quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DEUS JOGA DADOS (?)

Stephen Hawking, contrariando Einstein, acha que "Deus"
joga dados. 

Na teologia reformada não existe sorte. A palavra pode até ser empregada por um calvinista, mas possui uma conotação diferente: sorte = evento que tem como origem um decreto divino motivado por um critério misterioso. Por trás de tudo move-se a Providência com seus fios invisíveis e infalíveis. Para a frágil e ingênua criatura humana os ventos que sopram a vela da história parecem “sorte” ou “acaso” ou são frutos da atividade humana. Mas no fundo, dirá um calvinista, o que chamamos “sorte” ou “acaso” não passa de um decreto divino.

Quando o assunto é salvação o processo é o mesmo. Deus “vota”, digamos assim, num indivíduo e ele é incluído gratuitamente entre os eleitos. Não importa se fez uma boa “campanha”, ou se é um “bom candidato”, ou se tem um grande poder de persuasão. O “eleito” também não ganha essa condição por acaso, como ocorre com um dado lançado numa mesa de jogo. Aliás, Deus até pode jogar dados, mas são dados “viciados”. Quando Ele quer que o resultado seja um seis, certamente será um seis. Ponto.

Os problemas começam quando o assunto é o pecado original, uma das doutrinas fundamentais na teologia cristã. Ora, se a desobediência do primeiro casal foi o resultado de um decreto divino, como ambos (e toda uma geração posterior) podem ser responsabilizados por tal ato? Deus jogou o “dado viciado” e o resultado foi: “comer o fruto proibido”. Haveria alternativa senão comê-lo? Deus, neste caso, não se faz autor do pecado?

Calvino dirá que não. Sei...


Jones F. Mendonça