sábado, 21 de novembro de 2009

QUAL A ORIGEM DA ARQUITETURA GÓTICA?


Por Jones Mendonça


O termo “gótico” foi usado pela primeira vez pelo pintor, arquiteto e historiador italiano Giorgio Vasari (1574-74) para descrever toda a arte entre a queda do império romano e o início da Renascença. O estilo contrastava com a perfeita harmonia da arquitetura clássica e por isso foi associado aos povos bárbaros, mais especificamente aos godos, daí o nome. Mas segundo Henry Lyon, essa ligação, baseada “na ignorância, não durou muito tempo, mas o nome, embora absurdo, sobreviveu[1].

Massaud Moisés afirma que o estilo gótico esteve “em moda na Europa ocidental entre os séculos XII e XIV, caracterizado sobretudo pela utilização de arcos em ogiva que simbolizavam, graças ao acentuado movimento vertical, a ascensão mística do homem medieval”[2]. O efeito causado pela luz que atravessa os vitrais, os arcos, a geometria da construção com seus ângulos acentuados, tudo isso visava criar um estado de deleite estético naquele que contemplasse a construção.

Como a difusão do estilo gótico coincidiu com o retorno dos cavaleiros templários da Terra Santa, em 1128, logo surgiram especulações ligando essa ordem de cavaleiros cristãos ao novo estilo. Alguns chegaram a sugerir que as chaves para essa nova forma de construção foram encontradas sob Monte do Templo em Jerusalém. Segundo Tim Wallace-Murphy, “essa idéia foi proposta na falta de evidências de qualquer alternativa viável, e sempre houve reservas a esse respeito”[3]. A origem islâmica, mais plausível, tem sido sustentada por estudiosos como Willian Anderson e Jean Bonney.

O estilo encontra muitos exemplos na França, Inglaterra, Alemanha e na Boêmia. Uma das mais belas construções góticas do mundo é a catedral de Chartres, na França.

No Brasil não há autênticas edificações góticas, mas o neogótico, popularizado a partir do governo de D. Pedro II. São exemplos do neogótico a catedral de Petrópolis, a Igreja do Santuário do Caraça, em Minas Gerais e a Catedral da Sé, em São Paulo.

Notas:

[1] LYON, R. Henry (org.). Dicionário da Idade Média. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p.169.

[2] MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 2004, p.212.

[3] WALLACE-MURPHY, Tim. O código secreto das catedrais: decodificando os símbolos ocultos da igreja e da arte renascentista. Tradução de Aleph Teruya Eichemberg e Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Pensamento, 2007, p. 112.