quarta-feira, 22 de junho de 2011

MARTIN NOTH E A ANFICTIONIA DE ISRAEL

O nome de Martin Noth é geralmente lembrado como criador da hipótese de que o Israel pré-estatal, como em algumas cidades gregas, vivia sob uma anfictionia, confederação de tribos unidas pela crença numa mesma divindade. No caso de Israel essa divindade seria Yahweh. Exemplos de anfictionias gregas são a anfictionia pilaico-délfica (Apolo); a aliança de 12 tribos jônias (Posêidon );  a dodecápole de Acaia  (Posêidon) e os doze povos da Etrúria[1]. Esse modelo parecia perfeito para resolver uma variedade de problemas ligados às origens de Israel. Mas os pressupostos de Noth foram abalados pela primeira vez em 1976 com a monografia “As tribos de Israel”, de C. H. J. De Geus. Seu trabalho demonstrava que o paralelismo de Noth era inexato e inapropriado:

  • As anfictionias gregas eram de cidades, não de tribos;
  • Uma anfictionia de Yahweh deveria ter um nome formado com Yahweh;
  • No Antigo Testamento falta um termo comparável ao conceito anfictionia[2].
De Geus negava que Israel tivesse um passado nômade, e defendia que os primeiros semitas ocidentais eram autóctones da Palestina (sedentários e agrícolas). Resumindo, para Geus, não ouve uma incursão na palestina (como apresentado na Bíblia), mas um movimento migratório dentro da própria Palestina (nomadismo interno). Outro defensor do nomadismo interno é Israel Finkelstein. O ataque de Geus à hipótese da sedentariação e seus numerosos argumentos a favor da natureza autóctona do Antigo Israel constituíram uma contribuição permanente ao debate posterior.

Notas:
[1] DONNER, Herbert. História de Israel e dos povos vizinhos, p. 72.
[2] Cf. GUNNEWEG, Antonius. Teologia bíblica do Antigo Testamento, p. 131.


 Jones F. Mendonça