quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ABBAS VAI À ONU: POR UMA PALESTINA LIVRE

No dia 29 de novembro (aniversário do Plano de Partilha de 1947) o presidente palestino Mahmoud Abbas apresentará na ONU proposta para inclusão da Palestina como Estado não membro. Temendo a aprovação da proposta o governo israelense tem feito inúmeros esforços com o propósito de impedir que Abbas tenha êxito em sua missão (acabo de ler no Haaretz que Israel ameaça romper acordos de Oslo caso a proposta seja aceita). A aceitação da Palestina como Estado não membro poderá ser um passo importante para que também seja aceita como membro do Tribunal Penal Internacional (TPI - criado em 2002) e leve líderes israelenses a serem julgados por crime de guerra.

Mesmo não sendo membro do TPI (ao lado de países importantes como EUA, Rússia, China, Irã e Coreia do Norte), Israel teme processos contra altos funcionários israelenses, provocando várias sanções econômicas prejudiciais ao Estado Judeu, tais como a proibição de importações provenientes dos assentamentos israelenses em território palestino.

O governo de Israel alega que a campanha na ONU viola um dos marcos fundamentais dos pactos de Oslo, que consiste na busca por uma solução através do diálogo entre as partes. A iniciativa de Abbas é vista pelo governo israelense como uma tentativa de encontrar um atalho a fim de pular uma etapa importante no processo de paz: as negociações. A liderança palestina, por outro lado, acusa Israel de continuar com os assentamentos em território palestino e de submeter o povo a humilhações e atos de violência extrema. O que me parece claro é que a desvantagem econômica, política e militar dos palestinos os colocam numa situação que inviabiliza as negociações. Uma negociação justa requer certa igualdade entre as partes, o que nem de longe condiz com a realidade.

O não reconhecimento da Palestina como Estado deixa a população sem a proteção das instâncias internacionais, daí a importância da proposta para os palestinos que sofrem diariamente com violações dos direitos humanos em ações desenvolvidas pelo governo de Israel.

Uma vitória na ONU pode representar um importante passo para a paz. Mas é preciso ser realista. O 29 de novembro próximo poderá ser lembrado como o dia em que Abbas deu um tiro no seu próprio pé. Torço, ao lado da população palestina, para que isso não aconteça.


Jones F. Mendonça