segunda-feira, 7 de abril de 2014

GNOSE E CABALA NO NOÉ DE DARREN ARONOFSKY

Muita gente estranhou a cena do filme Noé que retrata Adão e Eva em corpos resplandecentes. Vejamos:

Irineu expondo a doutrina dos gnósticos, em “Contra as Heresias”, século II d.C.:

Adão e Eva, no princípio, tinham corpos leves, luminosos, como que espirituais, porque é assim que foram criados... [então] descobriram que estavam nus e que tinham corpos materiais, conheceram que traziam em si a morte e se tornaram pacientes, sabendo que este corpo os envolvia temporariamente (Contra as Heresias, I, 30,9).
Zohar ou Livro do Esplendor, século XIII d.C.:
Quando Adão morava no jardim do Éden, estava coberto por uma veste celestial, que é a veste de luz celestial [...] luz daquela luz, que era usada no jardim do Éden (Zohar, II, 229.b.).
Não parece estranho se pensarmos que o diretor produziu o filme bebendo em fontes pouco ortodoxas. 

Se o diretor quisesse retratar o nascimento de Noé, poderia muito bem ter se inspirado no livro apócrifo de Enoque (século II a.C.): 
seu corpo era branco como a neve e vermelho como uma rosa, os cabelos de sua cabeça eram como a lã e os seus olhos como os raios de sol (I Hen 106,2).
O texto lembra a descrição de Jesus em Ap 1,14. Mas foi escrito quase três séculos antes...



Jones F. Mendonça