terça-feira, 13 de julho de 2010

INSCRIÇÃO DO SÉCULO XIV EM ACÁDIO ANTIGO ENCONTRADO EM JERUSALÉM

Por Jones Mendonça

Foi noticiado ontem pelo The Jerusalém Post a descoberta do mais antigo documento já encontrado em Jerusalém. Segundo alguns estudiosos trata-se de um pequeno fragmento de uma carta escrita à Akhenaton, um faraó que governou o Egito durante o século XIV a.C. Cartas entre os líderes cananeus e o Egito eram comuns na época e ficaram conhecidas como Cartas de Amarna.

Para que o leitor compreenda bem o significado desse achado é preciso ter em mente que a data provável da chegada dos hebreus à Palestina é o século XIII a.C., ou seja, esse documento foi escrito numa época em que Jerusalém (antiga Jebus) ainda era habitada pelos cananeus. É por isso que Eilat Mazar, a responsável pelas escavações diz isso:
“A descoberta comprova a importância de Jerusalém como uma cidade importante no Bronze Final, muito antes de sua conquista pelo rei Davi.”
O documento foi escrito em cuneiforme antigo, um idioma que precedeu o hebraico em alguns séculos. O texto mais antigo conhecido anteriormente encontrado em Jerusalém foi uma inscrição no túnel de água Siloé (séc. VIII a.C.) comemorando sua conclusão.

A Paleojudaica minimizou o valor dado pela imprensa ao achado. Apesar de reconhecerem o valor do documento, os editores do site, especializados em judaísmo antigo, dizem que:
“Embora este fragmento seja o mais antigo texto descoberto em Jerusalém, temos outros textos da mesma idade a partir de Jerusalém que foram encontrados no Egito entre as cartas de Amarna. As seis cartas em acádio de Abdi-Heba [rei de Jerusalém antes da chegada dos hebreus] ao Faraó do Egito também data do século XIV a.C. Então, essa descoberta não nos diz muita coisa além do que já sabemos, mas é realmente emocionante encontrar um tablete de escrita cuneiforme em Jerusalém, mesmo que seja apenas uma pequena peça cujo texto não possui qualquer sentido.”
Quem acompanha o trabalho dos arqueólogos em Israel sabe da tensão existente entre os que pretendem provar a importância de Jerusalém antes do século X e os que dizem que isso só ocorreu após o século X. O primeiro grupo defende que o reino de Davi foi exuberante como diz a Bíblia. O segundo grupo, ao contrário, defende que Davi foi um mero líder tribal. Eilat Mazar, a arqueóloga responsável pelas escavações, pertence ao primeiro grupo.

Para ler mais sobre a arqueóloga Eilat Mazar, clique aqui, aqui e aqui.

Para ler sobre a descoberta do mais antigo documento em hebraico antigo encontrado em Jerusalém, clique aqui: