sexta-feira, 30 de novembro de 2012

NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO CONTEST 2012

O National Geographic Photo Contest 2012 termina hoje (30 de novembro). Abaixo uma das fotos enviadas pelos participantes.


Veja as 33 imagens selecionadas pelo The Big Picture aqui.

Técnica de pesca no Sri Lanka.

PALESTINA AGORA É UM ESTADO OBSERVADOR NÃO-MEMBRO

Israel, EUA e Canadá (e mais outros 6 países de menor expressão) opuseram-se à aceitação da Palestina como Estado observador não-membro (condição idêntica a do Vaticano). A Liga Anti-Difamação, o organização americana pró-Israel, classificou os países europeus que apoiaram o novo status da Palestina como covardes. A covardia, me parece, foi demonstrada pelos nove países que votaram contra. 

Jones F. Mendonça

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O HEBRAICO E OS PICTOGRAMAS

No princípio eram os pictogramas, desenhos estilizados que representavam objetos ou seres. Mas escrever com pictogramas era uma atividade complicada e pouco prática. Movido pelo desejo de facilitar a nobre arte de escrever um sujeito iluminado teve a ideia de criar o sistema silábico. Os antigos símbolos gráficos passaram a representar sons e não mais ideias. E os pictogramas se fizeram sílabas e passaram a habitar entre nós. 

No site mantido por Jeff A. Benner você poderá conhecer a origem de algumas palavras hebraicas a partir de antigos ideogramas. A palava "pai", por exemplo, seria a junção do ideograma "cabeça de boi" (força) com o ideograma que representa uma casa. O resultado: pai = a força da casa (as mulheres não gostarão muito disso). Confesso que algumas das explicações não me convenceram, mas no geral elas fazem muito sentido. Divirta-se!


Imagens: http://www.ancient-hebrew.org. 

Jones F. Mendonça

domingo, 25 de novembro de 2012

A OMISSÃO DO VERBO “SER/ESTAR” NO HEBRAICO E A REVELAÇÃO DE YAHWEH A MOISÉS EM EX 3,14

Uma das características do hebraico bíblico é a omissão do verbo ser/estar (fenômeno semelhante ocorre no russo e no árabe). Cabe ao tradutor inseri-lo. Veja Ez 27,3 (trecho em hebraico):


O mesmo ocorre no aramaico bíblico. Veja Esd 5,14 (trecho em aramaico):


Há quem veja ligação entre a omissão do verbo e a revelação de Yahweh a Moisés em Ex 3,14: “E disse Deus a Moisés: Eu sou o que sou” (ou serei o que serei). Veja:

Ex 3,14 E disse Elohim (Deus) a Moisés:   SOU O QUE SOU.



Argumenta-se que o verbo é ocultado no hebraico para que nenhuma criatura se declare “Eu sou”, como fez Yahweh em Ex 3,14. Será?


Observe que em 1Sm 23,17 o mesmo verbo aparece (também na 1ª pessoa do singular no imperfeito do QAL). Quem fala não é Yahweh, mas Jônatas:

1 Sm 23,17  e tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo...


Mesmo que você não conheça o hebraico perceberá que o verbo (em vermelho) é o mesmo de Ex 3,14. Tal teoria, como se vê, não se sustenta.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

RASCUNHOS ESCATOLÓGICOS: A ARTE DE COSTURAR SONHOS


São Miguel, Ercole de Roberti
1470-73, Museu do Louvre
A escatologia, estudo das últimas coisas (ou das coisas últimas, como queiram), é um dos temas mais controversos do cristianismo. Nas teologias sistemáticas é aquela salada: Isaías + Ezequiel + Daniel + Jl + Zc + Dn +Mt + 2Ts + cartas joaninas + Apocalipse = mapa detalhado do fim dos tempos. Os teólogos são alfaiates, que cheios de criatividade costuram com muitos ajustes e remendos o destino da humanidade.

No Antigo Testamento as formulações escatológicas fluem como o rio de Heráclito. Inicialmente a era de ouro é apresentada como um governo davídico redivivo (como Is 9,1-6; 11,1-10; 16,5; Jr 23,5s.; 33,5s.). É o futuro à luz do passado. Não há céu nem inferno, só o Sheol, mundo de sombras, onde não há conhecimento nem sabedoria. No Egito já se falava em ressurreição, como atestam textos da XVIIIª Dinastia (1550-1307). Em Israel pregavam-se apenas recompensas terrenas. Ainda não havia surgido remédio para a morte.

