sexta-feira, 11 de agosto de 2017

JUDAÍSMOS

Estamos no Antigo Israel do século VIII a.C. O rei quer governar. O sacerdote quer sacrifício. O sábio quer dar conselho. Profetas como Isaías, Oseias e Amós querem protestar contra as injustiças, sobretudo criticando reis, sacerdotes e profetas e sábios da corte (veja Is 28,7; Jr 8,9; 18,18). Não é uma relação fácil.

Quando Judá cai nas mãos dos babilônios – em 586 a.C. - a figura do rei é suprimida. O sacerdote ganha poder. Os sábios rejeitam o exílio como punição pelo pecado e as respostas prontas para os enigmas da vida. Os profetas são perseguidos, calados.

Novas potências subjugam Judá: persas, macedônios, ptolomeus, selêucidas. É sob o governo desses últimos - no século II a.C. - que nascem as seitas judaicas: saduceus, fariseus, essênios. Tentativas de adaptar suas antigas tradições a um mundo em constante transformação. Textos sapienciais, como a Sirácida e a Sabedoria, nem de longe lembram as críticas ácidas de Jó e Eclesiastes. É também no século II a.C. que nasce a literatura apocalíptica.

Judá na época de Jesus é uma região complexa: o poder político é latino, a escrita e a cultura é grega, as Escrituras Sagradas escritas em hebraico, o idioma falado o aramaico. Mais que isso: há seitas judaicas divergindo entre si. Influência do helenismo. Expectativa messiânica forte. Falta de esperança após uma sucessão de impérios dominando Judá.

No ano 70 d.C. o templo é destruído pelos romanos. Extintas as figuras do rei, do profeta e do sábio (convertido em escriba?), também chega ao fim o ofício sacerdotal. Como sacrificar sem o altar? Como cultuar sem templo? Nasce a figura o rabino, herdeiro de uma atividade muito apreciada pelos fariseus: o estudo da lei. Na sinagoga o comentário da lei substitui o culto sacrificial.



Jones F. Mendonça