quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O MITO DE INNANA

O mitólogo Joseph Campbell cita a descida da deusa Inanna ao mundo inferior para assistir o funeral de Gugalanna, marido de sua irmã mais velha Ereshkigal. A história se desenrola assim:


Após atravessar os sete portões que davam acesso ao mundo inferior, Inanna chega diante sua irmã completamente despida de sua majestade, já que fora obrigada a deixar uma peça do seu vestuário em cada portão que atravessava. Ao lado dos sete juízes, os Anunnaki, Ereshkigal pronunciou um julgamento sobre Inanna. Transcrevo abaixo o texto original citado por Campbell:


A pura Ereshkigal sentou-se em seu trono,

Os Anunnaki, os sete juízes, pronunciaram julgamento diante dela,

Eles fixaram seus olhos sobre ela, os olhos da morte;

E quando pronunciaram a palavra, a palavra que tortura o espírito,

A mulher pesarosa foi transformada num cadáver,

E o cadáver foi pendurado em uma estaca [1].

A narrativa continua e relata que após três dias na estaca, Papsukkal, o principal mensageiro dos deuses, intercedeu por Inanna junto a Enlil, o deus-ar; Nanna, o deus-lua e finalmente a Enki, o Senhor da Sabedoria. Enki, atendendo ao pedido de Papsukkal, modela do barro duas criaturas assexuadas, dois anjos, que partiram em socorro a Inanna. Os dois seres assexuados cumprem sua missão e a deusa ressurge do mundo dos mortos, fazendo voltar à vida alguns dos que lá estavam.


Nota:

[1] CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus, 1992, p. 336.

Foto: Joseph Campbell