segunda-feira, 10 de agosto de 2015

TEOLOGIA PENTECOSTAL: ENTRE A RESISTÊNCIA E A SUBMISSÃO

O movimento pentecostal possui dois fundadores: Charles Fox Parham (1873-1829) e Willian Joseph Seymour (1870-1922). O primeiro era branco, racista simpatizante da Ku-Klux-Klan e entusiasmado com a glossolalia como evidência da atuação sobrenatural do Espírito. O segundo, seu aluno, era negro filho de ex-escravos e entusiasmado com a superação das raças e classes sociais.

Seymour tinha ideias revolucionárias. Introduziu música de raiz africana - o negro spirituals - na liturgia do culto, buscou igualdade entre bispos brancos e operários negros e entre professores brancos e lavadeiras negras. As igrejas históricas, dirigidas e formadas por brancos, desprezaram o movimento por causa do status social de seus integrantes e de seu “profeta negro”. O tempo passou e esse lado contestador do pentecostalismo foi sendo posto de lado.

Mas na década de 60 o evangelista pentecostal Arthur Brazier (1921-2010) fez renascer com muita vitalidade a crítica social nos sermões pentecostais. Disposto a destruir o mito da supremacia moral e intelectual dos brancos, Brazier afirmava que os EUA foram construídos nas costas dos negros, povo cujo sangue havia sido derramado nas plantações de algodão e nas estradas de ferro que cortavam o país. Brazier estava ao lado de Martin Luther King Jr. quando este saiu pelas ruas protestando contra a segregação racial.

Quando ouço um pastor pentecostal dizendo que os negros descendem de Cam, filho maldito de Noé, fico pensando: o que deu errado?


Jones F. Mendonça