quinta-feira, 23 de abril de 2026

NAHAM E O ARREPENDIMENTO DIVINO


1. A palavra hebraica “naham” (נחם) pode ser traduzida por duas palavras portuguesas diferentes, dependendo do contexto: “arrepender-se” e “ter compaixão”. Seu sentido primário é “sentir um profundo pesar por algo ou alguém”. Mas como saber se o termo deve ser traduzido de uma forma ou de outra?

2. Quando esse “pesar” diz respeito ao sentimento incômodo causado por uma decisão considerada equivocada, então deve ser traduzido por “arrependeu-se”. Exemplo: “Yahweh SENTIU PESAR por ter feito o homem sobre a terra” (Gn 6,6). Essa “dor”, esse “pesar”, é claro, indica arrependimento (cf. Nm 23,19).

3. Quando esse “pesar” diz respeito ao incômodo relacionado ao sofrimento de alguém, então a tradução mais acertada é “ter compaixão”. Um bom exemplo aparece nos Salmos: “Yahweh faz justiça ao seu povo e SENTE PESAR sobre seus servos” (Sl 135,14). “Sentir pesar” sobre seus servos é o mesmo que “ter compaixão” por seus servos.

4. Quando você lê, no Antigo Testamento, que um personagem bíblico “naham” por uma pessoa ou por algo, deve trazer à sua mente a imagem de alguém triste, como se dissesse: “puxa vida!”. Uma pessoa pode dizer “puxa vida”, tomei uma decisão errada (arrependi-me). Ou, pode dizer, “puxa vida”, como sofrem os desabrigados (tenho compaixão deles).


Jones F. Mendonça

A GUERRA (OU ALIANÇA) SIRO-EFRAIMITA


1. Em Is 7,2 Acaz, rei de Judá, revela-se aflito diante da ameaça de Rason (rei dos sírios, em Damasco) e Faceia (rei de Israel). O texto diz que seu coração estava agitado “como se agitam as árvores impelidas pelo vento” (v. 2). O episódio é conhecido como aliança siro-efraimita.

2. Na sequência, Isaías é enviado por Yahweh para acalmá-lo (vv. 3-4), e sugere que Acaz peça um sinal divino (v. 11). Ocorre que o rei se recusa a pedir o sinal. A razão alegada: “quereis fatigar a meu Deus?”. Isaías, irritado, diz o seguinte:
Pois sabei que o Yahweh mesmo vos dará um sinal:
Eis que a jovem ficará grávida
e dará à luz um filho
e por-lhe-á o nome de Emanuel ( = Deus está conosco).
3. Em 7,16 há uma informação importante a respeito desse menino. O texto diz que antes mesmo que ele se torne adulto, os dois reis temidos por Acaz serão derrotados. Em 8,3 somos informados que o menino é filho de Isaías e que seu nascimento anuncia profeticamente a derrota dos inimigos.

4. De fato, a Assíria conquista não apenas Damasco e Samaria, mas toda a região do Levante. Judá não foi destruída, mas pagou tributo à Assíria (2Rs 18,14-16). No Novo Testamento, Mateus (1,23) ressignifica essa profecia e a aplica a Jesus, o “Immanu-el” (עמנו אל), reafirmando que “Deus [continua] conosco”. Para Mateus, Jesus é o cumprimento pleno da profecia.

5. Ressignificar textos e tradições antigas sempre fez parte da cultura religiosa dos hebreus. Caso você tenha interesse em aprender mais sobre o papel dos profetas no contexto histórico no qual estavam inseridos, matricule-se no curso "Monarquia e Profetas" do Seminário Teológico Batista Carioca.

6. Você pode assistir às aulas online (ao vivo), ou gravadas. Procure nossa secretária: 21 96536-9181 (Viviane).


Jones F. Mendonça