terça-feira, 3 de agosto de 2010

JESUS, A PECADORA E OS NEOFARISEUS

Por Jones Mendonça

De acordo com uma notícia divulgada pelo Estadão, o governo do Irã sinalizou estar disposto a aceitar a oferta feita pelo presidente Lula de receber a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani. Ela foi acusada de adultério e condenada à morte por lapidação (apedrejamento), pena oficializada em 1983 no Código Penal do Irã.
Os comentários sobre essa notícia feitos por leitores de jornais de grande circulação são os mais diversos. Há que ache que tomando essa postura o Brasil se coloca como “privada do mundo”. Para outros, Lula tem reafirmado sua imagem de “capacho de ditadores”. Acho que as pessoas que tem uma opinião assim carecem de uma reflexão mais profunda e imparcial.
Bem intencionado ou não o governo brasileiro pode contribuir de forma significativa para pôr fim às sentenças de morte por apedrejamento no Irã, já que Lula é visto com simpatia pelo governo iraniano. Infelizmente em época de eleição muitos políticos (inclusive Lula) tem se aproveitado dessa situação para fazer propaganda política. Os opositores do governo acusam Lula de omissão. Outros o acusam de demagogo. Enfim, nessa história há muitos lobos e poucos cordeiros.

Espero que o desfecho do drama dessa mulher seja semelhante ao da adúltera citada no capítulo oitavo do evangelho de João. A adúltera de João foi absolvida por um argumento inteligente de alguém que realmente se preocupava com as pessoas. O advogado da mulher não era um político, mas um homem simples conhecido como Jesus de Nazaré. A diferença entre os dois casos é que hoje a absolvição da “pecadora” está nas mãos dos políticos, mais preocupados com sua projeção pessoal do que com o sofrimento alheio. Ironicamente, ao contrário do que aconteceu há dois mil anos atrás, a salvação da mulher iraniana está nas mãos dos fariseus do nosso tempo.

Ashtiani tem 43 anos e é mãe de dois filhos. Oremos por ela.

Imagem:
MARCONI, Rocco
Cristo e a mulher adúltera
c. 1525
Óleo sobre tela, 131 x 197 centímetros
Gallerie dell'Accademia, Veneza