sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

PARA COMPREENDER O CRISTIANISMO PRIMITIVO II [LIVROS]


V.V, A.A. Cristianismo primitivo y religiones mistéricas. Madrid. Ediciones Cátedra, 1995.

Diferentemente do que pode parecer, o livro não trata apenas da relação entre o cristianismo primitivo e as religiões mistéricas. Há muito mais. Como a obra é bastante extensa (possui 33 capítulos), farei uma breve apresentação dos 10 primeiros capítulos.

No primeiro capítulo J. M. Blázquez (autor da maior parte do livro) trata sobre as fontes para o conhecimento de Jesus: A Fonte Q, a autoria, data da redação e a origem dos Evangelhos, as cartas paulinas e os evangelhos apócrifos (fontes judaicas e romanas sobre Jesus são tratadas no capítulo IV). Em seguida, nos capítulos II, III e IV, o mesmo autor trata sobre o mundo em que nasceu o cristianismo, as seitas judaicas e a pessoa de Jesus (sua vida pública, idioma que falava, família, pregação, interpretações de sua mensagem, etc.). O capítulo V, ainda sob os cuidados de J. M. Blázquez trata sobre a estrutura social do cristianismo primitivo. Temas como a situação social da mulher, o ambiente urbano do cristianismo dos primeiros séculos e sua organização eclesiástica são abordados pelo autor.

O capítulo VI, escrito por Arminda Lozano Velilla, Catedrático de História Antiga da Universidade Complutense de Madri, tem como foco o panorama religioso da Ásia Menor na época helenístico-romana. Lozano apresenta algumas das principais características das escolas filosóficas helenísticas desse período: platonismo, epicurismo, estoicismo e cinismo. O culto ao imperador, a astrologia, a ideia monoteísta e a religião solar também recebem atenção especial. O autor prossegue tratando sobre as religiões pagãs e suas principais divindades (Cibele, Atis, Zeus, etc.).

J. M. Blázquez volta à cena nos capítulos VII e VIII. Seu interesse agora se volta para a reação pagã ao cristianismo primitivo (Epícteto, Crescente, Frontón, Luciano de Samosata, Marco Aurélio, Apuleio, Hélio Aistides, Galeno, Celso, Dion Cassio, Cipriano e Porfírio) e a resposta dos apologistas gregos e latinos a esses ataques. Tertuliano recebe uma atenção especial no capítulo VIII (o capítulo XI dedica algumas páginas aos demais apologistas).

Antonio Piñero, autor do IX capítulo, aborda o gnosticismo e sua relação com o cristianismo dos primeiros séculos. No capítulo X, marcando um novo retorno de J. M. Blázquez, são discutidas as influências da filosofia grega nos pensadores cristãos (se este último tema é do seu interesse, vale conferir este post) .

Bem, ficam para um próximo post os demais capítulos dessa valiosa obra.


Jones F. Mendonça