terça-feira, 3 de outubro de 2017

O JUDAÍSMO E A SERPENTE DO ÉDEN

Certa vez alguém me perguntou a respeito de como os judeus do primeiro século interpretavam a figura da serpente em Gn 3. Expliquei que provavelmente não a viam como representação de Satanás, como fez a tradição cristã no segundo século. Mas fiquei devendo um exemplo.

Abaixo a interpretação alegórica feita por Filon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C.):
Deus, que criou todos os animais na terra, arranjou esta ordem muito admiravelmente, pois ele colocou a mente em primeiro lugar, isto é, homem [...]; depois o sentido externo, isto é, a mulher; e, seguindo a ordem regular, chegou ao terceiro, o prazer [...] representado sob a forma da serpente, pois assim como o movimento da serpente é cheio de muitas sinuosidades e variações, assim também é o movimento do prazer (Interpretação alegórica II, 74).
Bem, a razão para a escolha da mulher como alvo da serpente é explicada em outro texto (as mulheres não vão gostar!):
a mente da mulher é mais afeminada, de modo que através de sua suavidade facilmente é enganada e capturada por convicções falsas que imitam a verdade (Perguntas e respostas sobre Gênesis I, 34).



Jones F. Mendonça