quarta-feira, 9 de junho de 2010

LIVRO: O FILHO DO HAMAS

YOUSEF, Mosad Hassan. O filho do Hamas. Rio de Janeiro: Sextante, 2010, 288 p.

Filho do xeque palestino Hassan Yousef, um dos sete fundadores do Hamas, Mosab Hassan Yousef é o autor do livro “Filho do Hamas” (Sextante), que chegou às livrarias brasileiras no mês passado.

Depois de ser preso pelos soldados israelenses por porte de armas, em 1996, Yousef foi levado à prisão em Megiddo, Israel. Ele começou a questionar os ideais do Hamas após presenciar a tortura imposta por seus líderes àqueles que eram vistos como suspeitos de dar informações aos israelenses.

Diante do desgosto provocado pelo que viu na prisão, Yousef se tornou espião do Shin Bet (grupo de inteligência israelense) e se converteu ao cristianismo. Desde então passou a ser visto como traidor pelos muçulmanos.

Não há como negar que o tema do livro é bem interessante. Não é todo o dia que vemos um fundamentalista islâmico se convertendo ao cristianismo. O fato de ter se tornado um espião israelense torna toda essa aventura ainda mais fantástica.

Apesar de todo o encanto que a história pode despertar, há algumas coisas que me deixaram decepcionado.

Veja por exemplo o que disse Yousef numa conversa que teve por telefone com o repórter Duda Teixeira, da Revista Veja, de Nova York.
Agora que você se converteu ao cristianismo, como enxerga as diferenças entre o Corão e a Bíblia? Não é justo comparar os dois livros. O Corão está cheio de ódio, de ignorância, de erros. Não tem ética. É um livro doente que deveria ser banido das escolas, das bibliotecas, das mesquitas [...] Os dois livros têm deuses completamente diferentes. Um, o do Islã, é o do ódio. O deus da Bíblia é o do amor”.
Declarações desse tipo certamente só vão despertar mais ódio contra os cristãos. Também não concordo que o Corão está creio de ódio, de ignorância e de erros. Esses adjetivos devem ser direcionados para os fanáticos do islã e não para o seu livro sagrado, que é deturpado e acordo com os interesses escusos de uma minoria de sádicos. Gosto que respeitem minha religião. Gosto de respeitar a dos outros.

Numa outra entrevista, concedida ao vice-editor administrativo do Christianity Today, Timothy C. Morgan há outra declaração que não me agradou. A tradução é do Numinosum:
Os cristãos têm um papel importante no movimento em direção à paz no Oriente Médio? O problema palestino é muito maior do que não ter um Estado. Um Estado palestino não vai resolver o problema palestino. Precisamos mostrar a importância do nosso papel como cristãos”.
Fica parecendo que a conversão dos palestinos irá resolver todos os problemas de um povo oprimido pelos radicais islâmicos, pelo Irã, pelos Estados Unidos e por Israel. Soluções simplistas e inocentes só servem para perpetuar a opressão imposta a pessoas que só querem uma terra para cultivar, um teto para dormir, e uma nação para amar.

Nosso papel  como cristãos deve ser o de denunciar a injustiça, tanto a dos radicais islâmicos, como a de Israel. As maiores vítimas dessa história são os que vivem em campos de refugiados, amargando como os embargos, com os homens bombas e com a demagogia políticas dos líderes mundiais.

Efatá!