terça-feira, 1 de março de 2011

HERMENÊUTICA E REVELAÇÃO

Por Jones Mendonça

Poucos cristãos param para pensar de onde vem o material utilizado como fonte para as traduções das Bíblias modernas. Alguém mais atento poderá fazer as seguintes perguntas: Há manuscritos originais escritos de próprio punho por Isaías, Oséias, Paulo ou João? Se não, que material dispomos, onde se encontram e quando foram escritos? Todos os manuscritos de um mesmo livro são iguais ou apresentam divergências? Se há divergências, qual deles se aproxima mais dos originais? Por último: quem definiu os livros que deveriam ou não ser considerados inspirados e que critério utilizou?

É de suma importância para todo aquele que se debruça sobre as Escrituras, levando em conta seu conteúdo sagrado e relevante para os dias atuais, conhecer, ainda que de maneira sucinta, a história da transmissão do texto bíblico. Depois de acurada análise, esse leitor curioso e inquieto a respeito das coisas divinas, certamente será levado uma profunda reflexão a respeito do significado da palavra “revelação”. No texto sagrado palavra humana e palavra divina se confundem como fogo e rocha ardente expelidos das entranhas da terra. Separá-las não é tarefa fácil. Eis o desafio da hermenêutica.

Breve história do texto do Antigo Testamento

Há entre os especialistas um relativo consenso de que os primeiros registros por escrito do Antigo Testamento ocorreram por volta do ano 1000 a.C., na época da monarquia davídica. Nessa época as tradições orais relativas aos patriarcas, ao êxodo e a tantos eventos ligados à fé e à história dos hebreus começavam a ser documentados por escrito. O material mais comum para a escrita empregado na época era o papiro.

Os registros mais antigos de textos do Antigo Testamento em hebraico foram encontrados entre os anos de 1947 e 1956 em algumas grutas em Qumran, às margens do Mar Morto. Datados em geral de 100 a.C. - 100 d.C. esses documentos (pergaminho, papiro ou cobre) ficaram conhecidos como Manuscritos do Mar Morto (MMM). De todos os livros que compõem a Bíblia hebraica, apenas os livros de Neemias e Ester não foram encontrados em Qumran.

Antes da descoberta dos manuscritos do Mar Morto os documentos mais antigos disponíveis do Antigo Testamento eram códices do final do primeiro milênio. Ao invés de costuradas e enroladas em carretéis como os pergaminhos, nos códices as folhas eram dispostas como num livro moderno. Alguns dos mais importantes códices em hebraico são os seguintes:

  • O Códice do Cairo dos Profetas C: É o manuscrito massorético mais antigo conhecido pelos eruditos. Foi escrito em Tiberíades e contém os Profetas Anteriores (de Josué a Reis) e Posteriores (de Isaías a Malaquias). Foi escrito por volta de 895 por Moisés ben Asher. 
  • O Códice Or 4445 B: Também é conhecido como Códice Britânico e encontra-se atualmente no Museu Britânico de Londres. Abrange o Pentateuco com omissões. Foi escrito entre 925/930, talvez por Moisés ben Asher. 
  • O Códice de Alepo A (ou Codex Alepensis): Também conhecido como Códex aleph. Originalmente continha todo o texto do Antigo Testamento, mas um incêndio criminoso feito na sinagoga de Alepo em 1947 lhe causou danos irreparáveis. Foi escrito em Jerusalém por volta de 925/930 por Shelomoh ben Buya'a. Encontra-se atualmente na Biblioteca do Instituto Ben-Zvi, em Jerusalém. 
  • O Códice de Leningrado B19a (L): Foi escrito por volta do ano 1000 d.C. por Shemuel ben Yaakov no Cairo, Egito. Encontra-se atualmente na Biblioteca de São Petesburgo (antiga Leningrado). Este é o mais antigo manuscrito completo do Antigo Testamento e é a base da moderna Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS). Uma nova edição do Antigo Testamento hebraico baseada neste códice está prevista para este ano: A Bíblia Hebraica Quinta (BHQ).
Todos os códices acima são conhecidos como Textos Massoréticos, desenvolvidos por um grupo de judeus conhecidos como massoretas (= transmissores e fixadores da tradição textual). Diferenciam-se dos manuscritos encontrados em Qumran por possuírem os sinais vocálicos e notas explicativas acrescidas ao texto.