Num segundo estágio (ou terceiro, como se verá adiante) surge a ideia de um governo divino sobre um povo restaurado. É o próprio Yahweh quem intervém no mundo. No chamado “grande apocalipse de Isaías” (Is 24-27, texto que deve ser datado para um período que vai do século VI ao IV e que não deve atribuído ao proto-Isaías), consta que Yahweh vai “arrasar e devastar a terra”, punindo todos os que “desobedecem aos seus decretos”. Sinais nos céus anunciarão este dia, no qual Yahweh “destruirá a morte” e “enxugará toda a lágrima”. A ira de Yahweh, executada por meio de sua “espada severa”, castigará o Leviatã, a “serpente veloz” (uma variante lingüística para Lotan, um dragão derrotado por Baal na mitologia de Ugarit) e Israel, finalmente, será um só povo. Surge o antídoto para a morte (vida eterna na terra e ressurreição dos mortos), mas ainda não se fala em céu (recompensa num mundo supraterreno), nem em inferno (punição eterna).

É curioso notar que no Trito-Isaías (Is 65-66), aparentemente escrito numa época mais recente, não aparece a crença na vida eterna na terra, mas a esperança de que o povo de Yahweh terá “vida longa como a árvore” (ver Is 65,20-22). Tampouco se fala em ressurreição dos mortos. Ao que parece, se considerarmos a ideia da ressurreição uma inovação dos teólogos israelitas do período exílico ou persa, Is 65-66 possui uma redação mais antiga que Is 24-27. Talvez seja necessário inserir o pequeno apocalipse de Isaías entre o primeiro e o segundo estágio. Caso consideremos até aqui uma evolução em três estágios, as idéias escatológicas fluem da seguinte forma:
1) Primeiro estágio: Messias da dinastia davídica (Proto-Isaías);

2) Segundo estágio: É o próprio Yahweh quem restaura Israel (Trito-Isaías – Is 65-66);

3) e o terceiro estágio: Ressurreição dos mortos e a vida eterna (Grande apocalipse de Isaías – Is 24-27). 
No último estágio, bem representado pelo livro de Daniel (que deve ser situado na época do levante macabeu e não no século VI), aparecem algumas inovações: fala-se de uma ressurreição para a “vida eterna” e outra para a “vergonha eterna” (Dn 12,2). A intervenção divina se dará pela ação de um “rei guerreiro” (Dn 11,3). Vale notar a designação dada a Yahweh como “Deus do céu”, presente em livros pós-exílicos como Esd, Ne, Jt e Tb. Yahweh ultrapassa sua limitação à religião judaico-israelita e se torna o Deus universal. Não é sem razão que este último estágio tem sido chamado de “estágio transcendental”. O embate entre Miguel, o “cabeça dos primeiros” e seu oponente, o “cabeça do reino da Pérsia”, anuncia o dualismo que vai marcar toda a teologia do Novo Testamento.

Em breve espero publicar algo sobre a escatologia nos livros apócrifos.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

DEUS, O SANTO, A CÉDULA E O IDIOTA

O sujeito vai a um hospital público. No saguão principal ele se depara com uma imagem de São Francisco de Assis. “Mas o Estado não é laico”, ele diz. Reclama com o diretor do hospital. Faz denúncia ao Ministério Público. Organiza passeatas pelas principais avenidas do país. A imagem é finalmente retirada do hospital. Apesar de ser cristão, o sujeito não é católico. O argumento para a retirada da imagem: instituições públicas não devem expor símbolos religiosos.

A Casa da Moeda do Brasil imprime em suas cédulas a frase: “Deus seja louvado”. Um grupo de ateus fica indignado. “O Estado brasileiro é laico”, bradam. O Ministério Público registra a denúncia.  O assunto vira polêmica. No Facebook não se fala em outra coisa. O mesmo sujeito que pediu a retirada da imagem de Francisco de Assis diz que o Ministério Público não tem mais o que inventar (ou fazer). Anuncia, aos berros, que os ateus são intolerantes. O argumento dos ateus para a retirada do texto presente nas cédulas: instituições públicas não devem expor símbolos religiosos (o mesmo argumento do sujeito do hospital!).

Você entende? 

A BUSCA PELO PAULO HISTÓRICO

São Paulo, de Andrea Di Bartolo
Um leitor atento nota que o autor da Primeira Epístola aos Tessalonicenses (há relativo consenso que se trata de Paulo de Tarso) parece crer que a volta de Cristo está tão próxima que ele e os crentes de Tessalônica terão o privilégio de presenciar esse evento:
1Ts 4,15 Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem.
Já na segunda carta o clima é de cautela:

2Ts 1,1-2 a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.

No terceiro capítulo o autor (trata-se do mesmo autor da primeira epístola?) chega a chamar a atenção daqueles que não querem mais trabalhar (há motivos para trabalhar se a parousia é iminente?). Este é apenas um dos motivos que levaram alguns estudiosos a duvidar da autoria paulina para algumas cartas tradicionalmente atribuídas a ele.

