quarta-feira, 24 de março de 2010

ESTUDIOSA AFIRMA: O GETSÊMANE NÃO ERA UM JARDIM, MAS UMA CAVERNA

O Evangelho de Marcos descreve Jesus e os discípulos indo para o Monte das Oliveiras após a última ceia. Eles atravessam o vale de Cedron e param para orar num local chamado Getsêmane (Mc 14,32), que significa “prensa do óleo”. Joan E. Taylor, pesquisadora na área de história e arqueologia da religião no Mediterrâneo Oriental durante os períodos helenístico e romano, destaca que nem Marcos e nem Mateus se referem ao local como sendo um jardim, mas apenas como propriedade ou simplesmente lugar. Mas João 18,1 fala que Jesus entrou em uma área cultivada (kepos), talvez um jardim. Acontece que o texto de João parece indicar que Jesus saiu (ep' auton) de dentro que algo que ficava no jardim após a chegada de um grupo de pessoas que queriam prendê-lo. A palavra “sair” não pode estar se referindo ao recinto do jardim, já que sua prisão ocorreu neste local. Mas afinal, Jesus saiu de onde?

Para Joan E. Taylor Jesus saiu de uma caverna que ficava dentro de um local cultivado no Monte das Oliveiras. As evidências para essa teoria estariam no fato dos discípulos terem dormido no local (um recinto coberto seria mais adequado), no costume de se construir prensas de azeite em cavernas e nos relatos de peregrinos cristãos dos primeiros séculos, que relataram a presença de presas de óleo subterrâneas localizadas no Monte das Oliveiras.


Dentre os livros publicados pela autora estão:



Christians and the Holy Places: The Myth of Jewish Christian Origins (Oxford: Clarendon, 1993).(Irene Levi-Sala Prize winner, 1995) 


The Immerser: John the Baptist within Second Temple Judaism (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1997; also published as John the Baptist: A Historical Study (London: SPCK, 1997).

O artigo completo (em inglês) pode ser lido aqui.