Versões do Velho Testamento

Após a dramática experiência do exílio (586-537 a.C.), o hebraico como língua falada e escrita pelos judeus foi dando lugar ao aramaico (comunidades da Palestina e Babilônia) e ao grego (comunidades formadas em Alexandria, Egito). Esse deslocamento geográfico dos judeus fez surgir a necessidade de traduções do texto sagrado do hebraico para o aramaico (Targun) e para o grego (Septuaginta). O cisma com judeus que retornaram do exílio fez com que os samaritanos produzissem a sua própria versão do Pentateuco, que ficou conhecida como Pentateuco samaritano. Com o advento do cristianismo surgiu uma tradução para o latim (Vulgata Latina), língua oficial adotada pelo Império Romano. Após a difusão do cristianismo para outras regiões, logo surgiram versões em siríaco (dialeto do aramaico oriental falado por cristãos da Síria), copta (falado no Egito), o etiópico (falado na Etiópia), eslavo e árabe.  Tais versões são extremamente importantes, uma vez que podemos compará-las com textos escritos em hebraico e determinar variantes. Vejamos com um pouco mais de detalhes cada uma delas:

  • Os targuns - versão parafraseada em aramaico da Bíblia hebraica. Os mais antigos de que dispomos são da era cristã. Os Targuns mais importantes são os de Onquelos, amigo de Gamaliel e Jonatã Ben Uziel, suposto discípulo de Hilel. 
  • A Septuaginta – Também chamada de Setenta ou simplesmente LXX, foi elaborada por judeus que viviam em Alexandria, no Egito. Um escritor que se quis passar por um gentio chamado Aristeas relata que a tradução da LXX foi realizada por 72 judeus (seis de cada tribo) e completada em 72 dias no ano 285 a.C. Essa história é considerada inautêntica por estudiosos modernos. 
  • O Pentateuco samaritano – Escrito num dialeto da mesma família da língua hebraica e com caracteres do antigo hebraico, o Pentateuco samaritano é um manuscrito medieval preservado pela comunidade samaritana. Ele apresenta cerca de seiscentas variantes em relação ao Texto Massorético. Em Dt 27,4, por exemplo, no lugar do monte Ebal aparece o nome do monte Gerizim. 
  • A Vulgata Latina – É uma tradução do Antigo e Novo Testamento feita para o latim por Jerônimo em 404 d.C. Esta versão se tornou oficial na Igreja católica por mais de mil anos. Substituiu a Antiga Vulgata (conhecida como Vetus Latina), que por sua vez foi substituída pela Nova Vulgata no pontificado de João Paulo II, em 1995. 
  • A Siríaca – Iniciada por volta do século II d.C. a versão siríaca conhecida como Peshitta segue fielmente o texto massorético. 
Além das versões listadas acima, há ainda outras versões menos importantes, tais como a etíope (baseia-se na LXX), copta (sec. IV), gótica (também baseada na LXX - 360 d.C.), armênia (séc. V), eslavônica (séc. V) e árabes (séc. VIII ao XII).

Breve história do texto do Novo Testamento

Com relação ao Novo Testamento, as primeiras produções literárias dos discípulos de Jesus foram as cartas de Paulo, na década de 50. Marcos, considerado o primeiro dos evangelhos, parece ter sido escrito durante a guerra judaica (66-70 d.C.), ou seja, cerca de três décadas após a crucificação de Jesus. O mais antigo registro dos Evangelhos é um papiro (conhecido tecnicamente como Papiro P 52) que contém um fragmento do Evangelho de João, datado de 125 d.C. Os livros do Novo Testamento também são citados em escritos produzidos pelos Pais da Igreja. Dentre eles podemos destacar Justino Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria e Orígenes.  

Além dos fragmentos de papiro e citações antigas feitas pelos primeiros cristãos e seus opositores, os mais importantes códices do Novo Testamento são os seguintes:

  • O Códice Alef ou Sinaítico: Foi descoberto em 1859 no Convento de Santa Catarina (península do Sinai) por um jovem catedrático da universidade de Leipzig chamado Constantin von Tischendorf. O códice foi datado para o século IV. Contém o Antigo Testamento em grego e todo o Novo Testamento, acrescido das Epístolas de Barnabé e parte do Pastor de Hermas. Encontra-se atualmente no Museu Britânico. 
  • O Códice A ou Alexandrino: Foi oferecido ao rei Carlos 1º da Inglaterra por Cirilo Lucar, Patriarca de Constantinopla, em 1627. Produzido em meados do século V, contém o Velho Testamento grego e o Novo Testamento a partir de Mt 25,6, mas omite partes do Evangelho de João (Jo 6,50 – 8,52) e II Coríntios (4,13 – 12,6). Contém ainda a Primeira Epístola de Clemente de Roma e uma pequena parte da segunda. Este documento também pertence ao Museu Britânico. 
  • O Códice B ou Vaticano: Manteve-se oculto dos estudiosos na Biblioteca Vaticana desde que lá foi colocado pelo Papa Nicolau V (1447-1455). Como o Sinaítico, foi produzido no século IV. Contém o Velho Testamento em grego (com omissões) e o Novo Testamento até Hebreus 9,14. Faltam-lhe as epístolas pastorais (Timóteo e Tito), Filemon e o Apocalipse. 
  • O Códice C ou Ephraimi Syri Recriptus: Trata-se de um palimpsesto (pergaminho reutilizado). O texto original foi recuperado porque a tinta do primeiro copista era de melhor qualidade que a do segundo. Contém fragmentos do Velho Testamento e todos os livros do Novo Testamento (com grandes omissões). Encontra-se atualmente na Biblioteca Nacional de Paris. 
Todos os manuscritos acima foram escritos em unciais (letras maiúsculas). Existem 101 manuscritos unciais dos Evangelhos, 22 de Atos e Epístolas católicas, 27 de Epístolas paulinas e 6 de Apocalipse. Além dos unciais, há inúmeros manuscritos escritos em “minúsculos”, também chamados de manuscritos cursivos.  O número de manuscritos cursivos é bem maior: 1420 dos Evangelhos, 450 do livro de Atos e Epístolas Católicas, 520 de Epístolas Paulinas e 194 do Apocalipse.

Versões do Novo Testamento

Como dito anteriormente, o Novo Testamento ganhou uma versão latina no século IV d.C., fruto do trabalho de Jerônimo. Além da versão de Jerônimo, o Novo Testamento também ganhou algumas versões siríacas (Peshita, Diatessaron e a versão Filoxeno-Harkeliana), uma versão armênia (fim do quarto século) e algumas versões em copta e etíope.

Obras consultadas:
ANGUS, Joseph. História, doutrina e interpretação da Bíblia – vol I. Tradução de J. Santos Figueiredo. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1951.
DRANE, John. Enciclopédia da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2009.
FITZMYER, Joseph. 101 perguntas sobre os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Loyola, 1997.
GEISLER, Norman L.; NIX, William E. Introdução Bíblica - Como a Bíblia chegou até nós. Tradução de Oswaldo Ramos. São Paulo: Editora Vida, 1987.
MEUNIER, Bernard. O nascimento dos dogmas cristãos. São Paulo: Loyola, 2005.
SICRE, José Luis. Introduccion al Antiguo Testamento. Estella: Verbo Divino, 2000, p.65.
SIMIAN-YOFRE, Horácio. Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2000.
SCHNELLE, Udo. Introdução à exegese do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2004.
VALDÉS, Ariel Álvares. Que sabemos sobre a Bíblia? – Vol II. Tradução de Afonso Paschotte. Aparecida, SP: Santuário, 1997.
VV.AA. Comentário bíblico em três volumes. São Paulo: Loyola, 1999.
VV. AA. Lexicon: dicionário teológico enciclopédico. São Paulo: Loyola, 2003.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O ÓCIO CRIATIVO

Um dos meus passatempos prediletos da minha infância era desenhar. Cresci e continuei com essa prática. Enquanto aluno do curso de teologia (2006-2009) matava o tempo fazendo uns rabiscos na capa do meu caderno. Este abaixo, reprodução de um desenho observado numa revista, nunca foi concluído. Penso que algumas vezes caminhar é mais divertido que chegar ao destino. 


Desenho bizarro feito em momentos de ociosidade
(caneta BIC preta sobre papel velho - 2008). 


sábado, 26 de fevereiro de 2011

CONFLITO NA LÍBIA

Fotos em alta resolução do conflito na Líbia aqui. 

Notícias via Al Jazeera aqui. 


Moradores juntam-se a rebeldes em Banghazi, berço da
revolta contra Moammar Khadafi

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALFABETO HEBRAICO COM ÁUDIO DO NOME DAS LETRAS

Costumo dizer para meus alunos  que decorar o alfabeto hebraico é como remédio ruim, tem descer na marra. A notícia boa é que após sua memorização as aulas fluem que é uma beleza. Estou postando abaixo o alfabeto de 22 letras com suas modificações, perfazendo um total de 31 letras. Se você se interessa por hebraico, não perca tempo, baixe a imagem e decore o alfabeto mais que depressa. Para ouvir o nome das consoantes em hebraico clique aqui. 


