quarta-feira, 8 de julho de 2009

O CALVINISMO MODERADO DE MILLARD ERICKSON

ERICKSON, Millard. Introdução à Teologia Sistemática. J. Trad. Luci Yamakami. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1997, p. 143-156.


Resenha

Por Jones Mendonça

No capítulo 12 da sua teologia sistemática, Millard Erickson propõe o que ele chama de “modelo calvinista moderado” (p. 150). Inicialmente o autor busca definir a terminologia que utilizará na obra, a fim de que sua argumentação possa ser mais bem compreendida. Ele explica que fará uso da expressão “preordenar” com um sentido mais amplo que “predestinar”. A primeira fazendo “referência às decisões divinas a respeito de quaisquer questões no âmbito da história cósmica” (p. 144) e a segunda ficando “reservada para a questão da salvação ou condenação eterna” (p. 144). O termo “predestinação” ganha ainda uma explicação mais detalhada no texto de Millard Erickson. Ele explica que alguns indivíduos são predestinados para a salvação (eleitos – predestinação positiva) e outros para a condenação (reprovados – predestinação negativa). De forma bem clara, o que ele quer dizer é que Deus é quem elege os indivíduos para a salvação. Os não eleitos serão condenados. A eleição seria um ato exclusivo de Deus, sem a participação do homem. Seria ainda um ato de misericórdia, já que o pecado teria tornado todos os indivíduos condenáveis.

O próximo passo do autor é buscar fundamentos bíblicos que atestem a atuação divina na história, planejando e ordenando os eventos. Essa busca é feita inicialmente no Antigo Testamento. Millard defende que para “os autores do Antigo Testamento, era praticamente inconcebível que alguma coisa pudesse acontecer à parte da vontade e da obra de Deus” (p. 144). Ele cita inúmeros versículos que descreveriam um Deus que determina eventos como a chuva, catástrofes, guerras e até mesmo coisas triviais como a construção de uma cisterna (Is 22.1). Seus decretos seriam, portanto, imutáveis. Deus não poderia desse modo voltar atrás. O autor veterotestamentário seria alguém que enxerga Deus como aquele que “dirige a história [...] com [...] intenção de ter comunhão com o seu povo” (p.145). Mas o leitor que não se iluda, tal comunhão seria apenas com os eleitos. Caso perguntássemos o critério dessa escolha a resposta seria: “mistérios de Deus...”. Calvino fazia muito gosto desse recurso. O autor segue a mesma linha.

Eventos do Novo Testamento como a traição de Judas e o cumprimento das profecias acerca da vida Jesus são utilizados como prova da atuação de Deus na história, conduzindo todos os eventos de acordo com seus propósitos. Os destinos das nações e dos homens não poderiam de modo algum escapar aos seus desígnios. Todo o plano de Deus (o termo decreto é mais adequado, já que é impossível que não se concretize) teria sido criado na eternidade e posto em prática a partir da criação.

Até aqui a argumentação de Millard Erickson segue de forma coerente, ainda que muitos possam não concordar com seu modo de enxergar a questão. Consideremos a interpretação do autor como válida. Deus realmente determina a chuva, as catástrofes e a construção de uma cisterna. Quando a Bíblia fala que Deus se arrependeu está fazendo uso de um antropomorfismo. Foi Ele também que decretou a traição de Judas e a condenação de milhares de pessoas ao inferno. É preciso considerar ainda que até o pecado de Adão foi um decreto divino (a menos que se admita que Adão não estava debaixo da soberania de Deus). 

O primeiro problema na argumentação de Millard Erickson começa quando insiste na possibilidade de conciliar predestinação com liberdade humana. Por exemplo, ele diz que “a função de Deus é decidir que certas coisas ocorrerão em nossa vida, não dar ordens para que atuemos de determinada forma. O plano de Deus não nos força a agir de maneira específica, mas assegura que vamos agir livremente daquela forma” (p. 148). Seria isso possível?

