quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A HISTÓRIA POLITICAMENTE INCORRETA DA REFORMA PROTESTANTE

Zé Bobinho toma emprestada uma coleção das obras de Lutero. Pensa consigo mesmo: “o reformador deve ter linguajar e retórica magníficas, dignas de serem imitadas nos púlpitos”. Senta-se confortavelmente numa almofada e inicia sua leitura.

Com os olhos estatalados e o dedo lambuzado de saliva vai folheando páginas ao acaso. Percebe então que sob a pena de Lutero os nomes de seus desafetos vão ganhando novas formas. O teólogo católico [John] Eck se transforma em Dreck (sujeira) ou Dr Sau (porca); Muntzer é alterado para Murnarr (tolo); Cochlaeus converte-se em Rotslöffel (colher de meleca); o duque de Braunschweig é tratado como Hanswerst (palhaço); papistas como “asnos” e a igreja romana como “prostituta”.

Ainda atordoado Bobinho apanha outra obra e se depara com esta confissão do reformador: “Nunca progrido melhor na oração, pregação e redação do que quando me enfureço. De fato, a ira... aguça o espírito e caça as tentações” (WA TR 2, 455, nº 2410).

Bobinho fecha o livro perplexo após se dar conta  de que o "rapá", o "malandro" e o "funicar" de Malafaia são insignificantes perto das expressões ainda mais toscas empregadas pelo reformador alemão.




Jones F. Mendonça