segunda-feira, 18 de abril de 2011

MAXIMALISMO E MINIMALISMO NA PESQUISA HISTÓRICA DO ANTIGO ISRAEL

Livro de Thomas Thompson
Maximalismo e minimalismo são rótulos cunhados para diferenciar dois tipos de abordagem sobre a confiabilidade histórica da Bíblia. Maximalistas supõem que a Bíblia é, até certo ponto, um registro confiável da história da formação de Israel. Minimalistas defendem que a narrativa bíblica do Antigo Testamento deve ser lida como ficção, a menos que possa ser confirmada arqueologicamente.

Um exemplo clássico se refere aos muros de Jericó. Por muito tempo se pensou que as ruínas de uma muralha encontrada em Jericó fossem prova do relato contido no livro de Josué. Mas escavações posteriores mostraram que não havia nenhuma muralha nessa cidade na Idade do bronze, época em que, de acordo com os maximalistas, ocorreu a tomada da terra pelos hebreus liderados por Josué (A Bíblia de Jerusalém, por exemplo, toma por certa a inexistência da muralha. A narrativa bíblica seria mera projeção litúrgico-religiosa). Os maximalistas se defendem dizendo que o fato da muralha não ter sido encontrada não prova que não tenha existido. Ela poderia ter sido construída numa colida e ruído mais tarde sem deixar vestígios. Como gostam de dizer os maximalistas: “ausência de evidência não é evidência de ausência” (famosa frase de Carl Sagan).

Atualmente tem havido um intenso debate a respeito da historicidade de um reino unificado na época de Davi e Salomão. Maximalistas, como a arqueóloga israelense Eilat Mazar defendem a existência de uma monarquia unificada no século X a.C. Para ela a Bíblia é um registro confiável da existência de um reino centralizado em Judá. Israel Finkelstein, um famoso e respeitado minimalista, nega a existência de um reino unificado nesse período. O primeiro Estado centralizado organizado por israelitas seria o do rei Omri (884-842). Finkelstein não nega que Davi tenha sido um personagem real (o que parece ser confirmado pela Estela de Tel Dan), apenas questiona a existência de um reino majestoso e unificado tal qual como apresentado na Bíblia. Davi teria sido um mero líder tribal.

Como já foi dito, os termos maximalismo e minimalismo são apenas rótulos. É um erro comum associar os minimalistas aos ateus, céticos dispostos a provar ser a Bíblia uma farsa. Na verdade o que eles defendem é a necessidade de provas concretas que possam sustentar a historicidade das narrativas bíblicas. Os antigos hebreus, defendem os minimalistas, escreviam suas histórias sem preocupação em relatar os fatos como realmente aconteceram. A intenção era religiosa e não científica. Dois famosos minimalistas são Niels Peter Lemche e Thomas L. Thompson. Ambos pertencem à chamada Escola de Copenhague.

Os maximalistas, por outro lado tendem a ser vistos como fundamentalistas ingênuos, mas isso está longe de ser verdade. Esse grupo até aceita que as narrativas bíblicas sofreram acréscimos, interpolações e reelaborações, mas insiste que a ela possui, ao menos, fundo histórico. Famosos representantes dessa escola são Albright, John Bright (aluno de Albright) e Roland de Vaux.

De forma resumida pode-se dizer que os maximalistas acreditam que a Bíblia possui alto valor histórico. Os minimalistas, por outro lado, vêem a Bíblia muito mais como um livro escrito por pessoas que interpretavam os fatos de acordo com sua ideologia religiosa.

Leia aqui o capítulo III (em espanhol) de uma famosa obra que defende o ponto de vista minimalista:

THOMPSON, Thomas L. Early History of the Israelite People. From the Written and Archaeological Sourses, E. J. Brill, Leiden, New York, Koln, 1994.

Título em português: Antiga História do povo israelita a partir de fontes escritas e arqueológicas. 

Jones Mendonça