Imaginemos uma cena onde estão num buraco cheio de lama dez indivíduos. A cada instante o lamaçal arrasta para o fundo as pobres almas que não têm onde se apoiar. Eis que surge um bom homem (com fins didáticos ele será chamado de Théo), que mesmo tendo a possibilidade de salvar a todos, escolhe alguns para livrar da morte. Não sabemos o que levou Théo a escolher apenas alguns. O que sabemos é que os que afundaram na lama não tinham força suficiente para saírem sozinhos. Comparando o episódio com a citação de Millard Erickson, vemos que assim como Deus, Théo decidiu como as coisas ocorreriam, mas não forçou ninguém a morrer e nem a se salvar. Os não escolhidos eram livres para qualquer coisa, menos para se salvarem. Assim, o comportamento de Théo seria muito semelhante ao de Pilatos em relação à condenação de Cristo, mas com uma diferença crucial: na concepção calvinista Pilatos e a multidão seriam duas facetas de uma mesma força determinante, já que Deus não possui opositores.

O segundo problema na argumentação do autor diz respeito à responsabilidade pelo pecado. Segundo Millard Erickson o ser humano natural não teria a vontade necessária para evitar o pecado. Apenas a graça divina seria capaz de reverter essa inclinação. A pergunta que surge é: de onde vem a inclinação para o mal. A resposta do autor é: “Deus”. Millard Erickson sustenta que todas as nossas características biológicas e o ambiente em que nascemos são estabelecidas por Deus, assim, somos produtos não do meio e da nossa hereditariedade, mas de um Deus que determina o meio e as nossas características biológicas. No fim das contas seria o mesmo que dizer que Deus determina nossas ações. Ora, se Deus determina nossas ações como pode nos responsabilizar por elas?

Gosto da resposta de Paulo freire para o problema do paradoxo envolvendo o livre arbítrio e a predestinação. Para ele, dizer que somos livres não significa

negar os condicionamentos genéticos, culturas, sociais a que estamos submetidos. Significa reconhecer que somos condicionados, mas não determinados; que o condicionamento é a determinação de que o objeto, virando sujeito, se torna consciente. Significa re-conhecer que a história é tempo de possibilidade e não de determinismo, que o futuro é problemático e não inexorável [1].

Einstein se perturbou diante das implicações da mecânica quântica. Esse novo campo de pesquisa deu início ao desmoronamento do universo mecanicista newtoniano. Descobertas feitas por físicos como Max Plank e Heisenberg começavam a mostrar que não existem leis tão rígidas no universo. O elemento aleatório deixou muitos físicos desconcertados. Stephen Hawking nos diz que “Einstein ficou horrorizado com esse elemento aleatório, imprevisível nas leis básicas, e nunca aceitou plenamente a mecânica quântica. Seus sentimentos foram expressos no famoso dito: ‘Deus não joga dados’”[2]. Hawking, convicto do erro da frase de Einstein e bem ciente aleatoriedade de alguns elementos do universo, disse que “todos os indícios, porém, sugerem que Deus é um jogador inveterado, que lança o dado em todas as ocasiões possíveis”.

Diante da antiga pergunta: “o homem é produto do meio ou da hereditariedade?”, um calvinista diria que é produto de Deus, já que a hereditariedade e o meio são determinados por Ele. Como Paulo Freire, entendo que muitos elementos influenciam o homem, tais como fatores genéticos e ambientais, mas jamais determinam seu comportamento. Toda essa discussão nos faz retornar ao problema teológico: “e Deus, onde entra nessa história?”. Se Deus “joga dados” como fica sua soberania? Se Deus “joga dados” o universo deve ser concebido como um caos sem sentido como supôs Nietzsche?

Creio sinceramente que Deus age na história. Creio que se preocupa com o homem e que deseja que tenhamos comunhão verdadeira com Ele. Mas não creio que Deus determine nossas escolhas. Estamos no mundo e somos influenciados por inúmeros fatores, tais como a maneira pela qual fomos criados, a cultura na qual estamos inseridos, nossas características biológicas e até mesmo pelos indivíduos com os quais nos relacionamos. Neste emaranhado de relações está Deus. Independentemente dos diversos fatores acima listados, Ele age. Independentemente da cor, sexo, cultura, características genéticas, Deus está sempre sinalizando o horizonte. Mas não um horizonte extático, inexorável. Mas um horizonte de possibilidades.

Mas e a pré-ciência, como fica. Se Deus é onisciente e sabe antecipadamente todos os eventos que irão ocorrer, isso não implica numa predestinação? Bem, vejo que é nesse momento, e exclusivamente nesse momento, que Deus esconde seu rosto.