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

DAVID SANBORN E AL JARREAU: SIMPLESMENTE FANTÁSTICO

Toquei saxofone por mais de 15 anos. A teologia toma muito o meu tempo e acabei vendendo o instrumento e comprando um monitor novo para o meu micro (esse mundo moderno é uma desgraça...). Quando sinto saudades  ouço David Sanborn. Uma delícia!

Ouça-o aqui (ao lado de ninguém menos que Al Jarreau). 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SAIU NO HAARETZ

Li duas notícias que me chamaram a atenção no Haaretz (23-02-11). A primeira fala do assassinato de um jovem árabe por cidadãos israelenses:
Quatro jovens foram presos por supostamente esfaquear um jovem árabe até a morte no início deste mês, revelou a polícia na quarta-feira, após ter sido suspensa uma ordem de silêncio.[...]A polícia suspeita que o esfaqueamento tenha motivos nacionalistas. O Ministério Público decidiu levá-los a julgamento por homicídio culposo.
A segunda notícia é sobre o conflito de Israel com Gaza. Dois foguetes foram disparados sobre a cidade israelense de Beer Shva. Não há registro de feridos. As forças defensivas de Israel revidaram e feriram 11 pessoas. 

Leia aqui e aqui. 

EVIDÊNCIAS DE UM TEMPLO SAMARITANO NO MONTE GERIZIM E A ORIGEM DO ALFABETO

 
A edição de nov/dez/2010 da  Biblical Archaeology Review (BAR) publicou uma matéria sobre as evidências de um templo samaritano no monte Gerizim. A BAR de mar/abr deste ano apresenta uma descrição detalhada das evidências. 

Leia aqui. 

Outro artigo interessante da BAR discute a origem do primeiro alfabeto. Ele teria sido inventado por mineiros analfabetos que trabalhavam nas minas de turqueza de Serabit el-Khadem, na península do Sinai (como defende Orly Goldwasser, professor de Egiptologia da Universidade Hebraica de Jerusalém) ou por semitas altamente sofisticados do noroeste (como defende Anson Rainey, professor emérito do antigo Oriente Próximo culturas e línguas semíticas da Universidade de Tel Aviv)?

Acompanhe a discussão aqui. 

MINAS GERAIS VISTA DO ALTO

Há um trecho de um poema de Drummond (E agora, José?) que diz assim:

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

O José do poema de Drummond não precisa se preocupar, Minas ainda há! E que tal vê-la do alto numa fotografia tirada da Estação Espacial Internacional? Eis a foto:

Foto: Earth Observatory, em 10-02-11

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CONSELHO DE DRUMMOND PARA QUEM NÃO TEM NAMORADO

“...ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.”
Se funciona, não sei. Mas que o poema é bonito pra mais de metro, ah, é!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

UM HERMES CONFUSO?

Quem possui autoridade para interpretar a Bíblia? A igreja Católica apoiada pelo Magistério? A própria Bíblia (Scriptura sui ipsius interpres)? As confissões doutrinárias? A experiência pessoal?

Num texto inquietante, o Prof. Dr. Osvaldo Luiz Ribeiro nos faz refletir a respeito desse agudo problema.

Para ler o texto, clique aqui. 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

NIETZSCHE, O FUNÂMBULO E O INFINITO

Pensei numa frase que pudesse expressar o que é a vida no pensamento de Nietzsche. Me saí com isso:
"A vida é uma corda estendida sobre o abismo sem fim; nós, os funâmbulos." 
Eu acrescentaria que a corda é circular e que o funâmbulo morre e ressuscita a cada queda. Ah, mais um pequeno detalhe, alguns funâmbulos acreditam que a corda na verdade descreve uma reta em cujo final há um belo jardim (para Nietzsche, mera ilusão...). 

M. C. Escher, Répteis (1943)
A imagem acima, que eu escolhi para ilustrar o eterno retorno nitzschiano,  é obra do artista holandês M. C. Escher. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro está hospedando a exposição "O mundo mágico de Escher", onde 95 de suas gravuras podem ser apreciadas. A entrada é franca e vai até o dia 27 de março. Eu não vou perder essa!

Site oficial de M. C. Escher aqui.

CARAVAGGIO ON-LINE

Postei e comentei há algum tempo aqui no Numinosum duas telas do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (veja aqui e aqui). Para dar uma olhada em suas telas on-line em alta resolução, clique aqui.

Como degustação (e que degustação!) aprecie essa tela que retrata uma conhecida passagem dos evangelhos (Jo 20,27). Note as roupas surradas e a expressão do rosto de cada um dos personagens retratados, marca do realismo de Caravaggio.

Tomé, o incrédulo, 1602 (detalhe). 

O PARTENON DE ATENAS

Partenon - Atenas
O Partenon (do gr. Parthenos, virgem) é um templo construído na época de Péricles (447,-438 a.C.) e era dedicado a Palas Atena, deusa da sabedoria e filha de Zeus. A construção é um monumento da religiosidade e democracia ateniense. Em Atenas viveu Sócrates, filósofo que nada escreveu, mas que marcou profundamente o pensamento ocidental. A filosofia de Platão, seu discípulo, teve forte influência sobre o cristianismo (é por isso que Nietzsche chamava o cristianismo de “platonismo para o povo”).

Qual tal visitar o Partenon em Atenas com uma vista panorâmica de 360º? Bem, sei que nem de longe é o mesmo que visitar a cidade pessoalmente, mas não deixa de ser uma atividade bem legal.

Se quiser fazer isso, clique aqui. 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

E-BOOKS GRATUITOS SOBRE ANTIGAS CIVILIZAÇÕES

O projeto Gutemberg e o Internet Archive disponibilizaram gratuitamente duas grandes obras que certamente despertarão o interesse que quem gosta de estudar as antigas civilizações do Fértil Crescente. Revendo antigos e-books baixados há alguns anos me dei conta que seria interessante compartilhar com os leitores as duas obras abaixo:

MASPERO, G.  History of Egypt, Chaldea, Syria, Babylonia, and Assyria - Volume I, II and III. Translated by M. L. McClure. London: the Grolier Society Publishers.


 

Download no Projeto Gutemberg (HTML)

Download no Internet Archive (PDF)

 

RAWLINSON George. The seven great monarchies of the ancient eastern world; or, the history, geography, and antiquities of Chaldaea, Assyria Babylon, Media, Persia, Parthia, and Sassanian, or new Persian empire – Vol. I – IX. New York: J. W. Lovell Company, 1880.


Download no Projeto Gutemberg (HTML)

Download no Internet Archive (PDF)


A vantagem em baixar no formato HTML é que você pode traduzir toda a obra com a ajuda do Chrome (navegador do Google). 

Veja algumas ilustrações do livro de Rawlinson neste antigo post do Numinosum (ago/2009).


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PARLAMENTO DE ISRAEL APLICARÁ MULTA A QUEM PARCIPAR DE BOICOTES

Tem crescido a cada dia um movimento internacional promovendo uma campanha de boicote acadêmico, cultural e econômico a Israel por causa de sua política de apartheid (de modo geral a mídia brasileira nem toca no assunto). Muitos intelectuais, artistas e empresários tem participado da campanha. Com medo das conseqüências, o Knesset (parlamento israelense) decidiu aplicar pesadas multas a quem participar do boicote. Segue trecho de matéria publicada no Haaretz (15-02-11):
A Comissão de Constituição, Direito e Justiça do Knesset aprovou um projeto de lei na terça-feira que prevê multas pesadas aos cidadãos israelenses que iniciarem ou incitarem boicotes contra Israel apesar das objeções do Itamaraty.
O Numinosum apóia o boicote. O site da campanha é este aqui. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

THE WALL (PINK FLOYD) E EVOLUTION (PEARL JAM), DOIS CLIPS IMPERDÍVEIS

Hoje mostrei ao meu filho dois vídeos que não podem deixar de ser assistidos por quem quer compreender a transição entre a modernidade e a pós-modernidade. Another Brick in The Wall, da banda inglesa Pink Floyd, é uma crítica ao sistema educacional repressivo presente nas escolas britânicas. Do The Evolution, da banda americana  Pearl Jam, nos faz pensar se o que chamamos de “progresso” realmente conduzirá a humanidade a um mundo melhor. Eis os videoclipes:


ESTUDO DA BÍBLIA SERÁ OBRIGATÓRIO EM ESCOLAS DOS EUA

O The Christian Post divulgou que o senado americano aprovou (34/1) um projeto de lei que inclui o estudo da Bíblia no currículo das escolas públicas de Kentucky. O argumento do senador Joe Bowen, idealizador do projeto, fundamenta-se no impacto que a Bíblia teve na formação da sociedade americana. A Bíblia será estudada a partir do ponto de vista literário e não religioso. 