Aqueles que se interessam pelo tema talvez queiram ler o artigo “The Quest for the Historical Paul" (A busca pelo Paulo histórico), escrito pelo Dr. James Tabor, presidente do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, onde ele é professor de origens cristãs e judaísmo antigo.

Leia aqui

Visite o site de James Tabor aqui


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ABBAS VAI À ONU: POR UMA PALESTINA LIVRE

No dia 29 de novembro (aniversário do Plano de Partilha de 1947) o presidente palestino Mahmoud Abbas apresentará na ONU proposta para inclusão da Palestina como Estado não membro. Temendo a aprovação da proposta o governo israelense tem feito inúmeros esforços com o propósito de impedir que Abbas tenha êxito em sua missão (acabo de ler no Haaretz que Israel ameaça romper acordos de Oslo caso a proposta seja aceita). A aceitação da Palestina como Estado não membro poderá ser um passo importante para que também seja aceita como membro do Tribunal Penal Internacional (TPI - criado em 2002) e leve líderes israelenses a serem julgados por crime de guerra.

Mesmo não sendo membro do TPI (ao lado de países importantes como EUA, Rússia, China, Irã e Coreia do Norte), Israel teme processos contra altos funcionários israelenses, provocando várias sanções econômicas prejudiciais ao Estado Judeu, tais como a proibição de importações provenientes dos assentamentos israelenses em território palestino.

O governo de Israel alega que a campanha na ONU viola um dos marcos fundamentais dos pactos de Oslo, que consiste na busca por uma solução através do diálogo entre as partes. A iniciativa de Abbas é vista pelo governo israelense como uma tentativa de encontrar um atalho a fim de pular uma etapa importante no processo de paz: as negociações. A liderança palestina, por outro lado, acusa Israel de continuar com os assentamentos em território palestino e de submeter o povo a humilhações e atos de violência extrema. O que me parece claro é que a desvantagem econômica, política e militar dos palestinos os colocam numa situação que inviabiliza as negociações. Uma negociação justa requer certa igualdade entre as partes, o que nem de longe condiz com a realidade.

O não reconhecimento da Palestina como Estado deixa a população sem a proteção das instâncias internacionais, daí a importância da proposta para os palestinos que sofrem diariamente com violações dos direitos humanos em ações desenvolvidas pelo governo de Israel.

Uma vitória na ONU pode representar um importante passo para a paz. Mas é preciso ser realista. O 29 de novembro próximo poderá ser lembrado como o dia em que Abbas deu um tiro no seu próprio pé. Torço, ao lado da população palestina, para que isso não aconteça.


Jones F. Mendonça

domingo, 11 de novembro de 2012

LIVROS

Aprecie aqui (Iran Cartoon) esta bem humorada exposição que tem como tema os livros, nossos "mestres mudos". É, mas eles também podem se tornar "manipuladores mudos", por isso a leitura deve ser sempre crítica. 



Jones F. Mendonça

MATERIAL PARA DOWNLOAD NO "OBSERVATÓRIO BÍBLICO"

O prof. Aírton José da Silva, mestre em teologia bíblica e professor de Bíblia hebraica e Antigo Testamento na CEARP, está disponibilizando em seu site (airtonjo.com) dois excelentes materiais para download: "curso noções de hebraico bíblico" e "aprenda a ler o Antigo Testamento com o Cássio" (referência ao autor do texto: Cassio Murilo dias da Silva). 

Faça o download aqui (hebraico) e aqui (A.T.). 

Notei que a maior parte dos livros da bibliografia básica citada por Cassio Murilo Dias da Silva em seu curso coincide com o material que uso na preparação de minhas aulas. Fica a recomendação:

Livros impressos:
CARMODY, Timothy R. Como ler a Bíblia. Guia para estudo. São Paulo, Loyola 2008.
CHARPENTIER, Étienne. Para ler o Antigo Testamento. São Paulo, Paulus 1986 (Entender a Bíblia).
HARRINGTON, Wilfrid J. Chave para a Bíblia. São Paulo, Paulus 1997
SILVA, Cássio Murilo Dias da. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo, Loyola 2007. (Ferramentas bíblicas)

Arqueologia em DVD:

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

APOLOGIA


Acabo de examinar “Septuaginta: guia histórico e literário”, de Esequias Soares (Hagnos, 2009, 110 páginas). Quando vi que se tratava de uma obra publicada por uma editora evangélica torci o nariz (é, eu confesso). Mas eis que uma “voz interior” me disse: “Jones, não seja preconceituoso, examine o livro antes de julgá-lo". Mas já na introdução encontrei isto:
...as evidencias indicam que na époa de Jesus o Cânon estava definido. O que aconteceu antes não invalidará o valor nem a autoridade das Escrituras Hebraicas e não comprometerá a sua inspiração divina (p. 13).
[...]
As descobertas do mar Morto são a confirmação de que os tradutores da LXX não inventaram nada, tudo o que esta no texto grego estava nos substratos hebraicos usados como base na época da tradução (p. 14).
Corri meus olhos pelas páginas do livro e cheguei à conclusão:
Os massoretas jamais ousaram modificar uma palavra das Escrituras, pois o cânon já estava fixado, o que e diferente dos sopherim encarregados de padronizar e revisar textos (p. 81).
Nas primeiras páginas: apologia, apologia e apologia. Na conclusão: apologia, apologia e mais apologia. Uma canseira.

A saída? Recorrer às editoras católicas e luteranas.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

GEOGRAFIA BÍBLICA [MAPAS]

No mapa de hoje: Monte Hermon, Tiro, Cafarnaum, Monte Arbel (monte das Beatitudes?), Carmelo e Mar da Galileia (resolução aproximada: 1400 x 1050). 



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ECCLESIA REFORMATA SEMPER REFORMANDA EST?

Lutero em seu leito de morte, de
Lucas Cranach - 1546
Ainda que a Reforma tenha ocorrido do século XVI é preciso ter em mente o cenário que começava a se formar no século XII: decadência do sistema feudal, nascimento da burguesia, medo do inferno por parte dos fiéis que começavam a duvidar da eficácia dos sacramentos em face da decadência moral do clero, soteriologia confusa, surgimento das ordens mendicantes (fiéis à Igreja) e disseminação de grupos dissidentes, como cátaros e valdenses (hostis ao papado). Como resposta a esse último grupo surgiram as Cruzadas e a Santa Inquisição. A unidade da Igreja estava ameaçada e a resposta foi rápida e violenta.

Nos séculos seguintes novos ingredientes foram dando corpo à Reforma: O Renascimento italiano, o humanismo, a pregação de reformistas como John Wycliff (Inglaterra) e Jan Hus (Boêmia), a queda do Império Bizantino (antigos manuscritos gregos chegavam à Europa vindos de Bizâncio), as Grandes Navegações (intensificação do comércio marítimo e enriquecimento da classe burguesa), a invenção da imprensa por Gutemberg, a forte rejeição que os burgueses tinham pela intromissão da Igreja em seus negócios e o desejo dos nobres em expandir suas terras (apropriando-se das terras da Igreja).

No dia 31 de outubro de 1517 Lutero publicou 95 Teses contra as indulgências (indulgência = substituição da penitência pública por um pagamento em dinheiro). Os príncipes alemães viram o documento como uma excelente oportunidade para romper com o Papa (daí a proteção que Lutero recebeu de Frederico da Saxônia). A nova classe social que florescia, a burguesia, queria liberdade para enriquecer sem as barreiras morais impostas pela Igreja. Fiéis piedosos buscavam uma espiritualidade que estivesse mais de acordo com a que eles enxergavam nas linhas do Novo Testamento. A Reforma explodiu e abalou a Europa. O antigo Sacro Império Romano Germânico foi dividido em Estados protestantes e católicos.  Sem uma liderança única a nova igreja foi se fragmentando cada vez mais: luteranos, calvinistas, anabatistas, anglicanos...

Hoje muitos protestantes querem apresentar a Reforma apenas como um movimento religioso que colocou o cristianismo nos antigos trilhos.  Católicos insistem em destacar os defeitos de Lutero e os efeitos negativos desencadeados pela Reforma. Historiadores acentuam aspectos políticos, como o apoio dos príncipes, sem o qual a Reforma não teria êxito.  A Reforma é produto de diversos fatores. É um erro reduzi-la a mero fenômeno político. Tentar compreender o movimento apenas pelo viés religioso é também um equívoco.

Há boas razões para comemorar a Reforma. Mas é lamentável perceber que antigo lema protestante: “Ecclesia reformata semper reformanda est” converteu-se apenas numa frase latina elegante sem qualquer substância. 


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

MAPS-FOR-FREE NO GOOGLE EARTH

Acabei de descobrir que os belíssimos mapas do Maps-For-Free (em relevo, conforme a figura) agora estão disponíveis no Google Earth. Para fazer uso deste recurso basta baixar um arquivo disponível  aqui. Abra o Google Earth a partir do arquivo (clicando nele) e aproveite. 



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SÃO SÓ AGRICULTORES. NÃO SÃO TERRORISTAS....


Jones F. Mendonça

A GUERRA DA COLHEITA

Foto: Al Akhbar

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, mais de 7.500 oliveiras pertencentes a palestinos foram danificadas ou destruídas por colonos israelenses na Cisjordânia entre janeiro e outubro de 2012. A mídia ocidental insiste em retratar os palestinos apenas como terroristas e dá pouca ou nenhuma atenção ao sofrimento e humilhação aos quais esses indivíduos são submetidos diariamente. O conflito na Palestina faz vítimas inocentes tanto entre israelenses (como os habitantes do sul de Israel que convivem com os mísseis lançados de Gaza pelo Hamas) como entre palestinos (como estes plantadores de oliva da Cisjordânia). Não se trata de uma guerra entre Deus e o diabo como muitos querem nos fazer crer. É guerra de (des)humanos contra (des)humanos. Só.

Muitas fotos da colheita de azeitonas 2012 na Cisjordânia no jornal turco Al Akhbar.

Leia um pequeno relatório da ONU a respeito da colheita de azeitonas na Cisjordânia aqui


Jones F. Mendonça

TEOLOGIA DA REFORMA

No ano passado comecei a trabalhar numa apostila sobre a teologia da Reforma. Como tenho verdadeira obsessão pela boa aparência do material (layout, ilustrações, capa, etc.),  por referências bibliográficas diversificadas e pela busca de um texto ao mesmo tempo claro e conciso, o trabalho tem sido lento, muito lento. Considerando que hoje os protestantes comemoram o dia em que Lutero divulgou suas 95 Teses contra as Indulgências, vejo como oportuno publicar aqui no Blog a introdução da apostila, que ainda precisa passar por algumas revisões. Eis o material:

Teologia da Reforma (trecho de apostila)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

OS FANTASMAS DA GUERRA



A historiadora holandesa Jo Teeuwisse teve a fantástica ideia de sobrepor antigas fotos de soldados tiradas na Europa, geralmente durante a Segunda Guerra Mundial, em fotos atuais nos mesmo locais em que eles apareciam. O efeito é surpreendente (na verdade, fantasmagórico). Um dos objetivos é fazer com que as pessoas reflitam sobre a guerra. 

Leia mais no Opera Mundi


Jones F. Mendonça

sábado, 27 de outubro de 2012

"CONVERSAS COM UM ESTUDIOSO DA BÍBLIA" - FRANK MOORE CROSS

A Sociedade de Arqueologia Bíblica está disponibilizando gratuitamente para download (em PDF, inglês) o livro "Conversations with a Bible Scholar" ("Conversas com um estudioso da Bíblia"). Na obra o famoso estudioso bíblico (falecido no sábado  passado - 17/10/12) Frank Moore Cross é entrevistado por Hershel Shanks, editor da Biblical Archaeology Review. A primeira pergunta é sobre as origens de Israel. Imperdível. 

Para baixar o livro basta fazer um rápido cadastro no site. Faça isso clicando aqui


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

RAGE AGAINST THE MACHINE - RENEGADES OF FUNK

Erick, meu amigo de bike, apresentou-me esta banda. Um som diferente, uma batida viciante, uma letra muito louca.  Gostei...



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SALVE JORGE, SALVE DAVI!

Davi e Golias, de Vecellio Tiziano (1542-44)
O brasileiro, seja ele evangélico, católico, budista, espírita ou de outra religião qualquer, adora novela. Mas muitos evangélicos têm uma atitude particularmente curiosa em relação a elas. Os mesmos que assistem são os mesmos que criticam. Esse comportamento contraditório talvez seja o reflexo da culpa que muitos fiéis carregam por não resistirem a uma trama global (ou Universal).

Os argumentos utilizados para que os crentes não as assistam são os mais variados: “o tal personagem da novela tem três mulheres” (como se Abraão, Davi e Salomão fossem monogâmicos); “a trama é muito violenta” (como se o livro de Josué pregasse o pacifismo); “há muito sexo” (como se Cantares fosse um livro sobre a castidade); “num dos capítulos há uma cena em que dois irmãos se beijam” (como se Amnon, filho de Davi, não tivesse estuprado sua irmã, Tamar); “o nome da novela é uma saudação pagã” (como se algumas narrativas presentes na Bíblia hebraica não fossem inspiradas em mitos pagãos, particularmente babilônicos).

Este último argumento tem pipocado no Facebook em relação à nova novela das 21:30: “Salve Jorge”.  A Record decidiu retransmitir a novela  sobre o rei Davi (sim, é uma novela!) no mesmo horário da novela da Globo. Como andam dizendo que a expressão “salve Jorge” é uma saudação a Ogum, na visão de muitos crentes o horário será disputado pelas emissoras como uma batalha entre Davi e Ogum (e, portanto, de Deus contra o diabo). Santo Platão...

