quarta-feira, 17 de julho de 2019

O TEHOM NA CRIAÇÃO, NO DILÚVIO E NO ÊXODO

Em Gênesis, capítulo 1, o vento de Deus (a ruah de Javé) se agita sobre as águas do abismo (do tehom). É por meio desse vento tempestuoso que as águas são separadas das águas (Gn 1,6; 1,9), fazendo surgir a terra seca. A ordem é estabelecida pela vitória de Javé sobre o tehom, o abismo aquoso.

O canto de Moisés em Êxodo 15 celebra um episódio de mesma matriz teológica: 1) O vento de Deus (a ruah de Javé) separa as águas do Mar Vermelho; 2) A terra seca – sobre a qual o povo marchará – aparece, 3) O abismo (o tehom), aquele que foi vencido por Javé, se precipita sobre os carros de Faraó (Ex 15,5).

O domínio de Javé sobre o tehom também é visível em Gênesis 8. Após "lembrar-se" de Noé e de todos os animais da arca, as fontes do tehom são fechadas e ao cabo de cento e cinquenta dias a terra seca reaparece (Gn 8,3-4). O dilúvio conduz a terra ao caos primordial, ao estado de desordem de Gn 1,2. A causa dessa desordem: a maldade humana. Cessada a ira de Javé o tehom é vencido e a ordem é restabelecida.

Reflexos da derrota do tehom por Javé aparecem em Is 51,9-10:

“Por acaso não és tu aquele que despedaçou Raab
que trespassou o Tannyim? [monstros que personificam o tehom]
Não és tu aquele que secou o mar, 
as águas do Grande Abismo (Tehom)?”

Osvaldo Luiz Ribeiro, em seu livro “Homo Faber” (Mauad X, 2015), defende que Gn 1,1-3 não falava originalmente a respeito da criação do mundo, mas sobre “fundação de Jerusalém”. Bem, mas este é um tema para outra postagem.



Jones F. Mendonça

TIAMAT, O TANNYIM E O TEHOM

Entre sumérios e acadianos Tiamat era o símbolo das águas salgadas (representado por uma serpente/dragão). Os fenícios, vizinhos dos hebreus, associaram as águas salgadas (Tiamat) ao tehom, termo que significa “abismo aquoso” e que surge na Bíblia em diversas ocasiões. É por isso que nas Escrituras o “abismo” (tehom) aparece associado à figura de um monstro marinho:


“Naquele dia, punirá Javé, 
com a sua espada dura, grande e forte, 
a Leviatã, serpente escorregadia, 
a Leviatã, serpente tortuosa, 
e matará o monstro (Tannyim) que habita o mar” (Is 21,7). 

“tu esmagaste as cabeças do Leviatã 
dando-o como alimento às feras selvagens” (Sl 74,14);

Os antigos leitores dos de Isaías e dos Salmos, familiarizados com a mitologia estrangeira, entendiam bem a mensagem: só Javé, o Deus de Israel, derrota o caos. Quer saber mais sobre Tiamat, o Tannyim e o Tehom? Sugiro duas obras de Mark S. Smith:

SMITH, Mark S. The Ugaritic Baal Cycle, Volume I: Introduction with text, translation and commentary of KTU 1.1-1.2. Leiden, Ney York, Köln: E. J. Brill, 1994.

SMITH, Mark S; PITTARD, Wayne T. The Ugaritic Baal Cycle, Volume II: Introduction with Text, Translation and Commentary of KTU/CAT 1.3–1.4.Leiden, Boston: E. J. Brill, 2009. 


Jones F. Mendonça

FRALDA EXORCISTA

Diante das lacunas deixadas pelos Evangelhos a respeito da infância de Jesus, muitas histórias foram criadas sobre o menino filho de Maria. Um dos "Evangelhos da infância" (do século VI) conta que um guri possuído por demônios pôs na cabeça uma fralda de Jesus e os demônios, acreditem, "fugiram saindo pela boca do menino, e foram vistos sob a forma de corvos e serpentes" (Evangelho Árabe da infância, XI).

Se a moda pega...



Jones F. Mendonça

SOBRE “OCEANOS SUPERIORES”

O Salmo 148 faz uma declaração a respeito do céu que pouca gente compreende:
 “louvai-o, céus dos céus e águas acima dos céus!”(Sl 148,4). 
Como assim “água acima dos céus”? Explico. Céu em hebraico é “shamayim” (sham = lá; mayim = água), ou “a água de lá” [de cima]. É provável que esse tipo de percepção tenha surgido por duas razões: 1) O céu é azul como o mar; 2) A água da chuva vem do céu.

Para os antigos a abóbada funcionava como limite entre as “águas superiores” e as “águas inferiores” (oceanos). A ideia de que o céu sustentava um oceano superior reaparece em Gn 1,6:
“Deus disse: ‘Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas’, e assim se fez”.
Repare que em Gn 8,2 o dilúvio acontece após as “comportas do céu” serem abertas. Na segunda carta de Pedro (3,5) lemos que a terra foi “tirada da água, e estabelecida no meio da água”.

Os escritores bíblicos – é óbvio – descreviam o mundo de acordo com a concepção da época. E não podia ser diferente.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 11 de julho de 2019

OCORRÊNCIAS DE “ÁGAPE” NA LITERATURA GREGA ANTIGA

Caso você precise descobrir a quantidade de ocorrências de uma palavra grega antiga (como “ágape”) em obras escritas nesse idioma (como em Platão, Aristóteles, Clemente de Alexandria, etc.), basta acessar o Perseus Digital Library.

Passo 1) Insira a palavra grega (“ágape” deve ser grafada como “aga/ph”, conforme tabela) e depois clique em “go” (ou “vai”, caso esteja utilizando o tradutor do Google).

Passo 2) Na tela aparecerão algumas tabelas com informações sobre a palavra buscada (verbo, substantivo, etc.).

Passo 3) Clique em “word frequency statistics” e pronto: uma tabela com a quantidade de ocorrências da palavra e o nome das obras nas quais aparecem será exibida.

“Ágape” ocorre mais no Novo Testamento e em obras cristãs (como em Clemente de Alexandria). O site também disponibiliza os textos nas quais a palavra aparece em grego em em outros idiomas, como o inglês. 



Jones F. Mendonça

sábado, 6 de julho de 2019

SHUV, TESHUVAH, RETORNO

Não há, no hebraico bíblico, uma palavra específica para “arrependimento”. Quando o texto quer destacar a necessidade de mudança de postura do indivíduo, ele fala em “retorno (verbo: “shuv”) dos caminhos maus” (2Cr 7,14). O verbo nem sempre tem valor teológico. Ele pode ser usado, por exemplo, para falar do “retorno (shuv) para casa” (Gn 28,21).

A palavra mais comum traduzida por arrependimento no AT é “naham”, termo que indica, em seu sentido mais primitivo, uma turbulência interior. Essa turbulência pode ter como causa a tristeza pela desgraça que se abateu sobre uma pessoa amada (daí “compadeceu-se”, cf. Jz 21,6) ou, em alguns casos, o pesar causado por uma decisão errada (neste caso, “arrependeu-se”, cf. Gn 6,6).

Judeus e messiânicos usam o substantivo hebraico “teshuvah” (derivada de “shuv”) como sinônimo de arrependimento. Mas o hebraico bíblico não atribui ao termo (veja 1Rs 20,26) o sentido usado no judaísmo talmúdico.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O VERBO BARA' E A CREATIO EX NIHILO: DE MACABEUS A AGOSTINHO

As primeiras linhas do Gênesis dizem que “No princípio Deus criou os céus e a terra”. O verbo traduzido por “criou” neste verso é bara’. Mas qual o seu significado? Ele realmente indica “criar do nada” (creatio ex nihilo), como insistem alguns teólogos?

Além do Gênesis, o verbo reaparece, por exemplo, no segundo livro de Samuel. Quando o filho que Davi teve com Betsabeia adoeceu, o rei permaneceu prostrado e “não comeu com eles” (2Sm 12,17). Por mais estranho que possa parecer, o verbo traduzido por “comeu” neste verso é o mesmo de Gn 1,1: bara’. Está confuso?

Bem, o sentido mais primitivo de bara’ é “cortar”. Por desdobramento: “esculpir” (“cortando” a madeira, a pedra, etc.), “criar”. O verbo também era utilizado para indicar o corte da gordura, do alimento. Uma versão bem literal de 2Sm 12,17 seria algo como: “Davi não cortou (o alimento) com eles”, ou seja, “não comeu”. Em nenhum texto do Antigo Testamento bara’ é “criar do nada”. A creatio ex nihilo não nasceu da exegese.

Há muitas controvérsias a respeito da origem da doutrina da creatio ex nihilo: Obras deuterocanônicas (Sb 11,17; 2Mc 7,28), Fílon de Alexandria, Irineu (Adversus Haeresis, II, 2,5; 10,4), Agostinho (Confissões,XII, 7), etc. Talvez com exceção dos deuterocanônicos, todas surgem pela influência da filosofia grega. No caso de Irineu, foi elaborada para combater cosmologias professadas pelo dualismo gnóstico. Agostinho pretende distinguir o Criador da criatura: “Tu criaste o céu e a terra, não de ti mesmo, pois então eles seriam iguais ao teu unigênito [...] portanto, a partir do nada tu criaste o céu e a terra”.


Jones F. Mendonça

terça-feira, 2 de julho de 2019

FOGO, LEÕES E MIDRASH

Foto: Museu do Louvre
Faz parte da tradição judaica a busca por um sentido oculto por trás das palavras hebraicas do texto bíblico. No texto: “Eu sou Javé que te fez sair de Ur dos caldeus” os rabinos notaram que o nome “Ur” (cidade mesopotâmica) possui a mesma grafia da palavra hebraica para “fogo”. Assim leram: “Eu sou Javé que te fez sair do FOGO dos caldeus”. Para explicar de que fogo o patriarca foi livrado, os rabinos criaram uma história, um midrash (Gênesis Rabá 38:11). Nessa história Abraão é lançado numa fornalha e é salvo milagrosamente por Javé, tal como Daniel.

Noto aqui algo curioso: o personagem Daniel é livrado não apenas do “fogo” (Dn 3), mas também dos “leões” (Dn 6). Os primeiros capítulos deste livro não são outra coisa senão um midrash. “Fogo” e “leão” são dois símbolos para os caldeus (babilônios). O primeiro, como acabamos de ver, veio da semelhança gráfica entre “Ur” e “fogo” (veja  Am 4,11; Zc 3,2). O segundo vem da iconografia da Babilônia, cidade muitas vezes associada à imagem de um leão (atributo animal da deusa Ishtar). No “sonho dos quatro animais” (Dn 7), a Babilônia é representada por um leão alado: “O primeiro era semelhante a um leão com asas de águia” (v. 4).

Um bom leitor judeu entendeu a mensagem: "Javé livrou Daniel do fogo e dos leões (a Babilônia). Ele também nos livrará da perseguição do rei selêucida Antíoco Epifanes". Antíoco é o "pequeno chifre" de Dn 8,9, aquele que se ergue contra o "exército dos céus" (v. 10) e que "aboliu o sacrifício perpétuo" (v. 11). O rei selêucida também aparece em Macabeus (1,10-21). 


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 27 de junho de 2019

AS “TOCADORAS DE FLAUTA” NA GRÉCIA E NA BÍBLIA

Simone de Beauvoir diz em seu magistral “O segundo sexo”, que na Antiga Grécia havia uma classe de prostitutas conhecidas como Auletrides, dançarinas tocadoras de flautas, como Lâmia, amante de Ptolomeu do Egito.

O toque de flauta também aparece associado à prática da prostituição em Is 23,16:

Toma uma cítara, perambula pela cidade,
prostituta esquecida!
Toca a tua flauta o melhor que puderes, repete a tua canção,
para que se lembrem de ti!”.

A imagem da prostituta, no texto, funciona como metáfora para indicar o ofício de Tiro, cidade famosa por sua riqueza, habilidade na navegação e exuberância comercial.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 17 de junho de 2019

O PARALELISMO JANUS

Em Cantares 2,12 a palavra hebraica “zamiyr” pode ser traduzida tanto por “poda” como por “canto” (são homógrafas). Ela foi colocada ali de propósito. Veja:

1) As flores florescem na terra, 
o tempo da PODA vem vindo, 
e o som da rola está-se ouvindo em nosso campo. 

2) As flores florescem na terra, 
o tempo do CANTO vem vindo, 
e o som rola está-se ouvindo em nosso campo.

No primeiro caso as flores anunciam a PODA. No segundo caso o CANTO anuncia a rola. O paralelismo janus é uma técnica literária muito engenhosa. Encontre muitos exemplos na seguinte obra: 

NOEGEL, Scott B. Janus parallelism in the Book of Job. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996. 


Jones F. Mendonça

domingo, 16 de junho de 2019

AMY BALOGH: O MOISÉS DE CHIFRES É UM ÍDOLO

Moisés dá a seguinte resposta a Javé após ser convocado a pedir ao Faraó a libertação do povo: “Sou incircunciso de lábios; como, pois, me ouvirá Faraó?” (6,12; 6,30). Javé resolve o problema elevando o status de Moisés de “incircunciso de lábios” a “um deus para Faraó” (7,1a). Na sequência Aarão é escolhido como seu porta-voz: “teu irmão, será o teu profeta” (Ex 7,1b).

De acordo com Amy L. Balog, em artigo publicado na Asor, a melhor analogia encontrada no Antigo Oriente Próximo para esse novo status, é a de um... ídolo! Na Mesopotâmia o ídolo precisava passar por um ritual capaz de lhe “abrir a boca” (Mīs Pî) permitindo que fizesse a mediação entre os reinos divino e celeste. Ao dizer a Javé duas vezes (ou três, cf. 4,10) que possui “lábios incircuncisos”, Moisés estaria se queixando com razão.

De acordo com Balogh, seria de se esperar que Moisés exibisse um sinal físico capaz de evidenciar esse novo status, como chifres ou raios de luz.  Este sinal teria aparecido finalmente em Ex 34,29-35. O nível de elevação de Moisés seria alto o suficiente para “ver a forma (temunah) de Javé” (Nm 12,8). Balog finaliza seu artigo com a seguinte conclusão:
Embora os autores bíblicos rejeitem abertamente o uso de ídolos, eles entendem a importância dos ídolos na imaginação religiosa e moldam ativamente sua apresentação de Moisés para atender aos desejos e expectativas da audiência, mas de maneiras compatíveis com a adoração a Javé. 

Jones F. Mendonça

terça-feira, 11 de junho de 2019

ABBA NÃO É “PAIZINHO”, ÁGAPE NÃO É “AMOR INCONDICIONAL” E KAIRÓS NÃO É O “TEMPO DE DEUS”

1. Investigo a origem de interpretações equivocadas do texto bíblico do Novo Testamento. A ideia tão difundida de que o aramaico “abba” significa “paizinho” (Mc 14,36) vem de um livro do renomado e competente teólogo alemão Joachim Jeremias (The prayers of Jesus, 1967). Sua tese foi derrubada por James Barr num artigo publicado em 1988 (“Abba isn’t Daddy”). Aliás, o próprio Jeremias reconheceu seu erro numa edição posterior de sua Teologia do Novo Testamento (Devo essa ao Lucas Fernandes). “Abba” significa simplesmente “pai” como o hebraico “ab”.

2. Apesar do NT não dar um sentido diferenciado ao termo grego “ágape” (amor), não faltam publicações teológicas argumentando que ágape significa, no NT, “amor de Deus” ou “amor incondicional”. A origem dessa confusão talvez venha de outro teólogo alemão: Paul Tillich. Em sua teologia sistemática, Tillich discorreu sobre os diferentes tipos de amor existentes no pensamento grego (ágape, fileo, eros, storge). Meu palpite é o seguinte: leitores apressados talvez tenham atribuído ao “ágape” do NT o mesmo sentido que Tillich quis dar em sua teologia sistemática.

3. Um terceiro grande equívoco ocorre em relação ao termo grego “kairós”. Não faltam citações e sermões que atribuem ao termo um significado que ele jamais teve no NT. O que se diz é: “’chronos’” é o tempo cronológico e ‘kairós’ é o tempo da salvação, tempo de Deus”. Mas a tese não resiste a um exame cuidadoso. É falsa. Oscar Cullmann, em seu “Cristo e o tempo” (1946) refletiu sobre o tempo a partir da obra salvífica de Cristo, dando especial destaque ao termo “kairós” (“chronos” e “aiôn” ganham pouco espaço). Ele jamais definiu “kairós” como “tempo de Deus”, mas sua ênfase na ação divina no “kairós” (tempo) talvez tenha dado origem ao equívoco.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 3 de junho de 2019

SAUL EM ÊXTASE PROFÉTICO; DAVI EM DANÇA FRENÉTICA

Cerca de 25% das palavras presentes na Bíblia Hebraica ocorrem uma única vez (são “hápax legomena”), tornando sua tradução uma tarefa difícil. No texto abaixo, os verbos “pazaz” (Gn 49,24; 2Sm 6,16) e “karar” (2Sm 6,14.16), geralmente traduzidos por “saltando” e “dançando” aparecem, cada qual, apenas duas vezes:
Micol olhava pela janela e viu o rei Davi SALTANDO (?) e DANÇANDO (?) diante do Senhor, e, no seu coração, ela o desprezou (2Sm 6,16).
É simplesmente impossível saber exatamente que tipo de ação Davi desempenhava “diante do Senhor”. Certo mesmo é que ele fazia isso com intensidade (cf. 6,14) e que sua nudez foi exposta durante a performance, algo que incomodou Micol, filha de Saul (2Sm 6,20). Haveria alguma relação entre a “dança” frenética de Davi e o êxtase profético de Saul, em Sm 19,23-24? (repare que Saul também fica nu).



Jones F. Mendonça

JUDÁ NA "ORDEM DE MELQUISEDEQUE"

O livro de Hebreus apresenta Jesus como único sacerdote capaz de oferecer um sacrifício definitivo pelos pecados (Hb 7,27).  Mas seus destinatários, oriundos do ambiente judaico, certamente rejeitariam este argumento, uma vez que os sacerdotes precisavam pertencer à tribo de Levi. Ora, sendo Jesus da tribo de Judá, como ele poderia ser sacerdote? A questão é colocada em Hb 7,14.

A solução: Jesus pertenceria a uma ordem especial de sacerdotes, “não por regras relativas à linhagem” (7,16). Hebreus até menciona um exemplo para fundamentar seu argumento: Melquisedeque exerceu a função de sacerdote e sequer era israelita (Gn 14,18; Sl 110,4). Sim foi uma grande sacada. Mas Hebreus poderia ter mencionado outro exemplo de sacerdócio não levítico, como o que foi exercido pelos filhos de Davi (2 Sm 8,18).

