sábado, 8 de dezembro de 2012

VISÕES DE EZEQUIEL: SOBRE DEUSES, TRONOS E QUERUBINS [PARTE II]

No Salmo 18 Yahweh é apresentado voando montado em um Keruv (palavra geralmente traduzida por querubim, no plural). Na cena, raios e trovões abalam os céus. Das narinas de Yahweh saem fogo. Da sua boca fogo consumidor. Saraiva e brasas incandescentes anunciam o esplendor de sua glória.

Curiosamente pouca gente se pergunta de onde o salmista tirou os elementos dessa descrição, principalmente o trecho que descreve Yahweh voando num querubim.

Como o salmista, o profeta Ezequiel (caps. 1 e 10) também apresenta Yahweh voando sobre querubins (também chamados de grifos ou esfinges). Na mitologia oriental eles têm a função de proteger o recinto sagrado (é possível vê-los em templos assírios, babilônicos, persas, egípcios, etc.).  

Abaixo uma esfinge neo-assíria (chamada de Lamassu – 883-859 a.C.) com cabeça humana, corpo de leão e asas de ave (que também lembram as bizarras figuras presentes no livro de Daniel).

Fonte: The Metropolitam Museum of Art
Abaixo a representação de uma esfinge encontrada em Samaria (séc. VIII/IX a.C.), atualmente no Museu de Jerusalém, Israel. A influência egípcia é evidente:

Fonte: Google Art Project
Na visão de Ezequiel os querubins carregam o trono divino. Num selo sírio do século XIX/XVIII a.C. é possível ver uma cena semelhante. Nele uma divindade aparece sentada sobre um trono sustentado por touros (neste caso, sem asas):

Fonte: The Metropolitam Museum of Art

Não se deu por vencido? Quer a imagem de uma divindade sobre um trono carregado por um animal alado? Tudo bem, que tal esses selos fenícios do período aquemênida (séc. VI a IV a.C.)?

Fonte: site da Universidade de Oxford

Finalizo este post com a tela “A visão de Ezequiel”, de Rafael (perdoem Rafael pelos anjinhos nus rosados, coisa do renascimento). 

Fonte: Web Gallery of Art

Jones F. Mendonça