A trama sobre Davi vai ter tudo o que as outras novelas também têm: violência, sexo, traição, incesto, vingança, ganância, abuso do poder, etc. Ah, mas é uma novela gospel, então pode.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MULHER É PRESA POR ORAR NO MURO DAS LAMENTAÇÕES

Ainda que na declaração de independência de Israel conste que "O Estado de Israel [...] vai defender a plena igualdade social e política de todos os cidadãos, sem distinção de raça, credo ou sexo", Anat Hofmann foi presa na semana passada por orar no Muro das lamentações. O protesto de Anat foi publicado no The Jewish Daily (22/10/2012):
Eles me arrastaram no chão por 15 metros; meus braços estão machucados. Eles me colocaram em uma cela sem cama, com três outros prisioneiros, incluindo uma prostituta e um ladrão de carros. Eles jogaram a comida através de uma pequena janela na porta. Eu deitei no chão coberta com meu talit.
O incidente mostra o poder que a comunidade judaica ortodoxa detém em Israel. Eu aplaudo, de pé, a atitude de Anat Horffman. 


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

JERUSALÉM NO PENTATEUCO

Ontem, Geraldo de Araujo, via Facebook, após ler meu texto sobre o Pentateuco, perguntou-me se não é estranho que o nome “Jerusalém” não apareça no Pentateuco, caso consideremos que se trata de uma obra redigida no período da monarquia judaíta (séc. X – VI a.C.), como já sustentava Julius Wellhausen no final do século XIX. Em suma: se o Pentateuco é uma obra recente e não o produto do trabalho de Moisés, não seria de se esperar que o nome da capital de Judá aparecesse vez por outra na obra como projeção para o passado de uma condição presente?

Minha resposta é sim. Acho que de alguma forma os teólogos de Judá deixariam vestígios da crença que coloca Jerusalém como capital legítima do reino de Israel. Há, em minha opinião, pelo menos duas “impressões digitais” no Pentateuco que confirmam essa suspeita. A primeira é o nome “Salém”, em Gn 14,18, identificada pelo salmista (Sl 76,2) com Sião, local onde foi construída a cidade de Davi (cf. 2Sm 5,7). O rei de Salém é Melquisedeque ("meu rei é Tzedeq" ou "meu rei é justo"), um misterioso personagem que aparece no meio da narrativa. Você não acha estranho? Pois eu acho. A segunda “impressão digital” encontra-se em Dt 16, texto que insiste que as três festas anuais (Páscoa, Pentecostes e Tendas) devem ser celebradas num local específico (Jerusalém?) a ser determinado por Yahweh após a tomada da terra.  Curiosamente tal recomendação não aparece nos quatro primeiros livros do Pentateuco e coincide com as medidas tomadas no início do século VII por ocasião da reforma josiânica. Suspeito. 

Bem, isso é o que vejo. Mas há quem pense que estou vendo demais. Será?


Jones F. Mendonça
  

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O TRABALHO DOS MASSORETAS [HEBRAICO]

Vez por outra alguém me pede informações sobre o trabalho dos massoretas. Um bom começo talvez seja consultar o site allepocodex.org. Seguem alguns trechos:
Um dos projetos importantes dos massoretas foi a invenção de marcas de vogais para o idioma hebraico. [...] Sistemas completos de vocalização foram aparentemente desenvolvidos nos séculos VII e VIII. Sabemos de três sistemas principais: o Tiberiano, que é usado ainda hoje [...] o Palestinense, que aparentemente foi criado no sul de Eretz-Israel, e o da Babilônia, que foi criado na Babilônia. 
[...] 
A maioria dos sinais do sistema Tiberiano indica vogais que provavelmente refletem a forma como foram pronunciadas em Tiberíades, no período dos massoretas. [...] Outros sinais que pertencem ao sistema de vocalização são o sheva, o dagesh, e o ponto que distingue o shin do sin.
Leia o texto completo aqui.


Jones F. Mendonça

sábado, 13 de outubro de 2012

O ESPÍRITO DE MENTIRA AINDA FALA

Yahweh precisava que alguém em sua corte celeste enganasse Acabe, induzindo-o a subir a Ramote Gileade (1Rs 22,20-21). Um clima de incerteza tomou conta do ambiente até que uma figura misteriosa se apresentou para a tarefa. Nas Bíblias evangélicas tal figura é identificada como “um espírito”. Na Bíblia de Jerusalém (católica) como “o Espírito” (sim, com artigo e letra maiúscula).

Quem tem razão? Leia o texto “O espírito de mentira na boca dos profetas”, do prof. Dr. Osvaldo Luiz Ribeiro e tire suas próprias conclusões.

Ah, compare as versões aqui (NVI, NTLH, ARA, ACF e BJ).


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

INTRIGAS NO REINO DE ISRAEL II

Quando Davi envelheceu surgiu uma disputa pelo trono. Adonias, o filho mais velho de Davi, aliou-se a Joabe, comandante do exército de seu pai, e ao sacerdote Abiatar. Salomão encontrou apoio do sacerdote Zadoque, do profeta Natã, de Benaia, chefe da guarda real de Davi, dos “valentes de Davi” e de Bat-Sheba, esposa do rei. Salomão, é óbvio, conseguiu aliados de maior peso.

Adonias organizou um sacrifício em En-Roguel (aqui, aqui e aqui), nas proximidades de Jerusalém, com o objetivo de que fosse declarado rei. Bat-Sheba descobriu o plano e levou suas queixas a Davi. Ela queria que seu filho Salomão sucedesse Davi e não Adonias, filho de Hagite. O profeta Natã chegou logo depois e também manifestou seu apoio a Salomão. Às pressas Salomão foi ungido rei em Gion (aqui, aqui e aqui), por Zadoque e Natã.

Adonias e seus aliados entraram em pânico. A tensão é compreensível na medida em que lemos os conselhos que Davi dá a Salomão antes de morrer. Em relação a Joabe ele diz: “não o deixe envelhecer e descer à sepultura” (1Rs 2,6). Quanto a Simei (que aparentemente apoiava Salomão, mas pertencia ao clã de Saul): “faça-o descer ensanguentado à sepultura” (1Rs 2,9). Não houve conselho em relação a Abiatar, o sacerdote traidor, e em relação a Adonias, seu irmão. Mas Salomão soube como lidar com eles. Davi derramava sangue por meio de Joabe. Salomão, por meio de Benaia:
E o rei Salomão deu ordem a Benaia e este feriu e matou Adonias. [...] Salomão expulsou Abiatar do sacerdócio do Senhor, [...] Então Benaia [...] atacou Joabe e o matou [...]. Então o rei deu ordem a Benaia e este atacou Simei e o matou (1Rs 2,25.27.34.46).
Mortos: Adonias, Joabe e Simei. Exilado: Abiatar, o sacerdote. Eliminados os opositores, Salomão teve paz para reinar: “Assim o reino ficou bem estabelecido nas mãos de Salomão (2Rs 2,46).  

Mas o tempo passou e Jeroboão, um dos oficiais de Salomão, rebelou-se contra o rei, que tentou matá-lo. Com medo, Jeroboão fugiu para o Egito, permanecendo lá até a morte de Salomão.

Roboão assumiu o trono no lugar de sei pai Salomão, dando continuidade a dinastia de Davi. Jeroboão, astuto, voltou do Egito, se aproveitou da antiga rivalidade entre o Norte e o Sul e tornou-se rei em Siquém, ao norte de Jerusalém.  Mas Jeroboão tinha um problema. Como manter seu reino se o povo tinha que cultuar Yahweh na rival Jerusalém? Solução: criar novos locais de culto, nomear sacerdotes não levitas e fabricar um objeto (um bezerro de ouro) que servisse se assento a Yahweh, tal qual a arca da aliança. O resultado você vê abaixo:


Jones F. Mendonça

ELEPHANT GUN - BEIRUT


A CANDLE'S FIRE - BEIRUT


terça-feira, 9 de outubro de 2012

PAULO, O CRISTIANISMO PRIMITIVO, A TRADIÇÃO E A LEI JUDAICA


Quanto à sujeição dos cristãos à lei judaica, o Livro de Gálatas registra as seguintes palavras de Paulo: “nem mesmo Tito [...] foi obrigado a circuncidar-se, apesar de ser grego. [...] Não nos submetemos a eles [os judaizantes] nem por um instante“(Gl 2,3.5).  Em Gálatas fica nítida a oposição que Paulo faz a Pedro (2,12), a “alguns da parte de Tiago” (2,11) e a Barnabé (2,13), todos com tendências judaizantes. Supor que o motivo da separação ente João Marcos e Paulo na Panfídia tenha sido a tendência judaizante do primeiro não chega a ser um desatino.

Mas o livro de Atos mostra um Paulo mais ameno, longe da polêmica antijudaica. Em Atos 16,3 ele circuncida Timóteo, um cristão estimado em Listra, filho de mãe judia e pai grego. O motivo da sua não circuncisão  na infância Lucas não diz, mas o motivo da circuncisão tardia está lá: “por causa dos judeus que viviam naquela região”. A intenção não seria teológica, mas estratégica (Shaul entre os judeus, Saulo entre os gregos e Paulus entre os latinos). Em Atos 18,18 Paulo chega a fazer um voto de nazireu antes de embarcar para a Síria, no norte da Palestina (veja também At 21,26). Ainda que o apóstolo tenha dito em sua carta aos gálatas que não se submetera aos judaizantes “nem por um instante”, o livro de Atos parece registrar alguns momentos em isso aconteceu. O próprio Paulo explica o que o motivou sua sujeição à lei entre os judeus: “tornei-me como se estivesse sujeito à lei, a fim de ganhar os que estão debaixo da lei” (1Co 1,20).

Mas em diversas passagens a posição de Paulo em relação ao valor da lei parece ambígua. Apesar de afirmar que ninguém será declarado justo pela obediência à lei (3,20), ele insiste que a lei não é anulada pela fé (3,31). Ao mesmo tempo em que diz (citando Isaías): “apenas o remanescente [de Israel] será salvo“ (Rm 9,27), num outro momento declara: “Todo o Israel será salvo” (Rm 11,26). Confuso?

Há quem pense que algumas cartas de Paulo sofreram remendos, daí as “contradições” e “incoerências”. Outros defendem que Paulo jamais rompeu com o judaísmo. Suas cartas, particularmente Romanos, deixariam clara sua posição: judeus convertidos (como ele e Timóteo) devem seguir a lei, os gentios não. Por fim há os que entendem ser Paulo um sujeito confuso, atormentado pela tentativa de conciliar a prática da lei judaica com a salvação pela graça.   

Se você se interessa pela teologia paulina e pelas questões apresentadas acima, talvez queira de ler (em inglês) a última publicação da BAS (Biblical Archaeology Review): “Paul: Jewish Law and Early Christianity” (Paulo: lei judaica e cristianismo primitivo). Eis um pequeno resumo do conteúdo do Ebook apresentado pelo site da BAS:
Nesta última publicação da BAS os melhores estudiosos bíblicos examinam o papel controverso da lei e da tradição judaica no cristianismo primitivo. Paulo, o apóstolo que escreveu a maior parte do Novo Testamento, discutiu o papel do judaísmo entre os seguidores de Jesus em uma série de cartas. Embora Paulo tenha pregado a justificação pela fé em Cristo, ele era fariseu e abordou o papel das tradições judaicas e da condição de Israel na nova aliança.
Para baixar o ebook (e muitos outros) basta fazer um cadastro no site. Faça isso aqui.


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

TIAMAT, TEHOM, MARDUK E O GÊNESIS

Poucas pessoas se dão conta, mas resquícios de antigos mitos babilônicos estão presentes  na Bíblia hebraica. A "impressões digitais" estão por toda a parte.  Durante o exílio (século VI a.C.) um exímio escritor israelita fez um trabalho semelhante ao de C. S. Lewis em "As Crônicas de Nárnia", inserindo teologia judaica em antigos mitos babilônicos (C. S. Lewis inseriu teologia cristã em mitos nórdicos)

O The Jewish Daily Forward publicou um pequeno texto sobre o assunto, escrito por Philologos (07/10/12). 

Leia em português com tradução do Google aqui
Em inglês aqui


Jones F. Mendonça

TRIKE DRIFTING


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A GUERRA SIRO-EFRAIMITA

Estamos no século VIII a.C. Acaz reina em Judá (capital Jerusalém), Peca em Israel (capital Samaria) e Rezim na Síria (capital Damasco). Os assírios, povo mesopotâmico com elevado potencial militar, ameaçam toda a região com invasões, deportações e tributos. Peca e Rezim, temerosos, tentam forçar Acaz a participar de uma coalizão antiassíria, mas o rei de Judá prefere aliar-se à Assíria e lhe pagar tributo:
Sou teu servo e teu vassalo. Vem salvar-me das mãos do rei da Síria e do rei de Israel, que estão me atacando (2Rs 16,7).
Desesperado, Acaz chega a construir um altar de acordo com o modelo assírio (Rs 16,10). Oséias o condena: “Efraim se voltou para a Assíria, e mandou buscar a ajuda do grande rei” (Os 5,13). Além de Oséias (no Norte), o caos social e a infidelidade a Yahweh são denunciados por profetas como Miquéias e Isaías (no Sul). 

O clima no sul é de incerteza. Isaías quer que Acaz peça um sinal a Yahweh, mas o rei se recusa. Ainda assim o profeta diz: “a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel” (Is 7,14). Isaías afirma que Samaria e Damasco serão destruídas antes que este menino se torne adulto (7,16; 8,4). Mateus, numa exegese tipicamente judaica, verá na passagem uma profecia messiânica (Mt 1,23).

A campanha militar iniciada por Tiglate-Pileser (745-727) e seguida com Salmaneser V (726-722), termina com Sargão II (722-705). Em 722 Samaria sucumbe ao exército assírio. Muitos são deportados. Na terra devastada o rei da Assíria insere gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim (2Rs 17,24). Povos diferentes, deuses diferentes: Sucote-Benote, Nergal, Asima, Nibaz, Tartaque, Adrameleque, Anameleque (17,31). Os samaritanos perdem sua identidade étnico-religiosa.

Pouco mais de um século depois, em 587 a.C., Judá cairá nas mãos dos babilônios, catástrofe que terá profundos impactos na teologia dos israelitas.

Abaixo meu mais novo mapa, que ilustra a aliança entre a Síria e Efraim (Israel):

Clique para ampliar (1076 x 898)

Jones F. Mendonça