De acordo com o Gnotícias, Marcos Feliciano, pastor da Assembléia de Deus e deputado federal, tentará fazer o mesmo no Brasil.  

E você leitor, o que acha disso?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PAULO E O HOMOSSEXUALISMO: MALAKOI, ARSENOKOITAI NA NVI, NA ARA E NA BJ

As palavras gregas malakoi e arsenokoitai, em 1 Co 6,9, recebem traduções diferentes na NVI e ARA. O texto grego traz assim:
e  ouk  oidate  oti  adikoi  theos  basileian  ou  kleronomesousin;  me  planasthe:  oute  pornoi  oute  eidololatrai  oute  moixoi  oute  malakoi  oute  arsenokoitai
Agora compare o texto na NVI e na ARA:
Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos (malakoi) ou ativos (arsenokoitai ) (Nova Versão Internacional).

Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas (Almeida Revista e Atualizada).
A primeira palavra (malakoi) aparece em outros dois textos no Novo Testamento: Mt 11,8; Lc 7,25.
Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas (malakoi)?

Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas (malakoi)?
Pelo contexto, percebemos que a palavra malakoi significa algo como “delicado”, "macio ao toque" ou “luxuoso” (veja um exemplo do uso da palavra malakoi no Fragmento 46, Epícteto, diatribes 3.6.9-10). Na literatura grega malakoi é utilizado como gíria para se referir aos jovens considerados fracos (como para o serviço militar) ou efeminados. O termo também pode se referir aos jovens abusados sexualmente por adultos. Há que pense em " "masturbadores" (Boswell) ou "prostitutos" (Countryman). Fica a pergunta: é honesto traduzir o termo por homossexual passivo (NVI) ou efeminado (ARA)?

A segunda palavra (arsenokoitai) aparece de novo apenas em 1Tm 1,10:
impuros, sodomitas (arsenokoitai), raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina,
Infelizmente o contexto não permite que se defina com precisão o significado dessa palavra. Para piorar o termo não aparece na literatura secular grega da época. E agora?

Há que tente ver ligação entre arsenokoitai (arseno=homem, koitai=cama) e a expressão grega arsenos ou koimetese koiten, que aparece na versão grega do livro do Levítico (versão que provavelmente foi utilizada pelos apóstolos). Este texto é uma clara condenação da relação sexual entre homens:
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação (Lv 18,22).
Texto grego de Lv 18,22. 
Mas será que ele estava se referindo mesmo a esse texto? A questão permanece aberta. Acho muito mais honesta a tradução de 1 Co 6,9 feita pela Bíblia de Jerusalém:
“Então não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais! Nem os devassos, nem os idólatras, nem adúlteros, nem os depravados, nem as pessoas de costumes infames...”
Quem quiser um texto que fale de forma mais explícita sobre relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo no Novo Testamento deve buscar outro texto. Quem sabe Rm 1,26,27:
Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza.  Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão. 

QUAL A ORIGEM DO ALFABETO HEBRAICO?

Por muito tempo foi ensinado nas escolas que os fenícios foram os inventores do alfabeto, mas essa teoria já caiu por terra. Pesquisas recentes demonstram que seu surgimento se deu a partir da simplificação da hierática (utilizava símbolos tais como cabeça de boi, casa, vara, palma da mão, etc.), que por sua vez é uma simplificação dos hieróglifos egípcios. A nova invenção reduziu os símbolos egípcios  ao número de 22 consoantes, facilitando sobremaneira a arte de escrever. Este alfabeto rudimentar é chamado de protosinaítico (ou caananita Sinai), devido a sua origem na península do Sinai no século XIV a.C (provavelmente durante o reinado de Amenemhat III da 12ª dinastia). Coube aos fenícios, exímios navegadores e comerciantes, a adaptação e difusão do alfabeto. Abaixo a evolução do protosinaítico para os alfabetos fenício, hebraico, aramaico, grego e romano:

Imagem: DRANE, John. Enciclopédia da Bíblia, p. 101.

O hebraico quadrático, tal qual como pode ser visto na Toráh (livro sagrado dos judeus) só passou a ser empregado pelos judeus após o exílio babilônico (586-537 a.C.). As ilustrações que apresentam Moisés segurando as tábuas da lei com inscrições em hebraico quadrático não passam de um anacronismo. O êxodo se deu por volta do século XIII a.C., ou seja, cerca de sete séculos antes da sua adoção pelo povo israelita.

