quinta-feira, 6 de agosto de 2009

RESUMO DO LIVRO DE TOBIAS

Por Jones Mendonça

1. Introdução

O livro de relata a saga do Tobias, filho de Tobit, um homem piedoso, casado com Ana, que havia sido deportado para a Nínive durante o reinado de Salmanasar. Tobit fora beneficiado com uma posição de influência junto ao rei, o que lhe permite fazer muitas viagens, durante as quais dá esmolas a outros judeus e enterra os que haviam sido mortos por Senaquerib, filho do rei. Após a morte de Salmanasar, seu filho passa a reinar em seu lugar. Agora no poder, Senaqueribe confisca os bens de Tobit, após ser denunciado por um ninivita como sendo o responsável pelo enterro dos israelitas mortos por ele.


2. O drama de Tobit e Sara

No dia da festa de Pentecostes, durante um almoço, Tobit pede para que seu filho saia em busca de um israelita necessitado, para que possa participar da refeição com sua família. Seu filho retorna dizendo ter encontrado um israelita estrangulado em praça pública. Tobit, um inveterado sepultador de corpos, esperou o pôr-do-sol e enterrou o defunto. Sua atitude provoca o escárnio dos vizinhos, pois já havia sido punido por essa prática. Tobit volta para casa e, após o banho, se deita junto à parede do pátio com a cabeça descoberta e acaba sendo atingido nos olhos pelo excremento de um pássaro, tornando-o cego. Tobit é sustentado por Aicar durante dois anos até que ele parte para Elimaida. A partida de Aicar faz com que Ana passe a sustentá-lo com trabalhos femininos. Tobit, desolado com a situação, ora ao Senhor pedindo sua morte, pois não suportava mais tantos infortúnios, tendo ainda que ouvir repetidas injúrias.


Paralelamente ao drama de Tobit, o livro passa a descrever a angústia de Sara, filha de Raqüel. Sara tem que suportar injúrias de uma escrava de seu pai, pois havia sido dada em casamento a sete homens que morreram antes que os casamentos fossem consumados. A escrava acusou-a de ter matado os pretendentes e aconselhou Sara a pôr fim a sua vida. Ela, subindo ao aposento de seu pai, no intuito de se enforcar, muda de idéia e ora ao Senhor pedindo que lhe tire a vida. O drama de Tobit e Sara envolve o leitor, que se pergunta: “Como terminará esta história?”.


3. A resposta à oração

A narrativa continua e relata que as preces de Tobit e Sara foram ouvidas. Rafael, um anjo de Deus, é enviado para curar a cegueira de Tobit e libertar Sara de um demônio chamado Asmodeu, verdadeiro responsável pela morte de seus pretendentes.


Tobit, vendo a morte chegar, envia Tobias à Média, a fim de recuperar uma quantia depositada nas mãos de Gamael. Tobias sai à procura de alguém que lhe faça companhia, e que conheça o caminho da Média. Ele encontra o anjo Rafael, que se apresenta a seu pai como sendo Azarias, filho de um de seus irmãos.


4. A viagem de Tobias e seu encontro com Sara

Tobias viaja acompanhado do anjo e de um cão. Ao anoitecer, decide acampar junto ao rio Tigre. Quando Tobias desce para lavar os pés no rio, um peixe salta em sua direção tentando devorar-lhe o pé. O anjo pede para que agarre o peixe, pois o fel, o coração e o fígado dele seriam remédios úteis. Rafael lhe diz que o coração e o fígado do peixe, quando queimados diante de uma pessoa afligida por um demônio ou espírito mau, cessa suas ações maléficas. O fel, quando soprado após ser untado sobre os olhos, seria útil para curar uma pessoa atingida por leucomas.


Ao chegarem à Média, Rafael diz a Tobias que devem hospedar-se na casa de Ragüel, pai de Sara, pois tem o direito casar-se com sua filha e herdar legitimamente todos os seus bens. Tobias conhecendo a história de Sara, expõe o medo que tem de morrer, como acontecera com os outros sete pretendentes. Rafael, diante da declaração de Tobias, o instrui a colocar o fígado e o coração do peixe sobre as brasas do perfumador assim que entrasse no quarto nupcial. Segundo rafael isso provocaria a fuga do demônio.


