terça-feira, 24 de maio de 2011

HISTÓRIA DE ISRAEL SOB SEIS OLHARES: DE SAMUEL SCHULTZ A ISRAEL FINKELSTEIN


Há muitos livros sobre a história de Israel no mercado. Alguns se limitam a apresentar a origem e o desenvolvimento do povo de Israel tal como apresentado nas páginas da Bíblia. Esses livros não parecem se importar os anacronismos e implausibilidades históricas de algumas narrativas, considerando as descobertas recentes, principalmente na área da arqueologia. Eis uma obra que trabalha dessa forma:
SCHULTZ, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2001.
Quem está em busca de uma obra um pouco mais crítica da história de Israel certamente encontrará no trabalho de John Bright uma ótima referência. O autor pertence a escola de Albright, famoso linguista e arqueólogo protestante. Essa escola reconhece a impossibilidade histórica de alguns eventos narrados no Antigo Testamento (mas insiste na historicidade dos patriarcas), mas insiste que possuem ao menos um “fundo histórico”. No livro são comuns expressões do tipo: “não há porque duvidar da historicidade....” [dos patriarcas, do êxodo, etc.]. Ainda que você prefira uma visão mais conservadora ou mais crítica, não dá para deixar de ler esta obra:
BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulinas, 2003.
Um trabalho um pouco mais recente, crítico e atualizado sobre a história de Israel é a obra do protestante Antonius Gunneweg. Ao contrário de John Bright, que tenta a todo o tempo atenuar os conflitos entre as narrativas bíblicas, Gunneweg é bem mais direto. Para ele, a unção de Saul por Samuel não passa de “lenda histórica com traços de conto imaginário”. O Davi hesitante em usurpar o trono de Saul retratado nos livros de Reis e Crônicas é visto com muita desconfiança por Gunneweg. Na sua opinião a insistência em defendê-lo é indício de culpa. Leitura obrigatória para os estudantes do Antigo Testamento:
GUNNEWEG, Antonius. História de Israel. Dos primórdios até Bar Kochba e de Theodor Herzl até os nossos dias.  São Paulo: Loyola/Teológica, 2005. 
Quem jamais leu uma obra sequer sobre a história do Antigo Israel, mas pretende fazer isso evitando uma abordagem simplista como a de Schultz, densa como a de Bright ou muito crítica e técnica como a de Gunneweg, pode encontrar num livreto de Euclides Balancin uma ótima introdução ao tema.  A história de Israel é contada sob a perspectiva da teologia da libertação. Apesar de empregar uma linguagem simples, o livro está longe de ser uma obra ingênua. Balancim foi um dos exegetas da famosa Bíblia de Jerusalém:
BALANCIN, Euclides. A história do povo de Deus. São Paulo: Paulus, 2005.
Há ainda duas outras obras importantes que não podem deixar de ser citadas: “História de Israel e dos povos vizinhos”, de Herbert Donner (segue a mesma linha de John Bright) e “E a Bíblia não tinha razão”, de Israel Finkelstein (o livro ganhou um título provocativo em português). Como ainda não li a obra de Donner, não posso emitir opinião. Quanto ao livro de Finkelstein, já iniciei a leitura, mas ainda estou no terceiro capítulo. A obra de Finkelstein é o que há de mais recente na pesquisa histórica do Antigo Israel. Espero em breve poder comentar algo aqui no Numinosum