sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A BOA E VELHA GUERRA FRIA

Experimente ler sobre o conflito na Síria em jornais como o The New York TimesJ Post e até mesmo o Al Jazeera (cada vez mais pró-ocidente). Depois leia o RT (Russia Today) e o IRNA (Islamic Republic News Agency). A guerra é uma só. As visões sobre ela são múltiplas. 

A Síria (e todo o Oriente Médio) é um tabuleiro de xadrez (ou de gamão). Os principais jogadores são velhos conhecidos nossos. Uma plateia assiste a partida como se fosse uma batalha entre o bem e o mal. Há algo novo debaixo do sol? 

Charge: Carlos Latuff

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

DEMITIZANDO BULTMANN

Sempre que leio uma crítica à teologia liberal o nome de Rudolf Bultmann aparece em destaque. Estranho. O teólogo da desmitologização (ou demitização) foi, ao lado de Karl Barth, um crítico da teologia liberal. Num ensaio de 1924 Bultmann escreveu: “O objetivo da teologia é Deus, é a acusação contra a teologia liberal é esta: ‘ela não tratou de Deus, mas do ser humano’”.

Possuo “Jesus Cristo e mitologia”, de Bultmann. O livro é uma tentativa de salvar o cristianismo da ameaça da teologia liberal com idéias tomadas do existencialismo de Heidegger. O próprio Bultmann admite ter recebido influência da filosofia de Heidegger no livro, afinal de contas, ele afirma “a exegese descansa sempre em alguns princípios e concepções que atuam como pressuposições do trabalho exegético”.  

Uns lêem o Novo testamento a partir do dogma e, portanto, a partir da interpretação que outros fizeram no passado. Outros buscam novos caminhos na tentativa de atualizar sua mensagem. Desmerecer o trabalho de Bultmann pela falta de originalidade ou por apoiar-se na filosofia é no mínimo ridículo. Como se Paulo não tivesse buscado elementos para sua pregação na mitologia judaica (que por sua vez tem raízes na Babilônia e na pérsia), no estoicismo, no epicurismo e no platonismo.

Mas este texto não pretende ser uma defesa de Bultmann. Os que já desceram à sepultura não precisam de advogado. Além do mais, sua teologia, como qualquer outra, não está isenta de críticas.  Seria um contrassenso criticar a ortodoxia por sua rigidez e permanecer atrelado a Bultmann. Mas citá-lo como o “pai dos liberais” é desconhecer a teologia do final do século XIX e seus desdobramentos no século XX.

Para que eu não seja acusado de ser um bultmanniano enrustido, deixo duas críticas ao teólogo de Marburg:

1. Ao demitizar algumas idéias mitológicas, consideradas como pré-científicas, tais como a existência de demônios, anjos, tronos celestes e curas milagrosas, Bultmann pôs o trem da teologia num trilho de uma via só. Duas questões: até onde a demitização deve ir? A crença em um Deus misericordioso e disposto a salvar o ser humano também não deve ser demitizada?

2. Bultmann recusou-se a substituir o mito pela história como queriam os liberais. Ele desprezou a história como fundamento da fé (para ele o importante é a história que se realiza hoje, uma fé existencial) e passou a valorizar o querigma. Novas perguntas: até que ponto a história de Jesus é irrelevante para a fé? Uma fé sem concreticidade histórica subsiste?

Bultmann tocou em feridas. E elas ainda estão abertas. Desconfio que a repulsa que alguns teólogos/pastores conservadores cultivam por Bultmann não é por discordarem de suas idéias. É por medo das desconfortáveis implicações que elas trazem. Muitos estão dispostos a aceitar que não há tronos no céu. Que o inferno não fica embaixo da terra. Que Deus não solta fogo de suas narinas e nem lança raios montado em querubins. Mas poucos estão dispostos a refletir honestamente sobre os questionamentos levantados por Bultmann.

Bultmann virou sinônimo de herege. Logo ele, tão crente.


Jones F. Mendonça

domingo, 26 de agosto de 2012

CADA QUAL TEM O "AIATOLÁ" QUE MERECE

É bem conhecida de todos a intolerância e o radicalismo dos aiatolás, mais altos dignatários na hierarquia xiita. A influência que tais líderes possuem no Irã é imensa. Ganhou ampla repercussão na mídia a restituição de Haydar Moslehi, demitido por Ahmadinejad, ao posto de ministro da inteligência, sob a ordem do atual aiatolá, Ali Khamenei

Em Israel a relação entre religião e política não é muito diferente. Na semana passada o Haaretz e o J Post divulgaram que o primeiro ministro de Israel, Benjamin Natanyahu, consultou o atual líder do partido Shas, Ovadia Yosef, sobre um possível ataque às bases nucleares do Irã. Yosef, para quem não se lembra, fez declarações polêmicas em outubro de 2010, afirmando, dentre outras coisas, que "os gentios nasceram apenas para servir os judeus". 

No Haaretz de hoje (26/ago/12), é possível ler novas declarações polêmicas feitas pelo líder do Shas. Desta vez ele convocou os judeus a  orarem pela aniquilação do Irã. Como se vê, tanto em Israel como no país persa, os líderes religiosos fundamentalistas deixam em evidência a influência que exercem nas decisões políticas tomadas por seus respectivos países. 

Ao lado do partido Shas, outros grupos fundamentalistas judaicos poder ser vistos entre os  colonos (caráter nacionalista), antigos partidos religiosos (como o Agudat Israel e o Degel Hatorá) e o movimento Habad. 


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

NABI SALEH: É PROIBIDO GRITAR

No centro da Cisjordânia está Nabi Saleh, uma aldeia palestina que tem seu grito contra a ocupação israelense sistematicamente abafado pelas tropas do Estado judeu. Muitos jornalistas registram as atrocidades cometidas lá (como mostra a foto abaixo). Mas as imagens parecem não despertar interesse da mídia ocidental. 

