quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CALVINO E PLATÃO: UM CASO DE AMOR

Platão, de Paolo Veronese (1560s)
Biblioteca Nazionale Marciana
Algumas mentes ingênuas insistem em dizer que Calvino escreveu suas Institutas inspirado apenas na Bíblia. Deus como sumo bem, a morte como dissolução da aparecia e revelação da essência, o anseio da alma por Deus... Está tudo lá, em Platão (que, aliás, já estava impregnado em Paulo e Agostinho).

A seguir algumas citações retiradas das Institutas (logo acima, em negrito, as obras de Platão tomadas como referência pelo reformador francês):
Fédon: Ora, Platão não quis dizer outra coisa, visto que amiúde ensinou que o sumo bem da alma é semelhança com Deus... (Livro I, III, 3).
O Banquete: Seria estulto buscar definição de alma da parte dos filósofos, dos quais quase nenhum, excetuando Platão, tem plenamente afirmado ser sua substância imortal. [...] Por isso é que Platão tem opinião mais correta, já que contempla a imagem de Deus na alma (Livro I, XV, 6). 
Fédon e Apologia: Platão diz algumas vezes que a vida do filósofo é a  editação da morte. Com verdade maior, podemos dizer que a vida do cristão é um contínuo esforço e exercício para a mortificação da carne (Livro III, III, 20).
Theateto:...ninguém, exceto Platão, reconheceu que o sumo bem do homem é sua união com Deus (Livro III, XXV, 2).

A República: Há em Platão, no segundo livro de A República, uma passagem admirável, onde, quando disserta acerca dos antigos pagãos e ridiculariza a estulta confiança dos homens ímpios e celerados que pensavam com estes como que véus se cobriam suas ignominiosas ações (Livro IV, XVIII, 15).
Um Calvino 100% bíblico... lenda, delírio, pura tolice.  


Jones F. Mendonça