quarta-feira, 5 de agosto de 2015

EGO FRÁGIL, DESERTO DE AZAZEL

O sujeito de ego frágil quer um retorno positivo. O que ele faz? Projeta involuntariamente suas tendências inconscientes indesejáveis sobre objetos ou pessoas do mundo exterior. Mas esse sujeito de ego frágil não se dá conta do seguinte: o vulto soturno que ele persegue com tanta obstinação e ódio é sua própria sombra. É projeção de si mesmo. O inspetor Javert, em “Os Miseráveis” de Victor Hugo, é um exemplo emblemático de alguém que caiu nessa armadilha sinistra.

Por instinto e com uma maestria macabra, Hitler soube projetar a sombra dos alemães nos judeus, povo cuja história sempre fora marcada por perseguições, não só na Alemanha do Lutero que escreveu “Sobre os judeus e suas mentiras”, mas em toda a Europa. Na linguagem popular chamamos isso de “bode expiatório”, uma referência ao bode citado no livro bíblico de Levítico que levava os pecados do povo.

O mês de agosto promete manobras políticas capazes de marcar para sempre a história de nosso país. Mas o que os egos frágeis, as sombras, os bodes e Azazel têm a ver com o atual momento político? Tudo.



Jones F. Mendonça