domingo, 5 de setembro de 2010

STEPHEN HAWKING E DEUS

Por Jones Mendonça

Jornais do mundo inteiro noticiaram que o grande físico teórico Stephen Hawking excluiu Deus das teorias sobre a origem do universo. Essa declaração estaria presente num livro que será lançado na próxima semana que tem como título: “The Grand Design” (O grande design).

De acordo com alguns jornais (como o The Times) tal declaração representa uma postura diferente de Hawking em relação à existência ou não de Deus. Discordo.

Tenho dois livros do Hawking: “O universo numa casca de noz” e “Buracos negros, universos bebês e outros ensaios”. Neles uma coisa fica muito clara: Hawking sempre descartou Deus como origem provável para o universo. Para ele as leis da física são suficientes para explicar a origem do cosmos. Mas como ele é muito educado e cortês, sempre evita entrar em confronto direto com os religiosos. Veja abaixo trechos de "Buracos negros, universos bebês e outros ensaios", publicado em 1994:
“Um dos assuntos que mais discutíamos [referindo-se aos amigos da adolescência] era a origem do universo e a necessidade ou não de Deus para criá-lo e pô-lo em funcionamento. [...] Um universo essencialmente imutável e perpétuo parecia tão mais natural! Só me dei conta de que estava errado depois de cerca de dois anos de pesquisas para o meu doutorado.[1]”
Hawking abandonou a idéia de um universo imutável e eterno após a descoberta de que ele está em expansão, como um balão que infla. A conclusão óbvia surgida a partir dessa observação é que o universo teve um início.

Sobre as leis que regem o nosso universo, Hawking diz o seguinte:
Na verdade, sempre é possível alegar que as leis da ciência são a expressão da vontade de Deus”[2].
Com esta frase Hawking não está dizendo nada sobre sua crença ou não em Deus. Ele está apenas dizendo que Deus será sempre uma possibilidade  para a origem do universo, mas que ele pessoalmente descarta, como pode ser visto nesta declaração:
“Ainda acredito que o universo teve um início no tempo real, num big-bang [mas] não precisamos dizer que o modo como o universo começou foi um capricho pessoal de Deus.[3]”
Isso foi escrito há quase 20 anos! Hawking é um positivista, ele acredita que a razão humana triunfará um dia e será capaz de descrever todas as leis do universo por meio de equações matemáticas.

A obsessão por uma explicação natural para a origem do universo parece que jamais foi abandonada por Hawking. As declarações presentes em “The Grand Design” apenas expressam as convicções que ele cultiva desde a sua infância. 

Notas:
[1] HAWKING, Stephen. Buracos negros, universos bebês e outros ensaios. Rio de Janeiro: Rocco, 1995, p. 16.
[2] Id. Ibid., p. 109.
[3] Id. Ibid., p. 135.