segunda-feira, 10 de outubro de 2016

OUTUBRO: MÊS DA REFORMA (I)

Durante cerca de 1500 anos a Igreja dominou as rédeas da interpretação. No século XVI Lutero desafiou a Igreja e inaugurou o “livre exame”. A “verdade” do texto, antes una, tornou-se múltipla. São bem conhecidas as farpas trocadas entre Lutero e Zwínglio a respeito da interpretação de Mt 26,26 (“isto é o meu corpo” → simbólico ou literal?).

Herdeiros do “livre exame”, mas ainda obcecados pela precisão das definições teológicas, os protestantes logo trataram de enclausurar o livre exame nas chamadas confissões doutrinárias. A vocação protestante para o cisma, para a divisão, talvez não seja produto da ausência de um lastro, de uma autoridade única capaz de determinar a interpretação correta, mas do medo doentio das lacunas, dos espaços em branco, das incertezas.

A maldição protestante: quanto mais quer definir, mais se divide.



Jones F. Mendonça