domingo, 26 de setembro de 2010

O PNDH-3, O ABORTO E A IGREJA

Por Jones Mendonça

Tem ganhado grande repercussão na mídia evangélica o discurso do pastor Paschoal Piragine criticando o PT num vídeo postado no YouTube. O motivo das críticas é o conteúdo do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que dentre outras coisas promove a descriminalização do aborto. Veja o que diz um pequeno trecho:
g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.
Recomendação: Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto[1].
Após uma breve introdução, o referido pastor apresenta um vídeo condenando uma série de propostas presentes na PNDH-3. Dentre as imagens aparecem crianças indígenas sendo enterradas vivas por causa de um antigo tabu. Apesar das imagens chocarem qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade, o PNDH-3 nada versa sobre o assunto (aliás, discussão sobre o “infanticídio” indígena é mais complexa do que se imagina). Ainda que eu não concorde com o texto do projeto que dispõe sobre o aborto fiquei pensando: como um pastor que diz lutar contra a estatização da iniquidade apresenta imagens que distorcem a verdade e confundem os fiéis? O vídeo induz a demonização do PT. É desonesto. É mentiroso. É iníquo!

A igreja tem o dever de esclarecer as pessoas. Manipulá-las jamais!

Informe-se sobre o PNDH-3 clicando nos links abaixo:





Nota:
[1] Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) / Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República - - ed. rev. - - Brasília: SEDH/PR, 2010, p. 91.http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf