quinta-feira, 23 de março de 2017

GUIA DE DEMONOLOGIA JUDAICA

Segue breve resumo de artigo publicado no Haaretz de Israel (Edição Premium, 21/03/17):

Tigelas desenterradas no Iraque revelam práticas judaicas criadas com o propósito de aprisionar demônios. Yad Yitzhak Ben Zvi, autor de um estudo sobre o assunto, explica que os judeus registravam na tigela uma imagem do demônio que desejam aprisionar, seu nome e inscrições como: “Você está banido e selado com sete selos e oito cordas”.

A representação feminina mais freqüente é a de Lilith, mostrada despida e com cabelo longo. Os judeus acreditavam que sua especialidade era a sedução e o assassinato de homens jovens e o estrangulamento de bebês no momento do nascimento. No setor masculino destacam-se Samael (Rei dos demônios) e Ashmedai, ambos representados com vestes persas. Muitos dos demônios aparecem atados com correntes, tal como nas representações assírias.


Jones F. Mendonça

JAVÉ SOBRE TOUROS E QUERUBINS

Teólogos judeus medievais apresentaram explicações diferentes a respeito do objetivo da construção do bezerro de ouro pelos israelitas no deserto tal como descrito em Ex 32. Exponho três delas: 1. Buscaram um deus alternativo (Rashi); 2. Um Moisés alternativo (um novo mediador) uma vez que imaginaram que seu líder havia morrido no monte (Ramban); e 3. Um novo pedestal sobre o qual Deus repousaria (Ibn Ezra). Leia mais aqui.  

Para Joel Baden, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Yale, a declaração do povo diante da imagem: “Este é o teu Deus, ó Israel, o que te fez subir da terra do Egito” (Ex 32,4) e também a de Aarão: “Amanhã será festa para Javé” (32,5), revelam que o povo reconhecia a imagem como sendo uma representação de Javé e não de outra divindade. Leia mais aqui.

Frank Moore Cross pensou que o problema fosse iconográfico: Javé deveria ser retratado como entronizado acima de dois querubins (Ex 25,22), não sobre dois touros. Neste caso o problema não seria nem a idolatria (1º mandamento, cf. Ex 34,2), nem a construção de imagem de fundição representando a divindade (2º mandamento, cf, Ex 34,4), uma vez que seria mero pedestal, tal como os querubins acima da arca.

Um último texto publicado no TheTorah percebe no texto uma conotação política. Caso queira ler mais sobre a natureza dos querubins, veja aqui.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 8 de março de 2017

DAS DATAS SOLENES

Entenda: o Dia Internacional da Mulher não é “dia da mulher”, algo como: “Pô, parabéns por você ter nascido mulher”, mas “o dia da luta da mulher”. Assim como o Dia da Lembrança do Holocausto não é o "dia do holocausto", mas o dia reservado à reflexão sobre os horrores do nazismo. O propósito é o mesmo no Dia da Consciência Negra, data tão agredida pela zombaria barata.

As datas festivas, dizia Harvey Cox, são fios invisíveis eficazes na tarefa de resgatar do passado lembranças que merecem ser revividas. Comemorar é, nesse sentido, reviver. Reviver o nascimento. Reviver o casamento. Reviver até mesmo o luto e a tragédia. Reviver emoções que por alguma razão suplicam das profundezas por um lugar no mundo das coisas concretas.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

GENEALOGIA DO RESSENTIMENTO

1. O sujeito sofre pela perda de algo ou de alguém (do homem/mulher amada, de um bem, de prestígio, etc.);
2. Busca um culpado concreto para sua angústia (que jamais é ele mesmo!);
3. Nesse “culpado” descarrega seus afetos como alívio para suas dores e frustrações mais profundas;
4. Sonha com a vingança, faz acusações levianas, elabora planos perversos, navega embriagado em seus delírios.
5. Vicia-se nesse vaivém, nessa regurgitação, nesse narcótico para tormentos atrozes;

Pílulas de mórbido êxtase.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

500 ANOS DA REFORMA (FILME COMENTADO - CENA 1)



O pai, homem severo, queria que ele fosse advogado. Formou-se em 1505. Mas uma experiência aterrorizante durante uma tempestade – quase foi atingido por um raio – mudou o rumo de sua vida. Fez uma promessa a Santa Ana: caso sobrevivesse, se tornaria monge. Foi ordenado em 1507 contra a vontade do pai.