Foto: Mondoweiss

Jones F. Mendonça

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O MITO E A MORTE

A Ilha da Morte (1880), Arnold Böcklin
Tenho colecionado mitos mundiais que lidam com temas como a ressurreição, o juízo divino, o messianismo, a era de ouro, a origem do mal e da morte. Abaixo alguns relatos que buscam explicar a origem da morte. Começo com um mito kadiwéu registrado e preservado por Darcy Ribeiro:

Brasil
Num mito difundido entre os índios Kadiwéu, no Pantanal mato-grossense, o Criador, chamado de Go-noêno-hôdi, tinha a intenção de criar um “mundo bom, uma vida fácil para os homens e assim fez”. Mas Caracará não se agradou dessa ordem e o convenceu de que isso não estava certo, pois desse modo não poderia julgar qual a mulher trabalhadeira e a mulher preguiçosa, nem o bom caçador do mau caçador. Convencido pelo Caracará, Go-noêno-hôdi transformou aquela ordem idílica na atual. Caracará também convenceu Go-noêno-hôdi de que o homem não poderia viver para sempre, afinal não haveria no futuro espaço para tanta gente (RIBEIRO, Darcy. Os kadiweu: ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza, 1980, p. 56.).

América do Norte
Entre os índios americanos o “Velho Homem” fez do barro uma mulher e uma criança. Após saber que viveria para sempre a mulher protestou indignada ao Criador: “Como é isso? Vamos viver sempre, não haverá fim?”. E ele respondeu: “Jamais pensei nisso. Temos que decidir. Pegarei este pedaço seco de estrume de búfalo e o jogarei no rio. Se ele flutuar, as pessoas morrerão, mas em quatro dias voltarão a viver novamente; elas morrerão apenas por quatro dias. Mas se ele afundar, haverá um fim para as pessoas”. Ele lançou o pedaço de estrume no rio e o estrume ficou boiando. A mulher pegou uma pedra e disse: “Não, não deve ser assim. Vou atirar esta pedra na água e se ela boiar, viveremos para sempre, mas se afundar, as pessoas terão que morrer para que elas possam ter pena umas das outras e umas lamentarem as outras”. A mulher atirou a pedra na água e a pedra afundou. “Muito bem!”, disse o Velho Homem: “Você escolheu! E assim será!" (CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus, 1992, p. 224).

África:

Entre os lamba: “Os Lamba, da Zâmbia, afirma que o primeiro homem enviou um pedido ao Ser Supremo de algumas sementes, que foram logo entregues aos seus mensageiros em pequenos pacotes, com a instrução de que um deles não devia ser aberto. Mas os mensageiros sentiram curiosidade e abriram o dito pacote, do qual saiu a morte...” (PIAZZA, Waldomiro. Religiões da humanidade. São Paulo: Loyola, 1991, p. 64). 

Entre os kono: “Os kono, da Sierra Leona dizem que o Ser Supremo enviou peles novas para os homens e que as confiou a um cachorro. Mas quando este ia de caminho para a terra, abandonou o embrulho para tomar parte de uma festa. Explicou aos companheiros que tinha de levar peles novas aos homens, e a serpente, que tudo ouviu, saiu deslizando e roubou as peles, as quais repartiu entre os seus parentes. Desde então, as serpentes mudam de pele, são imortais, enquanto os homens tem de morrer...” (PIAZZA, Waldomiro. Religiões da humanidade. São Paulo: Loyola, 1991, p. 64).

Encontrei o final da história em outra obra:

“Desde então, o Homem guardou rancor pela serpente e ensaia, sempre, matá-la, em todas as ocasiões que a percebe. A serpente, por sua vez, evita o Homem e vive só. Justamente por ter guardado as peles, por Deus destinadas ao Homem, ela podia quando quisesse livrar-se de sua própria pele” (M. CAREY, 1970, PP. 18-19 apud MAZRUI, Ali A. (Edit.). História geral da África, VIII: África desde 1935. Brasília: UNESCO, 2010, p. 798).


Jones F. Mendonça

sábado, 18 de agosto de 2012

PENSAMENTOS NOTURNOS SOBRE A VIDA E A MORTE

Tela de Pierre-Auguste Vafflard (1777-1837) retratando o poeta Edward Young conduzindo o cadáver de sua filha sob a fria luz do luar. O corpo (de uma protestante) precisou ser ser carregado depois de ter sido recusado num cemitério católico. O poeta tem diante de si uma dura tarefa.  Seu semblante sereno não é de indiferença, mas de quem sabe que as lágrimas precisam esperar. O corpo de sua bela  filha parece uma escultura de mármore branco. Ela repousará numa cova aberta pela pá que seu pai conduz em agonia. Uma tela impressionante. Perturbadora.  

Que é este mundo sublunar? Fumaça;
Fumaça ele contém, ele é fumaça.
Da umidade do caos por tua luz
Chamado a navegar por sua hora
No ar, depois se esvai, desaparece. 
(Pensamentos noturnos, Edward Young)


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

AS INSTITUTAS [TEXTO ORIGINAL EM LATIM)

Tenho relido alguns capítulos de "A Reforma" de Will Durant. Um livro magnífico. Ao apresentar a vida e obra de Lutero, Calvino, Zuínglio e tantos outros, o autor mostra as virtudes, mas também o lado sombrio dos reformadores geralmente omitido em livros escritos por protestantes (o que são obras "selecionadas" senão uma coleção de textos que favorecem determinada visão?). Mas não quero falar hoje sobre textos censurados  escritos pelos reformadores. 

