quarta-feira, 29 de julho de 2009

A POLIGAMIA ENTRE OS JUDEUS

Por Jones Mendonça

Era a poligamia permitida na Jerusalém do tempo de Jesus? Joachim Jeremias diz que sim, e mostra documentos judaicos que comprovam isso.

Em relação ao rei, por exemplo, ele nos diz que “A mishna [obra rabínica que discute as leis] concede-lhe dezoito mulheres no máximo” (citando Sanh. II 4). Em relação a Herodes, ele revela que “teve dez mulheres” (citando Ant. XVII 1, 3 § 19; B. j. I 28, 4, § 562; cf. Ant XV 9, 3, § 319ss; XVII 1,2, § 14; B. j. I 24, 2, § 477).

As esposas tinham que tolerar a presença das concubinas ao lado do marido, como ocorria, por exemplo, com Abraão, Davi e Salomão. Joachim Jeremias destaca que no tempo de Jesus essa prática ficava reservada aos mais abastados, já que isso era bastante custoso. Alguns maridos preferiam casar-se de novo à repudiar a mulher, quando o contrato de casamento fixava uma taxa muito alta em caso de divórcio.

Joachim Jeremias constatou que essa prática era ainda comum em 1927, na cidade de Artas, perto de Belém. Dentre os 112 homens casados, 10% tinham mais de uma mulher. Na maioria das vezes, “apenas” duas.

É... como a mulher sofria no passado. Como se não bastasse terem que tolerar várias concubinas ao lado, eram obrigadas a andar quase como uma muçulmana talibã. Veja esse relato, para finalizar: “A mulher que saía de casa sem ter a cabeça coberta, quer dizer, sem o véu que ocultava o rosto, faltava de tal modo aos bons costumes que o marido tinha o direito, até mais, tinha o dever de despedi-la sem ser obrigado a pagar a quantia que, no caso de divórcio, pertencia à esposa, em virtude do contrato nupcial” (citando Tos. Sota V 9 (302, 7s) e Ket. VII 6).

Fonte:

JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no tempo de Jesus: pesquisa de história econômico-social no período neotestametário. Tradução de M. Cecília de M. Duprat. São Paulo: Paulus, 1983, p. 131, 136 e 486.