quarta-feira, 1 de maio de 2013

NUMA ILHA QUALQUER DO PACÍFICO

Vulcão Paluweh, Indonésia
Foto: Earth Observatory
A tribo Sueduj vive numa ilha vulcânica do Pacífico. Hevhay, o deus vulcão dos sueduj, pede todos os dias o sacrifício de uma criança. O povo, reunido em torno de uma árvore sagrada ouve, após o sonido dos rafohs (instrumento feito do chifre de um animal), o nome da criança eleita para tão horrendo sacrifício: Susej, filho de Airam.

O sacerdote, ao ouvir os gritos da mãe tenta apaziguá-la dizendo que Hevhay ama cada um dos membros da tribo sueduj. Mas o amor de Hevhay não é como o amor humano, ele diz. Trata-se de um amor misterioso, que está além da compreensão dos mortais. Explica também que quando Hewhay destrói as plantações, o gado e a aldeia com suas lavas, não faz isso por ira, afinal Hewhay não é, como os humanos, movidos constantemente por seus afetos. “Hevhay não pode se subordinar a um sentimento”, filosofa. “Nosso deus não muda”, finaliza.

Dadas essas explicações o sacerdote grita: “Hewhay vive na montanha Suec. Nada escapa ao seu olhar. Não teve origem nem terá fim. Seu poder é ilimitado”. O povo vai ao delírio. O pequeno Susej, filho de Airam, desaparece após ser lançado de um penhasco. Todos voltam para suas casas. A ira de Hewhay foi aplacada.

Airam, mãe de Susej, medita recostada na copa frondosa da árvore Olpmet: “se o amor de Hevhay pela tribo não é como o que sinto por meu filho, pela minha terra, pela minha família, então não é amor”. Se um sueduj não é capaz de compreender a natureza de Hevhay, como o sacerdote pode afirmar conhecê-lo tão bem? Desconfia que o sacerdote é mentiroso.

Amor que não é amor. Ira que não é ira. Deus que não é deus...
  

Jones F. Mendonça