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA COM JÜRGEN MOLTMANN

Jürgen Moltmann, um dos teólogos europeus mais inovadores da atualidade, concedeu uma entrevista a Lorenzo Fazzini, publicada pelo jornal Avvenire, 03-02-2011. Segue um trecho em que ele fala sobre a tensão entre fé e incredulidade presente em cada um de nós:
Em cada ser humano se desenvolve um diálogo entre fé e incredulidade: “Senhor, eu creio, mas ajuda-me na minha incredulidade”, grita o pai do jovem enfermo no Evangelho de Marcos. Ninguém está satisfeito com a própria incredulidade. A esperança é mais ampla porque ligada ao amor pela vida. Esperamos enquanto respiramos e, se duvidamos e ficamos tristes, a esperança perdida nos atormenta. Onde a esperança é destroçada na vida inicia a violência e a morte.
Leia a entrevista na íntegra traduzida para o português no IHU. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

BALANÇO DO CONFLITO NO EGITO

A mídia tem divulgado diariamente o revolta popular que tem tomado conta do Egito. Eis um resumo dos acontecimentos. 

Tudo começou com Muhammad Bouaziz, um jovem tunisiano que só queria vender suas verduras em paz. Ele pôs fogo no próprio corpo como protesto às propinas cobradas por policiais corruptos. As chamas do corpo de Bouaziz espalharam-se pela Tunísia.

Inspirados na revolta popular tunisiana o povo egípcio, que possui 40% da população vivendo com menos de dois dólares por dia, tomou as ruas do país, pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak.

O Egito possui localização estratégica, pois está situado entre a África, Oriente Médio e Ásia. Além disso, o Canal de Suez, nacionalizado em 1956, faz ligação entre a Europa e a Ásia e é utilizado por 7% do transporte marítimo mundial. O país também é vizinho de Israel, com quem já travou algumas guerras.

O presidente Hosni Mubarak enfrenta duas fortes oposições: 1) A irmandade muçulmana, que busca eliminar a influência ocidental e implantar a Shariá, código islâmico baseado no Corão; 2) Democratas pró-ocidentais, interessados em construir um Estado muçulmano secular, à semelhança da Turquia.

Se o Egito cair nas mãos da irmandade muçulmana as conseqüências podem ser explosivas. O Egito é, ao lado da Jordânia, o único país a reconhecer o Estado de Israel. Se os fundamentalistas islâmicos tomarem o poder o Hamas e o Hezbolah serão fortalecidos, desestabilizando ainda mais o já instável Oriente Médio.

Uma pesquisa recente do Pew poll mostrou que 59% dos egípcios favorece os islamistas e somente 27% quer os modernistas no poder. Com estes dados, dá pra ter uma idéia do rumo que a “revolução” vai tomar...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BRASÍLIA À NOITE (EARTH OBSERVATORY-NASA)

Estive no mês de janeiro em Brasília visitando meu irmão e tive a oportunidade de tirar belas fotos da cidade (e dos meus sobrinhos!). O céu e as construções de Brasília são incríveis. Para minha surpresa os astronautas da Estação Espacial Internacional também estavam por aquelas bandas tirando fotos noturnas. Esta abaixo foi tirada em 08 de janeiro de 2011 numa câmera digital Nikon D3S usando uma lente de 180 milímetros. 

Foto: Earth Observatory (NASA)
Fotografei a catedral de Brasília durante uma visita (numa câmera bem mais modesta que a do nosso astronauta). É ou não uma obra de arte?


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

COMO EXPLICAR ZODÍACOS EM SINAGOGAS JUDAICAS DO SÉCULO VI?

Imagem: Biblical Archaeology Review
A Biblical Archaeology Review publicou uma interessante matéria sobre antigos mosaicos de zodíacos pagãos presentes em sinagogas dos primeiros séculos. Quer saber o que estes símbolos estavam fazendo lá? Leia aqui (com tradução do Google). O texto é de Walter Zanger.


HÁ ONDAS NO MAR DA GALILÉIA?