No mês seguinte, durante a celebração da primeira missa e contando com a presença do pai, Lutero foi tomado pelo terror: o vinho na taça elevado acima de sua cabeça tornava-se, segundo a crença católica, o sangue do próprio Cristo. Como nem as mais severas penitências eram capazes de fazê-lo sentir-se perdoado, não suportou o peso da missão.




Jones F. Mendonça

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O MANUSCRITO DE ASHKAR-GILSON

Fora os amuletos de Ketef Hinnon (séc. VI ou VII a.C.) e o papiro de Nash (séc. II a.C.), os mais antigos textos da Bíblia hebraica são os manuscritos do Mar Morto (250 a.C. a 68 d.C.), descobertos a partir de 1947 em 11 cavernas na região de Qumran. Cópias de todos os livros da Bíblia Hebraica foram encontrados nessas cavernas, exceto Neemias e Ester.

Versões mais completas da Bíblia hebraica, dotadas de sinais massoréticos (sinais que ajudam na vocalização do texto), foram datados para os séculos X e XI, como o Códice Alepo (mais antiga, porém incompleta = 930 d.C.) e o Códice Leningrado (menos antiga, porém mais completa = 1008 d.C.). A lacuna entre os Manuscritos do Mar Morto e os códices medievais cobre um período de quase mil anos.

Um manuscrito pouco conhecido e pouco citado em obras especializadas é o manuscrito Ashkar-Gilson, adquirido por um negociante de antiguidades de Beirute em 1972. Com base na datação do carbono 14 e na análise peleográfica, o manuscrito foi datado entre os séculos VII e VIII d.C., exatamente na chamada “era silenciosa”, período marcado pela escassez de manuscritos da Bíblia hebraica. 

Embora o fragmento tenha surgido há mais de quatro décadas, foi ignorado pelos estudiosos por muito tempo. Ele exibe o chamado cântico do Mar (Ex 13,19-16,1), redigido com extremo cuidado.  O poema foi copiado em um layout simétrico especial que lembra uma parede de tijolos, com dois espaços em branco nas linhas pares e um espaço em branco nas linhas ímpares. Cada espaço marca o fim de um cólon (uma pequena unidade poética que deve ser cantada em uma só respiração). A importância deste layout reflete-se no fato de que ele é reproduzido em cada rolo de Torah usado nas sinagogas de hoje.

O manuscrito Ashkar-Gilson era a fonte das tradições massoréticas mais tardias e autoritárias? Para conhecer uma resposta para esta e outras questões, leia o artigo completo “Missing Link in Hebrew Bible Formation”, por Paul Sanders, publicado no Journal Hebrew Scriptures.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

QUANDO FOI ESCRITA A BÍBLIA HEBRAICA?

Um estudo chefiado por Israel Finkelstein, da Universidade de Tel Aviv, indica que a alfabetização em Judá na Idade do Ferro (1200-600 a.C.) era mais difundida do que se pensava, sugerindo que os textos bíblicos hebraicos podem ter sido escritos no período pré-exílico (antes de 587 a.C.). 

Leia aqui:

Mas Christopher Rollston, Professor Associado de línguas e literaturas do Semi-Noroeste da Universidade George Washington, diz que é preciso evitar conclusões precipitadas.


Seus argumentos podem ser lidos aqui:


Jones F. Mendonça

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

LUTHER KING E O ÉDEN RESTAURADO


“Eu olhei de cima e vi a terra prometida” (Trecho do último discurso de Martin Luther King, em 03 de abril de 1968). Luther King foi assassinado no dia seguinte.

