terça-feira, 15 de agosto de 2017

OS RABINOS, O FRANGO E O QUEIJO

Uma das mais conhecidas leis kosher (regra de alimentação judaica) proíbe o consumo de leite e carne numa mesma refeição. Tal restrição baseia-se em Dt 14,21 “Não cozerás um cabritinho no leite de sua mãe”.

Filon de Alexandria, judeu helenista do primeiro século, leu a restrição de forma literal e a compreendeu como tendo caráter ético: um animal jovem não deve ser cozido no leite de sua própria mãe porque tal atitude demostraria falta de misericórdia e decência (Virtudes 141-144). Bem, se isto é certo, por que a Torah não proíbe a ingestão de ovos e carne de galinha numa mesma refeição? A lógica não seria a mesma?

A tentativa de justificar racionalmente alguns preceitos da Torah ainda faz sucesso hoje, embora as explicações careçam de fundamento sólido. É o que fazem, por exemplo, com a carne de porco, cuja condenação, em Lv 11,7, seria explicada pelos (questionáveis) malefícios que a carne suína traz ao corpo. É preciso lembrar que além da carne de porco, também é proibida a ingestão da carne de lula, camarão, siri, cação, e outros animais aquáticos sem escama ou barbatana.

As escolas de Shammai e Hillel levantaram novas questões: será que é permitido ingerir derivados do leite com carne? Mais que isso: será que podem ser postos à mesa juntos durante a refeição? Em M. Hullim 8,1 o tema é discutido. A carne em questão é a de galinha:
A galinha pode subir à mesa com queijo, mas pode não ser comida. Estas são as palavras da casa de Shammai. Mas a Casa de Hillel diz: Não pode subir à mesa, nem ser comida...

Caso queira ler as discussões rabínicas a respeito a ingestão de leite e carne numa mesma refeição, leia este artigo publicado na The Torah.


Jones F. Mendonça