É bem conhecida a passagem que descreve Jesus acalmando uma tempestade no Mar da Galiléia (que na verdade é um lago):
Certo dia Jesus disse aos seus discípulos: "Vamos para o outro lado do lago". [...] Abateu-se sobre o lago um forte vendaval, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam grande perigo.  Os discípulos foram acordá-lo, clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer!” Ele se levantou e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranquilo (Lc 8,22-24).
Jenkins Ferrell publicou em seu blog uma bela foto deste famoso lago num momento de relativa revolta. Para vê-la, clique aqui. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

EUA TINHAM INTENÇÃO DE MANDAR PALESTINOS PARA A AMÉRICA LATINA, REVELAM DOCUMENTOS

Foto: The Guardian
O jornal britânico The Guardian e a rede Al-Jazeera divulgaram documentos que revelam plano dos EUA de enviar refugiados palestinos a países da América Latina. De acordo com o documento apenas 10 mil do 5 milhões de refugiados seriam autorizados a retornar à sua terra.  A ideia teria sido apresentada por Condoleezza Rice numa reunião realizada em julho de 2008.

Leia duas matérias publicadas no The Guardiam clicando aqui e aqui. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FOTO DO MAR DA GALILÉIA EM 1900

O “Life in the holyland” possui magníficas imagens das terras bíblicas. Esta abaixo mostra pescadores no Mar da Galiléia na virada do século XIX para o XX.


"Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores" (Mt 4,18).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

FRASES SOBRE RELIGIÃO

“Herege não é aquele que arde na fogueira e sim aquele que a acende.”
(Shakespeare – escritor inglês)

“Um santo é um pecador morto, revisto e corrigido”
(Ambrose Bierse – jornalista americano)

“Pregador: pessoa que parece saber mais do outro mundo do que deste”
(Provérbio celta)

“Jesus dizia: amar. A igreja diz: pagar”
(Victor Hugo – escritor francês)

“Dúvida não é o oposto da fé, é um elemento da fé”
(Paul Tillich, teólogo alemão)

“A dúvida faz a montanha que a fé pode remover”
(Provérbio iraniano)

“Por favor, Deus, salve-me dos seus seguidores”
(Pára-choque de caminhão)

As frases foram retiradas do seguinte livro: BUCHSBAUM, Paulo Eduardo Laurenz (Org.). Frases geniais que você gostaria de ter dito. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, pp. 277-291.

A INTROVERSÃO SEGUNDO CARL JUNG


Gosto muito da psicologia de profundidade de Carl Jung (particularmente no que tange ao fenômeno religioso), por isso comprei um léxico de conceitos junguianos. Como sou um típico introvertido, fui consultar como ele define a introversão.  Fiquei impressionado:
O introvertido não vem ao encontro do objeto; ao contrário, está constantemente em via de fugir dele. Está fechado para o acontecimento externo, não participa e tem uma profunda indisposição social, tão logo se encontre junto a um grande número de pessoas. Em meio a multidões, sente-se só e perdido. Quanto mais invadido se sente, tanto maior sua resistência contrária [...]. O que ele faz, faz ao seu modo, desligando-se consideravelmente de influências externas. [...] é, via de regra, muito sensível e se envolve em uma cerca de arame farpado tão densa e impenetrável, que ele mesmo faria qualquer coisa para não estar por trás dela. [...] A imagem do seu mundo carece de tons de rosa, pois ele é crítico e encontra em toda a sopa um cabelo. [...] Só aquilo que se torna próprio a partir de muitas e muitas razões subjetivas é, por fim aceito (GW 6, § 1046).
Na minha opinião, a pior característica com a qual o introvertido tem que lidar é esta: “se envolve em uma cerca de arame farpado tão densa e impenetrável, que ele mesmo faria qualquer coisa para não estar por trás dela”. A precisão de Jung me assombra.  

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

AS INÚMERAS FACES DE DEUS

Li uma bela citação de Heráclito (meu pré-socrático preferido) num livro de Paul Ricoeur que desejo compartilhar com os leitores. Eis a frase:
Um deus, vários nomes. Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, saciedade e fome, mas ele muda como fogo quando misturado com fragrâncias: é nomeado segundo o perfume de cada uma delas (Heráclito, fragmento 67).
O texto me fez lembrar de duas passagens bíblicas que quando contrastadas refletem esse paradoxo. A primeira é um trecho do Salmo 18:
Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo devorador; dele saíram brasas ardentes.
Ele abaixou os céus e desceu; trevas espessas havia debaixo de seus pés.
Montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento.
Fez das trevas o seu retiro secreto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as espessas nuvens do céu.
A segunda é a teofania presenciada pelo Elias angustiado diante da perseguição imposta pela rainha Jezabel (1 Rs 19,11-12):
E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;  e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.
Mas veio o exílio babilônico e depois Platão... e Deus foi dividido ao meio. Infelizmente.