segunda-feira, 30 de abril de 2012

A FORMAÇÃO DO PENTATEUCO: ESCRITO BÁSICO, FONTES, CÍRCULOS NARRATIVOS.

Desde que o deísta inglês Thomas Hobbes (Leviatã), o protestante francês Isaac de la Peyrène (Pré-adamitas), e o judeu Baruch Spinoza (Tractatus theologico politicus), puseram em dúvida a autoria de Moisés na maior parte do Pentateuco, inúmeras hipóteses foram formuladas com o objetivo de apresentar uma solução que explicasse de forma convincente a formação do Pentateuco. Os três modelos básicos a seguir representam uma síntese de tudo o que foi dito até hoje:
  • A hipótese do escrito básico (ou da redação continuada): o Pentateuco formou-se a partir de um documento básico único, contendo a narrativa que vai da Criação até a morte de Moisés. Tal documento teria sido ampliado diversas vezes pela inclusão de textos parciais escritos ou transmitidos oralmente ou por emendas atualizadoras e interpretadoras.
  • A hipótese das fontes (ou modelo das camadas): o Pentateuco formou-se a partir de diversos documentos fonte, originalmente independentes (épocas e lugares distintos). Na sua formulação clássica: fonte Javista (J), Eloísta (E), Deuteronomista (D) e Sacerdotal (P). Catástrofes regionais, tais como o desaparecimento do reino do Norte e o exílio babilônico teriam impulsionado a “costura” dessas fontes, deixando pistas bem visíveis, tais como duplicações e tensões entre narrativas.
  • A hipótese dos círculos narrativos (ou modelo dos blocos):  Durante séculos círculos narrativos (Criação e dilúvio, Abraão, Jacó, Êxodo, Sinai, etc.) tiveram sua própria história de crescimento. Diferentemente do que propõe a hipótese do escrito básico, essas narrativas tiveram sua própria história de crescimento. Na época do exílio esses círculos narrativos foram unidos formando um nexo narrativo abrangente “da Criação à morte de Moisés”. Mais tarde esse texto teria recebido uma ou mais redação(ões) posterior(es).
Tais hipóteses foram retrabalhadas recentemente por alguns pesquisadores, tais como M. Rose e J. van Seters (escrito básico); L. Ruppert e P. Weimar (hipótese das fontes) e Rolf Rendtorff e E. Blum (círculos narrativos). Além dessas três linhas de pesquisa houve a tentativa de combinar o modelo dos círculos narrativos com o modelo de fontes, conforme apresentado por W. H. Schmidt. Fiz um pequeno resumo deste modelo para os meus alunos após consultar dois autores: Erich Zenger (Introdução ao Antigo Testamento) e Franz Josef Standebach (Israel e seu Deus). Abaixo o resultado:

Jones F. Mendonça

PENTATEUCO