Durant diz que Calvino confessou em suas Institutas (III,  XXIII, 7) que o fato de Deus ter lançado tanta gente à morte eterna, sem remédio,  é um "decreto terrível". Consultei minha versão das Institutas. Está lá: "decreto espantoso". Mas "terrível" é bem diferente de "espantoso". Decidi dar uma olhada no texto original em latim. Fucei aqui e ali e acabei encontrando o que queria:

Diversos comentários de Calvino aqui (em inglês). 
Mais comentários e as Institutas em Latim (wikilivro, HTML, PDF, UTF-8) aqui

Ah, já ia me esquecendo. No latim, vem escrito: "decretum quidem horribile". 


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O QUE VOCÊ VÊ?

Matéria publicada no Haaretz (03/08/12): "selo encontrado por arqueólogos israelenses pode dar substância à lenda de Sansão". Segue um trecho:
O selo, medindo 1,5 centímetros, descreve um grande animal ao lado de uma figura humana. O selo foi encontrado em um nível de escavação que remonta ao século XI a.C. Isso foi antes do estabelecimento do reino da Judéia e é considerado o período bíblico dos juízes, no qual viveu Sansão. Estudiosos dizem que a cena mostrada no artefato lembra a história de Sansão, em Juízes, lutando contra um leão.
Agora observe a imagem do selo:


O selo mostra um homem (ou uma mulher) próximo ao que parece ser um animal (um cavalo, um boi, um jumento, um leão?). Só. Alguém diz que pode ser o Sansão do livro bíblico dos Juízes (??!!). Num desses Blogs apologéticos outro vai além e diz que foi encontrada uma prova da existência de Sansão. É o fim da picada. 

Por acaso a BAR de set/out publicou um interessante artigo sobre o uso de textos na formulação de hipóteses no trabalho arqueológico. Quem assina é Kevin McGeough do Departamento de geografia da Universidade de Lethbridge. 

Leia aqui


Jones F. Mendonça

FÉRTIL CRESCENTE [MAPA EM ALTA RESOLUÇÃO]

Há muitos mapas do Fértil Crescente na Web, mas nenhum do jeito que eu quero. Com a ajuda do maps-for-free.com, do googlemaps.com, do bibleatlas.org e do Word (no Office 2007) é possível construir mapas personalizados que podem ajudar muito nas aulas de geografia das chamadas "terras bíblicas".  No mapa que preparei e estou publicando hoje, a lua crescente que vai do Golfo Pérsico ao Egito  indica uma vasta região fértil conhecida como "Fértil Crescente". 

Clique para ampliar (1400x1048). 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

AGULHA NO PALHEIRO

Encha vinte caminhões com CDs evangélicos (ou pelo menos que foram rotulados como "evangélico"). Submeta-os a uma peneira. O que sobra? Dentre meia dúzia de artistas, eis o que sobra: 


domingo, 12 de agosto de 2012

MACABEU E MACABRO: HÁ RELAÇÃO?

Xilogravura medieval mostrando a "dança macabra" (The Jewish Daily).
O The Jewish Daily, jornal dedicado ao judaísmo, mantém uma coluna muito interessante escrita por Philologos. No final de julho deste ano o periódico publicou a matéria "Maccabees most Macabre" (29/07/12), discutindo uma possível relação entre a palavra "macabeu" (ver livro apócrifo/deuterocanônico de Macabeus) e a palavra "macabro". Seria o termo "macabro" uma corruptela de "macabeu"?

Leia em inglês aqui.
Tradução para o português feita pelo Google aqui


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

E SATANÁS TROUXE... A SECULARIZAÇÃO E A REPÚBLICA!

Ao longo da história do cristianismo a figura do anticristo sempre assombrou os crentes. Nero, Juliano, o Papa, Napoleão, Hitler, George Bush e tantos outros líderes entraram na lista de suspeitos. Inspirado no sebastianismo, messianismo português fundamentado na esperança do regresso do rei D. Sebastião, Antônio Conselheiro reuniu milhares de sertanejos baianos após a proclamação da República num movimento de resistência que culminou na Guerra de Canudos. Um dos seus discursos ficou registrado nos anais da história brasileira:
“Meus irmãos, o Anticristo é chegado. [...] O ataque de Maceté constitui uma prova para nós. O meu povo é valente. O satanás trouxe a república, porém em nosso socorro vem o Infante rei D. Sebastião. Virá depois o bom Jesus separar o joio do trigo, as cabras das ovelhas. [...] Belos Montes será o campo de Jesus. [...] Os republicanos não devem ser poupados, pois são todos do Anticristo” (José ARAS, Sangue de irmãos, Salvador, Museu do Bendegó, 1953, 25 apud NOGUEIRA, Paulo Augusto de Souza. Religião de visionários: apocalíptica e misticismo no cristianismo primitivo, p. 276).
Na visão de Conselheiro o anticristo era, quem diria, a República. Além dos novos impostos decretados pelo governo republicano, o “rebelde conservador” levantou-se contra medidas secularizadoras como a separação entre a Igreja e o Estado e a introdução do casamento civil. O que Lutero fez questão de separar, Conselheiro insistiu em juntar novamente. O que Dietrich Bonhoeffer e Harvey Cox viram como uma necessidade, Conselheiro viu como uma ameaça.

A grande ironia disso tudo: o secularismo virou, na retórica evangélica, o maior dos demônios. Sob seu cetro, os "demonóides”: humanismo, racionalismo, individualismo e tantos outros “ismos”. Com o enfraquecimento do poder da Igreja surgiram alguns grupos. Há quem deseje um retorno à Idade Média, aos valores rígidos ditados pela igreja e a uma ciência sob as rédeas da fé. Outros preferem que o mundo siga o seu curso em meio aos desafios da modernidade. Há ainda os que causam alarde no povo com seus discursos escatológicos inflamados. Em suma, uns querem um retorno ao passado. Outros preferem seguir em frente apesar dos desafios. Outros preferem... bem, outros preferem fugir do mundo, sumir, "não ser".  