Referências bibliográficas:

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos, 2000, p. 51.
[2]HAWKING, Stephen. O universo numa casca de noz, 2001, p.26.
[3] Idem, Buracos negros, universos bebês e outros ensaios, 1995, p. 59.

33 comentários:

  1. Gostei muito de seu artigo. Há anos venho estudando a respeito da predestinação e livre arbítrio. Com relação a parte final de seu comentário que diz : "Mas e a pré-ciência, como fica. Se Deus é onisciente e sabe antecipadamente todos os eventos que irão ocorrer, isso não implica numa predestinação? Bem, vejo que é nesse momento, e exclusivamente nesse momento, que Deus esconde seu rosto".

    creio que esse problema se encontra no fato de não entendermos a eternidade. Muito erroneamente chamam "eternidade passada" e "eternidade futura" mas o fato é que a eternidade é um ETERNO AGORA. O que para nós é passado, presente e futuro, para Deus sempre foi ETERNO AGORA. Creio que está aí a explicação da presciência. Deus não vê futuro como vemos e nem passado, mas parece que Ele lhe dá com a gente sempre como um estado PRESENTE. Isto é totalmente diferente de pegar um DVD pronto e assistir um filme que já está todo gravado. Para nós vamos passar o DVD em duas horas mais ou menos, mas Deus o vê por inteiro sem antes e depois. DE fato, nunca entenderemos isto!

    Abraços em Cristo
    Cesar
    Visite meu site: www.revistacrista.org

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  2. É Cesar, de fato é bem complicado. Por isso me aborreço com os calvinistas. Eles insistem que sua doutrina é a única bíblica. Não tenho nenhuma pretensão de dar uma resposta definitiva, mas não não "engulo" a doutrina de Calvino.

    Obrigado pelo comentário. Vou visitar o site com certeza.

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  3. Gostei da citação de Paulo Freire. Posso dizer que tirou-a do baú.

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  4. amigo, se Deus esconde o rosto...como poderá ele ser o provedor de nossas necessidades? E embora nossa análise da realidade seja caótica e aleatória, ela o será para Deus?

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  5. O "esconder o rosto" refere-se não ao abandono do homem por Deus, mas à autonomia que cada ser humano tem para pensar e agir.

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  6. Olá, Jones. Qual livro de teologia sistemática, mas de orientação liberal, você me indicaria?
    Abraços.

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  7. Olha, eu gosto da teologia sistemática do Paul Tillich. Mas é densa como uma pedra. Se você conhece bem a filosofia existencialista e a psicanálise junguiana será mais fácil.

    Uma outra linha bem interessante (nem liberal e nem fundamentalista) e a do teólogo cubano Justo Gonzalez. Nem Estados Unidos e nem Europa... bem interessante.

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  8. Há uma proposta teológica bastante interessante chamada Molinismo. Ela afirma que além de tudo o que irá acontecer, Deus também sabe o que aconteceria se um ser livre agisse de forma diferente. Na visão molinista o livre-arbítrio é concebido como libertário, ou seja, Deus não força ninguém a escolher algo e, muito menos, determina as livres escolhas. Essa visão conhecida como Doutrina do Conhecimento Médio foi idealizada pelo teólogo espanhol Luis de Molina e, agora, na modernidade ressuscitou com o filósofo e teólogo William Lane Craig. É uma visão que busca conciliar a Onisciência Divina com a liberdade humana. Sugiro que faça uma pesquisa e publique suas conclusões em seu blog. Deus abençoe sua vida!

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  9. Edclei,

    Gostei da sugestão. O catolicismo aceita tanto o tomismo como o molinismo, sendo que o primeiro enfatiza a graça de Deus e o segundo o livre arbítrio. Ambos condenam o semipelagianismo.

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  10. Jones, confesso que você tem conhecimento da causa que defende. Porém a conclusão de que "Deus vira o rosto" nada mais é do que a "TEOLOGIA RELACIONAL" que se trata na verdade de uma nova roupagem para o antigo TEÍSMO ABERTO. Mas ai vai minha pergunta: Se Deus se abstêm de sua soberania ("vira o rosto") como pode mostrar ao Apóstolo São João a consumação da história, da obra de Cristo no Apocalipse? (A não ser é claro que você seja um teólogo liberal que interpreta a carta apenas alegoricamente) Para sua meditação:

    "E VI na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos."
    "E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos." Apocalipse 5.1;5

    Resumindo..... JESUS TEM O LIVRO DE TODA HISTÓRIA DA HUMANIDADE EM SUAS MÃOS!!

    Graça e Paz de Cristo
    Alexandre Q. Baltazar

    Sola Scriptura

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  11. Alexandre,

    Se ser "teólogo liberal" é pensar além dos limites dos dogmas, sim, sou mesmo liberal. Simpatizo com o teísmo aberto, ainda que ele possua as mesmas falhas lógicas como doutrina da predestinação.

    Resumindo meu pensamento: "Deus adora jogar dados".

    Sobre a interpretação alegórica do Apocalipse. Veja, não acho que o termo "alegoria" seja adequado. O livro reflete esperanças, anseios de justiça, consolo e perpetuação da vida num mundo supraterreno. Ah, lembro que, Lutero colocou este livro num apêndice não numerado. Considerou-o pouco inspirado...

    Abraços!

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  12. Alexandre Baltazar29 de agosto de 2011 09:22

    Jones desde já agradeço sua atenção. Mas ser liberal não é pensar além de dogmas, ser liberal é tentar racionalizar a fé, sendo que fé é "A certeza das coisas que se esperam e não se veêm" (Hb. 11.1) uma vez não sendo possível, os pais do liberalismo (Matthew Tindal, Hermann Reimarus, Friedrich Schleiermacher entre outros)acabaram com a fé do povo, deixando como fruto de sua "grande teologia" antropocêntrica, imensas catedrais na Europa vazias. Dizer que a Bíblia tem mitos, tudo bem, porém Rudolf Bultmann com sua desmitologização, não deixou uma única doutrina bíblica. A Bíblia por si mesma desmacara os mitos. Elias desmotologizou que Baal respondia com fogo, Moisés desmitologizou que Faraó era um deus e por ai a fora.....Porém rejeitar os fundamentos do cristianismo, como a ressurreição de Cristo, seu nascimento por uma virgem e sua vinda, me desculpe mas isso é ateísmo, ateísmo do qual a maioria dos clérigos da Europa aderiram por aprender o liberalismo teológico, na Holanda por exemplo há uma estatística que 1 a cada 4 pastores evangélicos são ateus. Até entendo que a intenção de alguns liberais era "boa", contextualizar a Bíblia para o novo mundo "Iluminado", porém não entendemos a vida, nem a Bíblia somente com boas itenções. Infelizmente em tempos hodiernos reside a neo-ortodoxia, que na verdade está mais para neo-liberalismo como diria o Pr. Augustus Nicodemos, que mesmo sem a erudição do liberalismo antigo esta consumindo a fé de muitas pessoas, e gerando denominações que não apenas toleram a imoralidade por exemplo, mas que até ja ordenam tais imorais como líderes e pastores.
    O declínio do catolicismo romano se deu principalmente por rejeitar a Bíblia como única fonte inerrante doutrinaria de fé e prática. Para nossa meditação:

    "16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
    17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
    18 E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.
    19 Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
    20 Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.
    21 Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem." (1 Co 15.16-21)

    Alexandre

    Sola Scriptura

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  13. Alexandre Q. Baltazar29 de agosto de 2011 09:40

    Em relação a sua frase: "Deus adora jogar dados", toda a Bíblia Sagrada esta repleta de versículos que mostram a soberania de Deus, sua atemporalidade, seus decretos e designíos eternos:

    "29 Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
    30 E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Romanos 8)

    Na ótica humana:
    "...dante conheceu também os predestinou" PASSADO

    "E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou..." PRESENTE

    "e aos que justificou a estes também glorificou." FUTURO

    Na ótica de Deus = SOBERANIA. Não é teologia calvinista é a Bíblia Sagrada, revelação máxima de Deus para os homens, inerrante, majestosa, soberana PALAVRA DE DEUS.

    Cristianismo queridos é BÍBLIA, PALAVRA é disso que a Igreja de Cristo precisa!!

    Em relação ao apocalipse, disse que que os liberais ou melhor neo-liberais atualmente, a entendem apenas como um livro mistíco e espiritual alegorizando todas as passagens dizendo que não podem ser vistas ainda como simbolos de figuras literais. Porém na verdade apocalipse é uma mensagem pra Igreja de ontem de hoje e do amanhã e sim é uma carta que usa simbolos que predizem acontecimentos literais, tudo que esta nesta carta acontece, aconteceu ou acontecerá. O Apocalipse narra a consumação da obra de Jesus Cristo, 2ª pessoa da trindade, Palavra Viva de Deus que criou o homem, que redime o homem e que em breve a de julgar todos os homens.

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  14. Alexandre,

    Se quer dialogar, eu aceito ouvi-lo. Se quer fazer um sermão, por favor, faça isso em outro lugar. Quem sabe numa praça ou numa passarela...

    Ah, sou liberal, graças a Deus!

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  15. Alexandre Q. Baltazar6 de setembro de 2011 04:53

    Que isso! meu irmão, esta reclamando de minhas poucas palavras! Achei que os liberais eram fascinadooooooss pelo conhecimento. Porque para tê-lo é necessário ler muito! Inclusive até o que não aceitamos. Ou talvez minhas palavras e os versículos da inerrante Bíblia Sagrada fizeram você "engasgar" com todo seu conhecimento secular. Mas gostei da sua sujestão, porque graças a Deus tenho fé no Deus da Bíblia e em sua REVELAÇÃO ESCRITA!!

    Graça e Paz de Cristo
    Sola Scriptura

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  16. Engasgado não, perplexo... com tua completa e absoluta falta de noção. Aliás, não dá para esperar muito de quem lê Nicodemus...

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  17. Alexandre Q. Baltazar6 de setembro de 2011 09:52

    Até aqui companheiro estou apenas debatendo teologia com você, tentando mostrar-lhe que a Bíblia Sagrada é superior a mim, a você a tudo e todos. (e ler....li Karl Barth, Imanuel Kant, Emil Brunner, Paul Tillich, Bultmann....psicologia jungiana, freudiana....John Locke, Descartes, F. Schleiermacher.....filósofos...teólogos...psicanalistas....mas fico com o que o apóstolo Paulo nos diz [parafrasiando] "considero tudo isso como esterco", onde dos que citei, poucas coisas podem ser utilizadas como adubo) como você já esta abaixando o nível me agredindo, entendo que não devo continuar tentando fazer você lembrar de sua conversão quando aceitava a Bíblia Sagrada como único meio de fé e prática da revelação de Deus (porque ninguém se converte com uma mente liberal rsrsrsr já que que pra salvação é necessário ter fé), mas estarei orando para que Deus abra seus olhos. O mais engraçado é que todos comentários até o meu eram de "bajulações", aprenda a ser críticado para aprender crescer.... Deus te abençoe!!

    Particularmente nada tenho contra você. Sou cristão amante da Bíblia Sagrada e creio nos sinais e maravilhas operados pelo Espírito Santo de Deus no meio de sua Igreja. E como defensor do Evangelho de Cristo (Fp 1.16) preciso evitar que ervas daninhas como o liberalismo teológico, se proliferem no meio do povo de Deus.

    Graça e PAz da parte Daquele QUE ERA, QUE É E QUE HÁ DE VIR.
    Sola Scriptura
    Alexandre Q. Baltazar

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  18. Algumas considerações:

    1. Em momento algum eu disse que Barth, Brunner, Tillich ou qualquer outro teólogo é superior à Bíblia. Não sei de onde tirou isso.
    2. Você criou um rótulo de liberal e quer me enquadrar nele. Como eu disse, o termo "liberal" pode significar muita coisa. Bultmann combateu a teologia liberal ao lado de Barth, porém, foi considerado liberal por grupos mais conservadores.
    3. O próprio Lutero lia as Escrituras de forma seletiva. Hebreus, Judas, Tiago e Apocalipse, por exemplo, foram considerados de canonicidade duvidosa ao lado dos deuterocanônicos do A.T.O Só as Escrituras é, na verdade "Só as minhas Escrituras". Mera ilusão... cada qual faz o seu cânon.
    4. Se quer debater sobre a doutrina calvinista seja pontual (pregações apaixonadas e ingênuas não vão resolver o problema). Todos sabemos (inclusive Calvino) que há textos que parecem mostrar que Deus muda (para ele, meros antropomorfismos. Será?).

