sexta-feira, 20 de maio de 2011

JESUS SEGUNDO MATEUS

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1. COMO TUDO COMEÇOU
Filho de Maria e de um artesão[1] chamado José, Jesus nasceu em Belém (Mt 2,1) e logo em seguida foi levado para o Egito por seus pais, para que escapasse do rei Herodes[2], que o queria matar (Mt 2,13). Com a morte de Herodes (Mt 2,15) Jesus foi viver na cidade de Nazaré (Mt 2,23), na região da Galileia. Após ser batizado no Jordão por João Batista (Mt 3,13) e tentado no deserto pelo diabo(Mt 4,1), foi viver em Cafarnaum (Mt 4,13), às margens do Lago de Genazaré (ou Mar da Galileia), onde convocou seus primeiros discípulos, os pescadores Pedro, André, Tiago e João (Mt 4,18.21).

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2. O IMPACTO DE SUA PREGAÇÃO
Foi na região da Galileia que Jesus iniciou seu ministério, operando curas, exorcismos e enunciando as boas novas do Reino de Deus (Mt 4,23.24; 5). Os fariseus, saduceus e escribas[3], tomando conhecimento dos seus feitos, decidiram acompanhá-lo de perto. A relação entre o nazareno e esse grupo de   judeus não foi amigável.  Jesus reinterpretava leis religiosas (ou simplesmente ignorava, cf. Mt 8,2-3 – ver Lv 5,2 e Lv 13,22), negligenciava antigos costumes (Mt 15,2) e pregava um Deus próximo, sem a necessidade dos complexos rituais de purificação (Mt 9,2). Leprosos, prostitutas, aleijados e publicanos[4] eram vistos por ele não como indivíduos de segunda classe, mas como pessoas que carecem do amor e perdão divino como qualquer outra (Mt 18,10-14).

3. DESAFIANDO OS PODEROSOS
O ódio que parte da classe dominante tinha por Jesus atingiu o seu ápice quando ele chegou a Jerusalém[5]. A entrada triunfal montado num jumentinho, a expulsão dos vendilhões do Templo (Mt 21, 7-13) e seu confronto direto com ao poderosos de Jerusalém (Mt 21,23-46) representaram sua sentença de morte. Os judeus de Jerusalém viram Jesus como uma ameaça à sua religião, baseada na Lei e no Templo. Traído por Judas, um de seus discípulos (Mt 26,49), Jesus foi levado ao Sinédrio (Mt 26,59), um tribunal judaico presidido pelo sumo sacerdote, e acusado de blasfêmia (Mt 26,65). Nenhum de seus discípulos ficou para lhe prestar apoio. Após intensa discussão entre os judeus, ele foi levado a Pilatos, prefeito de Jerusalém (Mt 27,2). A cidade santa estava tumultuada porque era a época de celebração da Páscoa (Mt 26,2), ocasião em que judeus de todas as regiões partiam para lá[6]. Pilatos, querendo fugir de um possível conflito com os judeus, principalmente após perceber as implicações políticas que o título “Rei dos Judeus” atribuído a Jesus poderia provocar, resolveu acatar a acusação que recaíra sobre ele, sentenciando-o à morte por crucificação (Mt 27,26).

4. SUA MORTE E RESSURREIÇÃO
Jesus foi humilhado (Mt 27,38-21) e colocado no madeiro[7] ao lado de dois ladrões (Mt 27,38). Após ter expirado, a terra foi abalada por um terremoto e muitos mortos ressuscitaram (Mt 27,50-53). Um rico discípulo chamado José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus (Mt 27,57-58). O pedido foi aceito e seu corpo foi envolvido num manto de linho e colocado num sepulcro novo (Mt 27,59-60). No domingo, um anjo removeu a pedra da entrada do sepulcro, assustando os guardas que vigiavam o local (Mt 28,1-4). O anjo pediu para que Maria Madalena e a outra Maria avisassem aos discípulos que Jesus havia ressuscitado e partido para a região da Galileia (Mt 28,5-7).  Os discípulos o encontraram lá e receberam de Jesus a ordem de fazer discípulos a todas as nações, batizando-se em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes fora ordenado (Mt 28,19,20). 

Notas:
[1] artesão é uma tradução mais adequada para o termo grego tekton.
[2] Trata-se de Herodes, o Grande (73-4 a.C.). Herodes não era judeu de nascimento, ele era idumeu. É perfeitamente compreensível a preocupação de Herodes diante do anúncio de uma criança que vivia a ser “rei dos judeus”.
[3] Os fariseus se esforçavam para levar ao povo as regras de purificação, reservada apenas aos sacerdotes, por isso eram tão populares.  Os escribas eram mestres dedicados a interpretação e ao ensino da Lei. Os saduceus alegavam ser descendentes legítimos do sacerdócio, de acordo com Ez 40,46.  Sua vida religiosa estava intimamente ligada ao templo.
[4] Cobradores de impostos.
[5] Jerusalém era a capital religiosa dos judeus. Era lá que ficava o templo.
[6] Além da Páscoa, as revoltas populares também eram muito comuns em outras duas grandes festas migratórias: Pentecostes e Tabernáculos.
[7] O grego traz staurós (estaca) e não cruz. 

Imagem:
Eyck, Jan Van
Crucificação
1420-1425
Metropolitan Museum of Art, New York