Jones F. Mendonça

NETANYAHU: IRÃ É GOVERNADO POR UM REGIME FANÁTICO QUE PRETENDE IMPOR UMA DOMINAÇÃO ISLÂMICA GLOBAL


Palavras do primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu durante um debate sobre o programa nuclear iraniano (J Post,09/08/12):
o Irã é governado por um "regime fanático" que se vê em uma missão sagrada de dominação islâmica global, e destruir Israel é apenas um passo em direção a sua visão maior.
Destaque para “regime fanático”, “missão sagrada” e “dominação islâmica global”. Se algum líder muçulmano (ou qualquer outra pessoa) dissesse que Israel é governado por um “regime fanático” que pretende impor ao mundo uma “dominação judaica” motivada por “ideais sagrados”, isso seria visto pela direita israelense e americana como antissemitismo. Ia ser aquele “bafafá”. As “carpideiras descabeladas” fariam um escândalo só.

Ah, mas as palavras foram ditas por Netanyahu, líder da “nação escolhida”. Ele pode tudo, né?


Jones F. Mendonça

domingo, 5 de agosto de 2012

A LIMPEZA ÉTNICA DA PALESTINA: ILAN PAPPE

Há muitas versões sobre o que motivou a saída dos palestinos de suas casas na guerra de 1948. Ilan Pappe, historiador israelense, professor sênior da Universidade de Haifa  e autor do polêmico livro "A limpeza étnica da Palestina" (ainda não traduzido para o português), apresenta numa entrevista sua visão sobre o que considera "um caso claro de uma operação de limpeza étnica, considerado pelo direito internacional como um crime contra a humanidade". Assista e tire suas próprias conclusões.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

SITE SOBRE A IDADE MÉDIA

Fuçando aqui e ali acabei caindo de paraquedas num excelente (e bem ilustrado) site sobre a Idade Média: RicardoCosta.com. O site é mantido por Ricardo Costa, historiador brasileiro especialista em filosofia e cultura da Idade Média. Um dos atrativos que posso destacar é a tradução de textos medievais disponíveis para leitura. 

Vale ler: Sermão 80 sobre o Cântico dos Cânticos, de autoria de Bernardo de Claraval (1090-1153). Ficou animadinho? Não espere muita paixão.


Jones F. Mendonça

AS CARPIDEIRAS DESCABELADAS

Carpideiras numa tumba
 egípcia (detalhe).
Alguém critica a política do governo dos EUA: o indivíduo é anti-imperialista. Alguém critica a política de Israel: o sujeito é antisssemita. No primeiro caso a crítica é associada ao modo como os EUA vêem e se relacionam com os outros países, particularmente os mais pobres. No segundo enxergam racismo. Mas não é difícil entender porque isso acontece. Israel é considerado pelos sionistas como um “Estado judeu” (uma teocracia?). Então, na mentalidade de muitos israelenses (e cristãos pró-Israel), se você critica a política de Israel está criticando também uma religião e uma etnia. Entende?

Agora veja, Romney visitou Jerusalém e comparou a renda per capita de Israel com as áreas administradas pala OLP (Organização para a libertação da Palestina). Declarou que o sucesso econômico de Israel deve-se a sua cultura (superior?) e à intervenção da “providência divina” (Deus... sempre Deus...). Para finalizar referiu-se a Jerusalém como capital de Israel, status que nem os EUA reconhecem! O candidato republicano, pelo que sei, não foi rotulado, pelo menos pela mídia conveniente, de anti-árabe, islamofóbico ou racista. 

A grande ironia, meus caros, é ler o que foi publicado hoje no J Post: “Ahmadinejad anti-Semitic rant a wake up call (02/08/12). O líder iraniano, que não é mais santo e nem mais demônio que qualquer outro líder político, declarou, segundo o jornal israelense, que “o regime sionista controla a mídia mundial e o sistema financeiro” e que “qualquer um que ama a liberdade e justiça deve se esforçar para a aniquilação do regime sionista”.  Tal discurso foi visto como antissemita pelo jornal mesmo sem que o líder iraniano pronunciasse a palavra “judeu” A coisa funciona assim: Alguém fala “sionismo” e o grupo pró-Israel-a-qualquer-custo entende “judeus”. Mas alguém apela à minha honestidade. E eu reconheço: Pode até ser que por trás do discurso cuidadoso de Ahmadinejad exista um homem racista e obstinado pela destruição do povo judeu. Mas o que ele apenas insinua, o ocidente faz: Iraque, Afeganistão, Líbia, Gaza...

A diferença entre as ditaduras do Oriente Médio e a democracia do Ocidente é uma só. Os primeiros matam em praça pública. O sangue jorra em frente às câmeras. No Ocidente não, a maldade é feita de maneira hipócrita. Mata-se nas sofisticadas câmaras de gás, nas cadeiras elétricas, nos porões dos serviços secretos e nas guerras “cirúrgicas”. Tudo muito higiênico, esterilizado, limpinho!

Homney, Ahmadinejad, Bush, Sadan Russein, Obama, Bashar al-Assad, Netanyahu, Kadhafi… todos, farinha do mesmo saco. A grande mídia faz o papel de carpideira. Chora não pelo defunto, mas por quem paga mais.

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ROMNEY VISITA ISRAEL E SÓ FALA BOBAGENS

Impublicável. Leia no Ópera Mundi


Jones F. Mendonça

BELAS FOTOS DA SÍRIA [SEM A DROGA DA GUERRA]

Encontrei por acaso fazendo buscas por fotos do Rio Tigre e do Eufrates na  WEB: SyriaLooks. A foto abaixo é do Eufrates na região da Síria. No site você também poderá ver fotos de Aleppo, atualmente assolada pela guerra.  

