostamos da pequena escola onde costumávamos ir. Onde o professor lia a Bíblia e nos ensinava a regra de ouro. Nós vamos colocar uma Bíblia em cada escola de nosso país. [...] Nós pertencemos à Ku Klux Klan”.

Popular canção entoada por membros da Ku Klux Klan. Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça