segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

DOS SÍMBOLOS DE PODER

O que é a continência senão um gesto que lembra, a cada instante, o lugar que o militar ocupa na cadeia hierárquica?

Mas a lembrança não vem apenas pelos gestos. É preciso distinguir botões dourados de botões prateados; o número de divisas na manga ou de estrelas nos ombros; a quantidade de listras; as cores das barretas; a forma dos distintivos...

Há tantas normas, tantos símbolos, tanto controle que é quase impossível pensar.

Na Antiguidade tardia, a partir de Constantino, a igreja consolidou uma hierarquia eclesiástica baseada na estrutura administrativa do império. O título papal usado até os dias de hoje “Sumo Pontífice” (Pontifex Maximus), era um antigo título utilizado pelos imperadores romanos. Mas não é só isso.

As cores, a disposição ou o tipo de pálio, de luvas, de estola, de anel, de báculo pastoral, de solidéu são claros símbolos de poder e de distinção social. O culto aos símbolos e a doutrina baseada no apego à tradição foram feitos para durar, para manter a ordem estabelecida.

Não é de se estranhar que as instituições de maior prestígio entre a população sejam o Exército e a Igreja.


Jones F. Mendonça