Clique para ampliar


Jones F. Mendonça

COMO CRIAR UMA ÁSPIDE


Um policial atira na perna de um rapaz acusado de seqüestro. O povo grita: "morte ao malfeitor!". A turba enfurecida esbraveja: “Direitos humanos, para quê precisamos dele?”. Nem a lei de talião era tão cruel.

Compreendo o comportamento do policial, cansado de ver bandidos levados aos tribunais escaparem do martelo da condenação. Compreendo a aprovação do povo, indignado com a impunidade. Mas compreender não significa aprovar.

A culpa, dirão alguns, é do “Sistema” (com letra maiúscula mesmo!). O Sistema seria uma espécie de força oculta, com vida própria. Uma espécie de Satã que permeia todas as esferas da nossa vida, manipulando e corrompendo nossos belos projetos para uma sociedade perfeita. 

Admito que a sociedade se desenvolva num complexo sistema de forças. Reconheço que o policial, mal pago, mal equipado, mal formado e inserido num ambiente em que reinam a crueldade e violência sem limites, seja levado a descarregar seu ressentimento no gatilho de sua arma. É, aceito. Mas não estaríamos projetando no Sistema falhas que são nossas?

Ao dizer sim a comportamentos como este, a população estará dando ao policial o poder de julgar, condenar e em alguns casos executar indivíduos sem o direito de defesa.  Hoje o tiro atinge um bandido. Amanhã um inocente. Hoje a bala perfura a carne de um delinqüente. Amanhã o peito do seu filho.

Quando isso acontecer, a mesma mão que acariciou a áspide condenará o seu bote. E a culpa será sempre do Sistema.


Jones F. Mendonça

sábado, 28 de julho de 2012

CALVINO E O GALARDÃO: UMA RECOMPENSA QUE NÃO É RECOMPENSA


Uma curiosidade que me atormentou há alguns anos: como Calvino compreendeu o galardão, uma vez que alguns textos bíblicos (p. ex. 1Co 3,8 e Ap 22,12) e o próprio sentido da palavra grega misthós parecem dizer que se trata de um prêmio, uma recompensa ou até mesmo salário (como em Mt 20,8 e Rm 4,4) pelas obras de cada indivíduo? Haveria aí um conflito entre a doutrina da graça e a promessa numa recompensa supraterrena baseada em méritos pessoais? O reformados francês trata do assunto no Livro II, V, 2 das suas Institutas.

Citando Agostinho diversas vezes, Calvino explica que “os pecados são do homem, os méritos, de Deus” e que “o mérito procede da graça, e não a graça do mérito”. Ele finaliza dizendo que “Deus precede a todos os méritos com seus dons, para que daí sobreleve seus méritos, e os dá inteiramente de graça, porquanto nada acha no homem para que o salve”.  

Traduzindo para um leitor não iniciado na complexa arte de teologar: Sou um pecador atolado na lama. A graça de Deus, como um raio, corta os céus e me atinge, libertando-me do atoleiro (muitos outros continuam lá, abandonados à sua própria sorte). Seres celestiais vestem-me com roupas limpas, reparam minha vontade perversa e me concedem muitos dons, que produzirão méritos. Mas estes méritos, que fique claro, não são meus, uma vez que nada partiu de mim, mas do Deus que me libertou do atoleiro. 

Há quem diga que os “mistérios da graça” não podem ser entendidos. Então para quê tentar explicar? Fica a pergunta: se os méritos não são produto do esforço individual da criatura humana, por que cargas d’àgua os textos dizem: “o galardão que tenho para distribuir a cada um segundo o seu trabalho/obras” e não “...segundo as obras de Deus por intermédio do homem”?

Seria uma "pegadinha" dos hagiógrafos?

Lutero ao menos foi honesto atribuindo menor valor canônico aos textos que não lhe agradaram. Tiago, pobre Tiago, virou “epístola de palha”. Triste destino...


Jones F. Mendonça

FOTOS DO RAMADÃ 2012


O The Big picture publicou um série de fotos (41 no total) do Ramadã 2012. Na imagem abaixo você vê alguns homens aguardando o momento da quebra do jejum. Note que no islamismo dormir num templo (ou até fazer negócios) não é considerado desrespeito. 

Jones F. Mendonça

sexta-feira, 27 de julho de 2012

YOSEF GARFINKEL FAZ NOVO ATAQUE AO MINIMALISMO BÍBLICO

Num artigo muito didático publicado neste mês no The Bible and Interpretaion, Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, dispara inúmeras críticas ao minimalismo bíblico, sobretudo sobre a tendência que esse grupo possui de sustentar paradigmas que, em sua opinião, já caíram por terra.  Atualmente o principal ponto de divergência entre minimalistas e maximalistas gira em torno da  possibilidade de existência de uma monarquia israelita unida no século X. Garfinkel faz escavações Khirbet Qeiyafa e afirma, baseando-se em testes de carbono feitos em caroços de azeitona desenterrados na região, que o sítio remonta ao final do século XI e início do século X. Para Garfinkel está claro:  o relato bíblico apresentando Davi como fundador de uma dinastia é perfeitamente plausível. Israel Finkelstein, da Universidade de Tev Aviv, insiste: "Davi não passou de um líder tribal". 

Minha opinião: há desonestidade dos dois lados. 

Na semana passada chegou minha encomenda do documentário francês "A Bíblia e seu tempo, um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento", baseado no polêmico livro "E a Bíblia não tinha razão" (infelizmente o livro ganhou este título no Brasil),  escrito por Finkelstein em conjunto com o historiador Neil Silberman.  Você pode até não concordar com alguns pontos defendidos pelo arqueólogo de Tel Aviv, mas se o Antigo Testamento é um assunto do seu interesse, não deixe de assisti-lo. Infelizmente o documentário sem sido visto por ateus e cristãos de maneira equivocada. Os primeiros querem usá-lo como munição para sua defesa do ateísmo. Cristãos vêem o trabalho como uma tentativa de destruir sua fé. A arqueologia jamais poderá dizer qualquer coisa sobre Deus. No entanto, poderá dizer muito sobre a interpretação do texto sagrado de judeus e cristãos. 