    Como eu disse desde o início, se quer dialogar estarei pronto. Se quer enfiar pela minha goela seus conceitos, sinceramente, não vai dar...

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  19. 1. Como não?, estou citando textos bíblicos e vc esta querendo separar teologia das Escrituras Sagradas, dizendo pra eu parar de fazer sermões;
    2. Você mesmo se intitulou como "liberal" em vários tópicos que você respondeu acima, eu apenas citei algumas bases da teologia liberal;
    3. Não sei da onde você tirou que Sola Scriptura é "Só as minhas Escrituras", não existe esta citação na obra dos reformadores:
    As palavras “sola scriptura” são do latim: “sola” tem a idéia de “somente”, “chão”, “base”, e a palavra “scriptura” significa “escritos” – em referência às Escrituras. Os reformadores para se diferenciarem do catolicismo romano, usaram este pilar, para mostrar que o Papa, o clero católico em si não tinha autoridade para proferir palavras inspiradas por Deus, somente as Escrituras o tem, é o que todos reformadores pontuaram, Lutero criticou muito sim, a carta de Tiago, por causa da "suposta salvação por obras" contrariando o tema central de sua teologia biblíca e verdadeira da JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.
    4. Justamente o que quero mostrar-te é a doutrina da Bíblia não calvinismo, se ele se aproxima muito do que a Bíblia ensina, o que posso fazer? (depois eu que to rotulando). E claro há sim muitos antropomorfismos. Novamente citando a Bíblia a mesma diz que nem sabemos orar, pois o "Espiríto intercede por nós com gemidos inexpremíveis". Como pois entederíamos a Deus, se Ele por sua graça e misericórdia não utilizasse homens para se revelar a nós outros? O homem totalmente depravado de sua condição original não pode compreender a Deus por si só, muito menos compreender a Deus se Ele lhe falasse abertamente em Sua linguagem.
    Faço minhas suas palavras, afinal de contas quem esta quenrendo enfiar "goela abaixo" aqui é você.

    Pazz de Cristo
    Sola Scriptura

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  20. Alexandre Queibre Baltazar14 de setembro de 2011 10:01

    Voltando a falar da Bíblia,

    Se Deus "joga dados" conforme a teologia relacional supõe, como ficaria as grandes doutrinas bíblicas, da volta de Cristo, do juízo de Deus sobre este planeta, que tem alicerçado o cristianismo ao longo de dois milênios? Ou vocês crêem, como os gregos numa visão cíclica de mundo (tudo que era, voltará a ser , terminará, voltará novamente......ZZzz sinceramente tem que ter muita fé pra crer nisso rsrsrs)?

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  21. Alexandre Queibre Baltazar14 de setembro de 2011 11:09

    Se me permite...mas uma pergunta.. Se cada um faz seu próprio cânon como Solomo Semler sugeriu, dizendo que o método histórico crítico deve buscar o cânon normativo dentro do cânon formal, o que em miúdos resume o que você disse que "cada uma faz seu cânon", o que você acha das comunidades "evangélicas" inclusivas homossexuais? Eles estão corretos então em sua interpretação bíblica?

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  22. Alexandre,

    O primeiro a propor um "cânon dentro do cânon" não foi Semler, mas Lutero. Você deveria ler mais os reformadores...

    Escrevi sobre o assunto aqui:
    http://numinosumteologia.blogspot.com/2011/09/biblia-de-lutero-e-o-canon-dentro-do.html

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  23. Alexandre Queibre Baltazar14 de setembro de 2011 13:42

    Jones,

    Foi consenso entre os reformadores que a Bíblia deve ser interpretada literalmente. Todos eles: Zwinglio, Melanchton, Lutero e Calvino rejeitaram o método medieval proposto por Orígenes que a Bíblia tinha pelo menos 3 maneiras de se interpretar: Literal, Espitirual e Alegórica ou simbólica. Por exemplo no primeiro comentário de Lutero da epístola paulina aos Galátas o mesmo sempre descreve: "...aqui Paulo quer dizer...aqui a intenção de Paulo é esta..." fazendo assim jus a interpretação histórica do texto. Não pegue só a parte que lhe convêm da teologia dos reformadores.(Digo isto porque de fato Lutero, em seu segundo comentário cria algumas alegorias, mas fico com o primeiro).
    Achar um "cânon dentro do cânon" leva qualquer um a dizer o que quiser dentro da Bíblia. "Texto sem contexto é pretexto para heresia"

    Paz de Cristo
    Sola Scriptura

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  24. Alexandre Queibre Baltazar14 de setembro de 2011 13:45

    ahhh histórico gramatical é claro!!

