sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

OS ‘FUZIS DE JESUS’ CRIAM POLÊMICA NO EXÉRCITO NORTE-AMERICANO

Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.” Pronunciada em uma igreja norte-americana, esta frase é apenas o 12º versículo do oitavo capítulo do Evangelho de João. Evocada, mesmo de maneira codificada, nos fuzis dos militares dos Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão, ela é muito mais problemática e controvertida à ‘ordem geral número 1’ aplicável aos militares norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.


A reportagem está publicada no Le Monde, 22-01-2010. A tradução é do Cepat.


Esta ordem geral, datada de 2006, descreve todas as atividades “que são geralmente admitidas nas sociedades ocidentais”, mas que “as leis ou os costumes locais proíbem”, entre os quais se encontra o artigo 3º, alínea l, “o proselitismo de qualquer religião, fé ou prática”.


Os “fuzis de Jesus”

Uma reportagem divulgada pela televisão ABC revelou, com efeito, na quarta-feira, 20 de janeiro, que a empresa Trijicon, em contrato com o Pentágono para fornecer os 800.000 visores por 660 milhões de dólares, tinha gravado em seu material, em números de série, códigos referentes a duas passagens do Novo Testamento, ou seja, João 8, 12 e 2 Coríntios 4, 6. A ABC informou que, entre si, os soldados americanos chamam essas armas de “fuzis de Jesus”.


Após a indignação da comunidade muçulmana americana e das organizações de defesa das liberdades religiosas, a Trijicon assegurou, nesta quinta-feira, que iria fornecer gratuitamente cem kits de equipamentos “para ajudar a remover as referências para os produtos já em serviço”. A empresa acrescentou que estava gravando referências do Novo Testamento nas miras telescópicas há mais de 20 anos.


“Isso fornece argumentos para a propaganda dos extremistas”

Para o diretor do Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos, Haris Tarin, “o fato de um equipamento militar incluir referências à Bíblia é uma violação dos ideais e valores fundamentais sobre os quais o nosso país foi fundado”. Pior, disse em um comunicado na quarta-feira, “isso fornece argumentos para a propaganda dos extremistas que afirmam que há uma cruzada contra o Islamismo liderada pelos Estados Unidos”.


O Pentágono disse que estava “preocupado” com as revelações. O Corpo de Fuzileiros Navais e do Exército iniciaram uma revisão dos seus processos de compra de equipamentos. A Trijicon precisou, nesta quinta-feira, que tinha tomado a iniciativa de remover essas referências bíblicas “em resposta às preocupações expressas peloDepartamento de Defesa” e que ela iria suprimir também as referências nos visores já fabricados, mas ainda não entregues, e propôs aos Exércitos estrangeiros que utilizem esses materiais – particularmente As Forças britânicas e neozelandesas - para removerem essas referências à Bíblia.


Um porta-voz do Exército, Gary Tallman, disse à AFP que as autoridades militares “ignoravam até alguns dias atrás, a presença destas referências bíblicas codificadas”. “Esta não é a política do Departamento de Defesa para quaisquer referências religiosas, sobre seus equipamentos”, disse ele. De acordo com fontes do Pentágono, pouco menos de 300.000 desses visores estão atualmente em serviço, incluindo 220.000 utilizados pelos fuzileiros navais e 70.000 a 75.000 soldados espalhados pelo Iraque e pelo Afeganistão.


Fonte: IHU Unisinos