quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O DEUS DE CALVINO NÃO É UM DEUS QUE AMA

Tomás de Aquino diz com muita coerência: “Deus não se move, pois movimento implica em mudança e Deus é imutável”. Calvino, seguindo a lógica de Aquino (que é a lógica de Aristóteles), diz que Deus não possui sentimentos: “quando ouvimos que Deus se ira, não devemos imaginar que exista nele qualquer emoção” (Institutas, Livro I, XVII, 13). Calvino chama isso de “antropomorfismo pedagógico”, ou seja, quando lemos na Bíblia que Deus se compadeceu, se irou, ou se arrependeu, devemos entender que essa é uma descrição do ponto de vista humano. Deus não sofre, não muda. Jamais pode ser afetado pela ação humana.

Fico pensando: como os pastores calvinistas têm a coragem de dizer diante de seus fiéis que Deus ama suas criaturas? Quem ama sofre! Quem ama tem seu humor alterado!  Na linguagem do Antigo Testamento o “intestino de quem ama grita” (Jr 31,20).  Mas para Calvino Deus é como um lago plácido, impassível.

Eu aplaudiria Calvino caso ele levasse às últimas conseqüências sua doutrina, afirmando que Deus é o autor do mal e que ele não é amor. Lutero e Calvino criticaram a escolástica por tentar esquadrinhar o coração de Deus. Mataram uma górgona e criaram uma quimera. Seria muito mais honesto se tivessem seguido os passos  do Xamã, que quando perguntado por sua filosofia ou teologia, respondeu: “não tenho teologia ou filosofia, eu apenas danço”.


Jones F. Mendonça