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  25. Alexandre,

    O "cânon dentro do cânon" de Lutero nada tem a ver com exegese (literal, alegórica, tipológica, histórico-gramatical, histórico-crítico ou o que quer que seja).

    Por favor, leia mais sobre os reformadores que você diz gostar tanto. Depois a gente conversa.

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  26. Eu falo sobre canonicidade. Você responde sobre exegese.

    Ou você não lê o que eu escrevo ou não entende.

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  27. Alexandre Queibre Baltazar15 de setembro de 2011 07:38

    Eu acho que você que não esta entendendo (aliás esta sim, você é professor de hermenêutica!!??) que pra buscar, uma "cânon normativo, dentro do cânon formal" como Semler o disse. O método exegético a ser utilizado é fundamental para esta distinção que o liberalismo teológico criou. Pois para se "achar um cânon normativo" é preciso interpretar a Bíblia para saber o que é normativo ou não, e assim o fizeram utilizando o método histórico crítico. No seu artigo sobre Lutero você cita exegese bíblica, ao dizer que Lutero ensinava que deviamos interpretar a Bíblia Cristocêntricamente(não diretamente com essas palavras). Como professor de teologia acho que você sabe que os assuntos teológicos são interligados. Por favor não se faça de bobo!!
    Ahh e gostaria muito de ouvir sua resposta sobre as "igrejas inclusivas" que lhe fiz anteriormente...que é claro são produto do "cânon dentro do cânon"

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  28. Meu Deus, que confusão! É como tentar conversar com uma lambreta ou um poste.

    Isso deve ser uma gozação, não é possível.

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  29. Alexandre Queibre Baltazar15 de setembro de 2011 13:02

    Faço suas minhas palavras, em relação a você é claro!!

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  30. Gostei do desenvolvimento de sua argumentação.Porém continua uma grande interrogação subsistente na contradição aparente entre escolha humana livre e soberania absoluta de Deus.Prefiro conciliar a predestinação com a responsabilidade humana de maneira simples e pragmática.
    Ou seja, devo me esforçar ao máximo para buscar a santidade e a vontade de Deus como um arminiano e confiar na graça e bondade soberana de Deus para minha salvação como um humilde calvinista.

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  31. Conciliar soberania divina como liberdade humana é algo que julgo impossível. Do ponto de vista lógico, ou se é calvinista (não há livre arbítrio) ou teísta aberto (não há soberania absoluta).

    Você não resolveu o problema, apenas admitiu o paradoxo. Não deixa de ser uma saída...

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  32. se é calvinista (não há livre arbítrio) - Na verdade fico com essa posição pois o livro teologia do Erickson fala muito bem sobre a liberdade humana prefiro crer que existe um soberania absoluta, por que se não há, quem parou o sol para que Israel vencesse a guerra? quem pôs no coração de Raabe para salvar os espias e colocou ela na genealogia do messias? quem dirigiu o povo no deserto? quem fez que o homem totalmente pecador sem condições de ver ir até Deus fosse até Ele? a bíblia diz que somos salvos pela fé? ou pela graça? ela diz que foi pela graça por meio da fé. Efesios 2.8, então até a nossa fé é dada por Deus é um favor imerecido.

    teísta aberto (não há soberania absoluta) - Que trite opinião se Deus não pode tudo nem sustenta tudo com sua mão, como interpretar esses textos?
    "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
    E ele é antes de todas as coisas, e TODAS AS COISAS SUBSISTEM por ele."
    Colossenses 1:16-17

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  33. Vickson,

    Optando pelo calvinismo você precisa explicar como o primeiro homem pode ser responsável pelo pecado se até mesmo seu ato foi preordenado por Deus.

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