Com um pouco de paciência a gente sempre encontra uma segunda brecha na lei...



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 30 de maio de 2019

CIÚME, INVEJA E ZELO: NO HEBRAICO SÃO UMA SÓ PALAVRA

A palavra hebraica “qana’” significa “ardor”. Quando este “ardor” está relacionado a um bem alheio, é traduzido por “inveja”. Quando diz respeito a um bem próprio desejado por outros, é traduzido por “ciúme”. Quando se dirige a Deus, é traduzido por “zelo”. Veja:

1. “Ele tinha rebanhos de bois e ovelhas e numerosos servos. Por causa disso os filisteus QANA’ (tiveram inveja)” (Gn 26,14).

2. “Seus irmãos ficaram com QANA’ (ciúmes) dele” (Gn 37,11)

3. “Em recompensa do seu QANA’ (zelo) pelo seu Deus, poderá realizar o rito de expiações” (Nm 25,13).

As palavras hebraicas geralmente têm um campo semântico vasto. O tradutor precisa ficar atento.


Jones F. Mendonça


sexta-feira, 24 de maio de 2019

NAHAM: “COMPADECEU-SE” OU “ARREPENDEU-SE”

O verbo hebraico “naham”, em seu sentido primário, indica um movimento interno de pesar. Por vezes deve ser traduzido por “compadeceu-se”. Em outros casos por “arrependeu-se”. Dois exemplos:

1. “Os filhos de Israel se COMPADECERAM (naham) por Benjamim seu irmão” (Jz 21,6):

2. “O Senhor ARREPENDEU-SE (naham) de ter feito o homem sobre a terra” (Gn 6,6).

Então veja: quando o lamento indica tristeza pelo sofrimento alheio, a tradução deve ser “compadeceu-se”. Quando indica tristeza por algo que o próprio sujeito fez, deve ser traduzido por “arrependeu-se”. Há muitas ocorrências do verbo na Bíblia Hebraica. Até onde pude pesquisar, estes são os dois sentidos básicos do termo. 

Jones F. Mendonça

sábado, 4 de maio de 2019

ZAKAR, NEQEBAH E MATZEBAH: SEXO E GÊNERO NA BÍBLIA HEBRAICA

Imagem: Wikipedia
As palavras hebraicas mais usadas para designar “homem” e “mulher” são “ish” e “ishah”. Mas quando o texto quer enfatizar as diferenças sexuais usa “zakar” (macho) e “neqebah” (fêmea). No verso “acaso um homem tem dores de parto” (Jr 30,6), a palavra traduzida por “homem” é “zakar”, termo que seria mais bem traduzido por “macho”. É como se dissesse: “por acaso pode um macho engravidar?”.

Curioso é que “neqebah” (fêmea) é palavra da mesma raiz de “neqeb” (caverna, buraco, encaixe) e do verbo naqab (furar, perfurar). “Zakar” (macho), por sua vez, vem de uma raiz verbal que significa “fazer um marco/coluna” (um memorial). Os “memoriais” de pedra, chamados de "zikron" (Is 57,8) ou “matzebah” (Gn 28,22), ao que tudo indica, eram símbolos fálicos (como obeliscos egípcios). 

Meu palpite é que o verbo “zakar” (erguer um marco) foi usado inicialmente para indicar o ato de erguer um "zikron" ou “matzebah”. Por desdobramento, passou a ser usado como “relembrar” (não é essa a função dos marcos?). O verbo foi convertido em substantivo designativo do macho ou por sua relação com a ação de erguer (alusão ao pênis ereto) ou por sua relação com o zikron/matzebah (símbolo fálico).

Assim, na origem dos termos, a fêmea (neqebah) teria sido pensada como “aquela que possui a cavidade” (caverna) e o macho (zakar) como “aquele que penetra na cavidade” (memorial, falo).



Jones F. Mendonça

sábado, 27 de abril de 2019

PULSÃO, ÓDIO, PAIXÃO, TRANSBORDAMENTO

O verbo “transbordar”, em hebraico, é “SHUQ”. Ele aparece, por exemplo, em Jl 2,24: “os lagares transbordarão (shuq) de vinho”. Um substantivo derivado deste verbo é “teSHUQah”, encontrado em apenas três passagens: “e para teu marido estará a tua teshuqah” (de Eva em relação a Adão; Gn 3,16), “à porta está estendido o pecado e contra ti está a teshuqah dele” (do pecado em relação a Caim; Gn 4,7) e “eu sou do meu amado e sobre mim está a teshuqah dele” (do amado em relação a amada; Ct 7,10). O termo designa uma pulsão, um desejo. Por alguma razão (que não é difícil compreender) os hebreus viam essa excitação (positiva ou negativa) como um “excesso”, como um “transbordamento”.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 25 de abril de 2019

QUAL A ORIGEM E O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO "PAIXÃO DE CRISTO"?

Muita gente pensa que a expressão “paixão de Cristo” serve para indicar o “amor”, a “paixão” de Cristo pelos pecadores. Não é nada disso. A palavra portuguesa “paixão” vem do latim “passio”, tradução do grego pathos (uma perturbação, emocional ou física). Assim, “passio” pode ser usado para indicar “sofrimento” ou “dor”. O francês “passion d’amour”, por exemplo, significa “dor de amor”. Quando dizemos que uma pessoa está “apaixonada”, queremos com isso indicar que está “sofrendo de amor”. Então não esqueça: “Paixão de Cristo” é o mesmo que “Sofrimento de Cristo”.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 24 de abril de 2019

DO NIILISMO HERMENÊUTICO


A imagem de um copo com 50% de seu volume ocupado por água tem sido usada para legitimar a filosofia relativista que sugere ser impossível descrever a realidade de forma objetiva. Afinal, um copo nesta condição está “meio cheio” ou “meio vazio”? A resposta é simples: se a situação foi alcançada após o enchimento do copo, então está meio cheio. Se foi alcançada após seu esvaziamento, então está meio vazio. A resposta está na história do copo. Sem sua história temos apenas um copo preenchido com água até a metade.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 15 de abril de 2019

GÊNESIS 2: NÃO É “ALMA VIVENTE”, É “GARGANTA VIVA”

O capítulo 2 do Gênesis descreve a criação do homem a partir de um punhado de terra. Ele ganha vida quando Javé Elohim (o Criador) sopra em suas narinas sua neshemah (seu “hálito”). Esse hálito passa por sua néfesh (garganta) e lhe dá vida. Uma tradução honesta nos permite visualizar a cena:
Então Javé Elohim modelou o homem com a argila do solo,insuflou em suas narinas um hálito (neshemah) de vida
e o homem se tornou uma garganta (néfesh) viva (Gn 2,7).
O corpo sem vida torna-se “garganta viva” (e não “alma vivente”). Isso significa que a partir da recepção do hálito divino ele respira, fala, grita, come, bebe, deseja. A ideia de que o corpo que é habitado por uma “alma” ou por um “espírito” é estranha à tradição judaica. O corpo é simplesmente animado pelo hálito (neshemah) ou sopro (ruah) divino. Caso o Criador recolha sua neshemah/ruah, o homem volta a ser pó.

Note que os dois termos aparecem como sinônimos em Jó 34,14-15:

Se levasse de novo a si a sua ruah (“sopro” e não “espírito”), 
se concentrasse em si a sua neshemah (“hálito”, sinônimo de “sopro”)
expiraria toda a carne no mesmo instante,
e o homem voltaria a ser pó.

Eclesiastes reforça essa ideia quando diz que o pó (referindo-se ao corpo) volta à terra e a “ruah” (o sopro divino) volta ao Criador por ocasião de sua morte (Ecl 12,7). Ainda não há qualquer indício de vida eterna. Eclesiastes diz claramente que os mortos não têm recompensa, nem memória (9,5), nem reflexão, nem sabedoria (9,10). A doutrina da vida eterna é desenvolvida aos poucos e só aparece claramente em Dn 12,2:
E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.
Repare que o texto não fala da “imortalidade da alma” (uma crença grega presente nos escritos de Platão, como no “Fédon”), mas da ressurreição DO CORPO. Aliás, o credo de Niceia (325 d.C.) reafirma a crença na ressurreição com muita clareza: “Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro”.



Jones F. Mendonça

domingo, 14 de abril de 2019

JEROBOÃO E SISAQUE/SHESHONQ

Apresento aqui um resumo de matéria publicada no Haaretz (por Ariel David, 14/04/19) sobre a incursão do faraó Sisaque em Canaã e sua possível relação com a formação do reino do Norte: 

De acordo com a Bíblia, no quinto ano do reinado de Roboão (por volta de 925 a.C.), um faraó chamado Sisaque (ou Sheshonq) atacou Jerusalém, saqueou a cidade e “tirou os tesouros da casa de Javé e os tesouros da casa do rei”(1 Reis 14,25-26). 

Um texto em Karnak e um bloco de pedra encontrado em Megido mostram que a campanha não foi uma simples incursão, mas um esforço muito mais amplo para restaurar a hegemonia do Egito sobre Canaã e outros territórios que haviam sido governados pelos faraós durante o Império Novo (do século 15 a.C. ao século 12 a.C.).

É apenas uma teoria, mas o arqueólogo israelense Israel Finkelstein apresenta várias pistas que sugerem que o nascimento do Reino do Norte de Israel foi o resultado de arranjos políticos organizados por Sheshonq no rescaldo de sua campanha. Uma das principais peças desse jogo político seria Jeroboão. 

Jeroboão, primeiro rei do Norte, é descrito como um oficial que liderou uma rebelião fracassada contra Salomão e encontrou refúgio na corte de Sisaque para escapar da ira do rei israelita (1 Reis 11). Ele então retornou a Canaã ao ouvir falar da morte de Salomão e liderou o povo contra Roboão, formando o reino do Norte (1 Reis 12).

Na Septuaginta, primeira tradução grega da Bíblia, existem versículos adicionais sobre a permanência de Jeroboão no Egito que não foram incluídos no texto hebraico canônico. Nesta versão, a conexão de Jeroboão a Sisaque/Sheshonq é ainda mais forte: ele se casa com a cunhada do faraó, que lhe dá um filho. A história talvez contenha uma memória histórica. 

Para resumir a teoria de Finkelstein, o nascimento do Reino de Israel pode ter acontecido assim: Sheshonq seguiu para Canaã, viu os habitantes arrogantes das terras altas como uma ameaça, então os conquistou e instalou um governante vassalo sobre eles: Jeroboão.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 11 de abril de 2019

SOBRE O VERBO HEBRAICO "HUL"

Uma das características mais curiosas da língua hebraica é a quantidade de sentidos que uma palavra pode indicar. O verbo “hul”, por exemplo, pode ser traduzido por “esperar”, “angustiar-se”, “dançar”, “sentir dor”, “gerar (um filho)”, “se contorcer” ou “girar”. Parece estranho, mas há uma explicação para isso.

“Hul” indica, em seu sentido mais primitivo, um movimento circular. Por desdobramento pode designar algo que se contorce. Isso explica o uso do verbo para indicar uma ESPERA ANGUSTIANTE ou a o ato de GERAR UM FILHO, pois nessas condições temos a sensação de que nosso ventre de contorce. Veja:

Ele ESPEROU (no original, “contorceu-se”) ainda outros sete dias e soltou de novo a pomba fora da arca (Gn 8,10).

Olhai para Abraão, vosso pai,
e para Sara, aquela que vos DEU À LUZ (no original, “se contorceu”, cf. Is 51,2).

Em alguns casos o verbo é usado para indicar o movimento corporal de uma dança:

Espiareis e, logo que as filhas de Silo saírem para DANÇAR (no original, “se contorcer”) em seus bailados... (Jz 21,21)”.

Você percebe que encontrou o sentido original de uma palavra hebraica quando ela se encaixa em todos os textos em que aparece. E esse sentido não é encontrado em dicionários, mas pela investigação do termo em diversos textos e pela busca da raiz da palavra. Um exercício divertido.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 9 de abril de 2019

A "CASA DE DAVI" NA ESTELA DE TEL DAN


Em 1993 um grupo de arqueólogos descobriu na região de Tel Dan (norte de Israel) uma estela que celebra a vitória do rei de Damasco sobre a “Casa de Davi”. O artefato – datado para o século VIII a.C. – seria a primeira evidência extrabíblica da existência do rei Davi. Bem, ocorre que o hebraico não possuía vogais, por isso a tradução geralmente não é fácil. Na inscrição aparecem as seguintes consoantes: BYT DVD. Inserindo as vogais (em azul) podemos lê-la como BeYT DaViD (“Casa de Davi”) ou como BeYT DoD (“Casa do amado”). A expressão “Casa de Davi” seria uma referência à dinastia davídica (como “casa de Jeroboão”, cf. 1Rs 13,34). A expressão “Casa do Amado” seria uma referência à Jerusalém (como “casa do Sol”, cf. Js 15,10).

Saiba mais sobre Davi e a estela contendo as consoantes de seu nome lendo este artigo de Thomas L. Thompson.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 5 de abril de 2019

SUBMISSÃO E MODÉSTIA EM PAULO E ROMA

Em 1Tm 2,9-15 Paulo dá a Timóteo algumas recomendações relativas às mulheres (vestuário e submissão ao homem) que estão bem de acordo com a cultura predominante na Antiga Roma.

O discurso (misógino) abaixo, proferido por Marco Catão em 195 d.C., foi uma resposta a um protesto de mulheres contra uma lei que impunha a elas restrições ao vestuário e uso de joias. Os temas são os mesmos:

“Nenhuma proibição dos maridos podia retê-las em casa. [...] Do jeito que as coisas estão, nossa liberdade, derrubada em casa pela indisciplina feminina, está sendo esmagada e pisada também aqui, no Fórum. [...] as mulheres tinham de estar sob o controle de pais, irmãos e maridos” (BURROW, John. Uma história das histórias, 2013, p. 135).