A tela acima, obra de Horace Pippin (1945), ilustra o Éden Restaurado, tal como descrito em Is 11,4-5. 

Leia mais sobre a tela no Art & Theology


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AS CHAMAS DA HANUKKAH JUDAICA E O ZOROASTRISMO PERSA

Publicado no Guemara.com, o artigo “The Development of theChanukah Oil Miracle in Context of Zoroastrian Fire Veneration” examina a influência do zoroastrismo persa na tradição judaica do Hanukkah (Dr Chai Secunda, via TheGuemara.com). Seguem dois trechos: 
“é possível que a veneração zoroástrica do fogo tenha criado um clima geral de respeito pela santidade das chamas. Talvez isso tenha encorajado algumas das tendências do Bavli [Talmud Babilônico] em relação à santidade das luzes da Hanukkah, que se aproximam da veneração das velas ardentes”.
[...]

“uma história milagrosa sobre o fogo no Templo pode ter repercutido particularmente bem entre os judeus da Babilônia, que viviam em um mundo de templos de fogo e veneração ao fogo”.

Jones F. Mendonça

domingo, 15 de janeiro de 2017

JESUS PANTOCRATOR NA ARTE MEDIEVAL


A imagem acima mostra um Jesus pantocrator (Ap 1) num manuscrito do século XIII ou XIV: “cabelos brancos como a neve, olhos como chama de fogo, pés com aspecto de bronze, espada saindo da boca, sete estrelas na mão direita junto a sete candelabros de ouro”. O homem deitado é João. Um anjo aparece à direita (Commentaire sur l'Apocalypse, folha 4v.).

Imagens do manuscrito em alta resolução aqui:



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ARTE CRISTÃ NO IRÃ DOS AIATOLÁS


O inferno (detalhe inferior) num afresco que decora a catedral Vank, na cidade de Isfahan, no coração do Irã. A catedral foi fundada em 1606 por cristãos armênios em busca de uma nova vida no país persa durante a guerra otomana (1603-18). Os iranianos-armênios têm dois assentos no Parlamento iraniano (Majlis).



Jones F. Mendonça

TRINDADE TRICÉFALA


Representação medieval da Trindade (trindade tricéfala). O sinal com a mão não é um "v" de vitória, mas um sinal de bênção. Esta representação da trindade foi proibida por Urbano VI no século XVII.

Imagem: Trindade Tricéfala, detalhe da letra capittular "C" de um cantoral italiano, séc. XV, The Morgan Library & Museum, Nova Iorque. 



Jones F. Mendonça

MIGUEL E MARGARIDA CONTRA O CAOS


Ao lado da imagem de Miguel lutando contra o Dragão (Ap 12,7), a iconografia medieval desenvolveu esta representação, mostrando Santa Margarida de Antioquia golpeando um demônio com um martelo. Bizarro, não?

A imagem é um detalhe da tela: “Casamento Místico de Santa Catarina”, Barna da Siena, 1340.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SOB A IRA DE QUEMÓS

A estela moabita [ou estela de Mesha), datada para 830 a.C., registra a conquista de Moabe por Omri, rei de Israel (1Rs 16,23). A estela justifica a derrota de Moabe para Israel (ver 2Rs 3,4-27) com o seguinte argumento: 
No que toca a Omri, Rei de Israel [Setentrional], este humilhou Moabe durante muito tempo, porque Quemós estava irritado com sua terra.
Para saber mais sobre Quemós, principal divindade adorada pelos moabitas (Salomão construiu um altar para Quemós, em 1Rs 11,7), leia este artigo publicado no ASOR Blog.



Jones F. Mendonça

DISPUTAS NO MOVIMENTO DE JESUS

Fiz um pequeno resumo do mais recente artigo publicado no The Bible and Interpretation, por Robert Crotty: 
Dentre as diversas formas do movimento de Jesus, o cristianismo romano foi o que mais se expandiu. Ele eliminou outras formas do movimento de Jesus e dispensou um esforço especial, mais enérgico, para controlar o cristianismo gnóstico.  O interesse de Constantino estava no primeiro e não queria a dissidência cristã dentro do cristianismo romano ou fora dele.
O cristianismo ocidental, o cristianismo oriental, o cristianismo reformista, o cristianismo não-conformista, o cristão pentecostal são todos cristãos romanos. Eles são mais parecidos do que diferentes. Todos eles seguem o modelo cristão romano.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A ARQUEOLOGIA E O DEBATE SOBRE O REINO DE JUDÁ

Os dois portões de Qeiyafa. 
Alguns estudiosos (rotulados como minimalistas), como Philip Davies, visualizam Judá no período davídico como uma sociedade agrária simples, pouco habitada, sem cidades fortes, nenhuma administração e ainda sem domínio da escrita. Yosef Garfinkel (classificado como maximalista) argumenta que Davi e Salomão governaram um estado judaico bem urbanizado e bem organizado no século X a.C. Quem tem razão?

A descoberta de uma segunda porta na cidade de Khirbet Qeiyafa (a Sha'arayim bíblica?, cf. Js 15,36; 1Sm 17,51; 1Cr 4,31), 20 kilômetros a sudeste de Jerusalém, tem colocado muita pimenta neste debate. Garfinkel e Saar Ganor, arqueólogos que trabalham nas escavações de Qeiyafa, acreditam que há evidências suficientes para demonstrar que o Reino de Judá era maior e mais avançado do que alguns estudiosos acreditariam.


Quer saber mais? Leia um resumo da matéria publicada na BAR de jan/2016:


Jones F. Mendonça


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

NOVO ARTIGO SOBRE OS FILISTEUS NO ASOR

O site da ASOR publicou novo artigo sobre os filisteus, por Jeffrey P. Emanuel. Segue trecho:
A transição da Idade do Bronze para o início da Idade do Ferro, após 1200 a.C., foi um período de grandes mudanças em torno do Mediterrâneo Oriental. Os palácios micênicos e o império hitita entraram em colapso, cidades importantes como Ugarit, um porto-chave na costa da Síria, foram destruídas, os povos migratórios estavam em movimento e o Egito começou seu declínio do Reino Unido unificado para o Terceiro Período Intermediário, quando foi governado por dinastias da Líbia e Núbia. Os filisteus, como os israelitas da narrativa bíblica, estavam entre os grupos em movimento, chegando a Canaã no final do segundo milênio a.C. e estabelecendo sua “pentápolis”, formada pelas cinco cidades importantes de Asdode, Asquelom, Gaza, Ecrom e Gath (Josué 13, 2-3).

Jones F. Mendonça

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

OS ISRAELITAS, O EGITO E OS SHASU DE EDOM

O The Bible and Interpretation disponibilizou gratuitamente trecho do livro: “A History of Biblical Israel: The Fate of the Tribes and Kingdoms from Merenptah to Bar Kochba (Equinox Publishing, 2016)”. No capítulo I (De Merneptah a Ramsés VI), ele diz o seguinte sobre a origem dos israelitas:
Os israelitas trazidos para o Egito como prisioneiros de Merenptah, em 1208 a.C. ou um pouco antes, entraram em contato com shasu de Edom [ver: Papiro Anastasi VI, ANET 258] e assim conheceram o deus YHWH. Despojados após o fracasso do golpe de Beya (ou Bay, vizir egípcio de origem asiática), os sobreviventes se estabeleceram no norte da Faixa Central, onde o controle egípcio estava em declínio (1150-1130 a.C.). Lá, eles articularam a lembrança de sua salvação como registrada em Êxodo 18,1: YHWH tinha tirado Israel do Egito.
Por Ernst Axel Knauf e Philippe Guillaume, ambos professores de Antigo Testamento na Universidade de Berna.

Disponível aqui.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

JERUSALÉM NO PERÍODO DO MACABEUS


O período que se seguiu à Revolta dos Macabeus (168-164 a.C.) deu impulso a uma notável expansão da cidade de Jerusalém e do Monte do Templo. Caso você tenha interesse na Jerusalém deste período, não deixe de ler o artigo “Jerusalem after the Maccabean Revolt”, escrita pelo professor Lawren H. Schiffman e publicada na Ami Magazine (texto em PDF, download gratuito).



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

MACABEUS: CONSERVADORES x TRADICIONALISTAS

Em artigo publicado hoje no Haaretz de Israel (edição premium, só para assinantes ou cadastrados), Shemi Chalev explica o conflito entre judeus rurais conservadores e judeus helenistas urbanos que desencadeou a revolta dos macabeus. Segue trecho: 
A revolta [dos macabeus] não começou na batalha contra os selêucidas, mas como uma insurgência interna, realizada por judeus rurais conservadores e tradicionalistas do campo contra helenistas judeus urbanos em Jerusalém e outras cidades, que procuravam chegar a um acordo com os selêucidas. Eles queriam incorporar conceitos helênicos de estética e ciência no judaísmo tradicional para que pudesse lidar melhor com o mundo moderno.

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

50 FIGURAS BÍBLICAS CITADAS EM ARTEFATOS ARQUEOLÓGICOS

A Biblical Archaeology Review disponibilizou gratuitamente matéria publicada em 2014 citando 50 personalidades bíblicas mencionadas em inscrições antigas. O artigo menciona o período, a região em que viveu, o texto bíblico e o artefato arqueológico que cita a personalidade bíblica.

Do Egito aparece Shishak (=Shoshenq I), faraó egípcio que governou entre 945-924, citado em 1Rs 11,40; 14,25. O registro de sua campanha militar na Palestina aparece no templo de Amon em Karnak.

Do reino do Norte de Israel o texto cita Omri, que governou em Samaria de 884-873, citado em 1Rs 16,16. Seu nome aparece em inscrições assírias e na Estela moabita.

De Judá, citado em três inscrições, surge Davi, mais famoso rei israelita (1010-970). Seu nome aparece na estela de Tel Dan, na estela moabita e numa inscrição egípcia que menciona uma região do Neguev conhecida como “as alturas de Davi”.

O artigo também cita personalidades assírias, babilônicas, persas, moabitas e arameias.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O IRÃ E O SEXO

No Irã as relações homossexuais são passíveis de castigo físico ou execução. De acordo com levantamento feito por grupos gays, 120 pessoas foram executadas desde 1979 sob pretextos variados.

Curioso é que esse mesmo Irã é o segundo país do mundo com maior número de cirurgias de mudança de sexo. A explicação: transexuais são vistos como heterossexuais vítimas de uma doença curável pela cirurgia.

Quem consegue provar às autoridades ter nascido no “corpo errado”, mediante certificado médico e psicológico, ganha permissão para trocar de sexo. A prática começou em 1984, quando o Aiatolá Khomeini emitiu decreto tornando o procedimento lícito.

Ao ser questionado por um estudante em 2007 sobre o fato de a homossexualidade ser passível de pena de morte pela lei iraniana, Ahmadinejad respondeu: “No Irã não temos homossexuais. [...] Não sei quem lhe contou que temos” (a fala de Ahmadinejad e uma abordagem mais ampla do assunto pode ser lida em "Os iranianos, de Samy Adghirni).



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

AS MIL FACES DE MELQUISEDEQUE

Melquisedeque (="meu rei é justo" ou "Deus da justiça" ou "meu rei é Tzedeq") é uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia. Não é preciso ser especialista para perceber que a narrativa foi inserida entre os versos 17 e 21 de Gênesis 14 (Abraão e o rei de Sodoma). Note que o verso 17: “o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro...”, continua no verso 21: “E o rei de Sodoma disse a Abraão...”.

Neste artigo, publicado no The Torah e escrito pelo Rabi Joshua Garroway, a figura de Melquisedeque é investigada na perspectiva da crítica literária, nos Salmos, no cristianismo primitivo (Hebreus), no judaísmo rabínico (Talmude) e em Qumran.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O IRÃ PARA ALÉM DOS AIATOLÁS


Combatentes do grupo guerrilheiro iraniano Mujahedin-e Khalq (MKO) com seus tradicionais hijabs vermelhos. Atualmente liderado por uma mulher e bem pouco conhecido no Ocidente, o grupo luta pela derrubada do governo teocrático no Irã e tem sido acusado de ajudar Israel no assassinato de cientistas envolvidos no programa nuclear iraniano. São vistos como traidores pelos iranianos por terem lutado ao lado de Saddan Russein na guerra contra o Iraque na década de 80. 

Jones F. Mendonça

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

HOMEM É SANGUE, MULHER É LEITE

Enquanto a mulher gera filhos e os amamenta (uma atividade natural), explica Simone de Boauvoir, o homem precisa transcender sua condição animal inventando armas (de caça, de guerra) para aumentar seu domínio sobre o mundo. E então conclui:
A maior maldição que pesa sobre a mulher é estar excluída das expedições guerreiras. Não é dando a vida, é arriscando-a que o homem se ergue acima do animal, eis por que na humanidade, a superioridade é outorgada não ao sexo que engendra [a fêmea], e sim ao que mata [o macho]. [...] O macho escravizou as forças confusas da vida, escravizou a natureza e a Mulher.
Como libertá-la do papel de coadjuvante no qual foi encerrada?  Eis a questão discutida pela filósofa parisiense em “O segundo sexo” (o trecho acima encontra-se na parte II, volume I).



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

OSSOS DE PORCO NO ANTIGO ISRAEL

Escavações modernas no Levante sul (atual Israel, Jordânia e Palestina) mostram escassez notável ou ausência total de ossos de porco em sítios datados para a Idade do Ferro (1130-586 a.C.).

A única exceção aparente são os locais ocupados pelos filisteus, um dos povos do mar que migraram para a costa sudoeste da Palestina no alvorecer da Idade do Ferro.

Esta observação apoiada pela proibição bíblica levou os arqueólogos modernos a interpretarem a presença ou ausência de ossos de porco como um marcador étnico capaz de distinguir os antigos israelitas dos filisteus.

Uma suposição bastante razoável, certo? Lidar Sapir-Hen, autora do artigo “Pigs as an Ethnic Marker?” (Biblical Archaeology Review, Nov/Dez16) acha que não é tão simples assim.

Infelizmente só é possível ler o resumo do artigo na BAS Nov/Dez/2016. Mas você pode ler o texto completo aqui



Jones F. Mendonça

NADAR NO MAR MORTO EXIGE SNORKEL ESPECIAL

Imagem: Haaretz
Embora seja fácil flutuar nas águas do Mar Morto, é grande o número de afogamentos no lago. Ingerir um copo da água extremamente salgada pode ser fatal: “um pequeno gole resseca seu cérebro”, diz um instrutor de mergulho.

A imagem mostra nadadores usando um snorkel especial de proteção (olhos e boca) durante uma travessia entre a Jordânia e Israel patrocinada pelo EcoPeace Oriente Médio e pelo Conselho Regional de Tamar.

Leia no Haaretz de Israel (edição Premium, será preciso fazer cadastro no site).



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

PONDÉ, PUDOR E DESPUDOR

Lula, enquanto candidato, discursava falando de comida no prato, teto, um pouco de sossego e criança na escola (sem racismo, xenofobia ou misoginia). Pondé classificava seu discurso como um "populismo de esquerda".

Trump também fala de comida no prato, teto, um pouco de sossego e criança na escola (com uma boa dose de racismo, xenofobia e misoginia). Pondé diz que Trump soube como ninguém falar a língua do povo.

Eis a filosofia ponderiana despudorada.


Jones F. Mendonça