sexta-feira, 3 de agosto de 2012

AS CARPIDEIRAS DESCABELADAS

Carpideiras numa tumba
 egípcia (detalhe).
Alguém critica a política do governo dos EUA: o indivíduo é anti-imperialista. Alguém critica a política de Israel: o sujeito é antisssemita. No primeiro caso a crítica é associada ao modo como os EUA vêem e se relacionam com os outros países, particularmente os mais pobres. No segundo enxergam racismo. Mas não é difícil entender porque isso acontece. Israel é considerado pelos sionistas como um “Estado judeu” (uma teocracia?). Então, na mentalidade de muitos israelenses (e cristãos pró-Israel), se você critica a política de Israel está criticando também uma religião e uma etnia. Entende?

Agora veja, Romney visitou Jerusalém e comparou a renda per capita de Israel com as áreas administradas pala OLP (Organização para a libertação da Palestina). Declarou que o sucesso econômico de Israel deve-se a sua cultura (superior?) e à intervenção da “providência divina” (Deus... sempre Deus...). Para finalizar referiu-se a Jerusalém como capital de Israel, status que nem os EUA reconhecem! O candidato republicano, pelo que sei, não foi rotulado, pelo menos pela mídia conveniente, de anti-árabe, islamofóbico ou racista. 

A grande ironia, meus caros, é ler o que foi publicado hoje no J Post: “Ahmadinejad anti-Semitic rant a wake up call (02/08/12). O líder iraniano, que não é mais santo e nem mais demônio que qualquer outro líder político, declarou, segundo o jornal israelense, que “o regime sionista controla a mídia mundial e o sistema financeiro” e que “qualquer um que ama a liberdade e justiça deve se esforçar para a aniquilação do regime sionista”.  Tal discurso foi visto como antissemita pelo jornal mesmo sem que o líder iraniano pronunciasse a palavra “judeu” A coisa funciona assim: Alguém fala “sionismo” e o grupo pró-Israel-a-qualquer-custo entende “judeus”. Mas alguém apela à minha honestidade. E eu reconheço: Pode até ser que por trás do discurso cuidadoso de Ahmadinejad exista um homem racista e obstinado pela destruição do povo judeu. Mas o que ele apenas insinua, o ocidente faz: Iraque, Afeganistão, Líbia, Gaza...

A diferença entre as ditaduras do Oriente Médio e a democracia do Ocidente é uma só. Os primeiros matam em praça pública. O sangue jorra em frente às câmeras. No Ocidente não, a maldade é feita de maneira hipócrita. Mata-se nas sofisticadas câmaras de gás, nas cadeiras elétricas, nos porões dos serviços secretos e nas guerras “cirúrgicas”. Tudo muito higiênico, esterilizado, limpinho!

Homney, Ahmadinejad, Bush, Sadan Russein, Obama, Bashar al-Assad, Netanyahu, Kadhafi… todos, farinha do mesmo saco. A grande mídia faz o papel de carpideira. Chora não pelo defunto, mas por quem paga mais.

Jones F. Mendonça