quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

SALOMÃO GINSBURG, OS BATISTAS E A MAÇONARIA


Famoso por ter criado o Cantor Cristão, Salomão Ginsburg - missionário batista fundador de inúmeras igrejas em território brasileiro - está em Jacobina, no centro norte baiano. É final do século XIX e a reação católica aos protestantes é extremamente hostil. Enquanto prega, uma multidão armada com punhais cerca o dedicado missionário. Salomão ora pedindo livramento a Deus e um pensamento lhe vem de súbito: “Seria possível que naquele lugar houvesse um irmão maçom?”. Sem pensar duas vezes este ilustre maçom protestante faz o sinal da maçonaria e alguns homens o cercam, conduzindo-o a uma das melhores residências da cidade. Ufa!

Este é apenas um caso de ajuda maçônica relatado por Salomão Ginsburg em seu livro “Um judeu errante no Brasil”, publicado pela JUERP (dê uma olhada nas páginas 82, 83 e 110). Os maçons, liberais e progressistas, viram o protestantismo como um ótimo instrumento contra o poder da igreja católica, considerada conservadora e atrasada. Como fez com os templários, a igreja católica logo tratou de demonizar os maçons, artifício que também foi utilizado por evangélicos em relação aos dois primeiros. A influência maçônica entre os protestantes foi tão significativa que em 1903 ocorreu um cisma na igreja presbiteriana.

Na raiz de todas essas disputas está a luta pelo poder. A fé funciona como isca. O demônio, por mais estranho que possa parecer, alimenta a fé. É assim desde os primórdios...


Jones F. Mendonça