Bem, quem quiser ler o artigo de Garfinkel, está aqui.  


UBAIDIANOS, SUMÉRIOS E ACÁDIOS


Os primeiros habitantes da Mesopotâmia são conhecidos como ubaidianos (de Tell al-Ubaid, um montículo de terra a 6Km de Ur), que devem ser distinguidos dos sumérios (origem incerta) e acadianos (origem semita), povos que mais tarde se consolidaram na região formando os primeiros grandes impérios mesopotâmicos: a Babilônia e a Assíria.

A ocupação ubaidiana foi bem curta, mas capaz de deixar como herança uma cultura que se estendeu desde o Mediterrâneo até as regiões além dos montes Zagros, nas proximidades do mar Cáspio. A ausência de pedras e madeira na região mesopotâmica obrigou os ubaidianos a buscarem um material alternativo para a construção de suas moradias: os caniços que nasciam nas margens dos rios. Esse tipo de construção ainda pode ser vista hoje numa região pantanosa próxima à foz do rio Eufrates, no sul do Iraque.

A religião que se desenvolveu naquela terra castigada pelo e sol e pelas constantes inundações dos rios Tigre e Eufrates deixou marcas na religião dos hebreus, povo semita que se estabeleceu na estreita faixa de terra entre o rio Jordão e o Mediterrâneo...

Bem, este é apenas um ensaio do texto que tenho preparado para compor a apostila de geografia bíblica para os alunos do STBC.  A idéia é trabalhar a geografia das chamadas “terras bíblicas” em conjunto com a arqueologia, a história e a narrativa bíblica. Espero poder publicar o material completo em breve. Eis alguns livros que tenho consultado:

ARTUS, Oliver. Geografía de la Biblia. Estella, Verbo Divino, 2005.

BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. O mundo egípcio: deuses, templos e faraós, volume I. Madrid: Edições del Prado, 1996.

BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. O mundo egípcio: deuses, templos e faraós, volume II. Madrid: Edições del Prado, 1996.

CASSON, Lionel. O Antigo Egito. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1969.

CONNOLLY, Peter. Las legiones romanas. Madrid: Espasa-Calpe, 1981.

CURTIS, Adrian (Edit.). Oxford Bible Atlas. New York, Oxford University Press, 1997.

EYDOUX, Henri-Paul. À procura dos mundos perdidos: as grandes descobertas arqueológicas. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1974.

GARBINI, Giovanni. O Mundo da Arte - Mundo Antigo. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações LTDA, 1979.

KRAMER, Samuel Noah. Mesopotâmia, o berço da civilização. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1969.

RIDLING, Zaine (Edit.). Bible Atlas. PDF version by Access Foundation.

VV. AA. Grande história universal: o princípio da civilização. Barcelona: Folio, 2006.

VV. AA. Grande história universal: civilizações fluviais. Barcelona: Folio, 2006.


Jones F. Mendonça


terça-feira, 24 de julho de 2012

BASES MILITARES AMERICANAS NO MUNDO

Apesar do foco principal deste Blog ser a teologia, ando bastante interessado nos atuais conflitos no Oriente Médio. Na busca por informações que me situem melhor no atual cenário que se forma naquela região, acabei descobrindo o site militarybases.com. Como se vê, o mundo é um grande tabuleiro. Há quem afirme que é Deus quem move as peças. Mas Deus não seria tão perverso...


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 23 de julho de 2012

NOTÍCIAS DO ORIENTE: A GUERRA MIDIÁTICA CONTRA A SÍRIA


Imagem: Dukechargista

Na semana passada surgiu o boato de que Assad estaria planejando empregar armas químicas com o propósito de exterminar o povo sírio. É óbvio que não acreditei nessa história. Não porque Assad seja “bom”, mas porque tal atitude não teria nenhum propósito. Notícias como essa fazem parte de uma guerra de informações patrocinadas por serviços secretos como a CIA, o Mossad e o M16. Os boatos são os mais diversos: A esposa de Assad teria fugido para a Rússia, seus generais estariam desertando, Damasco estaria cercada, etc.

Hoje os jornais de Israel noticiaram que Assad confessou possuir armas químicas, mas que somente seriam usadas contra forças externas, caso se sentisse ameaçado por uma intervenção militar patrocinada pelo ocidente. Uma informação como essa é muito mais crível. O governo de Israel rapidamente convocou os militares para que preparassem um plano de ação militar contra a Síria. O motivo: com a queda de Assad as armas químicas poderiam cair nas mãos do grupo terrorista Hezbollah (grupo paramilitar islâmico situado no Líbano, país vizinho da Síria) e ser disparadas contra Israel por mísseis Scud.

Há poucos minutos tomei conhecimento, pela rede de notícias russa RT (Russia Today), que serviços de inteligência ocidentais estão preparando um plano para assumir o controle da TV estatal síria com a ajuda de países árabes pró-ocidente. Uma ação como essa intensificaria ainda mais a guerra midiática que já vem sendo feita. Alguém dirá: mas quem garante que as informações dadas pela rede de notícias russa são mais verdadeiras que as notícias veiculadas pela mídia ocidental. Minha resposta: porque fazem mais sentido. Só.