Ao chegarem à casa de Raguel, em Ecbátana, são muito bem recebidos e Ragüel fica muito emocionado após saber que Tobias era filho de um homem tão nobre como Tobit. Ragüel, ouvindo Tobias conversar com Rafael sobre sua intenção de pedir sua filha em casamento, pede para que coma e beba tranquilamente, pois seu direito estava assegurado. Ragüel lhe conta sobre a morte dos pretendentes de sua filha e pede para que Tobias espere uma providência divina para solucionar o caso. Tobias diz que não pretende esperar e é atendido por Ragüel.


5. Tobias vence o demônio com a ajuda de Rafael

Após firmado o contrato de casamento, quando introduzido no quarto preparado para o casal, Tobias se lembra das palavras de Rafael e pôe o fígado e o coração do peixe sobre as brasas do perfumador. Como predito por Rafael, o demônio fuge para as regiões do Egito, vindo a ser preso pelo anjo.

Ragüel, tendo como certa a morte de Tobias, pede para que seus servos cavem uma sepultura e verifiquem se Tobias ainda estava vivo. Ao saber que ainda vivia, Ragüel bendiz ao Senhor e pede para que Tobias se detenha em sua casa por quatorze dias, até que pudesse seguir para a casa de seus pais. Tobias pede para que Rafael parta para Rages e recupere o dinheiro que esta com Gamael. Rafael recupera o dinheiro e retorna acompanhado por Gamael, que abençoa Tobias emocionado.


6. A volta para casa

Ao fim do prazo de quatorze dias, Tobias pede para que Raqüel o deixe voltar para a casa de seus pais, informando a ele o estado de saúde de seu pai, motivo de sua urgência.Tobias segue de volta para sua casa com os bens que recebera por direito, acompanhado por Sara e Rafael. Ao se aproximarem de Caserim, Rafael pede para que prepare o fel, a fim de curar a cegueira de seu pai. Quando chega em casa, após ser recebido por Ana, Tobias busca ansiosamente por seu pai. Ao encontrá-lo, aplica-lhe o remédio, curando-o da cegueira. Tobit, agora curado, segue ao encontro de sua nora e a abençoa. Após celebrada a festa de casamento, Tobit pede para que Tobias recompense Rafael com metade dos bens trazidos de Ecbátana, pois havia trazido muitos benefícios para sua família. Quando Tobias chama Rafael lhe oferecendo a recompensa, ele se revela a Tobias como sendo um dos sete anjos que permanecem diante da glória do Senhor. Rafael exalta a piedade e bondade de Tobit e pede para que escreva sua história desde o princípio, para que todos possam conhecer as obras grandiosas de Deus. Tobit entoa um cântico ao Senhor, onde exalta seu nome e profetiza a restauração de Israel.


7. O fim da história

Tobit morre em paz, na idade de cento e doze anos, gozando de uma vida próspera. Nos últimos momentos de vida, chamou Tobias e lhe recomendou que se mudasse para a Média assim que sepultasse sua mãe, pois cria na profecia de Naum, que previa a destruição de Nínive. Também ressaltou a importância de uma vida justa e caridosa e disse a Tobias que Jerusalém seria reconstruída e todos os povos se converteriam a Deus, abandonando seus ídolos.


Após a morte de Ana, Tobias, como recomendado por seu pai, parte com sua esposa para Ecbátana, indo morar com seus sogros. Dá honrosa assistência a eles em sua velhice e ao fim de suas vidas, herda seus bens. Tobias morre aos cento e dezessete anos cercado de afeição. Antes de morrer teve notícias da destruição de Nínive.


8. Um breve comentário sobre o livro

O relato, de cunho novelístico é repleto de ensinamentos sapienciais, onde traz belos ensinamentos, tais como: respeito e honra aos pais, cuidado para com os mortos, justiça, honestiadde, bondade e compaixão para com o próximo (4,3-19; 12,6-20). É fácil identificar-se com a história, ainda que se passe há muito tempo atrás. Elementos contidos no texto, como o choro de Ana na despedida do filho (05,17-23), o cão que acompanha Tobias (6,1; 11,4) e a impaciente espera pela volta do filho (10,1-7) ainda fazem parte do nosso cotidiano nos dias de hoje, permitindo que o leitor se identifique com a história. O livro procura mostrar que o israelita fiel a seu Deus e à sua religião nunca está só, mas é objeto da especial proteção divina. Manifesta também a esperança de que quando Deus reunir o seu povo de todas as nações (13,5), então também os pagãos se converterão ao Senhor para formarem um único povo de Deus (14,6s).