quinta-feira, 20 de maio de 2010

PEQUENOS APONTAMENTOS SOBRE O RACISMO NO BRASIL

Antes da abolição da escravatura circulou no Brasil um dicionário enciclopédico de autoria de Araújo Correia Lacerda.  Ele assim definia o negro: “escravo, preto; que macula, denigre, calunia; horrível, hediondo, medonho, tenebroso, malvado, cruel”[1]. Tal definição parece pouco crível, mas é verdade.

Vejamos agora um Código de Postura que vigorava em São Paulo:
 Art. 46 – São proibidos na cidade os bailes de pretos (de qualquer natureza), salvo com licença de autoridade policial: multa de 10$ e três dias de prisão”[2].
 Art. 62 – São proibidas as cantorias e danças de pretos se não pagarem os chefes de tais divertimentos o imposto de 10$[3].
Sei que estou um pouco atrasado para o dia da consciência negra (13 de maio), mas acho que sempre é momento para refletirmos sobre o racismo. Permitam-me a heresia de modificar levemente um texto bíblico:
“Então não haverá nem judeu nem negro, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo que será tudo em todos” (Col 3,11). 
Negro, grego... que diferença faz!

Notas:
[1] DOMINGUES, Petrônio. Uma história não contada: Negro, racismo e branqueamento em São Paulo: SENAC, 2003, p. 7.
[2] CLMSP (São Paulo: Tip. Correio Paulistano, 1883), p. 270, Postura Municipal de Amparo apud DOMINGUES, Petrônio. Uma história não contada: Negro, racismo e branqueamento em São Paulo: SENAC, 2003, p.36
[3] CLMSP (São Paulo: Tip. Correio Paulistano, 1887), p. 291, Postura Municipal de Paranapanema apud DOMINGUES, Petrônio. Uma história não contada: Negro, racismo e branqueamento em São Paulo: SENAC, 2003, p.36.