sexta-feira, 7 de maio de 2010

O QUE É A VETUS LATINA?

Por Jones Mendonça

Nos primeiros séculos, quando o evangelho foi sendo propagado entre os povos de língua latina, surgiu a necessidade de textos que pudessem ser lidos com facilidade pelos fiéis. As primeiras traduções de partes da Bíblia para o latim foram iniciadas já no final do século I[1]. Essas traduções antigas ficaram conhecidas como Vetus Latina (Antiga latina).

No final século do IV d.C., um padre dotado de imensa cultura e prodigiosa memória chamado Jerônimo[2], baseou-se na Vetus Latina para elaborar a tradicional Vulgata Latina, versão da Bíblia que se tornou oficial na Igreja Católica por mais de mil anos[3]. Além dos manuscritos em latim já existentes, Jerônimo utilizou a Hexapla de Orígenes[4] e outros textos antigos, como os siríacos[5].

Os manuscritos mais importantes da Vetus Latina são o códex Lyon B. Mun. 403, copiado por volta do final do século VI; o Palimpsesto de Würzburg (do século VI) e os manuscritos de Constança (século V) e de Saint-Gall (século IX) [6]. Apesar do termo Vetus Latina parecer se referir a uma tradução única, feita por um só autor, na verdade ela é o produto de diversos tradutores, que utilizaram como base a Septuaginta, uma versão grega do Antigo Testamento feita por volta do século III a.C. na cidade de Alexandria, no Egito.

A Vetus Latina se apresenta como única fonte para a reconstrução de partes do texto grego que se perderam[7], daí a sua importância.

Referências Bibliográficas:
GEISLER, Norman L.; NIX, William E. Introdução Bíblica: Como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997.
GILBERTO, Antonio. A Bíblia através dos séculos. Rio de Janeiro: CPAD, 1986.
GILBERT, Paul. Introdução à teologia medieval. São Paulo: Loyola, 1999.
HARL, Marguerite; DOURIVAL, Gilles; MUNNICH, Olivier. A Bíblia grega dos Setenta: do judaísmo helenístico ao cristianismo antigo. São Paulo: Loyola, 2007.
V.V.A. A. Dicionário teológico enciclopédico. São Paulo: Loyola, 2003.

Notas:
[1] V.V.A. A. Dicionário teológico enciclopédico. São Paulo: Loyola, 2003, p. 786.
[2] Declarado Doutor da Igreja pela Igreja Católica e tido como "o mais sábio dos padres latinos". Cf. SANTIDRIÁN, Pedro R. Breve dicionário de pensadores cristãos. Aparecida, SP. Santuário, 1997, p. 292.
[3] Após o Concílio Vaticano II Paulo VI determinou uma revisão na Vulgata. Essa nova versão foi concluída em 1975 e ficou conhecida como Nova Vulgata.
[4] Edição da Bíblia feita por Orígenes em seis formas textuais: hebraico, hebraico em transliteração grega, Áquila, Símaco, Septuaginta e Teodocião.
[5] GILBERT, Paul. Introdução à teologia medieval. São Paulo: Loyola, 1999, p. 37.
[6] HARL, Marguerite; DOURIVAL, Gilles; MUNNICH, Olivier. A Bíblia grega dos Setenta: do judaísmo helenístico ao cristianismo antigo. São Paulo: Loyola, 2007, p. 127, 128.
[7] Id. Ibid., p. 128.

Imagem:
CARAVAGGIO
St Jerônimo
c. 1606
Óleo sobre tela, 112 x 157 cm
Galleria Borghese, Roma