Jones F. Mendonça

SEXO E GÊNERO NO LEVÍTICO

Neste artigo, publicado no The Torah, a Dr. Kristine Henriksen Garroway sugere que o período de purificação da mãe no Levítico (12,1-7), diferenciado para o nascimento de meninos (40 dias) e meninas (80 dias), servia como uma espécie de anúncio ritual do gênero, tal como ocorria na civilização hitita.


Embora entre os hititas o período também seja diferenciado, não indicava o tempo de purificação da mãe, mas o espaço de tempo entre o nascimento e a oferta (chamada de “mala”). Veja:

Q“[uando a mulher] dá à luz, [...] eles realizam a oferta de mala […] do recém-nascido [macho] no sétimo dia”.

“Mas [se] uma criança feminina nasce, [então] daquele mês eles contam [quarto] meses de [arriv] e então eles purificam a criança do sexo feminino...”.

Na civilização ocidental moderna fazemos a diferenciação ritual de gênero vestindo machos com azul e fêmeas com rosa. A cor indica o papel social desejado pelos pais.

Leia mais aqui


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 4 de abril de 2019

PODCAST COM RAPOSA ESCATOLÓGICA

Embora o primeiro podcast brasileiro tenha surgido em 2004, só agora (15 anos depois) fui seduzido por essa nova forma de adquirir conhecimento. Para quem se interessa por teologia, indico “oestadodaarte.com.br”. Hoje, enquanto fazia minha caminhada matutina (até encontrei uma raposa!), ouvi “O livro do Apocalipse”, com a participação de José Adriano Filho, Kenner Terra e Paulo Nogueira. O áudio dura 58 minutos, por isso acabei caminhando mais do que o normal. 



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 3 de abril de 2019

SOBRE O NOME "JOÃO"

De acordo com o evangelho de Lucas, Elisabeth deu a seu filho o nome “João”, mesmo não sendo um nome comum na família (Lc 1,60). “João” é forma portuguesa do grego “Ioannes” (tal como aparece no NT), que por sua vez deriva do hebraico Iohanan, junção de “Io” ou “Yo”(forma abreviada do nome divino) + hanan (gracioso) = “Deus é gracioso” (ver Jr 40,13). Maria, em Lc 1,30, é tratada como “aquela que encontrou graça diante de Deus”. João carrega em seu nome a mesma graça que recaiu sobre a mãe de Jesus.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 2 de abril de 2019

CONSIDERAÇÕES SOBRE O NOME DIVINO

De acordo com o Êxodo, o Deus de Israel era conhecido pelo povo como o “Deus dos pais” (Abraão, Isaque e Jacó). O texto também informa que o nome divino só foi revelado a Moisés em Ex 3,15: “YHVH” (o hebraico primitivo não possuía vogais). Assim, sem vogais, o nome é impronunciável.

A partir do século VI d.C., um grupo de judeus chamados massoretas inseriu vogais no texto. Nesse texto vocalizado o nome divino aparece grafado de formas diferentes (sempre com as mesmas consoantes): YaHVeH (Gn 2,4), YeHVaH (Ex 3,15), YeHoViH (Is 50,4),  YeHViH (Gn 15,2). Sim, é estranho.

Há duas hipóteses para essa variação vocálica: 1) os massoretas não conheciam mais a pronúncia correta; 2) Eles variavam a vocalização para evitar a pronúncia do nome sagrado. Ainda hoje, quando os judeus se deparam com o nome divino por ocasião da leitura do texto, trocam YHVH por Adonai (Senhor).



Jones F. Mendonça

domingo, 31 de março de 2019

LENATAN-MELEK EVED HAMELEK: OFICIAL DE JOSIAS?

Foto: Haaretz
O Haaretz (Israel) noticiou hoje a descoberta de um selo (tem o tamanho de uma unha) nas ruínas de um antigo edifício de Jerusalém destruído no século VI a.C. por ocasião da conquista da cidade pelos babilônicos.  A minúscula impressão do selo traz as palavras hebraicas LeNatan-Melek Eved HaMelek (Pertencente a Natan-Melek, servo do rei). O nome é o mesmo do oficial do rei Josias, mencionado em 2Rs 23,11. Não é possível afirmar, no entanto, que o selo tenha pertencido ao oficial de Josias (Christopher Rollston vê grande probabilidade da pessoa indicada no selo ser a mesma de 2Rs 23,11)

Uma excelente matéria foi publicada no Haaretz. Mais informações e imagens no The Times of Israel. Todd Bolen explica que um selo com a mesma inscrição (com autenticidade duvidosa) já circulava no mercado de antiguidades. A descoberta deste novo selo, feita por arqueólogos profissionais, remove qualquer dúvida em relação à sua autenticidade. 


Jones F. Mendonça