terça-feira, 5 de agosto de 2014

HEREM, CRUZADAS E GIHAD: CADA QUAL COM SUA GUERRA SANTA

Karl Barth na Time
Os judeus jamais foram vistos com bons olhos pelos cristãos. Foi assim nos primeiros séculos, foi assim durante a Reforma (sobretudo com Lutero), foi assim até a Segunda guerra Mundial. Karl Barth, em seu texto “A questão dos judeus e sua resposta cristã” (1949) talvez tenha sido o primeiro a romper com essa “teologia antijudaica” Mas a reflexão de Barth também marcou uma virada de mesa.

Criou-se, a partir da fundação do Estado judeu (1948) e da consequente reação hostil de países como Jordânia, Egito, Síria e Iraque, o mito de que árabes (muçulmanos) e judeus são inimigos eternos. Ora, do século VII até o século XX (com algumas interrupções), a Palestina foi submetida ao domínio muçulmano: Inicialmente árabe (a partir do século VII); depois turco (a partir do século XVI). Judeus sofreram perseguições tanto na Europa cristã como na Palestina muçulmana. A mais cruel e sangrenta veio de um país protestante: a Alemanha de Lutero dominada por Hitler.

Estamos no século XXI e ainda há quem busque em suas letras sagradas (seja muçulmano, seja judeu, seja cristão) as razões para conflitos que tem origem política e econômica. No caso particular dos cristãos há algo curioso. Até o final da Segunda Guerra Mundial: “judeus estão pagando pela crucificação de Cristo”. Depois disso: “o exército de Israel é o exército de Deus”. Pobre mente bipolar.



Jones F. Mendonça