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 20 de julho de 2012

BUSCANDO SUFIXOS PRONOMINAIS NO DAVAR [HEBRAICO]


Um dos problemas que encontro na maioria das gramáticas de hebraico é a ausência de textos reais que exemplifiquem o emprego das classes morfológicas (artigo, pronome, verbo, preposição, conjunção, etc.). Construções fictícias do tipo “o cavalo de Davi” ou “a uva do vovô” não contribuem muito para o desenvolvimento do aluno.  Há três programas que podem ajudar muito quem está em busca de exemplos diversificados tomados da BHS. São eles: Bible Works (completo, porém caro e complicado), e-Sword (possui ótimas ferramentas apesar de ser gratuito) e o Davar 3 (grátis, recursos limitados, mas com uma ferramenta perfeita para encontrar palavras e partículas como os sufixos pronominais).

Digamos que você queira encontrar exemplos do raríssimo sufixo pronominal da segunda pessoa do plural feminino:
Para localizá-los faça o seguinte: clique na lupa de busca e quando a janela abrir cole ou digite (veja como fazer isso no final do texto) a terminação desejada no espaço reservado para as buscas. Em seguida desmarqueignorar vogais hebraicas” e no “buscar por”, marque “frase”. Não se esqueça de selecionar o tipo de Bíblia na qual deseja fazer a busca: “[BHS] Bíblia Hebraica”. A imagem abaixo mostra como devem ficar as definições:


Após a abertura de uma nova janela com os resultados (21 no total), dê uma rápida “peneirada” para eliminar palavras que coincidentemente terminam com khaf-segol/nun sofit, mas que não contém sufixo pronominal, como “Tokhen” (pronuncia-se “torrên” - o nome de uma aldeia, em 1Cr 4,32).

Um detalhe importante: caso você tenha dúvidas quando às teclas que devem ser utilizadas para que as consoantes e vogais hebraicas apareçam no campo de busca, clique na “tábua de caracteres” (abaixo da palavra “ajuda”, no topo). Ao colocar o cursor sobre o caractere hebraico escolhido as teclas correspondentes aparecem num pequeno quadro. No exemplo acima as teclas são, respectivamente: k , {Ctrl + Shift + e}, n.

Ajudou?


Jones F. Mendonça

UM LAMENTO SOBRE DAMASCO


Charge: Carlos Latuffn
Damasco está um caos. Não há combustível sequer para os tanques. Os “rebeldes”, armados por forças externas, avançam. Assad está encurralado. De um lado do cabo de força estão EUA, Israel e Europa. Do outro China, Rússia e o governo de Damasco. No meio está o povo sírio, herdeiro de uma cultura milenar. Triste!

Nos países de “primeiro mundo” fala-se em ajuda humanitária, em solidariedade ao povo sírio. Na boca batom, nas mãos um punhal! Quando o ditador cair sabemos de onde as hienas virão e o que elas querem. O caos deixa o povo perplexo, temeroso por um futuro sombrio. Mas para as hienas a desordem é uma ótima oportunidade. Muitos corpos ao chão, muito sangue, muito a saquear. Sim, é triste!


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de julho de 2012

BASHAR AL-ASSAD NA FORCA

Fonte: Carlos Latuff

ATAQUE CONTRA TURISTAS ISRAELENSES NA BULGÁRIA É NOTÍCIA NO HAARETZ, J POST E ARUTZ SHEVA

Haaretz: "Israel não tem dúvidas sobre quem está por trás do ataque mortal na Bulgária". 
JPost"Presidente búlgaro: Mossad não avisou que ataque estava chegando".
Arutz Sheva"Polícia Búlgara investiga ataque terrorista". 


O clima está ficando cada vez mais tenso! 


Jones F. Mendonça

OS SUFIXOS PRONOMINAIS [HEBRAICO]

Costumo dizer aos meus alunos que os estudantes de hebraico jamais precisarão gastar dinheiro com esses passatempos vendidos em bancas de jornais. Traduzir textos da Bíblia hebraica é diversão garantida. O primeiro passo é "descolar" os artigos, as conjunções, as preposições e uma série de "pecinhas de Lego" que vem unidas às palavras. Depois, e só depois, o dicionário entra em cena. Num terceiro momento é preciso dar uma arrumada nas "peças" para que façam sentido. O mais legal (e para loucura dos mais ortodoxos) é que o resultado final dos que se aventuram nessa tarefa quase nunca é igual. 

Abaixo, um pequeno esquema que mostra o emprego dos sufixos pronominais. 


Jones F. Mendonça

Sufixos Pronominais [hebraico]

terça-feira, 17 de julho de 2012

O NOVO TESTAMENTO NA WEB

Fuçando aqui e ali consegui encontrar os livros abaixo dando sopa na WEB. Todos têm como tema o Novo Testamento. Caso você tenha sorte ainda poderá encontrá-los para download. Infelizmente há pouca coisa “boa” (segundo o meu gosto) em português disponível na rede e como o idioma estrangeiro que leio com certa facilidade é o espanhol, a grande maioria dos livros está neste idioma.

Eis a lista em ordem alfabética:

AUNEAU, Joseph. Evangelios sinopticos y hechos de los apostoles. Madrid: Ediciones Cristandad, 1982.

BEAUDE, Pierre-Marie. Segun las escrituras. Estella, Editorial Verbo Divino: 1978.

BOSCH, Jordi Sánchez.  Escritos Paulinos. Estella, Editorial Verbo Divino: 1998.

BROWN, Raymond E. Introducción al Nuevo Testamento. Traducción de Antonio Piñero. Madrid: Editorial Trotta, 2002.

BROWN, Raymond E. Introducción al Nuevo Testamento II. Madrid: Editorial Trotta, 2002.

BROWN, Raymond E. La muerte del mesías: desde Getsemaní hasta el sepulcro - Tomo I. Estella: Editorial Verbo Divino, 2005.

BROWN, Raymond E. La muerte del mesías:- desde Getsemaní hasta el sepulcro - Tomo II. Estella: Editorial Verbo Divino, 2006.

