segunda-feira, 9 de abril de 2012

ESTOICISMO E CALVINISMO

Os quatro homens santos,
(Paulo e Marcos), 1526,
Albrecht Dürer.
Ainda que Calvino negue nas suas Institutas, a doutrina da predestinação recebeu forte inspiração do estoicismo, escola filosófica helenista fundada por Zenão de Citio (Chipre) no início do século III a.C. No seu discurso no Areópago (At 17,24-28) Paulo  de Tarso (uma cidade estóica na Ásia!) faz um referência explícita a Cleanto (um hino) e/ou Arato (Fenômenos). Judeu com os judeus e grego com os gregos, Paulo foi costurando o judaísmo farisaico com a filosofia grega. Entre os judeus: povo eleito. Entre os gregos: um Deus que elege "ramos enxertados". 

No século IV Agostinho emendou novos retalhos ao trabalho de Paulo dando-lhe mais sofisticação e coerência lógica. Cerca de mil anos depois Lutero e mais ainda Calvino (escreveu um comentário sobre De Clementia, do neo-estóico Sêneca) deram nova roupagem à doutrina da providência divina. Calvino dizia com todas as letras:
afirmamos que não só o céu e a terra, e as criaturas inanimadas, são de tal modo governados por sua providência, mas até os desígnios e intenções dos homens, são por ela retilineamente conduzidos à meta destinada (Livro II, XVI, 8).
Não muito diferente é a fórmula do estóico Cleanto (~331-232 a.C.), retomada por Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.):
Os destinos guiam quem os aceita, arrastam quem a eles resiste (Sêneca, Cartas a Lucílio, 17, 11). 
Troque "os destinos" por "Deus" e teremos duas doutrinas muito semelhantes. 

Há algo novo debaixo do sol?


Jones F. Mendonça