domingo, 1 de novembro de 2009

A POSSESSÃO DA MENTE - LIVRO

Assim o psiquiatra Willian Sargant inicia o seu livro "A possessão da mente": "Fui criado em uma numerosa família metodista da classe média...". O metodismo deixou marcas profundas no autor. Logo no início da obra, Wesley, fundador do metodismo, passa pelo crivo do olhar cético do psiquiatra inglês. Sargant parece um tanto quanto racionalista demais em relação aos fenômenos religiosos, mas suas observações a respeito dos casos de possessão não podem ser ignoradas.

Com uma linguagem simples, ele explica os resultados de experimentos ligados ao comportamento humano e conta suas aventuras pelo mundo enquanto observava e fotografava cultos dos mais diversos tipos. 

A primeira parte do livro o autor aborda temas como comportamento condicionado, técnicas para o aumento da sugestionabilidade, estados de possessão psicológica, possessão mística, possessão e sexo e finalmente sobre o uso de drogas em rituais de possessão.

A segunda parte, a mais interessante (e arrepiante), é composta por relatos de suas experiências ao lado de sua esposa com os mais diversos cultos, desde reuniões avivalistas nos Estados Unidos até os terreiros de candomblé na Bahia. Veja abaixo uma lista completa:

1. Experiências na África;
2. Tribos do Sudão;
3. Exorcizando espíritos;
4. Experiências na Zâmbia;
5. Possessão Zar;
6. Exorcizando demônios;
7. Nigéria e Daomé;
8. Macumba no Brasil;
9. Experiências em Trinidad;
10. Experiências na Jamaica e em Barbados;
11. Vodu no haiti;
12. Revivals nos Estados Unidos.

Como se vê, o cara rodou o mundo em busca de fenômenos de possessão. Um dos relatos mais curiosos de Sargant ocorreu em uma igreja revivalista na Carolina do Norte, quando visitou um culto onde serpentes venenosas eram manipuladas pelos fiéis. Sons de tambores, gente gritando, serpentes passando de mão em mão, enfim, o psiquiatra confessa:
"temi ser envolvido repentinamente pelo ritmo e entusiasmo, terminando por entrar em estado de transe e êxtase". Ele continua: "Minha esposa observou-me que eu parecia estar tão hipnotizado e em transe quanto os manuseadores de cobras que eu fotografava"[1]. 
Se você já caiu após ser atingido por um peletó "ungido", não se abata, até os céticos acabam sendo sugestionados pelo ambiente. Aliás, Sargant faz uma advertência aos mais céticos: quanto maior a resistência, maior a intensidade da "possessão".

Vá de retro!

Nota:
[1] SARGANT, Willian. A possessão da mente: uma fisiologia da possessão, do misticismo e da cura pela fé. Rio de Janeiro: Imago, 1973, pp. 228, 229.