Brunet, P. G.  Les évangiles apocryphes. Traduits et annotés d’après l’édition de J. C. Thilo. Paris, 1848.

BULTMANN, Rudolf. Teología del Nuevo Testameno. Salamanca: Sigueme, 1981.

BULTMANN, Rudolf. Jesus Cristo e Mitologia. São Paulo: Novo Século, 2003.

BULTMANN, Rudolf. Teología del Nuevo Testameno. Salamanca: Sigueme, 1981.

CHARPENTIER, Etienne. Para leer el Nuevo Testamento. Estella: Editorial Verbo Divino, 1994.

CONNOLLY, Peter. Las legiones romanas. Madrid: Espasa-Calpe, 1981.

CULLMANN, Oscar. Cristo y el Tiempo. Barcelona: Estela, 1968.

CULLMANN, Oscar. Jesus e los revolucionarios de su tiempo. Madrid: STVDIVM, 1973.

DELOME, Jean. El Evangelio según san Marcos. Estella: Editorial Verbo Divino, 1980.

DODD, C. H. El Fundador del cristIanismo. Barcelona: Herder, 1977.

EVANGILE, Equipo Cahiers. El Apocalipsis. Estella: Editorial Verbo Divino, 1990.

EVANGILE, Equipo Cahiers. Los Hechos de los Apóstoles. Estella: Editorial Verbo Divino, 1991.

EVANGILE, Equipo Cahiers. Los milagros del evangelio. Estella: Editorial Verbo Divino, 1982.

GEORGE, Augustin. El evangelio según San Lucas. Estella: Editorial Verbo Divino, 1987

GOURGES, Michel. El más allá en el Nuevo Testamento. Estella: Verbo Divino, 1983.

GRELOT, Pierre. Las palabras de Jesucristo. Barcelona: Editorial Herder, 1988.

GRELOT, Pierre. Los evangelios y la história. Barcelona: Editorial Herder, 1987.

JAEGER, Werner. Cristianismo primitivo y paideia griega. Traducción de Elsa Cecilia Frost. México, DF: Fundo de Cultura Econômica del México, 1985.

JAUBERT, Annie. El evangelio según san Juan. Estella: Editorial Verbo Divino, 1987.

JEREMIAS, Joachim. Abba y Mensaje Central del Novo Testamento. Salamanca: Sígueme, 2005.

JEREMIAS, Joachim. Teologia del Nuevo Testamento. Salamanca: Sígueme, 1974.

KÖSTER, Helmut.  Introduccion al Nuevo Testamento. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1988.

LADD, George Eldon. Critica del Nuevo Testamento. Traducción de Moisés Chávez. El Passo, Texas: Mundo Hispano, 2002.

LADD, George Eldon. Teología del Nuevo Testamento. Barcelona: Editorial Clie, 2002.

MANZANARES, Cesar Vidal. El primer Evangelio, El documento Q. Barcelona: Editorial Planeta, 1993.

MARTINS, Sebastião Pinheiro. História da formação do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CELD, 1993.

MONASTERIO, Rafael Aguirre; CARMONE, Rafael Rodríguez. Evangelios sinópticos y Echos del apóstoles. Estella: Editorial Verbo Divino, 1992.

MORGAN, Michele. Las cartas de Juan. Estella: Editorial Verbo Divino, 1988.

OTERO, Aurelio de Santos. Los Evangelios Apocrifos. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 2005.

POITTEVIN, P. Le; CHARPENTIER, Etienne. El evangelio según San Mateo. Estella: Editorial Verbo Divino, 1987

PANNENBERG, Wolfhart. La fe de los apóstoles. Salamanca: Sígueme, 1975.

PERROT, Charles. Los relatos de la infancia de Jesús. Estella: Editorial Verbo Divino, 1980.

PRÉVOST, Jean-Pierre. Para leer el Apocalipsis. Estella: Verbo Divino, 1994.

QUESNEL, Michel. Las cartas a los Corintios. Estella: Editorial Verbo Divino, 1980.

RENÁN, Ernesto. Vida de Jesus. Madrid: EDAF, 1968.

RIDDERBOS, Herman. El pensamiento del apóstol Pablo. Michigan, EE.UU: Libros Desafío, 2000.

SALAS, Antonio. Los evangelios sinopticos. Salamanca: Editorial PPC, 1972.

SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A Palestina nos tempos de Jesus. São Paulo: Edições Paulinas, 1983.

SCHWEITZER, Albert. Investigación sobre la vida de Jesús. Valencia: EDICEP, 2002.

SOBRINO, Jon. La Fe En Jesucristo. Madrid: Trotta, 1999.

STEGEMANN, Ekkehard W; STEGEMANN, Wolfgang. Historia social del cristianismo primitivo. Stella: Editorial Verbo Divino, 2001.

THEISSEN, Gerd; MERZ, Annette. El Jesus historico. Salamanca: Ediciones Sigueme, 1999.

V.V, A.A. Cristianismo primitivo y religiones mistéricas. Madrid: Ediciones Cátedra, 1995.

V.V, A.A. Relecturas de los hechos de los apostoles. Estella: Editorial Verbo Divino, 2006.

VANHOYE, Albert. El mensaje de la carta a los hebreos. Estella: Editorial Verbo Divino, 1980.

VIELHAUER, Philipp. Introducción al Nuevo Testamento los apócrifos y los padres apostólicos. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1991.

WIKENHAUSER, Alfred. El apocalipsis de San Juan. Barcelona: Herder, 1969.

WIKENHAUSER, Alfred. El evangelio segun San Juan. Barcelona: Herder, 1967.

WIKENHAUSER, Alfred. Los Hechos de los Apostoles. Barcelona: Herder, 1973.


Jones F. Mendonça