terça-feira, 28 de junho de 2011

SÉRGIO, O HOMEM QUE QUERIA SALVAR O MUNDO

O canal fechado Max está transmitindo o documentário “Sérgio”, uma biografia do comissário de direitos humanos da ONU, Sérgio Vieira de Mello, morto num atentado terrorista ao quartel general da ONU em Bagdá promovido pela Al Qaeda em agosto de 2003. O trabalho foi baseado no livro “Chasing the Flame: Sérgio Vieira de Mello and the Fight to Save the World”’, da jornalista Samantha Power. Sérgio era cotado para ser o sucessor de Kofi Annan na direção da ONU.

Indicado ao Oscar de melhor documentário em 2009, “Sérgio” conta a trajetória profissional do diplomata brasileiro e reconstrói cenas dramáticas do seu resgate após o desmoronamento do prédio onde estava na capital do Iraque. Com a explosão ele acabou preso num local de difícil acesso ao lado de Gil, outro funcionário da ONU. Gil foi retirado dos escombros após horas do trabalho incansável de dois bombeiros militares americanos que tiveram que cortar suas pernas com um serrote improvisado devido a falta de equipamento adequado. O depoimento do bombeiro incumbido dessa tarefa é perturbador. Sérgio Vieira, resgatado depois, não resistiu aos ferimentos. O documentário insinua que houve descaso por parte do governo americano, considerando que mesmo após mais de três horas de trabalho nenhum equipamento chegou ao local. Sérgio Vieira estudou na Sorbonne na época da guerra do Vietnã e sempre criticou o imperialismo americano, chegando a participar de protestos enquanto aluno da universidade francesa.  

O documentário também destaca a atuação impecável do diplomata em diversas situações de conflito ao redor do mundo, como no Timor Leste, Camboja, Líbano, Ruanda e Bósnia. Sempre elegante bem humorado e carismático, procurou dialogar com o povo e com os líderes locais dos países onde atuou, buscando conhecer suas dificuldades, aflições e aspirações.

Se você possui TV por assinatura com pacote que inclui o canal Max, não deixe de assistir. É uma ótima pedida para as noites de inverno.

Jones F. Mendonça