domingo, 18 de março de 2012

O YOD: EU ERA FÊMEA E ME TORNEI MACHO; ERA ÚLTIMA E ME TORNEI PRIMEIRA

Numa aggada (comentário judaico de caráter homilético), a letra yod, retirada do nome de Sara (que antes era Sarai), se prostra diante do Criador e diz:
“Senhor do mundo, tiraste-me do nome de uma justa!”. Deus lhe responde: “Antes, estavas no nome de uma mulher, e no final da palavra. Agora, eu te coloco no nome de um homem e no começo da palavra, como foi dito: Moisés chamou Hoshea [Oséias], filho de Num: Yehoshua [Josué] (Nm 13,16)”[1].
Os comentaristas judeus adoravam fazer especulações fonéticas com palavras hebraicas. Este, em particular, reflete a visão negativa que se tinha da mulher. Entenda como se deu essa “ascensão meteórica” do yod:

Gn 17,15 Disse Deus mais a Abraão: a Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome.



Nm 13,16 Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou a espiar aquela terra: e a Oséias, filho de Num, Moisés chamou Josué (Yehoshua).



Do nome de uma mulher (Sarai), o yod vai para o nome de um homem (Hoshea). Da última posição na palavra, para a primeira. De quebra ainda dá origem à palavra “salvação” (yehoshua), que também é o nome de Jesus!


E vai ter leitor copiando este post para usar como ilustração no púlpto. Tens dúvidas disso?

Nota:
[1] REMAUD, Michel. Evangelho e tradição rabínica, p. 44.


Jones F. Mendonça